Neste texto, Zágari discorre sempre utilizando a Bíblia
como fonte de ensinamentos e respostas. Vale a pena também acessar o link ao
texto original, aonde há inúmeros comentários com respostas do autor. Algumas
perguntas que me tocaram foram a respeito de agressão, sendo o autor claro em
dizer que, na luz da Bíblia, o agressor deve sofrer as punições previstas na legislação
(no Brasil, Lei Maria da Penha), porém mesmo preso, o agressor continua casado.
É um assunto polêmico, útil para casados, solteiros e separados. Achei interessante compartilhar e
creio que devemos a todo momento entender o que Deus nos deixou na Bíblia para
seguirmos, mesmo que seja contrárias as nossas posições pessoais. Pode ser difícil, “mas em todas estas coisas somos mais do que
vencedores, por aquele que nos amou.” (Rm 8:37)
---
Por Maurício Zágari.
Tenho chorado. Literalmente. Leio comentários aqui no
APENAS, no Facebook ou de pessoas que pedem meu e-mail e me escrevem contando
suas histórias e pedindo conselhos – ou somente para desabafar. Alguns desses
textos, confesso, me levam às lágrimas, simplesmente porque eu gostaria de
responder uma coisa mas a Bíblia me diz que responda outra, que eu não quero
responder. Mas é a frase de Atos dos Apóstolos: “Antes importa agradar a Deus
do que aos homens”. Por isso, eu, como cristão, não posso aconselhar ninguém
que não seja tomando por base as Sagradas Escrituras. E muitas vezes isso me
dói ao ponto de a dor transbordar em lágrimas. “Mas, Zágari, do que você está
falando?”. Querido irmão, querida irmã, estou falando de um assunto que tem
lotado minha caixa de entrada de e-mails: cristãos infelizes no casamento.
Cristãos que não amam seus cônjuges. Sim, isso existe e, pelo que tenho visto,
numa proporção maior do que gostaríamos de admitir. Pressionados por suas
igrejas, enganados por falsas profecias e “revelações”, acreditando que
“construirão o amor com o tempo”, seduzidos pela ânsia de ter filhos, com medo
de viverem sós, enfim, seja qual for a razão errada, milhares de milhares de
servos sinceros de Deus estão entrando num matrimônio fadado à falência.
Simplesmente porque se casam sem amor, o alicerce de um enlace matrimonial. Uma
pessoa querida está vivendo esse problema e me pediu que escrevesse sobre isso.
Mantenho tal pessoa no anonimato, mas aqui compartilho minha reflexão sobre
pessoas que casam sem amor e o que fazer a partir daí.
Peço desculpas desde já pois este post é um pouco longo.
Mas, pela seriedade do assunto, preciso abordar o tema com muito cuidado, tato,
detalhamento e respeito às Escrituras. Pois muito do que será dito aqui pode
entristecer pessoas e é fundamental que fique claro que estou baseando
absolutamente tudo o que digo na Bíblia. Ou seja, se algo te entristecer, que
não seja por achismos meus nem por uma má hermenêutica, mas pela compreensão de
que a soberana e absoluta vontade de Deus corre muitas e muitas vezes o risco
de contrariar o que seria mais cômodo para a minha e a sua vida. Respiremos
fundo e vamos lá – tendo em mente o tempo inteiro as palavras do Cristo: “Então Jesus disse aos seus
discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua
cruz e siga-me.
Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por
minha causa, a encontrará’.”
Recentemente escrevi o post As razões de casamento e divórcio
entre cristãos, com base numa
enquete que mostrou que 19% dos cristãos que votaram não acham que o amor deve
ser a causa principal de um matrimônio. Se você não o leu acesse o post e entenderá biblicamente por que o amor bíblico (de João
3.16) é a única razão que deve levar homem e mulher a firmar um compromisso de
união pelo resto de suas vidas. E, meu irmão, minha irmã, esse post fez
chover testemunhos, inclusive um de uma pessoa próxima a mim, que amo e que não
sabia que vivia esse problema. Assim, chorei.
Já tinha sentido o gosto do problema meses atrás, quando
publiquei no APENAS um post chamado Solitários, carentes e infelizes, em que falo sobre as pessoas que se casam por N motivos
errados e assim se condenam à infelicidade pelo resto de suas vidas, ao
divórcio ou até mesmo a “soluções” mais drásticas. Na ocasião, a quantidade de
depoimentos de pessoas que passam por isso e que vivem uma situação de solidão
a dois me impressionou. Agora, com o novo texto do APENAS, a enxurrada só
aumentou. Vou relatar alguns casos, mudando algumas informações, para preservar
a identidade de quem me escreveu.
