24/04/2015

Pedra sobre pedra a serem derrubadas

E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios!
E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada.

Marcos 13:1-2



Alguém chamou a atenção de Jesus para o templo.

O templo, idealizado por David e construído por Salomão era uma obra arquitetônica imponente. Um símbolo do poderio do povo de Israel, tanto econômico, como nas áreas da diplomacia na época do reinado de Salomão.  

Mas Jesus não teve a atenção chamada devido ao sentido histórico ou arquitetônico. O templo era venerado pelos judeus como o lugar de adoração a Deus. O lugar aonde o povo encontrava Deus. 

Era implícito entre os judeus a comparação entre a imponência do templo com a imponência de Deus. Aliás, esta prática é recorrente entre os homens. O maior sempre tem mais. O mais poderoso sempre quer se sobressair.

Para os judeus, o templo era o sinal do poder de Deus na vida dos judeus. A imponência de Deus era medida pelas pedras e pelos edifícios.

Lá o povo se relacionava com Deus. Lá era a “Casa de Deus”.
Lá era o lugar do arrependimento e do perdão. O lugar da reverência e respeito a Deus. O lugar para receber correções e se aproximar de Deus.

Dentro do templo o povo perdoava, amava, se arrependia, compartilhava, se arrependia. Do lado de fora voltavam a ser o sempre do mesmo.


O honesto no templo voltava à desonestidade da vida.
O despretensioso no templo voltava à cobiça da vida.
O sincero no templo voltava às falcatruas da vida.
O humilde no templo voltava a ser arrogante na vida.

É do homem medir Deus por tamanho de edifícios.
É do homem comparar Deus a números de fiéis, tamanho de templos, quantidade de servos.
É do homem se esforçar para servir a Deus sempre naquele lugar, de modo que há estranhamento se o servir mudar de lugar.
É do homem querer encontrar Deus em um lugar específico.
É do homem querer que Deus esteja sempre naquele local específico.
É do homem se comportar de um jeito na “Casa de Deus” e de outra maneira fora da “Casa de Deus”.



As palavras de Jesus são enfáticas: “Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada.”

Deus não é medido por edifícios.
Deus não é comparado por nada material.
Deus não é servido em um lugar específico.
Deus não é encontrado em um lugar apenas.
Deus não se relaciona com o homem em um local apenas.

Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada.”
Pedra sobre pedra significa nada além de entulho.

Não sobrou o santuário de pé.
Não sobrou o propiciatório de pé.
Não sobrou o altar de pé.
Não sobrou o mar de bronze de pé.
Não sobrou lugar santíssimo de pé.

Tudo virou entulho.


Enquanto absolutamente todas as nossas crenças, edificadas por anos em nossos corações não forem derrubadas, de modo que não fique ruínas aonde poderemos ainda nos resguardar, não estaremos prontos para nos relacionarmos com Cristo.

“Mortas as crenças, nasce a Fé, pura e simples em Jesus”.
CFAF

Enquanto tivermos um lugar para reverenciar a Deus na terra que não seja em todo o lugar não estaremos prontos para nos relacionarmos com Cristo.

Enquanto tivermos um tempo específico para reverenciar a Deus na terra que não seja em todo o tempo não estaremos prontos para nos relacionarmos com Cristo.

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não há outro Caminho a não ser Jesus e como Ele caminhou.
Não há outra Verdade a não ser o que Jesus ensinou e como Ele agiu.
Não há outra Vida a não ser como Jesus viveu e a que Ele nos oferece a viver.




Demolir um templo é tarefa árdua. Prepare-se para muita poeira levantar, muito barulho, muita sujeira.
Prepare-se para muito choro, de lembranças arraigadas com cada pedaço que vira entulho.
Prepare-se para momentos de desespero, aonde palavras serão ditas: “Eu não devia ter começado a mexer nisso. Deveria ter deixado como estava.”

Não! Cristo nos ordena Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada.”

Hoje é o dia de quebrarmos, derrubarmos tudo que foi criado em nós sobre fé. Todos os conceitos, convicções que existam em nossos corações sobre “servir a Deus”.

“Aprendi desde pequeno isso”
“Fui ensinado assim”
“Meus pais faziam assim”.

Somente quando houver pedra sobre pedra, todos os altares completamente destruídos e que nascerá a fé verdadeira em Cristo.

Fé essa que não haverá hora, lugar, ritual nenhum para Cristo se apresentar.
Fé essa que saberá que “aonde estiver dois ou três reunidos no meu nome, Eu estarei no meio deles”, como disse Jesus.
Fé essa que não perguntará “que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
Pois “Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas”

Fé essa que sim buscará “primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”
Fé essa que não nos inquietará “pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.”

Fé essa que não será mais no Monte ou no Templo que servirá a Deus, mas em Espírito e em Verdade, a todo o momento da vida, em todo lugar, em toda circunstância.



Hoje é o dia de derrubar tudo de forma que absolutamente nada reste de conceitos e convicções em nossas vidas a não ser Jesus.





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