"Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e
todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as
nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o
pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os
cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde,
benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a
fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me
destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes;
enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos:
Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te
demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te
vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei,
respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um
destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que
estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno,
preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de
comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me
hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não
fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com
fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então,
lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um
destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo
eterno, porém os justos, para a vida eterna".
A pergunta, portanto, é esta: Quando foi que nós te
vimos com fome, ou com sede ou nu ou preso ou enfermo e nós não fomos te
assistir? Quando foi?
E Jesus lhes respondeu: sempre que vos omitistes, que
deixastes de fazer a qualquer um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de
fazer.
Mas a pergunta é essa: quando foi que te vimos neste
estado? Nunca te vimos! E o interessante é que Jesus interpreta aqui a grande
questão que a humanidade é. Porque a humanidade pode ser uma questão e pode ser
uma resposta.
O primeiro grupo é aquele em relação ao qual a
humanidade é uma resposta à vida. “Tive fome e me destes de comer, tive sede e
me destes de beber, estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, preso e
fostes ver-me.” Nesse momento, aquilo que é, sobretudo e mais que tudo,
designado como humanidade - porque age de maneira humana - dá uma resposta à
vida e é uma resposta à vida.
Na segunda perspectiva que, de acordo com as
avaliações anteriores de Jesus, carrega uma quantidade expressivamente maior de
consciências individuais, porque “larga é a porta e espaçoso o caminho que leva
à perdição e são muitos os que entram por ele”, parece que a grande maioria da
humanidade é uma grande questão. E a questão que a humanidade é, e que ela
encarna, é essa: sou eu porventura tutor do meu irmão? Essa é a pergunta
original lá do livro de Gênesis. Na realidade, podemos dizer que essa é a
primeira pergunta que um ser humano levanta como questionamento a Deus:
porventura, sou eu tutor do meu irmão? Essa pergunta de Caim, logo após ter
matado seu irmão, é aquela que volta no último momento, porque Caim matou Abel,
mas, no último momento, o que volta é essa mesma situação, essa mesma questão,
que está embutida na pergunta dos cretinos civilizatórios: quando foi que te
vimos em estado de pauperrice, ou fome, sede, dependência, carência, miséria,
contimento e nós não te assistimos, quando?
Caim disse: porventura sou eu tutor do meu irmão? Nós
dizemos: porventura, se fosses tu, não teríamos nós te socorrido? Afinal de
contas, deve ter sido só outro humano por aí. Apenas outro humano por aí, mas
tu, jamais. E isso afirma, de novo e de novo, a questão de Caim, que não era
uma questão, era uma resposta a Deus, na forma de um sarcasmo: porventura, sou
eu tutor do meu irmão? Com isso ele estava dizendo: Eu não sou tutor do meu
irmão!
Jesus afirma que essas pessoas estão querendo dizer o
seguinte: ‘tem que ser o irmão dos irmãos para valer a nossa atenção. Tinha que
ser pelo menos tu. Se fosses tu, e a gente sabendo de ti, conforme ficamos
posteriormente sabendo que tu eras, depois de tanta propaganda sobre a tua
santidade, a tua sacralidade, a tua divindade, a tua deidade, a tua supremacia
de amor humano sobre todos os demais humanos, já teríamos te socorrido. Até
porque quem não o fizesse teria ficado com uma pecha desgraçada de não ter
socorrido Jesus, que já apareceu aqui uma vez e foi crucificado. Aí Jesus
volta, passa no meu caminho e eu não o ajudo se ele está com fome, com sede,
preso, enfermo ou doente, ou necessitado? Não! Nós não levaríamos sobre nós
essa maldade. Jamais. Nós faríamos esse bem. Não foi a ti que vimos! Foi outro
humano qualquer’.
Então, na realidade, o que nós temos de decidir é se
nós somos desses que se tornam uma resposta de amor para a vida, para o
próximo, para todo outro semelhante, ou se nós somos essa questão cínica que
fica tentando evadir-se o tempo todo à semelhança de Caim, perguntando: sou eu
o tutor de meu irmão?
Ou acaso, “se não tivesse sido qualquer outro irmão,
qualquer outro humano, qualquer outro indivíduo, se fosses tu, Jesus, não teria
eu, ou não teríamos nós dado outra resposta?”. E isso significa a mesma coisa,
só que na perspectiva de uma elaboração de sofisticação, de omissão, de frieza
e de maldade infinitamente maiores do que a de Caim.
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