22/06/2016

Quase seis meses depois que saí da Denominação

Quase seis meses se passaram desde que me demiti do ministério de Cooperador na Congregação Cristã na Irlanda e também deixei de ser membro da mesma denominação.

Muita coisa aconteceu desde então.

A maioria das pessoas conhecidas lamentaram minha decisão, e não compreenderam o porquê de deixarmos a denominação. Houve bastante tristeza.
A família não compreendeu. Ainda hoje noto o silêncio, esperando que “Deus faça uma obra”. 


Entretanto houve pontos positivos.
Por exemplo, eu estava acostumado com certa “bajulação”. Eu era respeitado por muitas pessoas, convidado para jantares frequentes, orações, etc. Isso acabou. Sim, os convites se tornaram raros.
Me tornei uma pessoa normal para os que ainda tenho convívio. Para outros tenho sido considerado um caído e assim tais pessoas me evitam.

Interessante foi ver que algumas pessoas tiraram máscaras. Tinham receio como me abordavam, os assuntos que tratavam. Hoje vejo que esse receio não existe mais. Inclusive dos que evitam contato percebi a mesma coisa. Não há o que esconderem mais de mim.

Tenho encontrado dificuldade para congregar. Tenho me reunido com evangélicos independentes, porém eles seguem uma visão um pouco reformada e não me sinto à vontade. Aliás, o enfoque dado ao serviço dominical, liturgia, etc. me causam certo repugno. Porém a pregação da Palavra lá tem sido boa e muitas vezes tem enchido meu coração de alegria. As "reuniões informais", quando conversamos sobre os ensinos de Jesus, sem "solenidades formais" me causam muito mais alegria, porém estas últimas são um pouco raras.

Sofri também com a falta de “Pregar num púlpito”. Estava acostumado a pregar duas ou três vezes por semana, por isso, no começo sofri bastante com a falta deste costume. Pregar no púlpito chamado "Vida", de forma horizontal é o chamado, mas a gente teima em querer que seja vertical, tendo um pódio acima dos outros para falar de Deus...

Volta e meia ainda me pego com costumes da antiga denominação. Moralismos e doutrinamentos ainda são “fantasmas” que me assombram de vez em quando. Mesmo vivendo nos últimos anos a liberdade da graça de Cristo, eu ainda me policiava no trato e conduta com os denominacionais. “Não comia carne para não escandalizar os outros”. Mesmo deixando a denominação, volta e meia me pego me policiando por causa dos outros.


Porém nada paga a paz que tenho dentro de mim.
Ah... Esse ponto é pivotal!
Antigamente a obrigação de atender cultos, como também a frustração de muitos em não receberem a pregação do Evangelho me perturbavam. Sem contar assuntos, como enfadonhas Reuniões Ministeriais, a falta de responsabilidade de companheiros ministeriais, coletas baixas e dificuldade para pagamentos das contas do prédio, ainda tendo que lidar com reclamações diversas, preocupações com os que pouco congregavam, entre tantos outros assuntos, que me afligiam tanto, fazendo até minha saúde ser afetada. Vivia pecando por ter a ira constante dentro de mim.
Nada paga a paz que tenho instalada dentro de mim hoje!


Tenho compreendido que Jesus não vivia fazendo “pregações”, mas Ele vivia. E o viver Dele era uma pregação contínua das Boas Novas. E assim tenho procurado viver e "congregar", especialmente por ver que o Nome de Jesus tem sido “surrado” pelos evangélicos aqui também (para quem não sabe a Irlanda teve um grande embate entre católicos e protestantes até pouco mais de uma década atrás).

Também tenho visto sinais. Sim, amigos tem nos contactado, temos orado e temos vistos desde demônios sendo repreendidos em nome de Jesus, como também socorros e libertações tendo acontecido. Apenas louvo a Deus por isso, pois sei o pecador que sou.


Não posso negar que não sei o que virá no futuro. Também não posso negar que muitas vezes me passaram pensamentos de voltar para trás, pois sei que ser membro de uma denominação oferece certo “conforto” em círculos de amizade, ajuda etc (quando se segue a cartilha de doutrinamentos). Viver na Fé que Deus, e apenas Ele, cuida de nós, é assustador ao ser humano. Mas foi assim que Ele nos chamou, para vivermos na Fé. Então, louvo a Deus que quando um pensamento de voltar atrás me toma, logo a meditação nos Ensinos de Cristo me fazem lembrar do caminho a seguir.

Louvo a Deus que mesmo sendo tão fraco, Ele tem nos sustentado. E digo “nos”, porque minha esposa tem sido uma grande ajudadora e tenho visto Deus a encher de Fé, quando eu já tinha submergido no medo.

Então para aqueles que acompanham esse espaço, rogo orações por mim e pela minha família.
Ah, e deixo também uma boa notícia: Minha esposa está gestante! Esperamos uma criança!

