22/08/2012

"Senti Deus na minha vida"

Por: HP

Refleti nesses dias sobre “sentir Deus na minha vida”.

Quantos são os que dizem “Eu senti Deus na minha vida”? Geralmente quem diz assim repete o mesmo repertório de sensações: Uma lágrima que cai, um choro, uma emoção (principalmente se for coletivamente), um falar em língua estranha, e pronto: Deus está ali, pois há aquele calor estranho que sobe pela espinha e ferve o coração. Todos acabam confirmando na saída: "Aconteceu comigo igualzinho! Deus está é aqui, não tenho a menor dúvida!"

Acabada esta “experiência” com Deus, cada um vai embora para sua casa, para sua vida cotidiana e incrivelmente, aquele que brigava com os filhos e com o cônjuge, continua a brigar. Aquele que mentia para vender ou comprar, continua vendendo, comprando e mentindo. Aquele que tinha inveja dos bens materiais de um irmão, continua invejoso. O egoísta continua sem dividir nada com ninguém, o briguento continua brigando, o maldizente continua maldizendo, o que causa dissensões no meio da irmandade, continua dividindo… a vida continua. Nada mudou desde o “senti Deus na minha vida”.

Uma vez ouvi uma pregação que elucidou o que é um encontro com Deus. Deus dava ao pregador de dizer:
“Antes de vir para o culto esta noite estava na rodovia quando furou o pneu do meu carro. Estacionei no acostamento e quando fui tirar o parafuso da roda, a porca rolou para o meio da estrada. Eu fui atrás correndo para pegá-la, quando nem percebi, fui atropelado por um caminhão de 50 toneladas.”
“O irmão está pregando loucuras! Como pode ter sido atropelado por um caminhão enorme e estar aqui na nossa frente sem um osso quebrado, sem um hematoma? Um atropelamento com um caminhão de 50 toneladas se não o matasse, o deformaria totalmente!”
“Cristo é muito maior que um caminhão de 50 toneladas. Se você verdadeiramente tivesse encontrado com ele, você estaria morto para o pecado. Mas se as carnalidades humanas ainda permanecem em ti, você não teve experiência nenhuma com Cristo. Você não se encontrou com Cristo ainda.”

Esta é a situação atual da igreja. Querem ter experiências sensoriais com Cristo apenas. Querem ter emoções em sentir Cristo, mas não querem viver com Cristo. Cristo sofreu, nós não queremos sofrer. Cristo não tinha aonde inclinar sua cabeça, nós queremos que Ele nos dê uma casa confortável, um belo carro, um bom salário, viagens, luxo. Nós não queremos andar com Cristo!

Fazemos na nossa cabeça uma imagem distorcida do que é Cristo. Não tomamos Cristo por completo, mas apenas partes de Cristo e queremos na nossa vida. Queremos um Cristo que cura, que multiplica, que expulsa demônios, mas não queremos um Cristo que renuncia o poder, riquezas e reconhecimento materiais. Não queremos um Cristo que renuncie toda a glória que lhe pertencia para morrer por pecadores e tomar sobre si toda a ira de Deus. Não queremos um Cristo ressuscitado, triunfante sobre o pecado e morte.

Amamos os nossos pecados. Amamos mentir, enganar, invejar, caluniar, maldizer, dividir, separar. “O que é meu é só meu”. “Eu no meu canto e ele no dele”. Odiamos dividir o pão, amar o próximo mesmo quando ele nos odeia. Odiamos dizer a verdade quando temos a iminência da perda. Um irmão não te cumprimentou, pronto, já não olha mais na cara dele e já começa falar mal dele para os outros.

E assim vivemos. Nos vangloriando de momentos emocionais com Deus, de lágrimas, de frios-na-espinha, de corações-fervendo e não damos motivos para que Deus se glorifique em nós por ver que éramos homens pecadores, agora buscamos santificação em Cristo. Éramos egoístas, agora dividimos o pão. Separávamos e agora ajuntamos, mentíamos e agora anunciamos a verdade.

Sejamos Cristãos não de crachá, mas tenhamos obras de verdadeiros Cristãos. Procuremos ter a verdadeira experiência com Cristo, tendo nossa vida transformada por Ele.


Que Deus nos abençoe cada dia mais na graça que recebemos de Cristo.

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