Recentemente, uma irmã entrou no espaço dos comentários e
me pediu meu e-mail. Conversamos. E ela confessou que vivia tão infeliz no
casamento que estava pensando seriamente em suicídio. Mãe, esposa, cristã e…
suicida. Meu Deus… Tudo porque casou-se errado e hoje não suporta a mentira em
que vive. Esse contato e o de tantas outras irmãs (geralmente quem escreve são
mulheres, os homens simplesmente dão seu jeito e vão em frente) me fizeram
voltar a refletir sobre o assunto e a escrever sobre ele. Pois praticamente
todas(os) os que me escrevem terminam da mesma forma: “Estou miseravelmente
infeliz. E o que faço agora?”
Vejamos um caso: “Eu não gostava tanto assim dele
enquanto namorávamos, mas muitas pessoas da igreja me diziam que amor se
constrói, que eu aprenderia a amá-lo. Afinal ele era um rapaz tão bom pra mim,
espiritual, tinha um bom emprego, era um dos mais cobiçados da igreja”, contou
uma das irmãs. Curiosamente é uma coisa que tenho ouvido com alguma
frequência: “Amor se constrói”. Não acredito nisso. Acredito que amor se
mantém. Se preserva. Se alimenta. Mas… se constrói? Me soa muito estranho.
Deus, que é amor, disse “Eu Sou”. O amor é. Ele não “pode vir a ser”. E todas as
pessoas que entraram em roubadas matrimoniais acreditando que o tempo
resolveria a falta de amor e que deixaram depoimentos nos comentários aqui do
blog descobriram com o passar dos anos que o conto-de-fadas do amor que se
constrói não passa de um conto da carochinha. Simplesmente porque não se pode
construir algo do nada. Se não há amor no ponto de partida não haverá amor na
linha de chegada. E a maratona será árdua.
Outra irmã desabafou: “Eu tive três filhos com ele ao
longo de 15 anos de casamento. Olho para eles e, em vez de sorrir, eu choro,
pois cada um deles tornou-se um memorial da minha infelicidade. Hoje em dia só
de pensar em me deitar com meu marido me dá asco”, confessou-me com uma
franqueza que me impactou e me entristeceu profundamente. Em vez de ter em seus
filhos a lembrança de uma história de amor vê neles marcos de infelicidade e
arrependimento. “Se fosse possível eu os empurraria de volta ao meu útero, só
para não lembrar da minha tristeza que não passa e eu tenho que fingir para todos
que não existe. Vivo um eterno teatro”, foi além essa mãe em seu desabafo.
Detalhe: todas são palavras de uma cristã.
Outra pessoa querida, também serva de Deus, me
confidenciou: “Não tive um ‘maurício’ para iluminar a mente e estou casada. E
quando li o que você escreveu confirmei que meu casamento foi precipitado
demais. Me sinto culpada e mal, já que tenho um filho que é meu amor. Casei sem
amá-lo”, contou-me essa irmã. Mas ela prosseguiu em seu relato, que me cortou o
coração: “Tudo errado, quero fugir! Achei que as qualidades dele fossem superar
tudo e eu o amaria muito com o tempo. Exatamente como você escreveu, eu tinha
medo de ficar sozinha… Tinha o sonho de ser mãe…”
E foi então que ela disparou a pergunta que eu não queria
responder, e que todos os que estão vivendo essa situação fazem: “O que fazer
agora??”. Ai. Vamos lá.
O que eu gostaria de responder? O que o mundo
responderia: divorcie-se, vá buscar a sua felicidade. Mas não posso responder
isso. Estou atado à Palavra revelada do Criador do universo. E tenho de
responder conforme Ele nos ensina:
1. Deus odeia
o divórcio. Isso está claro em Malaquias 2.16. Então o divórcio não é uma
opção. Isso se confirma em Mateus 19: “Vieram a ele [Jesus] alguns fariseus e o
experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por
qualquer motivo? [Observe que aqui eles
perguntam QUALQUER MOTIVO]. Então, respondeu ele: Não tendes lido
que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta
causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois
uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o
que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então,
Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da
dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher;
entretanto, não foi assim desde o princípio”.
Ou seja, Deus odeia o divórcio e, no principio, no estado
perfeito das coisas, Deus não permitira o que o homem Moisés permitiu.
