10/02/2014

Fazendo justiça com as próprias mãos


Eu tinha meus nove anos, e lembro-me perfeitamente da sensação de pavor que sentia cada vez que caminhava de minha casa em Quintino para o curso de datilografia em Cascadura, subúrbio carioca, e me deparava com as manchetes dos jornais com reportagens sobre o Mão Branca. Era raro um dia em que não houvesse notícia de execuções de bandidos amarrados em postes e com um bilhete deixado por alguém que se fazia chamar de Mão Branca. Para uns, herói justiceiro. Para outros, bandido cruel. Tempos depois, descobriu-se que aquele personagem jamais existiu. Membros da própria polícia eram os responsáveis pelos assassinatos fartamente noticiados e que visavam aterrorizar e coibir o avanço da criminalidade durante o tempo da ditadura. Sem que os meliantes tivessem a chance de serem julgados e de apresentarem ampla defesa, eram sumariamente executados. Quantos inocentes não foram vítimas desses justiceiros? 

Décadas depois, a cidade do Rio de Janeiro é cenário de mais um ato bárbaro capaz de nos remeter a um tempo do qual preferiríamos nos esquecer. Um adolescente de dezesseis anos, negro e pobre, é amarrado nu a um poste e linchado por um grupo de rapazes. Parte de uma de suas orelhas é decepada. Apesar de ter passagem pela polícia por roubo e violência, aquele jovem merecia ser conduzido às autoridades, julgado e punido com o rigor da lei. 


Tão logo se noticiou o fato, as redes sociais ficaram entupidas de comentários, alguns a favor, outros contra. Antes que a poeira se assentasse, a jornalista Rachel Sheherazade, âncora do SBT, resolve fazer um comentário, no mínimo, infeliz sobre o episódio. Suas críticas ao Estado omisso, à polícia desmoralizada e à Justiça falha são justas. Mas chamar aquele linchamento de "legítima defesa coletiva" é um insulto ao bom senso. Ao término de seu comentário, Sheherazade deixa um recado irônico aos defensores dos Direitos Humanos "que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste": "faça um favor ao Brasil, adote um bandido".

A mesma jornalista que recentemente saiu em defesa das estripulias de Justin Bieber, alegando que não passariam de "coisa de adolescente", descarrega sobre um menino brasileiro preto e pobre todo o seu preconceito. O astro canadense, branco e adolescente, pode fazer o que quiser, inclusive depredar patrimônio público ou privado do país alheio, mas anônimo brasileiro, preto e pobre, que tinha a ficha "mais suja do que pau de galinheiro", tem que ser linchado pra deixar de ser mané. 

Muitos cristãos se posicionaram favoráveis aos comentários da jornalista pelo simples fato de ela se professar evangélica. Foram poucas as manifestações contrárias vindas daqueles que deveriam ser os primeiros a defender os direitos humanos. Em contrapartida, deparei-me com muitos ateus e pessoas ligadas a outros credos, posicionando-se inegociavelmente em defesa da dignidade humana. Alguém ainda duvida que alguma coisa está errada?

Causou-me estranheza perceber que os mesmos que defendem a preservação da propriedade, não saiam igualmente em defesa dos direitos humanos. Se depredam edifícios públicos ou privados, são vândalos inconsequentes. Mas, se amarram um adolescente e o espancam, são justiceiros. Será que propriedades valem mais que a vida? 

Será que nosso ardor ideológico nos cegou quanto aos valores do evangelho?

Há quem busque amparo bíblico para tal posicionamento. Afinal, foi Jesus quem disse que "bem-aventurados são os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos"(Mt.5:6). Por favor, não confunda fome e sede de justiça com fome de vingança e sede de sangue. Repare que logo em seguida, Jesus também diz que "bem-aventurados são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (v.7). Se subtrairmos a misericórdia, a justiça se transformará em vingança. Os que têm fome e sede justiça são os mesmos que agem com misericórdia, demonstrando assim, serem pacificadores, com mãos limpas e coração puro. 

