Em muitas igrejas os diáconos são
encarregados da preparação antecipada da Ceia do Senhor. Esta é uma honra que
estes servos de Deus têm diante da igreja local. Devem zelar para que os
elementos sejam apropriados tanto em qualidade, como o corte do pão e a
distribuição do cálice, e ainda a disposição na mesa. Todavia, após o término
do culto, eles são responsáveis pelas sobras dos elementos da Ceia.
A pergunta é: o que fazer dos elementos
que sobraram?
É quase impossível
estabelecer uma regra absoluta quanto ao assunto. Devemos nos orientar por um
princípio geral, isto é, que o preparo, o manuseio, e o eliminar dos elementos devem
evitar qualquer superstição, erro doutrinário, ou a prática da veneração do pão
e do cálice, antes, durante ou após a celebração da Ceia do Senhor,
atribuindo-lhes algum poder inerente, ou valor permanente.
A Confissão de Fé de
Westminster declara que "os elementos exteriores deste sacramento,
devidamente consagrados aos usos ordenados por Cristo, têm tal relação com o
Cristo Crucificado, que, verdadeiramente, embora só num sentido sacramental,
são às vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo
e o sangue de Cristo; se bem que, em substância e natureza, conservam-se
verdadeiro e somente pão e vinho, como eram antes."
Há diferentes práticas
adotadas pelas igrejas evangélicas:
1. Muitos guardam as
sobras, tanto do pão como do cálice, para a próxima realização da Ceia. O
problema é que quando a celebração seguinte demora, ou sendo realizada
mensalmente, os elementos podem não ter a mesma qualidade, por causa da
fermentação, decomposição, ou até mesmo por serem inaproveitáveis por causa da
sua inadequada preservação.
2. Em
alguns casos há diáconos que após o culto, enterram as
sobras do pão e do cálice. Mas, isto apenas aumenta a ignorância e piora o misticismo irracional que, diga-se de passagem, é uma herança do
catolicismo romano.
3. Há aqueles que
jogam no lixo as sobras da Ceia. O fato de se jogar fora pode ser por não
querer aproveitar os elementos, porque uma vez cortados não é possível
aproveita-los para uma refeição posterior. Mas, corre-se o risco de fazê-lo
pelo mesmo motivo daqueles que preferem enterrar.
Esta confusão é
desnecessária, mas ofende a consciência de alguns amados e sinceros irmãos que
não foram corretamente instruídos sobre a natureza da Ceia do Senhor.
Eis alguns motivos
desta comum confusão:
1. Por serem
instruídos sem base nas Escrituras a divinizar o pão e o cálice inconscientes
da heresia que estão praticando.
2. Por esquecerem que
o pão e cálice são meros símbolos, e que não há nenhuma mutação essencial nos
elementos. Apenas a presença espiritual manifesta-se durante a Ceia nos
alimentando com a graça (por isso, é um meio de graça). Os elementos da Ceia
não se tornam (transubstanciação), nem contém (consubstanciação) o corpo físico
de Cristo. Embora separados do uso comum, continuam sendo o que sempre foram, o
pão e cálice; não sofrem nenhuma mutação substancial, mas apenas representam
uma realidade espiritual presente durante a correta celebração da Ceia. Cristo
está presente espiritual e não fisicamente.
3. Por confundirem que
o importante na Ceia são as palavras, o ato, e o momento da celebração da
comunhão nada acrescentando, nem permanecendo nos elementos de modo que devem
ser considerados como objetos de veneração.
Algumas recomendações
pastorais sobre "as sobras da Ceia":
1. Não alimente o sentimento
pelos elementos como se eles fossem o próprio Cristo! Não podemos cair no sutil
erro da idolatria como o fazem os romanistas.
2. No manuseio dos
elementos não os vulgarize. Este é o outro extremo, também praticado por
ignorância. Não devemos brincar com aquilo que é sério. O símbolo [pão e vinho]
mesmo quando não usado na Ceia não deve ser banalizado, se separado para este
fim.
3. Não há nenhum
problema em se comer as sobras do pão e beber do resto do cálice, porque após o
término do culto, eles se limitam a ser apenas o que sempre foram, pão e vinho,
porque após a celebração perderam o seu significado e eficácia espiritual como
meio de graça.
4. Se os diáconos
resolverem dar as sobras dos elementos para as crianças (o que acontece em
alguns lugares), deve-se inevitavelmente, com clareza, ensiná-las que aquilo
que elas estão comendo não é a Ceia do Senhor (nem permiti-las brincar de Santa
Ceia), mas apenas as sobras do pão e do cálice. Isto deve ser feito, de modo
que, seja evitado escândalos, uma concepção errada, e a confusão na mente dos
infantes que ainda não possuem discernimento da seriedade da Ceia do Senhor.
A minha real preocupação
com este artigo não é com as sobras dos elementos da Ceia, mas com o
pressuposto teológico. A crença modela o comportamento. Então, não é apenas durante a Ceia que manifestamos
a nossa convicção de fé, mas após o seu término quando vamos nos desfazer das
sobras dos elementos. Infelizmente,
um expressivo número de igrejas locais são absurdamente incoerentes quanto a
este assunto! Mesmo aqueles que
durante a Ceia confessam que ela é apenas um mero memorial (zwinglianos), ou,
ainda outros que creem que embora sendo um símbolo representa o corpo e o
sangue, a presença de Cristo é somente espiritual, e não física (calvinistas); entretanto, após a Ceia acabam por negar o seu credo
com ranços do romanismo. Com
isto, não somente negamos a nossa doutrina na prática, mas desonramos o ensino do nosso Senhor.
Via: Bora Ler
Hoje onde a pequena semente de mostarda iria crescer a tal ponto que as aves do céu viria fazer ninhos nela, se tornou a grande cristandade. Vejo tantas complicações em servir a Deus, tantas invencionices humanas, mas a igreja primitiva tinha quatro âncoras (por assim dizer) que eles praticavam rotineiramente, que são:
ResponderExcluir1- Doutrina dos apóstolos
2- Comunhão;
3- Partir do pão (Ceia do Senhor)
4- Orações
At 2:42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
Simples, não é? Porém a cristandade complica tudo, colocando mais cargas que os "membros" não suportam, emprestam doutrinas judaizantes para a igreja.
Mas em relação a Ceia do Senhor "é bom ter em mente que a ceia não é um meio de fortificação da fé, recebimento de bênção ou fonte de cura. Participar da ceia neste espírito é perder de vista que estamos ali não para receber, mas para dar a Deus e ao Senhor Jesus o louvor que é devido por seu sacrifício. Muitos cristãos olham para a ceia apenas como mais uma oportunidade de receberem algo de Deus, como se fosse uma espécie de tônico fortificante ou canal de bênção. O cristão já está abençoado com toda a sorte de bençãos espirituais nos lugares celestiais e não é uma celebração que irá abençoá-lo mais. O Senhor pediu: "Fazei isto em memória de MIM". Ele não disse "Fazei isto em memória de vocês..." ou "para a bênção de vocês...". Participar da ceia pensando "no que vou ganhar com isso" é uma atitude egoísta e mesquinha, e está muito longe da atitude de reverência e dignidade que o Senhor espera." (por Mário Persona).