Separação de um matrimônio é, portanto, algo antinatural aos olhos do Criador.
2. Um dos
assuntos sobre os quais Jesus fala com mais clareza na Bíblia é sobre o
divórcio. Simplesmente porque essa questão lhe foi perguntada diretamente. E a
resposta dele é absolutamente clara, como consta em Mateus 19.9 em diante “Eu,
porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações
sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a
repudiada comete adultério”. Ou seja, embora Deus odeie o divórcio, Jesus abre
uma única exceção – e não me pergunte por quê, eu não sei: relações sexuais
ilícitas, ou, no original grego, “porneia”. Isso incluiria adultério,
prostituição, sexo com animais ou qualquer outro tipo de desvio sexual. É a
única exceção que encontramos no Novo Testamento.
Marcos 10 reconta essa passagem: “E, aproximando-se
alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar
sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés
permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas [observe o termo que a Bíblia usa: "Mas". Que significa
"por outro lado", "todavia", "de forma diferente",
"em oposição a",
"em discordância a"]
Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito
esse mandamento; porém desde o princípio da criação, Deus os fez homem e
mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e,
com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas
uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem [repare que a vontade do homem é
nitidamente submissa à do Criador]. Em casa, voltaram os discípulos
a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e
casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e
casar com outro, comete adultério”.
É bíblica a separação de corpos e o celibato?
Creio que está claro que o divórcio não é uma opção.
Outra teoria alega que, se há infelicidade no casamento, o casal poderia
separar-se mas manter-se solitário, sem novos relacionamentos e preservar-se
celibatário. A esse respeito, no Sermão do Monte, em Mateus 5.31, o Mestre
reafirma a posição celestial: “Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher,
dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher,
exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e
aquele que casar com a repudiada comete adultério”. Repare com muita
atenção o que Ele diz: se alguém repudia o cônjuge exceto pela “porneia” o
expõe a se tornar adúltero. Então é nítido que essa separação proposta de
corpos é uma porta de entrada ao adultério e aquele que optou pelo afastamento
expõe o outro a adulterar. Logo, a teoria antibíblica de um casal rompendo o
padrão original moldado por Deus no início e vivendo afastado tentando o
celibato também é repudiada por aquele que, segundo João 1, participou da
criação de todas as coisas.
Nesse ponto o adepto da ideia de que é possível
separar-se desde que se mantenha o celibato e a solidão alega que Jesus disse
que é permitido “manter-se eunuco” (ou seja, sem ter relações sexuais). Ou
seja, segundo essa linha de pensamento, bastaria permanecer sem se casar e sem
fazer sexo e isso garantiria a aprovação de Deus do seu divórcio (o que
contraria a ordem original da união de um casal). Só que, aí, vamos à Bíblia e
lemos na sequência de Mateus 19: “Porque há eunucos de nascença; há outros a
quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos,
por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita”. Sim, Jesus diz
que os celibatários existem. A questão é: onde aqui o celibato é justificado
por “infelicidade no casamento”? “Por causa do reino dos céus” seria a
justificativa? Não, pois essa é uma péssima hermenêutica. O caso aqui, ao
se comparar ao celibato de Paulo, por exemplo, é de abster-se de ter uma
família para se dedicar às coisas de Deus. Não tem absolutamente nada a ver com
um casamento mal-sucedido e quem usa essa passagem para tal faz violência às
Escrituras.
Paulo, a partir de 1 Coríntios 7.11, levanta
novamente a questão do afastamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o
Senhor, que a mulher não se separe do marido, (se, porém, ela vier a
separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido
não se aparte de sua mulher”. Aqui alguém poderia vibrar: uma brecha em
tudo o que a Bíblia disse até agora! Calma. Não é bem assim. Leia com atenção:
o apóstolo diz que o Senhor ORDENA que o cônjuge não se separe do outro. Ponto.
Incontestável e completamente de acordo com o resto das Escrituras. Mas… ele
continua entre parênteses, ou seja, fazendo um adendo ao que é absoluto: “Se,
porém, ela vier a separar-se”. Quando lemos que Deus ORDENA que não se separe
mas em seguida vemos “se, porém, ela vier a separar-se”, o que fica claro para
quem lê com olhos imparciais?
Desobediência.
