John
Wyclif (ou Wycliffe) foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e
reformador religioso inglês. Homem que se empenhou arduamente na tradução da
Bíblia para o idioma inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wyclif.
Família
Sua
família era tradicional na região de Yorkshire, a qual tinha variadas
propriedades em volta onde nasceu Wyclif. Alguns eruditos mencionam que
Wyclif nasceu entre 1320 a 1328.
Na Universidade
Excelente
aluno aplicado nos estudos de teologia, filosofia e legislação canônica.
Tornou-se sacerdote e mais tarde serviu como professor num colégio em Oxford.
No ano 1365 formou-se em teologia e, sete anos mais tarde torna-se, doutor em
teologia.
Logo se
demonstrou contra as falsas doutrinas do papado, incentivava que o clero
necessitava fazer mudanças e que existia uma incompatibilidade entre clero e os
ensinos de Jesus e seus apóstolos.
Uma
destas incompatibilidades que Wyclif mostrou claramente era sobre as
propriedades e sobre a riqueza do clero. Wyclif afirmava que a igreja devia
retornar aos ensinos da Igreja primitiva, algo que Wyclif condenava, que a
Igreja Romana a época não praticava, preocupando apenas com o poder. Naquela
época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuía um terço de toda a terra
da Inglaterra e era isenta de todos os impostos.
Assim
começa além do seu púlpito a escrever as suas ideias com o trabalho escrito, a
Summa theologiae. Entre as várias ideias apresentadas neste trabalho que o rei
está acima do papa e que a igreja não deveria se envolver em assuntos
políticos. Sua obra a seguir com o tema: De civili dominio, Wyclif condena
fortemente a vida luxuosa de todo o clero que eram sustentados pelas esmolas do
povo. Também foi claro em salientar que o estado devia se opor aos abusos que o
clero praticava. Esta obra vem ao conhecimento do público em 1376 contendo 18
teses.
Wyclif
nas 18 teses refutou a doutrina católica da transubstanciação, demonstrando que
o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e
o sangue de Cristo” na comunhão.
Ele
condenou o purgatório, uso de relíquias (imagens), romarias (procissões), venda
de indulgências e o ensino da infalibilidade papal.
Estas
suas obras com suas ideias tiveram uma grande divulgação promovida pela sua
pregação nas igrejas em Londres.
A Igreja se opõe.
A
igreja opõe-se rapidamente a Wyclif, e em 19 de fevereiro de 1377, Wyclif é
chamado para se apresentar diante do Bispo de Londres. Não foi sozinho. Ele
levou consigo vários amigos e quatro monges que serviram de advogados. A
multidão que compareceu foi grande de tal forma que irritou profundamente o
bispo. Todas estas circunstâncias fizeram que a oposição a Wyclif se
intensificasse de tal forma que em 22 de maio de 1377, o Papa Gregório XI,
expediu uma bula contra Wyclif, declarando que suas 18 teses eram pura heresia
e perigosas para a Igreja e o Estado. Mas Wyclif foi protegido por várias
famílias nobres do reinado.
A política e a religião
Wyclif
continuava a afirmar que a igreja não podia continuar com sua posição de poder
soberano, no seu livro De officio regis defendia que quando Cristo aconselhou
"dar a César o que é de César", mostrava que o clero, deveria pagar
impostos ao Estado. Alem do mais, no seu livro, o rei deveria possuir um
"controle evangélico" e quem servisse à Igreja devia se sujeitar às
leis do Estado.
Wyclif e o papado
Os
escritos de Wyclif eram contínuos em ataques ao papado e à hierarquia
eclesiástica da época. Embora por fim fossem mais moderados, os ataques da
Igreja continuavam sem cessar.
Wyclif
entendia que o cristão não precisava dos papas de Roma, pois Deus está em toda
parte. "Nosso papa é o Cristo", escreveu Wyclif. Ele tinha a certeza
que os cristãos não necessitavam de um líder visível, mas sim uma liderança que
deviria incentivar o cristianismo primitivo como também os ensinamentos de
Jesus.
A Bíblia Inglesa
Wyclif
envolve-se num gigantesco projeto na tradução da bíblia para o Inglês.
