Refleti nesses dias sobre “sentir Deus na minha vida”.
Quantos são os que dizem “Eu senti Deus na minha vida”?
Geralmente quem diz assim repete o mesmo repertório de sensações: Uma lágrima
que cai, um choro, uma emoção (principalmente se for coletivamente), um falar
em língua estranha, e pronto: Deus está ali, pois há aquele calor estranho que
sobe pela espinha e ferve o coração. Todos acabam confirmando na saída:
"Aconteceu comigo igualzinho! Deus está é aqui, não tenho a menor
dúvida!"
Acabada esta “experiência” com Deus, cada um vai embora
para sua casa, para sua vida cotidiana e incrivelmente, aquele que brigava com
os filhos e com o cônjuge, continua a brigar. Aquele que mentia para vender ou
comprar, continua vendendo, comprando e mentindo. Aquele que tinha inveja dos
bens materiais de um irmão, continua invejoso. O egoísta continua sem dividir
nada com ninguém, o briguento continua brigando, o maldizente continua
maldizendo, o que causa dissensões no meio da irmandade, continua dividindo… a
vida continua. Nada mudou desde o “senti Deus na minha vida”.
Uma vez ouvi uma pregação que elucidou o que é um encontro
com Deus. Deus dava ao pregador de dizer:
“Antes de vir para o culto esta noite estava na rodovia
quando furou o pneu do meu carro. Estacionei no acostamento e quando fui tirar
o parafuso da roda, a porca rolou para o meio da estrada. Eu fui atrás correndo
para pegá-la, quando nem percebi, fui atropelado por um caminhão de 50
toneladas.”
“O irmão está pregando loucuras! Como pode ter sido
atropelado por um caminhão enorme e estar aqui na nossa frente sem um osso
quebrado, sem um hematoma? Um atropelamento com um caminhão de 50 toneladas se
não o matasse, o deformaria totalmente!”
“Cristo é muito maior que um caminhão de 50 toneladas. Se
você verdadeiramente tivesse encontrado com ele, você estaria morto para o
pecado. Mas se as carnalidades humanas ainda permanecem em ti, você não teve
experiência nenhuma com Cristo. Você não se encontrou com Cristo ainda.”
Esta é a situação atual da igreja. Querem ter
experiências sensoriais com Cristo apenas. Querem ter emoções em sentir Cristo,
mas não querem viver com Cristo. Cristo sofreu, nós não queremos sofrer. Cristo
não tinha aonde inclinar sua cabeça, nós queremos que Ele nos dê uma casa
confortável, um belo carro, um bom salário, viagens, luxo. Nós não queremos
andar com Cristo!
Fazemos na nossa cabeça uma imagem distorcida do que é
Cristo. Não tomamos Cristo por completo, mas apenas partes de Cristo e queremos
na nossa vida. Queremos um Cristo que cura, que multiplica, que expulsa
demônios, mas não queremos um Cristo que renuncia o poder, riquezas e
reconhecimento materiais. Não queremos um Cristo que renuncie toda a glória que
lhe pertencia para morrer por pecadores e tomar sobre si toda a ira de Deus.
Não queremos um Cristo ressuscitado, triunfante sobre o pecado e morte.
Amamos os nossos pecados. Amamos mentir, enganar,
invejar, caluniar, maldizer, dividir, separar. “O que é meu é só meu”. “Eu no
meu canto e ele no dele”. Odiamos dividir o pão, amar o próximo mesmo quando
ele nos odeia. Odiamos dizer a verdade quando temos a iminência da perda. Um
irmão não te cumprimentou, pronto, já não olha mais na cara dele e já começa
falar mal dele para os outros.
E assim vivemos. Nos vangloriando de momentos emocionais
com Deus, de lágrimas, de frios-na-espinha, de corações-fervendo e não damos
motivos para que Deus se glorifique em nós por ver que éramos homens
pecadores, agora buscamos santificação em Cristo. Éramos egoístas, agora
dividimos o pão. Separávamos e agora ajuntamos, mentíamos e agora anunciamos a
verdade.
Sejamos Cristãos não de crachá, mas tenhamos obras de
verdadeiros Cristãos. Procuremos ter a verdadeira experiência com Cristo, tendo
nossa vida transformada por Ele.
Que Deus nos abençoe cada dia mais na graça que recebemos
de Cristo.
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