Ou seja: se o cônjuge desobedece a ordem de Deus e
persiste no seu intento de separar-se, vejamos o que é dito: “que não se case
ou que se reconcilie com seu marido”. O que se entende disso? Que se a pessoa
desobedeceu o Criador e fez o que Ele proibiu, que, no mínimo, para minimizar o
estrago, não se case. Ou que faça o que Deus deseja: se reconcilie com o
cônjuge. Tanto que Paulo orienta o repudiado a não se afastar de quem se afastou
dele. E por que ele diria isso? Para que haja a reconciliação. Veja que essa
passagem, usadíssima para justificar a separação de corpos e de vidas entre
casais infelizes, mostra que Deus ordena (pense no peso dessa palavra) que não
haja separação, mostra que os desobedientes não devem se casar e que o correto
é a reconciliação, a ponto de dizer ao repudiado, parafraseando: “Se você foi
abandonado, não parta para outra, permaneça perto de quem te abandonou, com
vistas à reconciliação.
Resumo da ópera: se alguém peca (desobedece a ordem de
Deus) e se afasta do cônjuge, mesmo “que não se case”, isso não deixa de
constituir pecado. E a solução para esse pecado é voltar para casa. Divórcio,
logo, Deus odeia e é pecado.
3. Jesus
manda perdoar 70 vezes 7, ou seja, mesmo que haja relações sexuais ilícitas, o
perdão do cônjuge e a tentativa de reconciliação devem ser sempre a primeira
alternativa.
E aí? O que fazer?
Ou seja: em momento nenhum da Bíblia a “falta de amor” ou
a “infelicidade” dão base para uma separação. Duro. Mas verdadeiro. E aí
retornamos à pergunta da irmã: “O que fazer agora??”. E é aqui que eu gostaria
de sair correndo, de me esconder. Pois as respostas são difíceis de se ouvir.
Mas lá vou eu encarar a Bíblia, correndo o risco de ser chamado de legalista,
fariseu, biblicista ou de não ter graça no coração – como já me acusaram
algumas vezes porque eu digo o que a Bíblia diz e não o que as pessoas querem
ouvir.
Fato é que se a pessoa vive um casamento infeliz, o que
ela deve fazer é pedir de Deus um milagre. Pela Bíblia, não há outra resposta.
A boa noticia é que Deus faz milagres. E, nesse caso, o
milagre seria a paz de Cristo tomar conta do casal a ponto de conseguirem, se
não em amor pleno, viver em harmonia, respeito, companheirismo e outras
virtudes. Dois grandes amigos compartilhando uma vida. Eu sei, muitos vão
discordar, que voem as pedras – afinal vivemos numa civilização hedonista, onde
o prazer e a alegria são os fatores mais importantes do ser humano, superando
em muito a obediência a Deus. Só que cumprir o querer de Deus deve ser o primordial
em nossas vidas, antes de qualquer benefício pessoal – afinal, fomos criados
para a Sua glória e não para o nosso bem-estar e prazer.
Não vejo absolutamente nenhuma base bíblica que mostre
que Deus constrói amor onde ele não existe. Se houver, por favor me mostrem,
pois revirei as Escrituras ao avesso, li sobre o assunto de diversas fontes e
não encontrei. Nem que fosse um único versículo que diga que por fazer uma
corrente de sete semanas você passará a amar subitamente o marido que não ama.
Isso simplesmente não está na Bíblia. E, por favor, não cometa erros
hermenêuticos como “tudo posso naquele que me fortalece”. Não tire textos do
contexto para tentar justificar o injustificável. Por isso falei em milagre.
Deus abriu o mar? Abriu o Jordão? Parou o Sol? Curou
cegos, leprosos e paralíticos? Então o soberano Deus pode fazer o que bem
quiser. E, pela subversão da ordem natural das coisas (que chamamos “milagre”)
é capaz de transformar água em vinho. Mas para isso é preciso que haja água.
Para ressuscitar um morto é necessário que antes houvesse vida. Para fazer um
casamento frutificar é preciso que antes tenha havido amor. Aí Deus entra,
conserta as rachaduras, desempena as portas, costura as cortinas e o Sol volta
a brilhar. Mas se o casamento ocorreu sem amor, por qualquer razão errada… Aí
só um milagre. E milagres não acontecem todos os dias.
Essa, minha irmã, meu irmão, é a realidade. Deus nos
permite escolher com quem casar. A escolha é SUA. Se escolher pelos motivos
errados, biblicamente terá de colher o que plantou: falta de amor. Triste sim.
