18/01/2015

Cristãos e a pena de morte

Ontem na Indonésia foi executado o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos. Instrutor de voo de asa delta, ele foi preso em 2004 ao tentar entrar no aeroporto de Jacarta com 13 quilos de cocaína.
Ao ser pego, ele ainda conseguiu fugir do aeroporto, mas foi pego novamente após duas semanas.

O crime de tráfico de drogas na Indonésia é punido com pena de morte. O governo brasileiro tentou em vão interceder pela vida do brasileiro, o que foi negada pelo presidente do país asiático.


Eu fiquei um pouco confuso quanto a emitir alguma opinião, a princípio. Sei que a droga devasta inúmeras pessoas, famílias e a sociedade em geral. Não se trata, portanto, de um crime banal.

As notícias não foram claras ao que motivou Marco cometer o crime. Alguns mencionam que ele havia sofrido um acidente de asa delta e precisava pagar a dívida do hospital. Mas ao que parece também não foi a única vez que Marco traficou droga ao país asiático.

A verdade é que se ele serviu de “mula” (nome dado aos viajantes internacionais que traficam drogas), há com certeza um receptor no país asiático, que provavelmente está livre.


Sobre a punição com pena capital, eu sou contrário.

Não por apenas ver “dois pesos e duas medidas” no sistema judiciário indonésio, aonde criminosos confessos dos atentados em Bali (que mataram mais de 200 pessoas em 2002), tiveram penas de cerca de 10 anos somente ou assassinos confessos pegam apenas de 3 a 6 anos de cadeia.

Mas sou contrário a pena capital por ver o exemplo de Jesus Cristo com a mulher adúltera, relatado no Evangelho de João 8.

Há 2000 anos atrás, a sociedade punia o adultério com pena capital.

Adultério também destrói vidas e famílias. Há consequências irreparáveis psicológicas e emocionais para filhos, cônjuge e o próprio adúltero. Quebra de confiança, decepção, separação, perda de valores e referências são algumas das consequências que me lembro agora.

Na época de Jesus, a mulher adúltera foi apresentada pelos seus acusadores como digna de morte. As pedras já estavam nas mãos dos “juízes” para deferirem a pena capital.

Ao ser questionado, Jesus respondeu que “quem não tivesse pecado, que atirasse a primeira pedra”.

Tal resolução “caiu como uma bomba” nas consciências dos “juízes”. Do mais velho ao mais novo, todos foram saindo até deixarem a mulher só com Jesus.

O relato de João nos diz que então Jesus a perguntou o que se deu dos acusadores. E terminou com a sentença: “Nem Eu te condeno. Vai e não peques mais”.


Marco Archer cometeu um crime grave. Um crime que destrói milhares de famílias. Não sabemos a motivação qual foi. Tenha sido uma necessidade legítima ou alguma motivação egoísta, prefiro ficar com o que Jesus ensinou.

Quem não nunca cometeu crime nenhum, nunca infringiu uma lei de trânsito, nunca pensou algo que não devia, quis tirar ou tirou vantagem de outros pessoas, nunca se apossou do que não lhe pertencia, nunca desejou mal (até mesmo a morte) para ninguém ou quem nunca foi egoísta, enfim... que atire a primeira pedra...


Espero que todos possamos ter consciência a ponto de olharmos mais para nós próprios e os crimes (aqueles, cometidos no pensamento), que cometemos diariamente e deixarmos de sermos "juízes de plantão"...

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