Davi já havia recebido do Senhor o projeto da construção do templo. O recurso já havia sido levantado. Trabalhadores tinham sido contratados para a obra. Quando estava prestes a dar o pontapé inicial, o Senhor lhe disse: "Tu derramaste sangue em abundância, e fizeste grandes guerras; não edificarás casa ao meu nome” (1 Cr.22:7-8). Coube a seu filho Salomão edificar o templo. Mesmo reprovado para aquela obra por haver sangue em suas mãos, Davi se preocupou com os requisitos necessários para que alguém pudesse entrar naquele santuário para adorar ao seu Deus. Ele indaga: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? O que tem mãos limpas e coração puro” (Sl.24:3-4). Mãos limpas são as que não derramaram sangue. Coração puro é o que não abriga ódio, nem desejo de vingança. No Salmo 15:1-3, ele vai ainda mais longe, e indaga: “Quem, Senhor, habitará na tua tenda? quem morará no teu santo monte? Aquele que anda irrepreensivelmente e pratica a justiça, e do coração fala a verdade; que não difama com a sua língua, nem faz o mal ao seu próximo, nem contra ele aceita nenhuma afronta.” Repare no detalhe: para construir o templo, tinha que ter mãos limpas. Para entrar no santuário, tinha que ter, além de mãos limpas, coração puro. Mas, para morar no santuário, tinha que, entre outras coisas, praticar a justiça e, além de não fazer mal ao próximo, não aceitar contra ele nenhuma afronta. Portanto, não basta ter mãos limpas no sentido de jamais tê-las usado para fazer o mal, também não se pode ser cúmplice, apoiando o mal que se faz. Aceitar uma afronta a qualquer ser humano, por pior que seja, é ser cúmplice da injustiça praticada. Quando assim agimos, aos olhos de Deus há sangue em nossas mãos. Por isso, Paulo foi tão enfático: "Não sejais cúmplices das obras infrutuosas das trevas, antes, condenai-as" (Ef.5:11). Ou alguém acha que vingança é obra da luz? Parafraseando Martin Luther King, Jr., "a injustiça cometida contra qualquer ser humano é uma ameaça à justiça a toda humanidade."

O que esperar de uma geração de cristãos cujas mãos estão cheias de sangue e o coração tomado de ódio? Se Davi não pôde construir o templo, talvez isso nos impeça de edificar o reino de Deus entre os homens. 

Foi no pátio daquele mesmo templo que poderia ter sido construído por Davi, que Jesus se viu numa sinuca de bico provocada pelos religiosos de sua época. Trouxeram-lhe uma mulher flagrada em adultério (Jo.8:2-7). De acordo com a lei de Moisés, ela deveria ser sumariamente executada, sem dó nem piedade. "E aí, Jesus, como devemos proceder?" O objetivo deles era pegar Jesus numa contradição qualquer. Se abonasse a sentença que eles já haviam prescrito, Jesus seria acusado de insurgir-se contra o direito romano que exigia que ela fosse julgada por autoridades credenciadas para tal. Se fosse contrário à execução, eles o acusariam de insurgir-se contra a lei de Moisés. Aparentemente encurralado, Jesus pronuncia a célebre sentença:"Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra". Um por um foi saindo à francesa, evidenciando assim que todos tinham igualmente culpa no cartório celestial. Não fosse a intervenção de Jesus, naquele dia o assoalho do pátio do templo seria manchado de sangue.

Para tentar conciliar a posição subversiva de Jesus com a exigência da lei de Moisés, alguns alegam que Jesus só não apoiou a execução daquela mulher pelo fato de seu amante também não ter sido conduzido para ser executado. Não seria de bom tom permitir que somente ela pagasse pelo pecado. Imagine, então, Jesus dizendo para os detratores daquela mulher: - Ok. Vocês estão cobertos de razão. Se a lei ordena, então, mãos à obra. Executem-na. Porém, antes, tratem de trazer o sujeito que foi pego em flagrante com ela. E mais: levem-nos às autoridades romanas. Somente elas estão autorizadas por Deus ao uso da força para coibir o mal. Se o objetivo de Jesus era apenas sair daquela saia justa, penso que tais argumentos seriam suficientes. Ele ficaria bem os judeus e com os romanos. 