Que Deus nos dê sabedoria para cuidarmos desta criança e também ensinarmos a nossa filha mais velha nos caminhos do Senhor.


Deus abençoe a todos!



5 comentários:

  1. Ainda a pouco falava sobre isso na mesa durante o almoço, o enredo das histórias acaba sendo sempre o mesmo, só mudam os "personagens" e o lugar.

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    1. Mario, por mais louco que possa parecer, no fundo louvo a Deus por ter passado por tudo isso. Claro que sempre ficam "sequelas", marcas que fazem lembrar os caminhos por onde passamos...

      E que Deus faça outros encontrarem o caminho que é Jesus!

      Feliz em ter você por perto, mano. Sempre bem-vindo!

      Um abraço!!

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  2. Admirável sua postura. Isso, sim, é que é dar testemunho de Cristo.
    Como falei hoje lá em um dos nossos grupos do Facebook, o povo doutrinado na CCB aprendeu que "dar testemunho de Jesus", é quando acontece uma "vitória", uma "benção", enfim, uma realização pessoal sempre relacionada a uma negociação divina e um acontecimento supostamente sobrenatural. então vai lá na frente dos irmãos na hora do culto e mostra aos outros, não como Jesus é 'o cara', mas como ele, o próprio'testemunhado', é o cara. Ele, sim, conseguiu favores de Deus!
    No entanto, dar testemunho de Jesus está muuuito além de falar de um acontecimento particular. Dar testemunho de Jesus é viver na GRAÇA, apesar de nós mesmos. E para isso, basta que nos despojemos do teimoso 'homem' que há em nós e nos rendamos a Ele.
    Sair desse conforto denominacional viciado que se vê, se pega e se apega.
    É preciso ter coragem para sair desse 'conforto'.
    Aliás, só sendo corajoso, sensato e justo para sair desse vício terrível.
    E somente o Espírito de Deus nos concede esse querer, essa coragem, essa sensatez, esse senso de justiça... E as consequentes reações às bordoadas recebidas pelos engessados.
    Ora, não se vive o Evangelho genuíno em cima de um púlpito nem dentro de templos adotando performance de santinho piedoso e seus clichês caricatos. O Evangelho é vivido cá fora das religiosidades. No cotidiano. Em vida simples, no 'servir a Deus' no outro e para o outro sem nenhum agendamento eclesiástico. É aí onde somos salvos de nós mesmos todos os dias! Salvos do nosso ego, dos nossos vícios espiritualóides, dos velhos costumes e tradições religiosas que iludem e produzem seres 'especiais'.
    Precisamos, nós todos, sair dos nossos púlpitos interiores, e andar no chão como TODOS os outros, pois somos TODOS iguais, dependentes da mesma misericórdia, do mesmo perdão e do mesmo amor.

    P.S.: Gosto do texto, mas muito me alegra ler o que está em negrito. Em especial isso aqui:
    Nada paga a paz que tenho instalada dentro de mim hoje!

    P.S. 2: Amo essa família. Aliviada em saber que a Vicky e sua nova companhia que vem por aí, estão libertos dessa loucura chamada denominação religiosa. (Escapuliu)

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  3. Henrique pq membros da ccb nao tem certeza da sua salvação? Outra coisa, quando um irmão cai em pecado sexual, (pra CCB pecado de morte) como convencer esse irmão que ainda tem jeito para ele? Outra coisa, o diabo aproveita e entra na mente dessas pessoas dizendo q não a mais jeito?

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    1. Olá Anonimo,

      A CCB se pauta de literalismos na Bíblia para desenvolver o pensamento que é necessário “tomar cuidado” para não perder a salvação. Passagens como as encontradas em Apocalipse (cuide para que ninguém tome a tua coroa) são pilares na divulgação do medo da perda da salvação. O Deus gracioso que se revelou em Cristo, torna-se facilmente um “deus perverso” que te dá uma lista de bons costumes a serem seguidos (lista esta que nunca termina) e te penaliza com castigos caso você for desobediente.

      Isso é sim diabólico, totalmente Anti-Cristo, pois nada tem a ver com o que Cristo ensinou.

      Agora, quando a convencer ao irmão que pecou sexualmente, só o Espírito Santo para convencê-lo. Já teve pessoas que eu cansei de mostrar as passagens na Bíblia mas pouco efeito fez.
      Há os que continuam a seguir com culpa, vivendo uma vida miserável pensando que no dia do julgamento Deus há de os perdoar, e há os que desandam de vez por acharem que não serão perdoados e se desgraçam cada vez mais.

      O conselho que te dou é que você anuncie a verdade a quem está nessa situação e ore para que Deus os ajude. Mas não se machuque caso não derem ouvidos Aquilo que voce anuncia.

      Deus te abençoe!

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