08/09/2020
02/09/2020
05/06/2020
Brasil: Um povo de alma insensível e dormente
1473
óbitos ontem. E o Presidente não derrama uma lágrima.
Mas
não é só ele. Para quem não teve um caso de morte por coronavírus na família,
essas mortes viraram números apenas.
Não
machucam, não doem.
Miguel tem cinco anos. Miguel quer a mãe, que levou o cachorro da patroa Sarí Gaspar Côrte Real passear. Sarí deixa Miguel sozinho no elevador, pois estava atarefada com a manicure
que fazia suas unhas.
Miguel
cai do nono andar. 35 metros. Miguel morre.
Sarí
Gaspar Côrte Real vai presa para a delegacia e paga os 20 mil reais de fiança.
Sarí
Gaspar Côrte Real deve ter chorado, assim espero. Talvez um choro misturado
pela morte do menino, por não ter dado a atenção devida e pelo seu nome deixar
as colunas sociais do Recife e agora estar nas páginas policiais do país.
Mas a maioria do povo brasileiro não chora a morte do menino Miguel.
Assim como não chorou a do menino João Pedro. Assim como não chorou a do menino Marcos Vinícius. Assim como não chorou a da menina Ágatha, todos assassinados por "balas perdidas" nas favelas do Rio esse ano.
Assim
como não chora e nem mais se lembra dos 10 meninos carbonizados no alojamento
do time de futebol mais popular do país.
Assim
como não chorou os 41.635 homicídios cometidos em 2019. Ou os 51.558 de 2018.
O
Brasil deixou de ter um povo capaz de exercer a empatia.
O
Brasil tem uma sociedade cada vez mais fria. Cada vez mais virada para si
própria.
"Salve-se
quem puder" é o lema impregnado na alma brasileira.
E
não se percebe que ninguém mais pode se salvar sozinho.
Ou
o Brasil abraça a todos e aprende novamente a chorar todas as suas desgraças,
ou o Brasil continuará sendo um país de desgraças cada vez maiores.
Pois
nada mais choca.
Pois
nada mais consegue derramar uma lágrima de comoção.
"E
o PT?" Dizem uns, tentando politizar a desgraça.
"E
o Bolsonaro?" Dizem outros, tentando politizar a desgraça.
"E
a alma do povo Brasileiro?" pergunto eu.
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01/06/2020
22/05/2020
16/05/2020
Um só povo, um só louvor, um só Cristo, uma só Cruz
Esse vídeo foi composto por membros de várias denominações no Reino Unido.
Para mim, um belo "ensaio" ou "demonstração" do que nos espera na nova Jerusalém.
Uma canção.
Um povo.
Um louvor.
Um Cordeiro.
Uma Cruz.
Amém
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06/04/2020
29/03/2020
19/03/2020
Coronavirus
Depois de tudo que fizemos com
esse planeta, depois de abrir um buraco na camada de ozônio, depois de
emporcalhar rios e mares, depois de contaminar o ar que a gente mesmo respira,
depois de impor o aquecimento global para as próximas gerações, depois de dizimar
milhões de espécies, a gente tem a
cara de pau de achar que esse vírus é que é ruim.
Nem matar ele mata.
Quem mata é a doença que surge
quando ele se instala na gente.
Essa mata mesmo e a gente precisa
se cuidar, como aliás, precisamos evitar todas as outras doenças, muitas das
quais nós mesmos críamos.
A tal doença que o vírus causa
mata quase tanto quanto as guerras que a gente inventou.
Mata menos, mas mata como câncer
que a gente às vezes contrai por hábitos que não conseguimos controlar.
Já ele, o vírus, quer apenas o
mesmo que você e eu.
Quer cumprir o dever que a
Natureza impõe a quem está vivo: reproduzir e sobreviver.
E para isso, esse vírus fez o que
nenhum de nós conseguiu:
Fez a gente mudar.
Fez a gente andar menos de carro
e poluir menos o ar.
Fez a gente ficar em casa com a
família, que era onde a gente deveria estar se não fôssemos ferramentas.
Fez as famílias ficarem mais
tempo juntas.
Café da manhã, almoço e jantar.
Há quanto tempo, mundo afora,
tantas famílias não faziam juntas as três refeições?
Fez a gente esquecer um pouco a
polarização.
Fez a gente parar para pensar que
existe outra vida possível.
Fez os céus terem menos aviões e
helicópteros.
Os mares terem menos navios.
Fez as cidades ficarem mais
silenciosas.
Fez a gente dar uma pausa na
nossa insanidade cotidiana.
Fez filhos se preocuparem com a
saúde dos pais.
Fez o mundo pensar que é possível
trabalhar de casa, sem o stress dos ônibus e metrôs lotados.
Fez a gente ser mais criativo
para pensar em novas rotinas.
Fez crianças aprenderem a lavar
as mãos.
Não fosse pela doença, esse vírus
seria muito gente boa.
Imagine! Foi capaz até de fazer
os Estados Unidos considerarem dar dinheiro de graça para o povo.
Precisou um vírus para fazer os
governos do mundo todo, da noite para o dia, tirarem dos cofres mais de 2
trilhões de dólares para ajudar a quem precisa.
Mas a gente é burro.
E já já esse vírus vai passar.
Vamos dizima-lo com nossa
competência infinita.
Vamos extinguir todos os sinais
de sua existência na terra usando a mais avançada das ciências.
Vamos transformá-lo num capítulo
triste da nossa História.
E isso é bom, porque assim
ninguém mais morre da doença que ele causa.
Só que vamos fazer isso com tanto
orgulho, que em seguida vamos esquecer tudo que aprendemos.
Vamos voltar a lotar os trens, os
escritórios e as artérias.
Vamos voltar a poluir, aquecer e
sujar.
Vamos voltar para nossos
convívios econômicos e fragmentados com quem a gente mais ama.
E vamos lembrar desses dias como
os piores dias que já vivemos.
Porque, afinal, fomos obrigados a
sair de nossas tão prezadas rotinas.
Por: Mentor Neto
Por: Mentor Neto
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15/02/2020
05/02/2020
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