Em vez disso, ele apenas disse: Quem não tem pecados, fique à vontade...  Tão simples, não? Por que complicar para justificar uma ideologia? Prefiro crer que Jesus quis dizer exatamente o que disse, e não que tenha lançado mão de um recurso retórico para sair pela tangente. Por favor, não roubem a poesia desta passagem. 

Apesar de tudo o que disse até agora, sou a favor de se fazer justiça com as próprias mãos! Todavia, entendo que, de acordo com o espírito do evangelho, fazer justiça com as próprias mãos é repartir o pão com o necessitado. 

Precisamos transformar pedras em pães! Pedras se atiram. Pães se repartem. O mesmo Jesus que se recusou a transformar pedras em pães conforme sugerido pelo diabo, multiplicou os pães e os peixes para alimentar uma multidão de famintos. Não haveria nada de errado em transformar pedras em pães, exceto pelo fato de ser em benefício próprio. Mas quando se trata de agir em favor do bem comum, todo esforço é bem-vindo. Foi o próprio Jesus quem disse: "Qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? (...) Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" (Mt.7:9-11).

Os famintos deste mundo clamam por pão e o que é que lhes damos? Pedras! Clamam por escolas, e lhes damos cadeias. Clamam por oportunidade, e lhes damos esmolas. 

Em vez de defender à vida, preferimos sair em defesa do status quo. O que interessa é garantir a manutenção do nosso patrimônio. Eles, se quiserem, que trabalhem para conquistar o seu. Estão na pobreza porque querem. São vagabundos! Párias da sociedade! Aos que pensam assim, recomendo a advertência de um Deus extremamente frustrado com o Seu povo, que "esperou que exercessem juízo, mas eis aqui derramamento de sangue; justiça, e eis aqui clamor. Ai dos que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra! (...) Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo!" (Is.5:7-8,20).

A justiça pela qual devemos ter fome e sede não é a retributiva, a que pune o criminoso, mas a distributiva, a que espalha recursos de maneira que não falte a uns o que sobeja a outros. Como disse Paulo, "para que não haja alívio para outros e aperto para vós, mas para que haja igualdade, suprindo, neste tempo presente, na vossa abundância a falta dos outros, para que também a abundância deles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade; como está escrito: Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco colheu, não faltou (...) E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra; conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre" (2 Co.8:13-15; 9:8-9).

Esta é a justiça do reino de Deus, que, se diligentemente buscarmos, além de saciados, todas as demais coisas ser-nos-ão acrescentadas. Não há como buscar o reino de Deus, sem levar a sério a sua justiça (Mt.6:33). Foi esta justiça que saciou os cristãos primitivos. De sorte que "era um o coração e alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns (...) Pois não havia entre eles necessitado algum"(At.4:32,34).

Alguns setores da igreja moderna dariam tudo para que passagens como esta fossem removidas do cânon sagrado. Elas cheiram a comunismo! Depõem contra o tipo de cristianismo furreca que temos vivido em nossos dias. 

O culto espalhafatoso que costumeiramente oferecemos a Deus será desprezado. Nossos cânticos e orações se tornarão abomináveis. Ele não será cúmplice de nossas maldades. Se as mesmas mãos que se estendem a Ele em louvor não forem as mesmas que estendem ao próximo em amor, nosso cristianismo não passará de balela.

“Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.” Isaías 1:15-17

A propósito, adivinha quem resolveu levar a sério a sugestão de Rachel Sheherazade? Ninguém menos que Jesus, a quem ela afirma convictamente servir. Dois mil anos antes de sua sarcástica sugestão para que levássemos um bandido para casa, Jesus resolveu adotar o meliante que morria ao seu lado na cruz, garantindo que ainda naquele dia estaria com Ele no paraíso.

Apesar de não se preocupar com o destino que os soldados romanos davam ao Seu único bem, Sua túnica sem costura, Jesus demonstrou preocupar-se com o destino eterno daquela vida preciosa. Não o acusou. Não disse algo do tipo "bem feito! Vocês por merecer!". Não lhe pregou um sermão evangelístico. Mas demonstrou-lhe um amor que ele jamais conhecera durante seus dias de criminalidade. 


O amor é o canal através do qual jorra a verdadeira justiça. Então... vamos fazer justiça com as próprias mãos?



