Na sociedade moderna,
a presença de babás é bastante recorrente em famílias com condições financeiras
para tal.
Como a mãe precisa se
ausentar por motivos que vão desde profissionais à sociais, muitas crianças são
cuidadas por babás. O tempo limite para uma babá muitas vezes é indifinido,
pois em muitas famílias a função tem evoluido para uma ajuda constante às mães,
incluindo os cuidados com roupas e alimentação das crianças.
O processo de “desconexão”
de uma babá com as crianças muitas vezes é traumático. Já presenciei crianças
se referirem à babá como “mãe”, tendo até sentimentos confusos relacionados com
a própria mãe.
Respeito as decisões
familiares, porém creio que a melhor estrutura familiar é aquela deixada por
Deus: Pai, Mãe e Filhos.
Digo isto por
experiência própria, pois fui criado pelos meus avós e não consegui ter
vínculos profundos com meus pais até hoje. E também sei o quanto é
recompensador ser pai presente à minha filha.
Enfim, mas o motivo
de eu escrever esta postagem é a existência de “Babás” também na vida
Espiritual.
Sabemos que o início
da caminhada espiritual, precisamos de auxílio de irmãos, para nos corrigir,
animar, estimular, enfim, servirem de “Ponto de Referência” de fé, amor,
perdão, etc, porém nosso relacionamento espiritual deve ser diretamente com
Deus, aonde o único mediador entre Deus e os homens deve ser Cristo, que é
Deus.
Porém tenho
presenciado pessoas que adotaram “Babás Espirituais”, aonde precisam sempre da
ajuda de outra pessoa para caminhar. E o pior é que há “Babás Espirituais” que não
conseguem deixar seus “afilhados”.
Tempos atrás, um
amigo meu, já casado na época e pai de uma criança, precisou de uma pessoa para
auxiliar um parente idoso por alguns meses. Sendo assim, ele solicitou a ajuda
de uma senhora, amiga em comum nossa, porém quase 15 anos mais velha do que
ele, solteirona.
A princípio, a ajuda
seria dedicada a pessoa idosa, por cerca de 3 meses. Mas quando os 3 meses
venceram, o casal decidiu manter esta senhora para “cuidar do filho” do casal.
Logo este casal teve
mais uma criança, o que justificou a permanência daquela senhora por prazo indeterminado.
Logo, esta senhora já cuidava dos três filhos do casal, cuidava da casa, morava
num quarto na mesma casa, ajudava na vida espiritual do casal (todos pertencem à mesma
denominação religiosa), corrigia os filhos, corrigia a esposa, corrigia o marido, sendo
como uma “mãe” da família.
Tive alguns contatos
com eles ao longo dos anos. Presenciei os filhos chamando a babá de “mãe” ao lado da mãe biológica. Vi brigas acontecerem entre o casal por causa dos “pitacos”
dado pela babá. Nas férias, a babá os acompanhava. Os filhos se
tornaram dependentes da babá mesmo depois de velhos, porém ao mesmo tampo totalmente
independentes em relação aos pais.
Quanto o assunto de
deixar a família é tocado, geralmente é dito que “A palavra (pregação no púlpito da denominação) falou que o lugar
da babá é naquela família, ‘para uma obra’”.
10 anos se passaram.
Fui recentemente visitar os pais da babá. Estão bastante idosos,
emocionalmente debilitados, especialmente pela falta que a filha faz, porém
resignados, crendo obedecerem “a vontade de Deus”, validada por pregações
dentro da denominação que frequentam.
Em assuntos assim eu não
me envolvo, a menos que me peçam opinião. Porém nesta semana tive um sonho,
aonde via os pais desta senhora, velhinhos, sentados na cama. Eles choravam
comentando em nunca mais poderem ter a filha de volta, e lamentavam resignados “a
vontade de Deus” em querer ela longe. No mesmo momento que vi isso, uma foto da
“senhora-babá” apareceu, e foi dito: “Diga a ela: ‘Teus pais precisam de você’”.
Eu ponderei em
contatar ou não contatar a babá. Porém como já há algum tempo não pensava
neles e nem tinha contato, ponderei o sonho como algo vindo de Deus, e como a mensagem do sonho em nada desabona
a Palavra de Deus, aliás, valida a necessidade de honrarmos nossos pais, entrei
em contato com a babá.
A resposta não foi
muito agradável. Ela disse que “Pediu a Palavra e Deus disse que ainda não é
tempo”. Complementou que os “pais sofrem na carne a saudades, porém a família
aonde ela está vai sofrer na alma, podendo inclusive morrer espiritualmente”.
Então me calei. Também
aprendi que semear a boa semente em lugar duro, é perda de tempo.
Porém ponderei a
situação.
A babá virou também uma “Babá Espiritual”, sendo que tanto o pai quanto a mãe dessa família, são “bebês
espirituais” com quase 4 décadas de vida, além das crianças que a consideram como uma babá-mãe e também a tratam como “Babá espiritual”, igual aos pais.
E isso me deixou
muito triste. Uma família completa com quatro filhos que depende de uma pessoa externa como guia. Um pai
que nunca amadureceu como Pai, uma mãe que também nunca amadureceu como Mãe.
E isso me levou a
reflexão. São muitos os que se acostumam com “Babás Espirituais”, aonde não caminham
sem o aval de outra pessoa. Não conseguem se alimentar espiritualmente sem que
outro o estimule para tal, ou enfrentam a vida de maneira consciente como
Cristo nos ensinou.
Tais nunca crescem,
mas são sempre bebês espirituais, não discernindo, não crescendo.
E também existem “Babás
Espirituais” que não exercitam seus “afilhados” a crescerem, mas são superprotetores.
Mesmo que no início
de caminhada precisamos de auxílios básicos, precisamos saber que Deus quer que
nos relacionemos com Ele diretamente, sem intermediários. Os irmãos que temos são
apoios que Deus nos dá para a caminhada, que nos exortarão, corrigirão, mas em
nada intermediarão nosso relacionamento com Deus.
Da mesma forma,
precisamos saber que não somos responsáveis por ninguém. Devemos ter amor em
ajudar quem necessitar, porém de maneira nenhuma seremos responsáveis pela vida
espiritual de ninguém e as consequências que tal pessoa arque.
Aos meus amigos não sei
ainda que caminho tomar. A tendência é eu ficar quieto. Eles são muito religiosos e
esperam confirmações em pregações nos cultos, tais como pessoas que procuram
videntes.
A mera necessidade do
casal tomar as rédeas das responsabilidades familiares aliada à necessidade da “babá”
em auxiliar os seus pais na velhice, não os convence.
Nem mesmo Jesus tendo
explicado que o núcleo familiar se resume ao Homem se unir a sua Mulher e ter
ao seu lado os filhos, nem tampouco a necessidade de honrarmos nossos pais, o
que inclui principalmente na velhice.
Triste, porém sei que nada resta a fazer, senão orar e alertar àqueles que frequentam esse blog para que não aceitem "Babás Espirituais" em suas vidas e também não sejam "Babás Espirituais" de Marmanjos crescidos na consciência.
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