02/12/2014

É possível ser Cristão e ser "desigrejado"?

Discussão postada inicialmente no Facebook:

WB:
Meus amigos, compartilhei um vídeo sobre "desigrejados" dum programa de TV gospel (que até então desconhecia), e é a visão de dois pastores de grandes instituições acerca do tema. 
É longo, tem cerca de 70 minutos, mas gostaria da opinião de vocês à respeito. Como sempre, creio que um post não tem condições de encerrar um tema (por isso são recorrentes), mas acho importante discutir. Tenho minha opinião, porém, preciso ouvi-los.





Minha resposta:

Amigo,
Lá vai meu comentário.


Então. Foi exposto neste “debate” apenas o lado de quem “critica” os “desigrejados”. Foi dito que “foram convidados alguns líderes desigrejados” (baita contradição para líder de desigrejados rsrs) para estarem presentes. Porém não dizem quem foi convidado.

Mas tudo bem.

O rótulo “desigrejado” recebeu força num artigo do Augustus Nicodemus, publicado há anos no seu blog Ó Tempora, ó mores. Mas até neste mesmo artigo, Nicodemus se refere aos “Cristãos que não querem se reunir com outros cristãos”. Gente que se isola de outros crentes e quer servir a Deus sozinho, sem cultuar e sem conviver com irmãos.

Nicodemus não esnoba os cristãos que optam por se reunir em suas casas e que não tem entre si nenhum “pastor-mediador” a não ser Cristo entre os homens e Deus. Aliás, no texto original ele concorda com o que chama "Igreja nas casas".

Então justiça seja feita, se o Idauro diz que o texto do Nicodemus foi o ponto de início da tese do Mestrado, mostra que ele não entendeu o texto do próprio Nicodemus.

Mas que justiça seja feita novamente, o Nicodemus ao ver o frisson que seu texto causou no meio “teológico-acadêmico brasileiro” silenciou às críticas aos grupos de cristãos que se reúnem de forma informal e sem liderança ou placa denominacional. Seja nas casas ou em salões alugados.

A verdade é que há um medo que beira pavor por parte dos pastores de denominações reformadas com este movimento. É um perigo muito grande para as denominações reformadas que tem seus custos para arcar. Afinal, há prédios para serem mantidos, corpo pastoral para ser mantido, enfim uma estrutura muito grande criada para ser mantida.
Percebo também que tal "pavor" é quase nulo nas neopentecostais por hora. A briga deles é com outras neopentecostais.


Geralmente os mesmos pastores que criticam de maneira feroz os “desigrejados” defendem com força até maior o dízimo em forma de dinheiro, depositado nas contas das instituições.

O “ajudar a obra de Deus” se passa com o fiel trabalhando, ganhando seu salário e tirando os 10% depositando nas contas da denominação.

É deste valor que são mantidos os prédios, os pastores, os eventos, os missionários, etc.

Quanto mais pessoas fugirem das suas denominações, menos dinheiro terão. E para quem “sentiu o chamado pastoral” e não tem outra profissão na vida a não ser no ramo da teologia (e seus mestrados, doutorados, PhDs), ver o rebanho sair pelas portas é algo pavoroso.

Pensar que seus livros e suas palestras e conferências serão afetadas, causam calafrios similares.

São muitos os pastores reformados especialistas na "Teologia e Missões de Paulo". Mas infelizmente são poucos os pastores que lembram que Paulo também confeccionava tendas… Enfim, estudam tanto Paulo e se esquecem que ele tinha uma profissão para seu sustento próprio…

O medo, pra não falar raiva ou desprezo, é tanto com os “desigrejados” que confundem o Senhorio de Cristo com liturgia de culto! O que o Ricardo falou foi hilário para não falar triste. A cegueira é tanta que o Idauro chega a dizer que “os desigrejados recebem irmãos em suas casas e celebram a Ceia juntos”, como se isso não fosse Igreja.


Bem. Eu como sou membro de uma denominação e também sou parte do “clero” desta denominação, posso dizer sem medo de errar que esse cenário se repete em tudo quanto é denominação. Cada uma das suas formas.

Enquanto com a do Idauro é claro o pavor pelo medo da perda das mordomias (como bem lembrado pelo outro amigo mais acima), na CCB (denominação da qual sou membro e parte do clero), o pavor de muitos do clero é com a perda da aura, da honra que o cargo possui, já que tradicionalmente não há salários pagos aos líderes.

