Por:
HP
Minha
criação foi abençoada, pois ainda muito pequeno (desde 3, 4 anos de idade) meu
pai, com seu dom de cativar, antes de dormir sempre me contava histórias da
Bíblia. Enquanto muitas crianças tinham seus heróis nos Cavaleiros do Zodíaco, meu
herói era Davi dando pedrada no Golias.
Cresci
no meio das Reuniões de Jovens e Menores. Posso dizer que tive prazer em fazer
parte das reuniões, pois para mim quando criança era a oportunidade de fazer as
mesmas coisas que os adultos faziam nos cultos oficiais, como chamar hinos e
pagar votos. Mas a parte que mais gostava eram as perguntas. Como meu pai
sempre me contava histórias da Bíblia, eu era craque em responder as questões.
Não errava uma. Os recitativos eu os colecionava. Na última contagem que fiz já
moço, tinha perto de 750 recitativos. Se contasse um por final de semana,
dariam mais de 14 anos ininterruptos de participações nas reuniões de jovens
aos domingos. Era coleção mesmo, pois na maioria eu nunca havia recitado.
Apenas lia os versos. Da mesma, forma recitar individualmente para mim sempre
foi uma grande dificuldade. Além do Salmo 23 quando criança, apenas consegui memorizar
Apocalipse 3 versos 7 depois de moço. Mas sinceramente, nunca vi muito aproveito em recitar.
Mas
toda essa empolgação veio da geração em que fui criado. Meus divertimentos eram
jogos de tabuleiro, carrinhos, áudios-história no gravador ou no LP. Na TV era
Chaves, Chapolin, Mara Maravilha (gostava do SBT, não Globo e tinha paúra
da Xuxa). Me deliciava com livros. Lia Julio Verne, série Vagalume da Editora
Ática, amava Sidney Sheldon, Marcos Rey, Agatha Christie, Sir Arthur Conan
Doyle, sim, o gênero policial sempre foi meu gosto (hoje minhas séries de TV
favoritas são CSI Miami e Mentalist não por acaso), mas aprendi a gostar do humor
ácido de Machado de Assis e achava muito contemporânea a hipocrisia de Eça de Queiroz, isso já na época da
juventude. Tudo isso eu disse para poder ilustrar que minha geração foi marcada
por leitura, ouvir, escrever, diferente da geração atual de
fazer-tudo-no-mesmo-minuto, aonde já vi jovens sentados numa sala, com laptops,
ouvindo música nos fones de ouvido, vendo vídeos no Youtube, conversando entre
eles mesmos no facebook sobre um filme que passava na televisão. Hoje, crianças com 2 anos de idade sem ao menos saberem ler, já fazem download de jogos nos computadores.
Isso
é refletido dentro das Reuniões de Jovens. Temos uma nova geração que não gosta
de ler, tem uma certa impaciência para ouvir, muitos falam pouco e escrevem muito
no “internetês”. Como cativar essa juventude sobre a Palavra de Deus? Como os
fazer vir à igreja com alegria e sem obrigação? Como despertar o sentimento de
servir a Cristo dentro de seus corações?
É
notório hoje em dia que as Reuniões de Jovens e menores estão cada vez mais
vazias. Não é só o número que caiu, mas a qualidade
de crianças e mocidade também diminuiu. São poucos os que conhecem as passagens
bíblicas, os que lêem a Bíblia ou ainda os que conhecem e entende os hinos e os
fundamentos da fé. Outros crêem em Deus, mas aceitam facilmente superstições e
amuletos de fé. Quantas vezes já ouvi ou li: “Vou me batizar mais pra frente,
pois já pensou se eu peco ainda jovem?” ou “Pequei de morte (forniquei) e
agora?” ou “Não leio a Bíblia, não entendo o que diz nela” ou quando teve sua
fé confrontada apenas responde: “Não sei te responder, mas fala com o cooperador ou com o ancião” e o fatídico “Não sei se
tenho direito a vida eterna”.
Muitos
destes jovens têm questões, passam provações, precisam de um apoio espiritual e
simplesmente não encontram dentro da igreja. Prova disso são blogs na internet
como Jovem CCB, Bereano, Blog do Mario, aonde jovens procuram conselhos (graças
a Deus os moderadores destes blogs têm sabedoria de Deus para respondê-los) e outros
blogs como Homo CCB aonde demonstra a insatisfação de cristãos homossexuais com o tratamento recebido dentro
da Congregação e que segue sem apoio ou resposta dentro da igreja. (um parênteses rápido a respeito: Não sou contra os homossexuais como pessoas. Uma vez convertidos, os abraço como irmãos em Cristo. Sou contra e prego veementemente contra o pecado da relação homossexual, igualmente como o prego contra o adultério, a fornicação - sexo antes do casamento -, a mentira, a inveja, etc)
A
própria estrutura das reuniões de jovens, engessadas em 50 cânticos, orações,
recitativos, testemunhos, Palavra é algo que poderia ser revisto.
Todos
esses assuntos seriam muito bem tratados dentro da igreja se houvessem
cooperadores de jovens engajados apenas no ensino das bases da fé aos mais
novos. No cenário atual, aonde temos no ministério de Cooperador de Jovens apenas
um “auxiliar de cooperador oficial”, fica difícil oferecer as crianças e aos
jovens um Ensino sólido sobre a fé Cristã. Isso aliada à falta de interesse da
liderança da igreja em mudar este cenário, vemos as reuniões de jovens
infrutíferas e esvaziando ano após ano, enquanto vemos jovens débeis na fé e o
mundanismo entrando nas igrejas.
