15/09/2015

Seres-Humanos-Resposta e Seres-Humanos-Questão-Cínica. QUEM VOCÊ É?

"Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna".

A pergunta, portanto, é esta: Quando foi que nós te vimos com fome, ou com sede ou nu ou preso ou enfermo e nós não fomos te assistir? Quando foi?

E Jesus lhes respondeu: sempre que vos omitistes, que deixastes de fazer a qualquer um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.

Mas a pergunta é essa: quando foi que te vimos neste estado? Nunca te vimos! E o interessante é que Jesus interpreta aqui a grande questão que a humanidade é. Porque a humanidade pode ser uma questão e pode ser uma resposta.

O primeiro grupo é aquele em relação ao qual a humanidade é uma resposta à vida. “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, preso e fostes ver-me.” Nesse momento, aquilo que é, sobretudo e mais que tudo, designado como humanidade - porque age de maneira humana - dá uma resposta à vida e é uma resposta à vida.

Na segunda perspectiva que, de acordo com as avaliações anteriores de Jesus, carrega uma quantidade expressivamente maior de consciências individuais, porque “larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e são muitos os que entram por ele”, parece que a grande maioria da humanidade é uma grande questão. E a questão que a humanidade é, e que ela encarna, é essa: sou eu porventura tutor do meu irmão? Essa é a pergunta original lá do livro de Gênesis. Na realidade, podemos dizer que essa é a primeira pergunta que um ser humano levanta como questionamento a Deus: porventura, sou eu tutor do meu irmão? Essa pergunta de Caim, logo após ter matado seu irmão, é aquela que volta no último momento, porque Caim matou Abel, mas, no último momento, o que volta é essa mesma situação, essa mesma questão, que está embutida na pergunta dos cretinos civilizatórios: quando foi que te vimos em estado de pauperrice, ou fome, sede, dependência, carência, miséria, contimento e nós não te assistimos, quando?

Caim disse: porventura sou eu tutor do meu irmão? Nós dizemos: porventura, se fosses tu, não teríamos nós te socorrido? Afinal de contas, deve ter sido só outro humano por aí. Apenas outro humano por aí, mas tu, jamais. E isso afirma, de novo e de novo, a questão de Caim, que não era uma questão, era uma resposta a Deus, na forma de um sarcasmo: porventura, sou eu tutor do meu irmão? Com isso ele estava dizendo: Eu não sou tutor do meu irmão!

Jesus afirma que essas pessoas estão querendo dizer o seguinte: ‘tem que ser o irmão dos irmãos para valer a nossa atenção. Tinha que ser pelo menos tu. Se fosses tu, e a gente sabendo de ti, conforme ficamos posteriormente sabendo que tu eras, depois de tanta propaganda sobre a tua santidade, a tua sacralidade, a tua divindade, a tua deidade, a tua supremacia de amor humano sobre todos os demais humanos, já teríamos te socorrido. Até porque quem não o fizesse teria ficado com uma pecha desgraçada de não ter socorrido Jesus, que já apareceu aqui uma vez e foi crucificado. Aí Jesus volta, passa no meu caminho e eu não o ajudo se ele está com fome, com sede, preso, enfermo ou doente, ou necessitado? Não! Nós não levaríamos sobre nós essa maldade. Jamais. Nós faríamos esse bem. Não foi a ti que vimos! Foi outro humano qualquer’.

Então, na realidade, o que nós temos de decidir é se nós somos desses que se tornam uma resposta de amor para a vida, para o próximo, para todo outro semelhante, ou se nós somos essa questão cínica que fica tentando evadir-se o tempo todo à semelhança de Caim, perguntando: sou eu o tutor de meu irmão?

Ou acaso, “se não tivesse sido qualquer outro irmão, qualquer outro humano, qualquer outro indivíduo, se fosses tu, Jesus, não teria eu, ou não teríamos nós dado outra resposta?”. E isso significa a mesma coisa, só que na perspectiva de uma elaboração de sofisticação, de omissão, de frieza e de maldade infinitamente maiores do que a de Caim.


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