Salientado que a bíblia deveria ser a base de toda a doutrina da Igreja e a
única norma da fé cristã, além do mais afirmava que Cristo é a cabeça da Igreja
e não os papas.
Wyclif
queria que a Bíblia chegasse ao povo na sua língua nativa.
Embora
houvesse a tradução de alguns livros da bíblia para o inglês não existia a
tradução completa da Bíblia.
Em
1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu
cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.
A
Igreja logo se apressou dizendo que a Bíblia de Wyclif continha erros de
tradução e comentários hereges, era uma versão que sem dúvida influenciou o
idioma inglês, por ser uma tradução com clareza, força e beleza.
A
Bíblia de Wyclif passou a ter um sucesso por toda a Inglaterra de tal forma que
a Igreja denunciou a Bíblia de Wyclif como uma tradução não autorizada.
Os Ensinos da Bíblia e Wyclif
Wyclif
foi um estudante das Escrituras e dedicou-se a escrever algumas obras bastantes
importantes que defendiam a Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia. As
obras mais conhecidas foram:
• A
Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, esta obra retrata a Bíblia
como regra de fé. Salientou que as Escrituras contêm tudo necessário para que a
humanidade seja salva, sem necessidade de tradições adicionais. Wyclif defendia
que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e mulheres não somente
pelo clero.
• O
Poder do Papa: escrita em 1379, ele descreve que o papado é um ofício
instituído pelo homem e não por Deus. Ele afirma que o papa que não seguia a
Jesus Cristo, era o Anticristo.
•
Apostasia: escrita em 1379, ele condena a doutrina romana da transubstanciação.
•
Eucaristia: escrita em 1380, uma continuação da obra anterior, onde ele condena
a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam
no corpo e sangue de Cristo. Wyclif descreve que o pão e o vinho mantêm a sua
forma, sendo um simbolo em memória do corpo e do sangue de Cristo.
Lolardos
Wyclif
sempre defendeu que os padres não deviam viver na luxúria existente na época na
Igreja e por isso organizou grupos de padres (mais tarde conhecidos por
lolardos) em que não faziam votos da Igreja mas sim o seu único objetivo de
dedicarem suas vidas a divulgar os ensinos de Jesus Cristo.
É
interessante a forma de divulgarem a palavra de Deus, de acordo com as
escrituras o dos cristãos primitivos agrupavam-se dois a dois, de pés descalços,
com longas túnicas e carregando cajados nas mãos.
No
entanto em 1381 uma insurreição social assustou os grandes proprietários
ingleses e o rei Ricardo II foi levado a crer que os lolardos haviam
contribuído com ela, fazendo lembrar a acusação do imperador romano, acusando
os cristãos de incendiarem Roma. Assim o rei Ricardo II expulsou Wyclif e seus
seguidores, embora estes nunca terem apoiado qualquer movimento rebelde. O rei
Ricardo II proibiu a citação dos ensinos de Wyclif em sermões sob pena de
prisão para os infratores.
O legado de Wyclif
Wyclif
viu-se obrigado a retirar-se para sua casa em Lutterworth, onde reuniu
estudiosos que o auxiliaram na continuação do projeto de traduzir a Bíblia do
latim para o inglês. No dia 28 de Dezembro de 1384 enquanto assistia à missa em
Lutterworth, teve um ataque de apoplexia, falecendo no dia 31 de Dezembro de
1384.
A
influência dos escritos de Wyclif foi muito grande em homens como Jan Huss,
Jerônimo de Praga, e muito mais tarde por Charles Taze Russel. Para aniquilar
tal influencia naquela época, a Igreja convocou o Concílio de Constança (1414 –
1418). Um decreto deste Concílio (expedido em 4 de maio de 1415) declarou
Wyclif como herético, e mandou que os seus escritos fossem queimados e ordenou
que seus restos mortais fossem desenterrados e queimados, o que foi cumprido 12
anos mais tarde pelo Papa Martinho V. Suas cinzas foram jogadas no rio Swift,
que banha Lutterworth. John Wyclif foi o principal expoente de medidas
reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d'Alva da Reforma”.
Fonte: http://homensfieisdopassado.no.comunidades.net/index.php?pagina=1310204702
Fonte: http://homensfieisdopassado.no.comunidades.net/index.php?pagina=1310204702
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