Há
de se fazer uma mudança radical na abordagem das reuniões de jovens e menores.
Há grande necessidade no ensino da doutrina as crianças e aos jovens. Porque não
haver reuniões separadas, apenas para crianças e apenas para jovens? Porque não
haver aulas com debates sobre a Bíblia a cada domingo? Porque não haver um
ensino esquematizado para que os jovens e as crianças possam ter exemplos reais
de fé, de cristianismo, de salvação em Cristo? Poderia haver aulas de teatro
para ser fielmente representada uma passagem bíblica. Poderia haver aulas de
leitura de notícias atuais para que estas sejam comparadas com as escrituras.
Poderia haver sessões de filme, aonde particularidades das personagens seriam
debatidas com vistas ao cristianismo, afinal tantos crentes se idealizam em personagens cruéis, adúlteros, sabichões, malandros, quando deveriam ter senso crítico para se abster. Poderia haver reuniões aonde iríamos para
a cozinha, afinal quase ninguém sabe como eram feitos os pães na época do
Senhor, quais eram as ervas amargas comidas na páscoa pelo povo. Poderia haver orações em grupo, enfim, tudo no real
sentimento de simplicidade e crescimento na fé. Seriam infinitas as opções de
atrações para estas verdadeiras aulas bíblicas. Nada de paletó, gravata ou véu.
Cristianismo na prática, cristianismo do dia-a-dia, formando jovens e crianças críticas
e esclarecidas sobre a mensagem do evangelho. Talvez não haveria apenas um cooperador de jovens, mas vários cooperadores de jovens por igreja e porque não irmãs instrutoras de moças? Como uma verdadeira escola, teríamos "professores e professoras" espirituais. Homens santos e mulheres santas que ensinariam as crianças e juventude como crescerem espiritualmente na presença de Deus.
Digo que assim, não haveria nenhuma reclamação de crianças e juventude sobre "Tô cansado! O culto já tá acabando?". Aí sim teríamos o "Na Santa Escola, o tempo voa!"
Digo que assim, não haveria nenhuma reclamação de crianças e juventude sobre "Tô cansado! O culto já tá acabando?". Aí sim teríamos o "Na Santa Escola, o tempo voa!"
Lembremos
que a atenção desprendida aos jovens e as crianças nada mais é que um trabalho
de evangelização. Sendo a evangelização correta, produzirá frutos bons e
verdadeiros. Talvez tudo o que eu disse acima possa ser muito radical no
momento, mas se algo não for feito neste sentido, vejo as reuniões de jovens e
menores cada vez mais vazias, inúteis, enquanto muitas crianças e jovens sendo
atraídos pelas futilidades carnais, levando-os cada vez mais para longe de
Cristo. Jovens despreparados espiritualmente têm casado e formado famílias. Há muitos casais que, em suas carnalidades, que na primeira luta que enfrentam, não tem paciência para suportar e
já querem se separar. Há ainda jovens que procuram o “xiitismo” do início da
igreja, levando um jugo pesadíssimo ao cônjuge, invariavelmente levando a separação do casal ou então a filhos revoltados com "o caretismo" da igreja.
Algo
tem que ser feito. Não adianta em algumas poucas reuniões terem 100 ou 150
recitativos, quando na maioria a média não passa de 30-40. A estatística não diz nada sobre qualidade da fé nos corações. Sabemos
que o futuro a Deus pertence, mas não podemos deixar tudo para Deus, ainda mais quando podemos fazer algo, como está escrito na parábola dos talentos (Mateus
25:14-30). Temos que granjear (trabalhar) naquilo que Deus nos entrega, pois se
formos negligentes, seremos lançados nas trevas exteriores.
Na
paz.
Se o futuro do Brasil está na educação, o futuro da Congregação Cristã no Brasil está na RLMs.
ResponderExcluirAs reuniãos de jovens e menores lembram-me a pré-escola; o jardim de infância ou maternal. Indispensáveis, importantíssimas e imprencendíveis para as criancinhas. Agora, o que podemos comentar quando um adolescente ou jovem recebe o mesmo tratamento e educação que uma criança de 4-6 anos? Este indivíduo sofrerá um retardo mental, agirá como criança e nunca estará preparado para a vida.
As RJMs necessitam de metodologia nova, visão nova, linguagem nova.
No bairro da Casa Verde em São Paulo as reuniões eram separadas: crianças de manhã e mocidade à tarde. E quem atendia as reuniões das crianças era uma irmã. Não sei como está hoje.
Então Ricardo, não sabia que na Casa Verde funcionava assim. Sabia que no Brás era dividida, mas mesmo assim a metodologia usada deixa a desejar, pela falta de um Ensino Bíblico sólido.
ExcluirO futuro da Igreja está sem dúvida nas crianças e na juventude. Mas infelizmente são poucos os jovens hoje em dia que vemos uma base bíblica sólida neles. E os poucos que têm esta base, invariavelmente não a adquiriu somente dentro das RJMs.
Deus te abençoe.