24/08/2016

Nicodemos e os Líderes religiosos atuais

“E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?
Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.”


Eu nasci e cresci no meio Evangélico. Minha família é membro de uma das maiores denominações evangélicas brasileiras.
Sempre fui zeloso na minha vontade de servir a Deus. Guardava o que me era ensinado com respeito e procurava cumprir com dedicação. Defendia aquilo que cria, mesmo não sabendo ao certo o porquê. 

Quando tive contato com o Evangelho de Cristo, minha primeira reação foi me defender. Afinal, eu procurava com zelo servir a Deus e ser colocado na mesma bacia dos pecadores era inconcebível para mim.
Porém o Espírito Santo sabe como operar. Não sei se o meu desejo por Deus tenha sido algum catalizador, mas pouco a pouco a Verdade foi invadindo meu ser.


Aceitei que eu era pecador e necessitado da Graça. Porém eu conhecia a mensagem e logo minha jactância se revelou: eu me achava melhor do que os outros.
Finalmente chegou o dia que a Graça de Cristo me tirou o último pedacinho de chão de razão na qual eu me sustentava. Diante do choro de uma alma que eu acabara de dar uma “sentença bíblica”, hermenêutica e sistematicamente embasada. 

Então conheci o Deus que me amou desde a Eternidade. E desde então tenho aprendido a deixar de ser presunçoso, julgador e jactante.
Se alcancei um nível de liberdade quanto a esses males? Tenho certeza que não. Sou humano.

Preguei com muito prazer sobre o Deus que se revelou em Cristo. E tenho aprendido muito desde então. 
Entretanto chegou o momento que a agenda denominacional me sufocava. E dei um basta, saindo do lugar aonde por mais de duas décadas eu frequentei e que em quase uma década fui ministro clerical.


Porém deixar o clero não é algo fácil. E por isso trouxe a passagem de Nicodemos nesta conversa.

Nicodemos era fariseu, homem religioso, um dos principais no seu meio. Como lemos, ele procurou Jesus no meio da noite (talvez para não ser reconhecido) e reconheceu que Jesus era vindo de Deus.
Jesus lhe responde: “te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”

Eu poderia ir adiante e divagar sobre o restante dos pontos que o Senhor Jesus ensinou a Nicodemos naquela noite, porém quero me ater neste ponto “Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”

Nicodemus nasceu um dia. Aprendeu a mamar, a chorar quando tinha alguma dor, a engolir, emitir sons, mexer com mãos e pés, reconhecer vozes, faces, sons. Logo aprendeu a sentar, se locomover, andar, correr. 
Com certeza Nicodemos caiu, se machucou, foi corrigido, ensinado. Errou, refez, aprendeu, cresceu.
Foi educado, se desenvolveu nas suas melhores aptidões. 
Se arrependeu, se orgulhou, teve medo, enfrentou situações diversas.
Viveu.
Nicodemos viveu.

Até a noite que se encontrou com Cristo e lhe foi anunciado que era preciso “Nascer de novo”...

Em outras palavras, era como dizer:
Tudo o que você aprendeu, não serve. Tem que aprender tudo de novo.
Tudo o que você fez, não serve. Tem que fazer tudo de novo.
Tudo o que você conquistou, não serve. Tem que conquistar tudo de novo.
Tudo o que você viveu, não serviu… Tem que viver de novo.

Voltar para a estaca zero. É o que Jesus propõe não somente a Nicodemos, mas a todos que querem “ver o Reino de Deus”.

E esta é a proposta mais radical do Evangelho: Nascer de novo. Começar do zero.

Note: Não é mudar os velhos pensamentos, valores ou atitudes, adaptando aos ensinos de Cristo. É ter novos pensamentos, valores e atitudes, pois tal pessoa renasceu em Cristo.


E aí muitos rodam.


Nicodemos tinha status, posição, era respeitado. Dizer que era totalmente inútil tudo que ele havia conquistado foi demais para Nicodemos.

E foi isso que Cristo o propôs. 


Eu fui participante do clero. Eu não recebia salário. Tampouco era profissional. Porém fui idolatrado por muitas pessoas. Elas ouviam o que eu tinha a dizer, me convidavam para suas festas, para jantares e visitas. Meu título clerical era bem-vindo em várias rodas sociais. As pessoas escolhiam as palavras quando conversavam comigo. O título me fazia “amado”.

Deixar esta “idolatria” com qual me tratavam para “nascer de novo” como um simples participante do reino de Deus foi desafiador.

Para aqueles que tem como profissão o clero e se dedicam de forma profissional ao mesmo, tal como Nicodemos (mesmo não sendo claro se Nicodemos tinha da sua função o ganha-pão), torna-se muito mais desafiador ainda.

Não foram raras as vezes que vi pastores e líderes evangélicos voltarem atrás em suas convicções por medo da perca da idolatria com qual são tratados e principalmente por verem que não têm profissões para se manterem a não ser o clero.


Então a maioria se frustra, tal como Nicodemos se frustrou, deixando o encontro com a Luz que é Cristo e voltando pelo seu caminho na escuridão da noite.

Porém há quem ousa nascer de novo. 
Sim, há quem reporte por inútil tudo o que aprendeu, fez, conquistou, viveu para nascer de novo em Cristo.

E note: esse “nascer de novo” nada tem a ver com batismo. 
Nasce de novo quem crê que nada na vida tem valor a não ser o que Cristo ensinou, viveu, mostrou.

Deus abençoe a todos.


Nele, que nos tirou das trevas para a Luz que é Ele próprio. 
Henrique




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