Mas não posso mentir a você para deixá-la mais sorridente. Perceba: se
você, por decisão própria, um dia decepar uma de suas pernas, não espere que
Deus vai fazer brotar outra nova no lugar. Ele poderia fazer esse
milagre? Poderia fazer surgir uma perna nova? Claro! Ele pode tudo! A pergunta
é: quantas vezes você já viu ou ouviu falar que o Senhor fez isso? Eu não
conheço nem nunca soube de nenhum caso concreto. Assim, com que frequência Deus
faria o milagre de fazer brotar amor onde ele nunca houve? Pode acontecer? Sim.
É provável? Aí já é discutível.
Preparado para ouvir a realidade? O que é bíblico? Então
vamos lá: se você decepar sua perna, as chances são que você tenha de viver o
resto da vida sem ela, suportando a situação, dependente de uma muleta ou de
uma cadeira de rodas. É triste, é difícil, eu não gostaria de te dizer isso. De
igual modo, se você casou sem amor, as chances são que você tenha de viver o
resto da vida num casamento sem amor, suportando a situação, dependente da
força de Deus e do fruto do Espírito. É triste, é difícil, eu não gostaria de
te dizer isso.
Mas é a verdade.
Este sem dúvida é o post mais difícil que já escrevi.
Pois sempre que escrevo, procuro encaixar o texto na tríade de funções da
profecia: exortação, consolo ou edificação. Mas não consigo encaixar este
em nenhuma das três categorias. É um post sobre a soberania e a vontade de Deus
(que é boa, perfeita e agradável), sempre sob a sombra da graça. Resta a todos
os irmãos e as irmãs que estão enfrentando o deserto de um casamento sem amor
olhar para Deus, Sua graça e Sua misericórdia e falar como Jó, que no momento
de maior desespero e angustia adorou o Todo-Poderoso e disse: “Nu saí do ventre
de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o
nome do Senhor!”. Isto é: seja feita a vontade do Altíssimo, assim na terra
como no Céu. Romanos 9.14 afirma: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum!”. Bendito seja o nome do Senhor. E, como em tudo devemos
dar graças, mesmo na tribulação o faremos.
Caminho para o fim deste difícil post com um peso sobre
as costas, mas com mais uma passagem bíblica. Na sequência da explanação de
Jesus sobre o porquê de Ele estar subvertendo o que Moisés estipulou
humanamente, em Mateus 19, os discípulos mostram que a resposta do Mestre os
deixou bem desconfortáveis, para não dizer revoltados. Como muitos leitores
devem estar se sentindo. Pois os discípulos (e talvez você) certamente queriam
que o Senhor viesse com alguma fórmula mágica que resolvesse os casamentos
infelizes, que fosse tiro e queda, bate-pronto e, assim, desse um jeito de
validar o divórcio e resolver num estalar de dedos os problemas de milhares de
pessoas que vivem um matrimônio em que não gostariam de estar. Por isso, eles
peitam Jesus, no versículo 10: “Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a
condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar”. E aí,
perdoem-me os que consideram os argumentos aqui apresentados legalistas
(detalhe: só expus argumentos do Novo Testamento), mas concluo não com a Lei,
mas com as palavras do próprio Cristo (que, acredito eu, não era
legalista) no versículo 11. Palavras que não dão uma resposta fácil, rápida e
pronta, mas sim a que conveio a Deus. Não me culpem, por favor. Apenas
reproduzo o que o Criador do Universo disse: “Jesus, porém, lhes respondeu: Nem
todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado”.
Oro a Deus por cada irmão e irmã que vive um casamento
infeliz. Oro com toda a minha alma, com dor no coração e cheio de solidariedade
e carinho. E peço para esses um milagre. Peço consolo. Peço restauração e uma
vida de abundância em Cristo. Peço graça. Que suas famílias sejam abençoadas.
Também deixo um alerta aos solteiros: NÃO SE CASEM SEM AMOR. Não se casem sem o
amor sacrificial de João 3.16. Para que não venham a sofrer no futuro. Aos que
já sofrem, oro ao Deus do impossível que sare suas feridas. Que os faça felizes
apesar dessa dificuldade. E que lhes traga a paz que excede todo o
entendimento.
Paz. Como precisamos dela. Por isso desejo paz também a
todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
Maurício
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Discordou de mim? Tua opinião é bem-vinda, mas seja educado. Somos todos aprendizes nesta vida, e ainda mais aprendizes de Cristo, a Palavra de Deus feito carne, que é fonte inesgotável de Vida e Verdade, o Único Caminho nosso à Deus!
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