Depois de tudo que fizemos com
esse planeta, depois de abrir um buraco na camada de ozônio, depois de
emporcalhar rios e mares, depois de contaminar o ar que a gente mesmo respira,
depois de impor o aquecimento global para as próximas gerações, depois de dizimar
milhões de espécies, a gente tem a
cara de pau de achar que esse vírus é que é ruim.
Nem matar ele mata.
Quem mata é a doença que surge
quando ele se instala na gente.
Essa mata mesmo e a gente precisa
se cuidar, como aliás, precisamos evitar todas as outras doenças, muitas das
quais nós mesmos críamos.
A tal doença que o vírus causa
mata quase tanto quanto as guerras que a gente inventou.
Mata menos, mas mata como câncer
que a gente às vezes contrai por hábitos que não conseguimos controlar.
Já ele, o vírus, quer apenas o
mesmo que você e eu.
Quer cumprir o dever que a
Natureza impõe a quem está vivo: reproduzir e sobreviver.
E para isso, esse vírus fez o que
nenhum de nós conseguiu:
Fez a gente mudar.
Fez a gente andar menos de carro
e poluir menos o ar.
Fez a gente ficar em casa com a
família, que era onde a gente deveria estar se não fôssemos ferramentas.
Fez as famílias ficarem mais
tempo juntas.
Café da manhã, almoço e jantar.
Há quanto tempo, mundo afora,
tantas famílias não faziam juntas as três refeições?
Fez a gente esquecer um pouco a
polarização.
Fez a gente parar para pensar que
existe outra vida possível.
Fez os céus terem menos aviões e
helicópteros.
Os mares terem menos navios.
Fez as cidades ficarem mais
silenciosas.
Fez a gente dar uma pausa na
nossa insanidade cotidiana.
Fez filhos se preocuparem com a
saúde dos pais.
Fez o mundo pensar que é possível
trabalhar de casa, sem o stress dos ônibus e metrôs lotados.
Fez a gente ser mais criativo
para pensar em novas rotinas.
Fez crianças aprenderem a lavar
as mãos.
Não fosse pela doença, esse vírus
seria muito gente boa.
Imagine! Foi capaz até de fazer
os Estados Unidos considerarem dar dinheiro de graça para o povo.
Precisou um vírus para fazer os
governos do mundo todo, da noite para o dia, tirarem dos cofres mais de 2
trilhões de dólares para ajudar a quem precisa.
Mas a gente é burro.
E já já esse vírus vai passar.
Vamos dizima-lo com nossa
competência infinita.
Vamos extinguir todos os sinais
de sua existência na terra usando a mais avançada das ciências.
Vamos transformá-lo num capítulo
triste da nossa História.
E isso é bom, porque assim
ninguém mais morre da doença que ele causa.
Só que vamos fazer isso com tanto
orgulho, que em seguida vamos esquecer tudo que aprendemos.
Vamos voltar a lotar os trens, os
escritórios e as artérias.
Vamos voltar a poluir, aquecer e
sujar.
Vamos voltar para nossos
convívios econômicos e fragmentados com quem a gente mais ama.
E vamos lembrar desses dias como
os piores dias que já vivemos.
Porque, afinal, fomos obrigados a
sair de nossas tão prezadas rotinas.
Por: Mentor Neto
Por: Mentor Neto
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