Estou escrevendo pouco nesses últimos
dias.
Não que não tenha o que escrever, mas
creio que meus sentimentos estão um pouco confusos dentro de mim e por mais que
tenha tentado escrever algum texto três ou quatro vezes, não consegui chegar ao
final de nenhum deles.
Tenho me decepcionado com igrejas (denominações)
e seus líderes, ao mesmo tempo em que aumentou a compaixão em mim pelo ser
humano e suas enfermidades na alma.
Enquanto vemos igrejas evangélicas e
seus líderes defendendo teses calvinistas, teologias e doutrinas, eu leio uma
notícia que o papa Francisco sai disfarçado a noite, para nas ruas de Roma
evangelizar os sem-tetos e lhes dar comida…
Convivemos com pessoas doentes na
alma. Os pecados que cometemos nos traz angústias, sofrimentos, aflições,
tristezas, choros, amarguras, agonias e nós cristãos sabemos quem foi “Aquele
que levou sobre si as nossas enfermidades”.
Porém, parece que estamos mais
preocupados com teorias e filosofias cristãs, do que “colocarmos a mão na massa”
e verdadeiramente anunciar as boas novas de Jesus.
Doutrinas erradas fazem sim mal para a
alma. Rezar para Maria ou José é algo deprimente, porém vivermos apenas
discutindo isto enquanto há pessoas com fome, rejeitadas, desamparadas,
repudiadas ao nosso lado é mais deprimente ainda.
Eu gosto de ler. Sempre gostei. E por
gostar de ler, já escrevi opiniões das mais variadas espécies. Já opinei sobre
economia, indústria aeronáutica, carros, conflitos na Palestina e Oriente
Médio, mas Cristianismo tem sido o assunto que mais eu comentei e li.
E de tudo que leio, escuto e assisto
ultimamente nos meios cristãos, confesso que me entristece.
Discutimos a interpretação a respeito
do Milênio, da validade do dom de línguas, da ordem e disciplina na Igreja, do
pastoreio feminino, dos critérios da salvação enquanto na Igreja há famílias
destroçadas, jovens seduzidos pelas drogas, homens e mulheres pressionados psicologicamente
a respeito da sexualidade.
Lembremos do que Cristo pregou à
Igreja de Éfeso, comunidade que vivia doutrinariamente pura:
“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” (Ap 2:4-5)
Vamos voltar a ser Igreja!
Vamos parar de teorizar o Evangelho!
Vamos voltar a viver o Evangelho!
Há doentes de alma para receberem as
boas notícias do Evangelho da Graça. Há casais, famílias, filhos, avós, amigos, colegas doentes
na alma, com rancores, raiva, remorsos que necessitam de Cristo!
Sejamos homens e mulheres prontos
para curarmos, abraçarmos, amarmos, edificarmos, levantarmos. Vivamos o Evangelho!
Que Deus abençoe a todos.
ResponderExcluirNa minha pouca experiência no 'Caminho' - não sou filiada a nenhum 'movimento', refiro-me ao caminho propriamente dito e que acontece no chão da existência - tenho percebido que essa angústia, essa aflição, esse incômodo na alma, essa necessidade em entender o que é reconciliação, vivendo-a de maneira mais sincera e saudável, só acontece com aqueles cuja ficha caiu em relação ao Evangelho propriamente dito. (Aos demais cabe a ocupação inglória de determinar regras, rótulos e fazer listas infindas de quem vai pra o inferno).
Que Evangelho seria esse? A 'boa notícia' PROCLAMADA tanto por homens quanto por mulheres que têm capacitação para isso. E não uma capacitação acadêmica ou 'espiritual' concedida pelo ancião ou qualquer outro maioral eclesiástico; mas que é FRUTO de uma experiência pessoal com Cristo. Simples assim. Livre de todos os vícios religiosos que tanto têm enganado a todos dizendo o que é evangelização; é quando, a partir de uma nova perspectiva - desta feita conforme a mente de Cristo - acontece uma desconstrução dos velhos conceitos religiosos e doutrinários, passando-se a ter compreensão do que seja uma genuína PROCLAMAÇÃO do Evangelho, posto que despida de hierarquia, discriminação de sexo e evangelismo programado.
