26/11/2015

Reformados e suas respostas elaboradas para "Crentes-Robôs"

No texto encontrado aqui, o pastor batista John Piper é perguntado por cristãos sobre “quando é a hora de deixar o smartphone para usar um ‘burrofone’?”  e “eu ouvi o pastor tal dizer diversas vezes que o nosso amor – e vício- em tecnologia tem-nos feito nervosos e impacientes. Eu vejo isso em mim no meu casamento e na criação dos meus filhos . O meu iPhone pode ser a razão pela qual eu não tenho perseverado na fé? Se sim, como faço para que isso pare de acontecer?”

Piper então discorre por textos bíblicos em 2 Timóteo, Filemon, Colossenses, Mateus e por fim Romanos para ao final dizer “Lute contra o enganador e fugaz prazer do iPhone com a verdade, com os prazeres duradouros de conhecer e ser cuidado por Cristo.”


Leia o Eclesiastes tendo Jesus como chave hermenêutica. "Eis aqui quem é maior do que Salomão!"

24/11/2015

Uma oração ao Deus "Todo Poderoso"... que é meu Paizinho!

A minha alma clama por Você, Senhor.
Eu sei que Você tem todo poder.
E na minha insignificância não consigo entender teu caminho em minha vida.
Porém sei que Você é maravilhoso, principalmente pela Tua mania de querer infiltrar na minha vida, me ensinando, me alertando, me corrigindo.
Sempre de modo amoroso e nunca de maneira ditatorial.

Sei que entende tudo o que acontece comigo.
Meus pensamentos, angústias, dúvidas.
Até mesmo minha arrogância de te chamar por “Você” invés do “Tu” como a maioria te chama.
Mas como se não fosse arrogância o simples querer falar contigo.

Entretanto tenho confiança que Você se alegra quando conversamos contigo.
Quando queremos interagir contigo.
Na nossa infantilidade e insensatez.

Você é aquele que conforta a alma, preenche os vazios mais profundos do ser.
Apazigua os corações. “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”, como expressou-se o salmista.

Senhor, cuide de mim. Cuida da minha fé.
Exercita-me em Ti.

Pois num mundo de coisas insignificantes, vãs como diz o pregador de Eclesiastes em “Tudo é vaidade”,
Só existe um Porto Seguro, uma Fortaleza. Uma verdade.
Que é a encarnada por Jesus Cristo, o Meu Salvador.

Te amo Paizinho.

Que de Deus tão poderoso, desejou-se fazer acessível ao se revelar como “Pai”.

20/11/2015

Comentando por aí - Vestimenta de mulheres cristãs...

Anônimo:
“Jesus disse aos fariseus: "Ai de vós, Escribas e fariseus hipócritas, que dizimais a hortelã, o endro e o cominho. E vos esqueceis do mais importante da Lei que é a fé o juízo e a misericórdia. deviam pois fazer estas coisas e não omitir aquelas." Traduzindo: "Está certo pregar sobre o dízimo (não entremos agora nesse detalhe), mas não se esqueçam de pregar a Lei por inteiro"
Irmãos, entendamos que, lógico, não basta termos a aparência de um cristão se o nosso coração for do maligno. Porém, não basta dizermos que temos um "coração de cristão", se nosso corpo é do maligno. Não é o coração, o cabelo, os braços individuais , mas o nosso CORPO é templo do Espírito Santo, por dentro e por fora.
Abraço.”



Minha resposta:

Religiões do Livro, Terroristas, Inocentes, Política dos Reis e a Proposta do Evangelho.

06/11/2015

O dilema do evangélico contra o aborto e a favor das armas



Não é contraditório, para um evangélico, ser contra o aborto e a favor das armas?

Esta é a questão levantada pelo documentário "The Armor of Light" ("A Armadura da Luz"), como você pode ler em excelente resenha publicada no Estadão de 01/11/15:

Apelo ao diálogo

KENNETH SERBIN 

Estrelado por pastor, documentário americano pergunta como evangélicos conservadores podem ser ‘pro­-life’ e favoráveis às armas

Enquanto a bancada BBB – Bala, Boi e Bíblia – do Congresso brasileiro fez o País dar mais um passo para uma maciça ampliação do acesso a armas de fogo graças à votação obtida por uma importante comissão sobre este projeto de lei, esta semana, um membro destacado da família Disney acaba de lançar um documentário que vira de ponta cabeça a justificativa religiosa e moral do porte de armas.

