30/10/2012

Um pouco de história: John Wycliffe


John Wyclif (ou Wycliffe) foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês. Homem que se empenhou arduamente na tradução da Bíblia para o idioma inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wyclif.

Família
Sua família era tradicional na região de Yorkshire, a qual tinha variadas propriedades em volta onde nasceu Wyclif. Alguns eruditos mencionam que Wyclif nasceu entre 1320 a 1328.

Na Universidade
Excelente aluno aplicado nos estudos de teologia, filosofia e legislação canônica. Tornou-se sacerdote e mais tarde serviu como professor num colégio em Oxford. No ano 1365 formou-se em teologia e, sete anos mais tarde torna-se, doutor em teologia.
Logo se demonstrou contra as falsas doutrinas do papado, incentivava que o clero necessitava fazer mudanças e que existia uma incompatibilidade entre clero e os ensinos de Jesus e seus apóstolos.
Uma destas incompatibilidades que Wyclif mostrou claramente era sobre as propriedades e sobre a riqueza do clero. Wyclif afirmava que a igreja devia retornar aos ensinos da Igreja primitiva, algo que Wyclif condenava, que a Igreja Romana a época não praticava, preocupando apenas com o poder. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuía um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos.
Assim começa além do seu púlpito a escrever as suas ideias com o trabalho escrito, a Summa theologiae. Entre as várias ideias apresentadas neste trabalho que o rei está acima do papa e que a igreja não deveria se envolver em assuntos políticos. Sua obra a seguir com o tema: De civili dominio, Wyclif condena fortemente a vida luxuosa de todo o clero que eram sustentados pelas esmolas do povo. Também foi claro em salientar que o estado devia se opor aos abusos que o clero praticava. Esta obra vem ao conhecimento do público em 1376 contendo 18 teses.
Wyclif nas 18 teses refutou a doutrina católica da transubstanciação, demonstrando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão.
Ele condenou o purgatório, uso de relíquias (imagens), romarias (procissões), venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal.
Estas suas obras com suas ideias tiveram uma grande divulgação promovida pela sua pregação nas igrejas em Londres.

A Igreja se opõe.
A igreja opõe-se rapidamente a Wyclif, e em 19 de fevereiro de 1377, Wyclif é chamado para se apresentar diante do Bispo de Londres. Não foi sozinho. Ele levou consigo vários amigos e quatro monges que serviram de advogados. A multidão que compareceu foi grande de tal forma que irritou profundamente o bispo. Todas estas circunstâncias fizeram que a oposição a Wyclif se intensificasse de tal forma que em 22 de maio de 1377, o Papa Gregório XI, expediu uma bula contra Wyclif, declarando que suas 18 teses eram pura heresia e perigosas para a Igreja e o Estado. Mas Wyclif foi protegido por várias famílias nobres do reinado.

A política e a religião
Wyclif continuava a afirmar que a igreja não podia continuar com sua posição de poder soberano, no seu livro De officio regis defendia que quando Cristo aconselhou "dar a César o que é de César", mostrava que o clero, deveria pagar impostos ao Estado. Alem do mais, no seu livro, o rei deveria possuir um "controle evangélico" e quem servisse à Igreja devia se sujeitar às leis do Estado.

Wyclif e o papado
Os escritos de Wyclif eram contínuos em ataques ao papado e à hierarquia eclesiástica da época. Embora por fim fossem mais moderados, os ataques da Igreja continuavam sem cessar.
Wyclif entendia que o cristão não precisava dos papas de Roma, pois Deus está em toda parte. "Nosso papa é o Cristo", escreveu Wyclif. Ele tinha a certeza que os cristãos não necessitavam de um líder visível, mas sim uma liderança que deviria incentivar o cristianismo primitivo como também os ensinamentos de Jesus.

