O Reverendo Hermes Fernandes
publicou o texto abaixo no seu blog, no qual coaduno com sua opinião a respeito
do conflito Israel x Palestina, como também a contradição que alguns ainda tratam Israel
como “povo de Deus”, e o papel da Igreja de Cristo qual seria diante deste e os
demais conflitos.
Convido à leitura e reflexão com este texto tão importante.
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Silas Malafaia, Israel e o direito
de matar
Acabei de assistir ao pronunciamento
do pastor Silas Malafaia acerca do conflito "Israel e Palestinos" e
coincidentemente tratei do mesmo assunto no culto de ontem em nossa igreja.
Apesar do meu amigo Danilo Fernandes, editor do Genizah, concordar 100% com o
líder da AVEC, gostaria de apresentar as razões que me fazem discordar de seu
posicionamento.
Silas faz coro com boa parte dos
líderes evangélicos brasileiros, que por sua vez, estão afinados com o diapazão
ideológico americano.
A primeira coisa que me chamou a
atenção na defesa que Silas faz dos ataques de Israel à faixa de Gaza foi dizer
que, numa guerra, nenhuma reação é proporcional à ação. Portanto, Israel teria
razão em lançar mísseis em escolas palestinas matando crianças inocentes para
vingar a morte de três adolescentes judeus mortos por militantes do Hamas. Ora,
se Israel se mantivesse fiel aos princípios esboçados na Lei do Senhor, saberia
que um dos seus mandamentos diz respeito à proporcionalidade de nossas reações
(olho por olho, dente por dente). E mais: um discípulo de Jesus jamais
defenderia qualquer reação, uma vez que seu Mestre ensinou a amar a seus
inimigos e oferecer-lhes a outra face. Partindo do argumento usado por Silas, o
ataque dos EUA a Nagazaki e Hiroshima em reação ao ataque japonês a Pearl
Harbor foi totalmente justificável. Enquanto 2403 pessoas morreram na base
americana de Pearl Harbor, 220 mil pessoas morreram nas duas cidades japonesas
(quase cem vezes mais!). Quantas crianças palestinas terão que morrer para
vingar a morte dos três adolescentes judeus?
Porém, o que mais me incomodou em
seu discurso pró-Israel foi a interpretação teológica dada ao fato e à posição
supostamente privilegiada de Israel.
De fato, Deus fez uma promessa a
Abraão de que toda aquela terra seria dada à sua descendência (Gn.13:14-15).
Esta mesma promessa foi confirmada a Isaque e a Jacó (Gn.26:2-24; 28:12-14).
Todavia, Deus estabeleceu condições para que seus descendentes tivessem o
direito de posse da terra. Se não as cumprissem, a terra os vomitaria e eles
seriam espalhados entre as nações (Lv.20:22; 26:14-15, 27-28, 32-33). Portanto,
a Diáspora Judaica nada mais é do que o cumprimento das sanções impostas por
Deus a Israel, se seu povo não guardasse os seus mandamentos. Ainda mais grave
do que rejeitar a Lei do seu Deus, os judeus também rejeitaram o Messias
prometido. Portanto, a aliança entre
Deus e eles foi quebrada.
Entretanto, há promessas bíblicas de
que Israel retornaria à sua terra. E com base nessas promessas, surgiu o
movimento sionista. Sionismo é um movimento político e filosófico que defende a
existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território
onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. O sionismo é também
chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da
Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de
Israel. O termo "sionismo" é
derivado da palavra “Sião”, nome de uma
das colinas que cercam a chamada Terra Santa. Durante o reinado de Davi, Sião
se tornou sinônimo de Jerusalém. Em inúmeras passagens bíblicas, os israelitas
são chamados de "filhos (ou filhas) de Sião".
O que este movimento parece ignorar
é que para que Israel retornasse à sua terra, algumas condições precisariam ser
preenchidas. Dentre elas, a mais importante é a conversão dos judeus.
“Porque, em vos
convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia
perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor
vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se
vos converterdes a ele.” 2 Crônicas 30:9
Portanto, o atual Estado de Israel,
fruto de um arranjamento político da ONU, nada tem a ver com o cumprimento da
promessa de Deus de que seu povo retornaria à sua terra. E a prova disso é que
não houve conversão. E converter-se a Deus é acolher a única oferta de salvação
possível: JESUS CRISTO. Por isso os apóstolos eram tão enfáticos ao testificar
que "tanto
a judeus como a gregos devem converter-se a Deus com arrependimento e fé em
nosso Senhor Jesus" (At.20:21). À parte de Cristo, todo judeu está
tão perdido quanto qualquer gentio.
Paulo diz que eles eram os ramos
naturais da oliveira (Abraão), mas devido à sua incredulidade e desobediência,
foram quebrados e em seu lugar, nós, os que cremos dentre os gentios, fomos
enxertados. Até que se convertam ao evangelho, eles são judeus apenas na carne,
mas não na fé que teve seu patriarca. A igreja é, por assim dizer, a
continuação do verdadeiro Israel. A árvore é a mesma, os ramos que foram
substituídos.
Ademais, a promessa de que os judeus
retornariam à sua terra foi cumprida quando deixaram o cativeiro babilônico e
voltaram para Jerusalém nos dias de Esdras e Neemias. Porém, por terem se
mantido rebeldes, foram mais uma vez espalhados pelo mundo quando Jerusalém foi
destruída pelo exército romano no ano 70 d.C. sob o comando de Tito.
