No começo de 1998 minha avó foi diagnosticada com
câncer no intestino. Ela começou o tratamento. Iamos aos cultos e buscávamos
Palavras. O que Deus iria fazer? Ela sobreviveria?
“Eu vou te dar a vitória”, veio numa Palavra. “Não é
para morte, mas para vida”, veio em outra Palavra. “Vou mudar teu cativeiro”
foi pregado noutro culto. “Vou mudar o resultado” foi prometido num outro
culto. “Você vai subir nestes microfones para agradecer ao meu nome!” foi
prometido em outra Palavra.
Minha avó fez a cirurgia. O tumor foi para biópsia,
após alguns dias o resultado: era um tumor benigno! Deus tinha cumprido sua
Palavra. Minha avó estava curada. Tinhamos algo para testemunhar nos cultos!
E assim fizemos. Eu era jovem e não tinha vergonha de
testemunhar em grandes igrejas que Deus tinha cumprido sua Palavra e minha avó
estava curada de um câncer.
Viajamos para Portugal em 1999 e aonde congregávamos
eu contava essa obra. As igrejas glorificavam a Deus e em muitos cultos a
Palavra usava meu testemunho como exemplo para novas promessas à Igreja.
No começo de 2000, minha avó começou a se sentir mal
de novo. Fomos ao médico. Nos exames foi mostrado que estava com câncer no
pulmão.
Um grande peso tomou conta da família. Passar por tudo
de novo! O médico aventava com as possibilidades de cirurgia, novos exames eram
feitos, e nós corríamos aos cultos, Buscando as Palavras.
Foram 31 cultos, num espaço de 28 dias. Em várias
cidades, em varias congregações. 31 Palavras de vitória, de libertação, de
virada de cativeiro, de cura.
Minha avó foi piorando, os resultados indicaram
metástase. O médico instruiu que levássemos ela para casa, colocássemos uma
cama hospitalar em casa.
No meio da busca das Palavras, minha avó esboçou uma
melhora. Quis sair de casa. “Deus está cumprindo a Palavra” dizíamos
confiantes. Porém no dia seguinte começou uma espiral negativa.
Fui dormir na noite do dia 8 de Junho de 2000. Tinha
prova na escola na manhã seguinte. Minha avó soluçava na sala, ligada a um tubo
de oxigênio. Tinha sido ungida há alguns dias. Irmãos tinham orado dizendo que
Deus a libertaria. Tinhamos 31 Palavras de vitória, libertação, virada de
cativeiro e cura junto conosco.
Nos primeiros minutos do dia 9 de Junho, acordei com
um choro contido na cozinha e vozes dos meus pais com o médico da família.
Levantei da minha cama, passei na sala e minha avó não respirava. Toquei nela e
ela estava esfriando. Fui para a cozinha, o doutor estava assinando o óbito. Minha mãe chorava
contida. “Deus levou a vovó, filho”.
Era adolescente. Minha cabeça girava. 31 palavras de
libertação. “Peguei Palavra errada” dizia. “Não entendi o que Deus queria
dizer”. Um sentimento de culpa e frustração comigo. Não atreveria falar nada
contra Deus. Medo de blasfemar contra o Espírito Santo se falasse algo contra
as Palavras.
Minha avó foi sepultada no entardecer do mesmo dia.
“Venceu a carreira, guardou a fé” foi a Palavra pregada. “Os que no Senhor
dormiram” foi o hino cantado baixinho.
Eu e meus pais dormimos juntos no mesmo quarto naquela
noite. No amanhecer do dia 10 ouvi meu pai dizendo para minha mãe, cuindando
que eu estava dormindo: “Depois de 31 Palavras de vitória, libertação e cura,
hoje eu amanheço com menos fé… porém será que a Palavra era de Deus mesmo, a
gente não teve fé suficiente para crer, ou a gente não entendeu o que Deus quis
dizer?”
Mesmo assim, eu continuei a buscar Palavras nas
eventualidades da vida. Eu tinha crescido aprendendo que diante das adversidades
da vida, eu deveria “buscar a Palavra para ver o que Deus queria dizer a
respeito e como eu deveria me guiar.
Que faculdade fazer, mudar ou não de trabalho, mudar
de país, iniciar um namoro, entre outras decisões que eu precisei tomar.
A experiência com o cancêr galopante da minha avó não
tinha me alertado sobre o problema de “Buscar Palavras”. Eu ainda vivia confuso
com “como pedir” e confuso diante das respostas vagas. “Como perguntar
corretamente para Deus?”, “será que é comigo a Palavra?”. Ouvia testemunhos que
alguém no banco perguntava e Deus respondia na hora na pregação. Nunca tinha
acontecido comigo, mas eu tinha medo em duvidar que isso realmente existia.
E quando estar esperando algo, ir ao culto e não
receber resposta alguma? "O silêncio de Deus significa 'Não'" dizia
alguns. E eu aceitava temeroso.