A Bíblia Inglesa
Wyclif envolve-se num gigantesco projeto na tradução da bíblia para o Inglês. Salientado que a bíblia deveria ser a base de toda a doutrina da Igreja e a única norma da fé cristã, além do mais afirmava que Cristo é a cabeça da Igreja e não os papas.
Wyclif queria que a Bíblia chegasse ao povo na sua língua nativa.
Embora houvesse a tradução de alguns livros da bíblia para o inglês não existia a tradução completa da Bíblia.
Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.
A Igreja logo se apressou dizendo que a Bíblia de Wyclif continha erros de tradução e comentários hereges, era uma versão que sem dúvida influenciou o idioma inglês, por ser uma tradução com clareza, força e beleza.
A Bíblia de Wyclif passou a ter um sucesso por toda a Inglaterra de tal forma que a Igreja denunciou a Bíblia de Wyclif como uma tradução não autorizada.

Os Ensinos da Bíblia e Wyclif
Wyclif foi um estudante das Escrituras e dedicou-se a escrever algumas obras bastantes importantes que defendiam a Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia. As obras mais conhecidas foram:
• A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, esta obra retrata a Bíblia como regra de fé. Salientou que as Escrituras contêm tudo necessário para que a humanidade seja salva, sem necessidade de tradições adicionais. Wyclif defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e mulheres não somente pelo clero.
• O Poder do Papa: escrita em 1379, ele descreve que o papado é um ofício instituído pelo homem e não por Deus. Ele afirma que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.
• Apostasia: escrita em 1379, ele condena a doutrina romana da transubstanciação.
• Eucaristia: escrita em 1380, uma continuação da obra anterior, onde ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Wyclif descreve que o pão e o vinho mantêm a sua forma, sendo um simbolo em memória do corpo e do sangue de Cristo.

Lolardos
Wyclif sempre defendeu que os padres não deviam viver na luxúria existente na época na Igreja e por isso organizou grupos de padres (mais tarde conhecidos por lolardos) em que não faziam votos da Igreja mas sim o seu único objetivo de dedicarem suas vidas a divulgar os ensinos de Jesus Cristo.
É interessante a forma de divulgarem a palavra de Deus, de acordo com as escrituras o dos cristãos primitivos agrupavam-se dois a dois, de pés descalços, com longas túnicas e carregando cajados nas mãos.
No entanto em 1381 uma insurreição social assustou os grandes proprietários ingleses e o rei Ricardo II foi levado a crer que os lolardos haviam contribuído com ela, fazendo lembrar a acusação do imperador romano, acusando os cristãos de incendiarem Roma. Assim o rei Ricardo II expulsou Wyclif e seus seguidores, embora estes nunca terem apoiado qualquer movimento rebelde. O rei Ricardo II proibiu a citação dos ensinos de Wyclif em sermões sob pena de prisão para os infratores.

O legado de Wyclif
Wyclif viu-se obrigado a retirar-se para sua casa em Lutterworth, onde reuniu estudiosos que o auxiliaram na continuação do projeto de traduzir a Bíblia do latim para o inglês. No dia 28 de Dezembro de 1384 enquanto assistia à missa em Lutterworth, teve um ataque de apoplexia, falecendo no dia 31 de Dezembro de 1384.
A influência dos escritos de Wyclif foi muito grande em homens como Jan Huss, Jerônimo de Praga, e muito mais tarde por Charles Taze Russel. Para aniquilar tal influencia naquela época, a Igreja convocou o Concílio de Constança (1414 – 1418). Um decreto deste Concílio (expedido em 4 de maio de 1415) declarou Wyclif como herético, e mandou que os seus escritos fossem queimados e ordenou que seus restos mortais fossem desenterrados e queimados, o que foi cumprido 12 anos mais tarde pelo Papa Martinho V. Suas cinzas foram jogadas no rio Swift, que banha Lutterworth. John Wyclif foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d'Alva da Reforma”.

Fonte: http://homensfieisdopassado.no.comunidades.net/index.php?pagina=1310204702

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