02/12/2015

Babás Espirituais


Na sociedade moderna, a presença de babás é bastante recorrente em famílias com condições financeiras para tal.
Como a mãe precisa se ausentar por motivos que vão desde profissionais à sociais, muitas crianças são cuidadas por babás. O tempo limite para uma babá muitas vezes é indifinido, pois em muitas famílias a função tem evoluido para uma ajuda constante às mães, incluindo os cuidados com roupas e alimentação das crianças.

O processo de “desconexão” de uma babá com as crianças muitas vezes é traumático. Já presenciei crianças se referirem à babá como “mãe”, tendo até sentimentos confusos relacionados com a própria mãe.

Respeito as decisões familiares, porém creio que a melhor estrutura familiar é aquela deixada por Deus: Pai, Mãe e Filhos.
Digo isto por experiência própria, pois fui criado pelos meus avós e não consegui ter vínculos profundos com meus pais até hoje. E também sei o quanto é recompensador ser pai presente à minha filha.

 
Enfim, mas o motivo de eu escrever esta postagem é a existência de “Babás” também na vida Espiritual.

Sabemos que o início da caminhada espiritual, precisamos de auxílio de irmãos, para nos corrigir, animar, estimular, enfim, servirem de “Ponto de Referência” de fé, amor, perdão, etc, porém nosso relacionamento espiritual deve ser diretamente com Deus, aonde o único mediador entre Deus e os homens deve ser Cristo, que é Deus.

Porém tenho presenciado pessoas que adotaram “Babás Espirituais”, aonde precisam sempre da ajuda de outra pessoa para caminhar. E o pior é que há “Babás Espirituais” que não conseguem deixar seus “afilhados”.


Tempos atrás, um amigo meu, já casado na época e pai de uma criança, precisou de uma pessoa para auxiliar um parente idoso por alguns meses. Sendo assim, ele solicitou a ajuda de uma senhora, amiga em comum nossa, porém quase 15 anos mais velha do que ele, solteirona.
A princípio, a ajuda seria dedicada a pessoa idosa, por cerca de 3 meses. Mas quando os 3 meses venceram, o casal decidiu manter esta senhora para “cuidar do filho” do casal.

Logo este casal teve mais uma criança, o que justificou a permanência daquela senhora por prazo indeterminado. Logo, esta senhora já cuidava dos três filhos do casal, cuidava da casa, morava num quarto na mesma casa, ajudava na vida espiritual do casal (todos pertencem à mesma denominação religiosa), corrigia os filhos, corrigia a esposa, corrigia o marido, sendo como uma “mãe” da família.

Tive alguns contatos com eles ao longo dos anos. Presenciei os filhos chamando a babá de “mãe” ao lado da mãe biológica. Vi brigas acontecerem entre o casal por causa dos “pitacos” dado pela babá. Nas férias, a babá os acompanhava. Os filhos se tornaram dependentes da babá mesmo depois de velhos, porém ao mesmo tampo totalmente independentes em relação aos pais.

Quanto o assunto de deixar a família é tocado, geralmente é dito que “A palavra (pregação no púlpito da denominação) falou que o lugar da babá é naquela família, ‘para uma obra’”.

10 anos se passaram. Fui recentemente visitar os pais da babá. Estão bastante idosos, emocionalmente debilitados, especialmente pela falta que a filha faz, porém resignados, crendo obedecerem “a vontade de Deus”, validada por pregações dentro da denominação que frequentam.


Em assuntos assim eu não me envolvo, a menos que me peçam opinião. Porém nesta semana tive um sonho, aonde via os pais desta senhora, velhinhos, sentados na cama. Eles choravam comentando em nunca mais poderem ter a filha de volta, e lamentavam resignados “a vontade de Deus” em querer ela longe. No mesmo momento que vi isso, uma foto da “senhora-babá” apareceu, e foi dito: “Diga a ela: ‘Teus pais precisam de você’”.

Eu ponderei em contatar ou não contatar a babá. Porém como já há algum tempo não pensava neles e nem tinha contato, ponderei o sonho como algo vindo de Deus, e como a mensagem do sonho em nada desabona a Palavra de Deus, aliás, valida a necessidade de honrarmos nossos pais, entrei em contato com a babá.


A resposta não foi muito agradável. Ela disse que “Pediu a Palavra e Deus disse que ainda não é tempo”. Complementou que os “pais sofrem na carne a saudades, porém a família aonde ela está vai sofrer na alma, podendo inclusive morrer espiritualmente”.

Então me calei. Também aprendi que semear a boa semente em lugar duro, é perda de tempo.


Porém ponderei a situação.

A babá virou também uma “Babá Espiritual”, sendo que tanto o pai quanto a mãe dessa família, são “bebês espirituais” com quase 4 décadas de vida, além das crianças que a consideram como uma babá-mãe e também a tratam como “Babá espiritual”, igual aos pais.

E isso me deixou muito triste. Uma família completa com quatro filhos que depende de uma pessoa externa como guia. Um pai que nunca amadureceu como Pai, uma mãe que também nunca amadureceu como Mãe.


E isso me levou a reflexão. São muitos os que se acostumam com “Babás Espirituais”, aonde não caminham sem o aval de outra pessoa. Não conseguem se alimentar espiritualmente sem que outro o estimule para tal, ou enfrentam a vida de maneira consciente como Cristo nos ensinou.

Tais nunca crescem, mas são sempre bebês espirituais, não discernindo, não crescendo.

E também existem “Babás Espirituais” que não exercitam seus “afilhados” a crescerem, mas são superprotetores.


Mesmo que no início de caminhada precisamos de auxílios básicos, precisamos saber que Deus quer que nos relacionemos com Ele diretamente, sem intermediários. Os irmãos que temos são apoios que Deus nos dá para a caminhada, que nos exortarão, corrigirão, mas em nada intermediarão nosso relacionamento com Deus.

Da mesma forma, precisamos saber que não somos responsáveis por ninguém. Devemos ter amor em ajudar quem necessitar, porém de maneira nenhuma seremos responsáveis pela vida espiritual de ninguém e as consequências que tal pessoa arque.


Aos meus amigos não sei ainda que caminho tomar. A tendência é eu ficar quieto. Eles são muito religiosos e esperam confirmações em pregações nos cultos, tais como pessoas que procuram videntes.
A mera necessidade do casal tomar as rédeas das responsabilidades familiares aliada à necessidade da “babá” em auxiliar os seus pais na velhice, não os convence.

Nem mesmo Jesus tendo explicado que o núcleo familiar se resume ao Homem se unir a sua Mulher e ter ao seu lado os filhos, nem tampouco a necessidade de honrarmos nossos pais, o que inclui principalmente na velhice.

Triste, porém sei que nada resta a fazer, senão orar e alertar àqueles que frequentam esse blog para que não aceitem "Babás Espirituais" em suas vidas e também não sejam "Babás Espirituais" de Marmanjos crescidos na consciência.




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