The Armor of Light (A Armadura de Luz), que estreou em cinemas selecionados em vinte cidades americanas na sexta­-feira, onde será exibido por uma semana, é dirigido por Abigail Disney. Sobrinha­-neta de Walt Disney, o fundador do império do entretenimento, ela é doutora em filosofia pela Universidade de Columbia. À primeira vista, é possível que ela seja menosprezada por alguns como mais um representante da elite liberal dos Estados Unidos, fora da realidade da vida diária dos cidadãos que procuram se proteger da violência.

Entretanto, em vez de criticar severamente a posse de armas, The Armor of Light levanta um dilema moral fundamental, mas há muito ignorado: como é possível que cristãos evangélicos conservadores defendam posições que são ao mesmo tempo favoráveis à vida (contra o aborto) e favoráveis às armas?

O título do filme foi extraído da Carta de São Paulo aos Efésios: “Abandonemos as obras das trevas, do medo, do ódio, da vingança, e vistamos a armadura da luz”. A armadura é a Palavra de Deus.

04/11/2015

Mais uma tentação de Cristo

MAIS UMA TENTAÇÃO DE CRISTO
João 12

A ressurreição de Lázaro, aquele que fora tirado da sepultura depois de apodrecido, se tornara um fato irretorquível.
Então os fariseus disseram entre si: "Vejam o proveito que nos dá a vida deste homem! Sim, de nada ele nos aproveita, visto que o mundo inteiro vai após ele!"

Acontecia uma festa na cidade de Jerusalém. Ora, entre os que tinham subido a adorar na festa havia alguns gregos.
Eles estavam observando tudo e de tudo se inteirando. Identificaram quem era quem. Então, dirigiram-se a Felipe, que era de Betsaida da Galiléia, e pediram-lhe a chance de terem uma entrevista com Jesus.
De fato, disseram: "Senhor Felipe, nós muito gostaríamos de conversar com Jesus."

Ora, Felipe chamou a André e contou a ele; e então ambos foram juntos falar com Jesus a fim de pedirem essa audiência para os gregos.
André e Felipe foram dizer isto a Jesus com a alegria de discípulos que vêem o seu Mestre sendo objeto do interesse dos seres humanos mais refinados da terra. Os gregos eram o “mundo” que dava cultura até mesmo aos dominadores da terra, os Romanos.

Jesus ouviu a notícia. Dizem que era uma proposta para que Ele se mudasse para Edessa, na Grécia Cultural; pois lá as mentes eram abertas, e Ele teria a chance de espalhar a Sua mensagem por toda a terra; sem as hostilidades e invejas que sofria entre os judeus religiosos.
Além disso, ninguém deve esquecer que os próprios líderes religiosos reconheciam que a ressurreição de Lázaro era inequívoca, e que o mundo inteiro estava vindo “após Ele”. A decisão, portanto, já estava tomada: matá-Lo era a saída. Até os passarinhos de Jerusalém sentiam tal vibração.

De outro lado, a visita dos gregos significava que o Caminho para a Glória dos Homens estava aberto.
Jesus não havia transformado pedras em pães, nem pulado do pináculo do templo, e nem adorado ao diabo a fim de herdar o mundo.

Era o mundo que vinha após Ele!

O caminho estava aberto pelas vias legitimas. Todo o mundo ouviria a Sua Palavra, e não haveria a Cruz.

Aqui estava a maior tentação!

Eis o dilema: entrar para a História como o mais maravilhoso de todos os humanos já existentes, ou morrer na Cruz, e dar muito fruto, porém, sem vida física na História.

Era a maior tentação porque significava que o Seu fascínio poderia seduzir toda a Terra, sem sangue, sem morte, e sem Cruz.
Por outro lado, seria o Cordeiro imolado na Eternidade se negando a morrer no Tempo. Seria a vitória definitiva do Tempo sobre a Eternidade; e, por conseguinte, seria a vitória da morte como selo de todas as existências.

O mundo seria ganho na mesma medida em que a eternidade acabaria.

Posto assim, parece impossível ter sido, de fato, uma tentação; afinal, quem trocaria a eternidade pelo tempo?