Já na IBAB, que tantas vezes tive prazer de acompanhar celebrações realizadas pelo Ed René Kivitz, bem fundamentadas no Evangelho, inclusive expondo que a instituição deve ser o mínimo possível para que a Igreja seja o máximo possível; como também expondo que o servir a Deus não é vir em celebrações, fazer parte de corais, etc., enquanto finge-se que não existe mendigos na porta do templo; ou como ainda que nenhum pastor deve ser mediador entre a Igreja e Cristo, mas que é dever de todos se relacionarem com Deus diretamente, sendo o pastor apenas um guia no princípio da caminhada e depois disso um irmão na fé apenas; enfim, Evangelho puro sendo pregado e anunciado, tive o DESPRAZER de um dia o ver pregando por UMA HORA defendendo o “Pertencer a Igreja”, fazendo uma verdadeira “salada”, que me fez escrever o post a seguir: http://www.blogdoirlandes.blogspot.com/2014/07/o-que-significa-pertencer-uma-igreja-e.html
Tenho em mim que tal pregação do Ed tenha sido motivada pelo Departamento Financeiro da IBAB. Mas Deus o sabe!


Enfim, eu pessoalmente procuro seguir o exemplo de Cristo nesta situação. Ele se reunia em casas, mas também nas sinagogas. Foi ao Templo em Jerusalém, mas cultuava a Deus na montanha, na praia, nas estradas, na praia, dentro do barco, no deserto.

Jesus mesmo nos prometeu: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mt 18:20

Eu não perco a oportunidade de estar com o Senhor Jesus, quando o que me é necessário somente estar reunido em nome Dele com mais um irmão apenas!


E somente para constar: Eu cresci numa denominação Evangélica. Tive a infelicidade de aprender durante mais de 15 anos dentro dela que eu precisava me esforçar para ser salvo, que éramos povo escolhido de Deus na terra e que os de outras denominações não tiveram a mesma sorte, mas que se Deus quisesse os chamaria para “sua Graça” (que era a minha “igreja”). Pouco lia a Bíblia, tinha as pregações pregadas pelos pastores (anciãos e cooperadores) como “A Voz de Deus” e que tais homens eram “Santos de Deus na Terra” e outros descalabros doutrinários. 

Daí na INTERNET, fui conhecendo o EVANGELHO por GENTE COMUM, sem títulos acadêmicos, apenas irmãos na fé, que REUNIDOS em nome do Senhor Jesus de FORMA VIRTUAL (outro enorme pavor da maioria dos pastores), com muita paciência foram me admoestando, corrigindo, esclarecendo, orando, lendo a Bíblia juntos, confessando nossos pecados, fui sarando dos meus muitos pecados e crescendo na fé em Jesus.

Hoje sirvo a Deus. No templo, na internet, na minha casa, num café, dirigindo o carro, jantando num restaurante. Tenho irmãos em Cristo vizinhos de casa, longínquos como cada um de vocês, mas caminhando juntos na mesma fé.
Sou membro de uma denominação. Cultuo a Deus lá e prego o Evangelho lá duas vezes por semana.
Mas sou um pequeno membro da Igreja de Cristo, aonde cultuo a Deus várias vezes por dia. Seja fisicamente juntos, ou através de uma ligação, uma mensagem de texto, uma postagem, uma conversa virtual.

Igreja esta que não tem CNPJ nem liturgia a seguir. Não tem muros e nem placa que diga o nome qual é.

Igreja essa que o ÚNICO CABEÇA É CRISTO e os outros membros, são apenas o que são: Membros.


Abração!

2 comentários:

  1. Grande irmão HP! A Paz de Senhor e a Graça contigo! ou poderia até mesmo soltar um APDD! Pois também frequento a CCB, meu pai é "nascido na Graça". Graças ao Deus Único e Vivo que a internet também serve pras coisas boas, muitas inverdades e falsidades estão caindo porque, assim como vc, caro irmão, tenho, aos poucos, conhecido a verdade do Evangelho em Cristo( o Caminho, Verdade e Vida!). Quero dizer que estamos juntos em Cristo, meu brother, sempre aprendendo, sempre buscando cada vez mais viver na Graça! Deus seja conosco sempre!

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    1. Amém meu querido!
      Que Deus te abençoe e ilumine a cada dia na caminhada com Cristo!
      Receba meu abraço e carinho.

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