Entendo bem esse teu clamor, irmão...
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” Efésios 4:11-12
ResponderExcluirIrmão HP, paz de Deus! Permita-me expressar minha opinião.
Na obra de Deus (que não se limita a denominação) existe diversidade de dons, sendo todos eles necessários para a Igreja. Tanto o evangelista quanto o doutor foram deixados para nossa edificação. As falhas dos membros (quer sejam anciães, pastores, etc) são proveitosas para nos mostrar a limitação da nossa natureza humana, voltada ao pecado. Conscientes de nossa limitação o único alvo a se olhar é Cristo, e na sua volta “tudo o que é em parte será eliminado”.
Acredito que o sentimento que você manifesta hoje seja semelhante ao de Luigi Francescon, quando inconformado com o formalismo, deixou a igreja presbiteriana italiana de Chicago (embora o batismo por imersão fosse o estopim).
O repudio a denominações foi tão intenso, que o levou a considera-las como seitas humanas em oposição a “Graça” - viver sem denominação (influencia do metodismo livre e da Igreja dos irmãos).
Aos poucos abandonamos qualquer tipo de estudo bíblico para viver somente o evangelho.
Acontece que entra em cena nossa natureza limitada, em pouco tempo as comunidades italianas formadas nos EUA estavam divididas.
No Brasil, a esse novo ramo também se tornou uma denominação.
O abandono ao estudo bíblico nos levou a algumas contradições que você bem conhece. Daí a necessidade dos “doutores” na igreja.
Ou seja, uma aparente boa causa teve em parte um efeito reverso – a parte positiva é que Francescon levou o Evangelho a vários lugares do mundo, o efeito reverso é que seu “congregacionalismo” foi frustrado.
Temos necessidade de se apegar cada vez mais as Sagradas Escrituras, a Palavra de Deus é a verdade, nela não há contradição, e simultaneamente praticarmos o amor ensinado por Jesus.
Minha conclusão é onde quer que estejamos, possamos viver para a glória de Deus. Não importa o quanto às denominações e seus líderes se corrompam, mesmo estando ligadas a elas que o reflexo do nosso Mestre Jesus brilhe sobre nós. Não acredito que viver sem denominação seja a solução.
Não deixe que certas coisas lhe entristeçam, louve a Deus por Sua bondade junto a sua congregação. Lembre-se: nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.
Amém mano Danilo.
ExcluirEntendi perfeitamente tua comparação e digo que concordo com ela. O misticismo tomou lugar.
O bom é o equilíbrio.
Um abraço!
HP,
ResponderExcluirNa minha opinião, a grande questão reside no equívoco em relação a "membros" (que não são de uma igreja determinada), como 'o Corpo de Cristo' ( q não está relacionado à filiação de uma agremiação religiosa) onde a falta da prática do amor se inicia nesses erros doutrinários que afastam as pessoas umas das outras, e, consequentemente, da prática cristã.
E, se observarmos direitinho, ANTES de Paulo lembrar que cada um tem um talento diferente, ele enfatiza exatamente acerca do ESTILO de vida do crente, caracterizado por essa PRÁTICA. Ele fala de HUMILDADE, de MANSIDÃO, de dar SUPORTE uns aos outros, em edificação MÚTUA. Na minha concepção, isso é 'viver para a glória de Deus. Esta é 'a Palavra' posta em prática. O resto não passa de mero cerimonialismo religioso que de nada se aproveita.
Por isso eu digo que entendo sua lucidez e conscientização acerca do que vem acontecendo entre líderes e agremiações religiosa. E compartilho dessa sua mesma tristeza. Porque nada disso se adquire em denominação religiosa. Pelo contrário, é nela que se adquirem os vícios que nos afastam do 'primeiro amor'. Eis a grande ironia. Portanto, 'viver' com ou sem denominação já é um critério bem pessoal e o parâmetro não é, necessariamente, o mesmo para todos.
Falando em tristeza, trata-se de uma disposição do coração, da qual pessoas que atinam para o que você coloca, não estão imunes; Graças a Deus por essa tristeza! Significa que nos importamos! Que não estamos em estado de letargia diante do desamor, da falta de compaixão e de solidariedade.
É assim que eu penso...