Ora, todos nós trocamos, de muitos modos e de muitas maneiras; e o fazemos todos os dias. Nossa maneira de viver privilegia o Tempo todo o tempo... O tempo é eternamente privilegiado por nós, contra nós mesmos; e como fuga da eternidade.
Portanto, não era “tentação”, era pior que isto; era “pulsão essencial-instintual”; era puro e justo instinto de sobrevivência; ou seja: um inalienável direito de todo ser humano.

Seria sadio e humano aceitar a oferta dos gregos. Desumano era ficar, e ter que enfrentar as hienas comedoras de corpos de profetas.
A tentação aqui se “posiciona” entre o instinto mais essencial presente no tempo, a vida; e o mais elevado e distante nível de percepção da vida: a consciência.
É na consciência que a voz da eternidade se faz ouvir e se faz presente. Ou, no “coração”, se preferirem o termo.

E será que porventura em Jesus tais “termos-de-relação-existencial-psicológicos” não estavam completamente harmonizados, visto não ter Ele a psicose básica, a rachadura essencial, o pecado, o fosso mais fundo que possa existir?

Aqui há puro mistério, pois Aquele que não teve pecado, Deus o fez pecado por nós. Mas Ele mesmo não pecou, enquanto experimentou todas as nossas tentações; porém, sem pecado.
Ou seja, a formulação acima é mais irreconciliável que qualquer lógica filosófica ou psicológica possa conceber como irreconciliável. De fato, é loucura para gregos e escândalo para os judeus.

Quando me perguntam como é isto, eu respondo com uma das “pérolas” da fala de um nordestino tentando explicar o impossível:
“Eu num sei cumé qui foi num sinhô; mas só sei que foi assim”.
A fala do nordestino contador de histórias é minha melhor e mais inteligente resposta “teológica” aos mistérios nos quais creio.

O fato é um só: foi assim o existir terreno de Jesus; e foi assim com todas as implicações do sentido de sobrevivência e de liberdade. Prova disso é que na hora de decidir acerca da proposta sua alma mergulhou em “angustia”.

A Cruz tinha que vencer o Mundo!
A Cruz tinha que vencer o Tempo!
A Cruz tinha que vencer o direito à Sobrevivência!
A Cruz tinha que vencer a Razão!
A Cruz tinha que vencer a Glória do Homem!
A Cruz tinha que ser a Glória de Deus!

Por esta razão, respondeu-lhes Jesus:
"É chegada a hora de ser glorificado o Filho do homem."

A Glória do Filho do Homem era dizer Não à glória do mundo, por amor ao sacrifício do Cordeiro pela criação, antes de haver Tempo.

Somente aqui neste ponto a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal poderia ser, enfim, derrotada como sedução essencial. Morreriam aqui a Razão e Lógica como deusas da salvação da vida; a vida longa deixaria de ser a grande recompensa na Terra como galardão.

Aceitar aquele convite, significaria que Aquele que viera nos salvar, havia Ele mesmo estendido a mão não só à Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, como escolha fruto da sedução; mas pior que isto: significava comer também do fruto da Árvore da Vida, e congelar o Universo inteiro no ciclo interminável morte da morte.

Jesus decidiu pelo curso da vida. Por isto, Ele disse:
"Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.
Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo deia a sua vida, guarda-la-á para a vida eterna."

Coisa estranha. O amor à vida nos manda fazer o impensável: morrer; e mais: nos manda odiar a vida neste mundo.

Como? Quem assim procede está louco!

O fato é que é assim que é. E sabe por que? Eu não sei!
Apenas desconfio que seja porque o caminho para a vida é Graça, e a Graça é favor imerecido; e não há maior Graça que dar-se pela vida de outros; especialmente quando o objeto da entrega é um inimigo. Ora, sendo assim, como o próprio ato de Criar foi Graça--o Cordeiro foi imolado antes da criança acontecer--, o ato se dar pela criação, é Graça; e Graça seria também o ato de frutificar...conforme a semente, que morta, dá muito fruto. Afinal, é dando que se recebe. De tal modo que até para Deus, feito homem, a fim de vencer a morte, à semelhança do grão, Ele teria que morrer...