A aliança feita com Abraão não caducou, mas foi devidamente cumprida em
Jesus, seu Descendente (Gl.3:16). E os que são de Cristo são
os verdadeiros descendentes de Abraão (Gl.3:29). De acordo com o próprio Jesus,
o reino foi tirado dos judeus e entregue a outro povo, a saber, a Sua Igreja,
reunião de judeus e gentios que crêem em Seu nome (Mt.21:43).
E mesmo que Israel continuasse a ser
o povo da aliança, conforme crê Silas, isso não lhe daria o direito de agir da
maneira como tem agido, tirando a vida de milhares de civis inocentes. Deus não
lhes deu o direito de matar. Nem a eles, nem ao Hamas, nem aos palestinos, nem
aos EUA, nem a quem quer que seja.
Ainda segundo o pastor Silas, quem
se levanta contra a política Israelense corre o risco de ser amaldiçoado por
Deus. Ora, ora... A bênção de Abraão a que ele se refere (abençoarei aos que te
abençoarem e amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem) está sobre seus verdadeiros
descendentes, aqueles que seguem suas pegadas de fé, recebendo a oferta de
salvação feita em Cristo Jesus. E por favor, não confundam isso com
antissemitismo. Faço coro com Paulo que diz que seu desejo era que seus
compatriotas fossem salvos. Amo os judeus. Como também amo os palestinos. Oro
por Jerusalém. Como também oro por Gaza. E não é porque desejo prosperar, mas
pelo simples fato de amar ao que Ele igualmente ama. Porém, este amor não me
faz cego ante as arbitrariedades cometidas pelo Estado Israelense.
Se Israel tem o direito de existir
como Estado, os palestinos também tem o mesmo direito. Só haverá paz
consistente e verdadeira quando houver justiça. E só haverá justiça quando
houver amor. O salmista diz poética e profeticamente que a misericórdia e a
verdade devem se encontrar e a justiça e a paz devem se beijar (Sl.85:10). Sem
que isso aconteça, o máximo que teremos são tréguas momentâneas, seguidas de
conflitos ainda mais severos.
A questão é: quem será o cupido que
promoverá este encontro? Em que cenário se dará o tal beijo? Será no jardim da
Casa Branca? Ou quem sabe no pátio do Templo de Salomão... Não! A paz deve ser
selada na ambiência do coração. E o cupido que deve promover o encontro não é
algum presidente americano, mas ninguém menos que a igreja de Cristo.
A igreja deve agir como agência reconciliadora
entre os povos, e para tal, não pode posicionar-se ao lado de uns contra
outros, como fez o meu colega Silas. Deus nos confiou o ministério da
reconciliação (2 Co.5:18-19; Ef.2:14-16). Em
vez de alimentar discórdias, devemos nos posicionar pela justiça, pela verdade
e pela paz.
Não ouso questionar a sinceridade de
Silas, pois reconheço que seu discurso é eco do que tem sido ensinado à igreja
desde o surgimento da teologia dispensacionalista. Porém, recuso-me a ficar
calado, consentindo com os equívocos desta teologia.
Que assim como Jesus, que caminhou
por Jerusalém durante os dias em que Israel estava sob a tirania romana,
preguemos o dever de se oferecer a outra face em vez de o direito de revidar ao
ataque dos inimigos.
Israel e o povo Palestino temo mesmo inimigo ao meu ver : Hamas .
ResponderExcluirIverson,
ExcluirColoco também os políticos de direita de Israel no pacote... Enfim, tanto israelenses quanto palestinos nao merecem esse pacote de pessoas que nao querem a paz...
Abração!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEu não entendo muito desse assunto mas a impressão que eu tenho é que eles ainda estão no tempo da Lei: dente por dente , olho por olho! Mas o que me admira são os evangélicos , que conhecendo os mandamentos de Jesus , concordarem ou apoiarem esse tipo de conflito, que tirou a vida de centenas de pessoas. Corta o coração de ver aquelas cenas de pessoas mutiladas , crianças e bêbes despedaçados atingidos pelos mísseis. Como dói na alma!
ResponderExcluirDisse tudo, irmã Sônia!
ExcluirTaí um texto sério e com base no Evangelho. Edificante, além de esclarecedor do ponto de vista histórico.
ResponderExcluirTem uma frase aí 'no meio' de tudo que define quem é de Deus e quem não é, colocando abaixo toda essa tese de 'filhos de Abraão' que, inclusive reina até no meio de denominacionais aqui mesmo no Brasil e que se dizem cristãos. Eles também se acham tão 'filhos de Abraão' que até usam (quase) os mesmos rituais e (quase) as mesmas celebrações judaicas, bora combinar).
Bom, mas a frase que interessa é:
Que a aliança feita com Abraão não caducou, mas foi devidamente cumprida em Jesus, seu Descendente (Gl.3:16). E os que são de Cristo são os verdadeiros descendentes de Abraão (Gl.3:29). De acordo com o próprio Jesus, o reino foi tirado dos judeus e entregue a outro povo, a saber, a Sua Igreja, reunião de judeus e gentios que creem em Seu nome (Mt.21:43).
Pronto! Não há o que tirar ou colocar nessa frase tão clara que define tudo.
No mais, fico com o que falou a Sônia, principalmente sobre o estranhamento de tanta gente dar seu pitaco respirando sangue. Gente que se diz cristã! Aliás, é nessas horas que se denuncia o verdadeiro espírito...
Sem falar da vaidade idiota da turba em querer fazer seus comentários (no facebook, por exemplo) só pra mostrar que está por dentro do tema. As pessoas sendo dizimadas, aí surge um monte de 'cientista' cheio de razão e opinião formada sobre tudo. Isso, na minha opinião, não deixa de ser outro tipo de matança.
Lamentável tudo isso...
:(