24/08/2017

Padre Fábio de Melo e Sindrome do Pânico – Postagem e comentários

R Farias: “Não existe cilada religiosa maior do que alguém de alma boa considerar-se responsável pela alma de um monte de gente, cada qual com suas mazelas, suas angústias, suas crendices e superstições.
Inevitavelmente, a conta um dia chega.
O chamado não é sádico para convocar uma pessoa a levar carga de milhares. A compaixão e o bom senso nos convocam a levar cargas UNS DOS OUTROS. Indo. No Caminho. Com leveza.”





Meu comentário:
“Vendo de fora agora, eu acho que cheguei perto disso quando era cooperador da CCB. 

Levava nas costas não só o aparato dos cultos (por exemplo, era eu que pedia e insistia com o povo pra angariar os fundos para fechar as contas mensais do aluguel/luz/lixo/limpeza, muitas vezes completando do meu bolso valores significativos, como também era muitas vezes o primeiro e o último a sair do salão de culto, abrindo o prédio, servindo de porteiro, e ficando no final pra fechar coletas, arrumar o salão, etc.), mas também o funcionamento "espiritual" do serviço, pois era eu que atendia a maioria dos cultos sozinho, pregava, tinha que orar, tinha que chamar hinos. 
Teve muitas semanas que atendi 3 cultos e preguei nos 3 cultos (apesar que depois de eu ter conhecido o Evangelho, pregar ficou fácil, prazeroso e me alegrava), houve meses que passei o mês inteiro atendendo todos os cultos e pregando em todos eles... 

Porém havia também outras preocupações extras, por exemplo com gente que não congregava, outros que reclamavam e acusavam outros... E tinha as reuniões, os eventos especiais como batismos, reuniões de mocidade, ensaio que na maioria das vezes eu me responsabilizava por 50% ou mais das atividades... Isso me chateava e cansava muito.. em especial as reuniões de ministério que eram demoradas, improdutivas, quando não tinham assuntos totalmente confusos quanto ao Evangelho, e eu por ser cooperador tinha que ficar quieto diante das respostas e propostas dos anciãos.

Houve outras coisas que exigiam de mim, por exemplo a reforma do salão ou arrumar o mesmo depois que ocorreu um assalto... Lembro de ter que ir no prédio as 3 da madrugada porque o alarme disparou..

Enfim, agora olhando de fora, vejo que cheguei muito perto de uma sindrome do pânico ou outro problema psicológico parecido. Talvez meu jeito de ser, tipo explodido em alguns momentos e desconectado em outros tenha ajudado.

Mas me lembro que o estômago doía bastante.. e eu tava parecendo um velho, quando nem 30 anos eu tinha.

Hoje, me sinto muito melhor, mais leve, mais tranquilo, menos pressionado e com tempo pra curtir a família. E me sinto mal comigo mesmo quando eu lembro a tudo o que me submeti.”


Comentário de E Vieira:
“Deus o livre... 
Quando voce passa a entender o evangelho, olha tudo isso, e se pergunta - pra quê?”


Minha resposta:
“Por algum tempo eu suportava por amor ao povo, por querer que eles aprendessem a Verdade e fossem libertos.

Também tinha zelo dos mesmos. Mesmo na CCB não havendo exploração financeira, tinha consciência que havia exploração psicológica e também idolatria tanto da denominação quanto dos líderes.

Então por amor, me permiti suportar carga pesada.. e hoje vejo que na verdade eu me permiti sequestrar "por amor".

Mas houve o dia que percebi que o povo não queria o Evangelho. Queriam benção, profecia, língua estranha. 
Daí a ficha caiu. Eu nunca daria a eles o que eles queriam. E eu estava sendo um peso para a maioria, que estava cansada de só ouvir sobre Jesus.

Foi minha libertação.”


Comentário de R Farias:
“Ufa! Me cansei só de ler!
Caramba!
Quanto peso!
Ficar refém a esse tipo de 'amor' é terrível! É uma prisão psicológica à qual a pessoa se habitua e nem se dá conta que suas energias estão sendo minadas.

Permita-me dizer que te conheço (acho que há uns dez anos) e sei que você tem rejuvenescido nos últimos anos, desde quando você se libertou dessa carga.

Como diz a Marlene, tipo uma versão de 'O curioso caso de Benjamim Button' rss”


Comentário de M Danelon:
“Exatamente,também me sinto assim. Hoje, me sinto muito melhor, mais leve, mais tranquilo, menos pressionado e com tempo pra curtir a família. E me sinto mal comigo mesmo quando eu lembro a tudo o que me submeti.”


Comentário de A dos Santos:

“Conheço bem esse peso meu querido Henrique, quando lembro o que passei, ainda dói...”

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