Assim, a morte haveria de ter tragada pela vida, e seria obrigada a “dar” de volta à vida Aquele que ela achava que havia tragado para sempre. Aqui é torcido o braço da morte, e ela abre suas mãos e suas as garras, e Ele sai livre e vitorioso, e sem usar de nenhum expediente, senão da própria lei essencial da vida, que é dar-se, como a semente.

A morte estava tão inocente quanto a baleia que engoliu Jonas!

O caminho da Graça só sabe voltar para ele mesmo. Assim, é dando que se recebe...

O grão de trigo tem que morrer a fim de poder dar muito fruto...e assim vai...de dar em dar...dando para sempre...sempre recebendo...e sempre voltando dar-receber-receber-dar...

O nome disto é Vida!

Ora, o que Ele fez por nós, nos é dito que deve ser um princípio para nós também, para todos aqueles que têm convicção de serem sementes de trigo plantadas por Deus no chão do mundo.
Ele disse:
"Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo; se alguém me servir, o Pai o honrará."

Para Jesus essa de-cisão implicou em Angustia de alma. O ser se contorce todo para conseguir se dar.

É pela morte que se chega a vida.
O problema é que ninguém quer morrer...
O caminho para a solidão é a auto-preservação egoísta. Se o grão não morrer...fica só.

Esse morrer também é motivado por odiar a vida neste mundo.

O que é isto?
Ora, esta é uma afirmação estranha na boca de quem iniciou o ministério num casamento, transformando água em vinho; e sendo freqüente em jantares, banquetes, e fazendo amigos entre gente festeira. Além disso, não combina também com a ênfase Dele no festejar...

Para Ele até os anjos dançam quando alguém ganha consciência na terra.

Ora, sendo Ele como era, como pode Ele nos mandar odiar a nossa vida neste mundo?

Logo Ele? Sim, não é Ele aquele que mandou olhar lírios, observar a chegada das estações, aprender a ler as pinturas profético-meteorológicas nas nuvens, ou pelo calor do dia? e não foi Ele quem sempre que quis falar do propósito maior de Deus para com os homens, ilustrou tal certeza com metáforas relacionadas a banquetes, mesas fartas, galardões, bodas e lua de mel? Não é Ele também Aquele que abraçava crianças e as ouvia? E também quem dizia que des bocas infatis procedia o perfeito louvor?

Sim! como poderia Ele nos mandar odiar a nossa vida neste mundo, se Ele celebrou a vida no mundo?

Não! Ele não manda o odiar a Vida. Ele manda odiar a “nossa vida neste mundo”. E com isto ele se refere apenas a carregar em si a fome e sede de justiça, o espírito de pacificação, a capacidade de manter posições de justiça, de chorar, de limpar o coração, e ser humilde—pois esta foi a vida dos inconformados que “odiaram as suas vidas neste mundo”, os profetas.

O odiar a “nossa vida neste mundo” é não aceitar o curso deste mundo como Destino. Significa manter a mente em estado de inconformação para com a tirania estabelecida como lei e ordem. Significa discernir que há um espírito de engano e escravidão nos dizendo que vida é aquilo que Deus chama morte.

Este é o “bom-ódio”; a mais absoluta inconformação, e o imorredouro compromisso com o sonho, e com o ideal de Deus; isto sem amargura.

Mas assim como foi para Jesus, tal decisão é pura angustia para nós também.

Pegar “sementes” de amor, vida, desejos, vontades, “direitos”, “certezas”, morais, seguranças, preconceitos; e toda sorte de “semens” existentes em nossas almas, e jogá-los ao pó da terra, ao caminho, ao “acaso”, abrindo mão...é tarefa suicida para a razão da sobrevivência.

Mas é por tal tarefa em fé—fé Naquele que dá vida a semente—, é que se entra na vida verdadeira; e, assim, dá-se assim muito fruto.

Esta hora é para ser vivida com humanidade e sinceridade. Por isto, Jesus disse:
"Agora está angustiada a minha alma; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas para isto vim ao mundo; vim para esta hora! Eis o que digo: Pai, glorifica o teu nome!"

Então veio do céu esta voz: "Já o tenho glorificado, e ainda mais o glorificarei."

Não é preciso dizer que se Ele nos chama também para deixarmos nossas sementes morrerem é porque Ele nos chama para a mais inconcebível frutuosidade também.

Mas só o trigo tem essa coragem...de morrer; visto que somente a loucura da fé nos faz ver que a vida está na morte da semente.


Caio