29/09/2015

Paciência e Longanimidade. As virtudes que nos faltam.

Os tempos atuais demandam respostas instantâneas.

Se precisamos ligar para um serviço, queremos ser atendidos rapidamente e termos nosso problema solucionado em minutos.
Um atendente no caixa de um mercado que demore para passar nossa compra no scanner, logo terá reclamações pela sua lentidão.
Procuramos sempre a fila mais rápida entre as faixas de trânsito congestionadas. Invejamos a rapidez com que os motoboys se enveredam entre os carros e também invejamos quem pode sobrevoar de helicóptero para chegar ao destino que, sem trânsito levaria 20 minutos. Já estamos presos há 1 hora e meia!
Demora de duas horas para ser atendido por um médico, data agendada para exame para daqui 4 semanas, tudo isso é estressante.

Queremos tudo para agora. Melhor, para ontem.
E porque não também na vida espiritual? 


Uma das maiores frustrações de muitos que conhecem o Evangelho, é ver que são raros os que compreenderam da mesma maneira a Palavra. Cada pessoa tem o seu tempo. Cada um tem as suas amarras a serem desatadas.

É muito fácil ver irmãos que perdem a paciência ou se desiludem com outros irmãos que ainda não conseguiram mesmo nível de compreensão. E também é fácil ver a frustração que alguns têm com outros que, amarrados por circunstâncias da vida, ainda não conseguiram seguir os passos que o outro já marcha firme.


Dos apóstolos de Cristo, tenho para mim que o que melhor compreendeu a mensagem da Cruz foi Paulo. E de maneira rápida.
Da queda no caminho a Damasco para o início da pregação, ainda em Damasco, foi questão de dias.

Paulo não pregava sobre a experiência que teve, aliás, ele cita apenas duas vezes a experiência da conversão. O que Paulo pregava era sobre Cristo, o Messias.

Os outros apóstolos levaram tempo maior para alcançarem a mesma compreensão de Paulo. Alguns nem é claro se chegaram a alcançar.
O caso mais emblemático é Pedro em Antioquia, aonde comia e bebia entre os irmãos “gentios” até que os irmãos “de Jerusalém” chegaram e Pedro logo se apartou de comer e beber “a comida dos gentios”.
Pedro era um apóstolo velho de idade e caminhada. Pessoalmente tenho grande carinho por Pedro, por ele ser autêntico nas suas expressões e também nos seus erros.

O apóstolo velho foi repreendido pelo mais novo, a saber Paulo. E novamente meu carinho por Pedro aumenta, pois o velho apóstolo soube ouvir e aceitou o conselho.


Na nossa caminhada, nossos irmãos são referência. É com eles que compartilhamos o pão até que se cumpra os dias. É entre nós que o amor deve ser cultivado e cuidado, para que possamos realmente sermos conhecidos como discípulos do Senhor.

E é entre nós que há que a paciência deve ser exercida, juntamente com a longanimidade, que é o “longo-ânimo”.
Desprezar os irmãos na caminhada, é negligenciar a história do Senhor com seus discípulos, afinal quantos estiveram perto do Senhor nos momentos mais difíceis?


Nesta compreensão Paulo escreve aos irmãos de Filipos: “Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós.” (Filipenses 3:1)


Nestes tempos que vivemos, estéreis de paciência e longanimidade, estas são as virtudes que a Igreja deve ter. Virtudes estas que se resumem no amor.


Pois quem tem o amor, “tudo espera, tudo suporta.” 1 Co 13:7

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