Um dia, já morando na Irlanda, conversava com um irmão
na casa dele e ele me disse: “Eu não busco Palavra. Não tem lugar nenhum na
Bíblia que me fala pra eu buscar Palavra. Se tenho algo para fazer e é certo em
fazer, eu vou e faço. Se der certo, agradeço a Deus e se não deu certo agradeço
a Deus também. Vou no culto pra aprender de Deus e mais nada. Comigo não tem
essa de pegar Palavra errada.”
Aquela conversa ficou dentro de mim. Jamais tinha
ouvido tanta ousadia, mas que na verdade mostrava uma maturidade que eu
admirava.
Comecei a namorar uma moça. Fomos buscar Palavra pra
ver se podíamos namorar. Que confusão! A Palavra não dizia claramente se era
para namorar ou não, ao mesmo tempo que iámos nos aprofundando no namoro, iamos
nos envolvendo, enquanto ao mesmo tempo uma avalanche de problemas aconteciam e
influenciavam o namoro. Até que chegou o momento aonde decidi terminar com
aquele relacionamento.
Fui conversar com o pai dela. Ele me perguntou: “Mas
vocês não foram Buscar a Palavra? A Palavra confirmou e agora você vai ir
contra a Palavra?”
Balancei a cabeça e disse que eu só teria paz se eu
terminasse o namoro. Mas não ousei dizer que estava indo contra a Palavra,
mesmo quando dentro de mim eu tinha dúvidas quanto se tinha ou não entendido a
Palavra…
Essa experiência tinha me alertado de novo sobre o
problema de “Buscar Palavras”, mas ainda assim eu temia não buscar uma Palavra
diante de uma situação crucial da vida.
Quando comecei a namorar minha esposa, decidi ir
buscar Palavra com ela. Sosseguei ao ouvir que “Eu te prometo que nesse ano
ainda você vai ter a vitória”. Como a gente planejava casar ainda naquele ano,
pra mim foi “a Confirmação”, mesmo com a minha namorada e hoje esposa dizendo
que pra ela não foi confirmação nenhuma aquela palavra…
Somente quando conheci o Evangelho de Cristo entendi
que o Senhor nos chama para a responsabilidade da vida. Sim, Ele nos ensina que
devemos caminhar com Deus de maneira sóbria, consciente dos nossos atos.
Sabendo que nossos atos podem nos levar a sucessos ou insucessos, pois a vida é
assim!
Sim, Ele nos mostra que “no mundo tereis aflições, mas
tende bom ânimo” (Jo 16:33).
Sim, Ele nos mostra que não devemos andar “inquietos,
dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?” Porque
nosso “Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas,
buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia
de amanhã cuidará de si mesmo” (Mt 6:31-34).
E que assuntos como casamento, em lugar NENHUM nos
Evangelhos, o Senhor Jesus ensina que Deus escolhe para o homem com quem ele
deveria se casar. É responsabilidade do homem e da mulher com quem se unir em
casamento.
O Senhor apenas ensina que o casamento verdadeiro deve
existir em amor. Que a união verdadeira só existe em amor. (Mc 10:7-8) e que
assim haverá benção de Deus sobre o relacionamento. Não adianta um papel
assinado quando não existe o amor.
Assim sendo, se alguém quer mudar de trabalho, mudar
de país, casar, decidir qualquer coisa na vida, analise as condições, tenha
consciência e saiba que você pode ter sucesso ou não. E nada tem a ver com Deus
te abençoando ou não.
Paulo entendeu
isto de maneira bem clara. Ter sucessos ou insucessos NADA tem a ver com benção
de Deus na vida daquele que crê Nele.
“Porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei
estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as
coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter
abundância, como a padecer necessidade.”
E termina dizendo:
“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”
Filipenses 4:11-13
Sim, com uma consciência firmada em Cristo,
conseguiremos ter sempre paz e alegria, mesmo as coisas dando certo ou errado
na nossa vida.
Então aprendamos a andar com nossas pernas, sendo
responsáveis nas nossas atitudes e sabendo que de Deus devemos buscar os dons
do Espírito Santo, que são: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade,
bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5:22,23).
Fazendo assim, você nunca mais terá perguntas,
angústias ou dúvidas sobre “Palavras” que não cumpriram na tua vida, dúvidas
sobre a existência de Deus ou dúvidas sobre tua fé em Deus.
Tampouco você terá medo de analisar as Palavras que
ouve, aprendendo como discernir se é a Verdade ou não aquilo que foi pregado.
Sim, você aprenderá que a VERDADEIRA PALAVRA nos
púlpitos (e na vida), é aquela que nos ensina e nos lembra de tudo aquilo que
Cristo nos ensinou:
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de
tudo quanto vos tenho dito.” Jo 14:26
Deus abençoe teu dia.
Excelente texto HP. A minha família ainda me julga por tambem nao buscar palavra, ainda precisam crer de verdade no Senhor.
ResponderExcluirAmém querido. Que Deus te abençoe na caminhada!
ExcluirPerfeito. Quando se anda com Cristo, não há dúvidas, só certezas. Portanto não precisamos disso.
ResponderExcluirAmém meu querido! Muito tempo nao nos falamos. Espero que esteja tudo em paz!
ExcluirUm forte abraço. Que Deus te abençoe grandemente.