Graça: proveniente do latim gratia;
tradução da palavra grega charis. Significado: graciosidade, benevolência,
favor ou bondade.
O apóstolo Paulo, em suas cartas e
discursos, usou o termo charis 133 vezes, e, em todas elas, sempre com o
significado de “favor livremente concedido”, especialmente para se referir ao
que Deus fez por nós em Jesus Cristo, bem como ao que ele faz em nós pelo seu
Espírito.
O que se fala agora sobre Graça?
Para uns, ela é uma “doutrina”. Para
outros, uma “função divina”. Para alguns ela é “aquilo que nos salva”. Há ainda
aqueles para os quais ela é a “nossa chance de barganha” com Deus. Para outros
é um tema “legal”, bom, humano, generoso... E há a maioria que fala na Graça
como “sedução evangelizadora”. Para todos esses, a Graça não serve para nada em
suas vidas cotidianas, sendo apenas um “papo de crente”.
- Os que pensam na Graça como uma
“doutrina” não sabem que, ao torná-la qualquer coisa, mesmo uma “doutrina”, a
convertem numa espécie de Lei da Graça Escrita, a Lei Aristotélica de Moisés,
visto que, neste caso, ela não é nada para o ser além de uma definição
intelectual. Um ídolo da mente.
- Os que tratam a Graça como uma
“função divina” vêem-na como algo que se pareça com um “órgão de Deus”,
assemelhando-se a uma espécie de fígado divino, ou seu pulmão, ou seu coração,
ou seus rins... Como se uma cirurgia estivesse tentando mostrar a constituição
interna da Anatomia Divina. Uma obra de exumação teológica do ser de Deus, como
numa necropsia: “Vejam: aqui temos seus atributos de Justiça, e, no exato
oposto, sua graça. Aqui do outro lado, pinçamos sua santidade, e logo acima
estão os olhos da sua onisciência!”.
- Os que pensam na Graça como uma
“chance de bar- ganha” com Deus vêem-na como se fosse uma oportunidade para
apresentar um caso a um Rei. No entanto, nesse caso, a Graça é uma
“oportunidade”. O resto, porém, fica por conta da malandragem do crente-súdito
quanto a aproveitar a chance na “mesa de negociações do Rei” e apresentar uma
proposta, fazer um acordo ou um sacrifício. É o que Graça é para esses tais: a
chance de sentar-se à mesa de “negociações” com Deus. Ou seja, a Graça seria
apenas uma lobista com a prerrogativa de secretária de Deus, podendo definir
quem consegue o direito de se assentar na mesa das santas negociações.
- Para aqueles para quem a Graça é
um tema “legal”, bom, humano e generoso, ela é apenas um sentimento, uma
escolha pelo que é humana e politicamente correto entre os liberais da Terra. É
um tema bom para um livro, para um best-seller agradável de ler. É “sadio”, é
mais “humano”, é mais “cult”. Gera uma espécie de posicionamento cristão belo e
correto, porém pouco para além daí. Nesses casos, para ser “cult”, ela não pode
ser nem Loucura e nem Escândalo.
- Para quem a Graça é uma “sedução
evangelizadora”, ela é uma estratégia, é o que se deve dizer aos que “ainda
estão fora da igreja”, os quais ainda não foram presos pelas forças da Religião
Cristã. Mas logo depois que a pessoa é “laçada”, a Graça é esquecida, ou vira
doutrina, ou função divina, ou é aquilo que seduz o aflito ou garante a
oportunidade da barganha na mesa de negócios do Reino de Deus.
Quando comecei a falar em Graça explicitamente
não como doutrina, não como função divina, não como “oportunidade” de barganha,
não como um tema teológica e politicamente correto, e muito menos como “sedução
evangelizadora”, milhares estranharam... Isso há apenas três anos e meio.
Recebi milhares de cartas me
acusando de ser “liberal”, exagerado ou provocador; de estar desconstruindo
antigos esquemas teológicos ou de estar “autojustificando” meus pecados.
Acusam-me de estar expondo “conclusões recentes e circunstanciais”, talvez em razão
de que creiam que, nos últimos anos, eu tenha precisado mais da Graça de Deus
do que antes, ou, quem sabe, mais do que eles precisam.
Eu, todavia, insistia em que ela não
é doutrina, mas uma consciência espiritual, fruto do entendimento do significado
da Cruz, cuja realidade não foi uma invenção divina para “remediar” a Queda ou
uma espécie de remendo de pano novo em veste velha233. Antes de tudo, a Graça
equivale ao Conhecimento Experiencial de Deus. Uma Graça que é só logorréia
religiosa, enfeite de uma mensagem ou qualquer outra coisa que não seja a
experiência de Deus na vida, não é Graça!
A Graça gera o fruto da paz e inicia
o processo de transformação do ser; e, sobretudo, dá à pessoa a certeza da
confiança, a qual é a demonstração mais palpável da Graça na experiência humana
em Deus. A Graça não apenas é melhor que a vida. Sem a Graça não há vida.
Não dá para definir com palavras a Graça. Mas , para mim eu diria que é "algo maravilhosamente divino" que está operando dentro de nós para nos transformar à semelhança de Cristo.
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