5 comentários:

  1. Texto excelente!

    Foi o que eu falei no 'feici' no sábado retrucando o pensamento de um amigo (de face) que quase me bate por muito menos do que disse aí o Hermes.

    (Vou ver se encontro o belo diálogo do 'cristão' e 'colo' aqui)

    Ele alegou que era discurso falso piedoso o que alertou minha amiga sobre estar num poste parecido um marginal que Jesus levou junto ao paraíso.

    Temos esse terrível vício de nos acharmos o arauto do evangelho só por sermos porta-voz de movimentos 'do Caminho' (em vez de ser DO CAMINHO) e ter participado de meia dúzia de viagenzinhas 'missionárias'. Denunciando o ego edemaciado (doendo de prazer rss) por meio das inúmeras fotos postadas no FB, enviando a seguinte msg subliminar: vejam como eu sou o cara rss

    As redes sociais estão cheias do tipo...

    Enfim, já dei a minha alfinetada do dia ;)

    O que ocorre é que há um absurdo de troca de valores disseminado pelos meios de comunicação e cada um quer dar seu pitaco com base no 'Evangelho' e fica aquela torre de babel. Porque para muitos que se dizem discípulos de Cristo, a base para seus pitacos é o evangelho da justiça dos homens. Estes, não percebem que nós, pobres mortais, não alcançamos o olhar de Jesus nem de longe. Jesus não vê como nós vemos. Só quem, verdadeiramente, conhece a Jesus (e não a cartilha religiosa), sabe disso.

    Nesse caso, como diz o texto, tem os que demonizam e os que entronizam a moça. Pra que esse extremismo? Tão simples reconhecer que a moça é chegada num tremendo vacilo vez em quando. Primeiro diz que o cantorzinho caprichozinho só está crescendo e passa a mão na cabecinha do menino 'inocente'. Depois, em tom depreciativo, sugere que o pessoal dos direitos humanos leve o outro marginal pra casa.

    Aplaudindo sua forma irreverente de fugir dos padrões nessa função, seus fãs incontestes alegam que 'O FOCO' era a crítica ao governo, e quem leva pra o lado da piedade está coando mosquitos e engolindo camelo. Hã?! Não entendi. Aliás, não coube. Pra completar, o sujeito me sai com 'Jesus disse:dai a César o que é de César'. Hã?! parte dois, piorou. Onde a relevância?! O povo faz uma senhora salada usando termos bíblicos que sai de baixo... E segue apedrejando quem sua justiça própria decide apedrejar.

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  2. Karina Rocha
    7 de fevereiro
    Quem se diz cristão e usa "tá com dó de bandido, leva pra casa" esquece que, na hora da morte, Jesus "levou pra casa" o ladrão da cruz.

    Fernando Lima
    Hum...Marromeno...Rsrs. Jesus sempre leva pra casa, na mesma medida que dá a Cesar o que é de Cesar. Então, a Raquel só exagerou na coisa, mas disse coisa por coisa. Mas o senso comum é rápido em coar mosquito e engolir camelos.
    7 de fevereiro às 20:48

    Clóvis Eduardo De Moura Costa
    É difícil para nós pobres mortais, identificar o verdadeiro arrependimento como Jesus o fez na hora de sua morte. Infelizmente nosso amor pelo próximo ainda está muito longe de entender que tudo que acontece nos serve de aprendizado e que devemos tirar o que tem de bom e abster o ódio que teima em nos rodear e nos colocar em tentação. Devemos ter muito cuidado com o Julgar. Até em um simples comentário no Face.
    7 de fevereiro às 21:21

    Fernando Lima
    Jesus leva para casa SEMPRE...esteja pendurado numa cruz ou amarrado num poste. E nós?
    Não se põe em duvida o amor acolhedor de Jesus, mas se tratando de uma opinião como foi dada, usar a piedade como argumento e ignorar o cerne da questão que foi clara em criticar a ausência do Estado é sim coar mosquito e engolir camelo.
    7 de fevereiro às 21:28

    Karina Rocha
    Muito pertinente os pensamentos amigos! Thanks!
    7 de fevereiro às 23:25

    Regina Farias http://www.youtube.com/watch?v=CxZ86Tp03ug

    Rachel Sheherazade fala sobre as polêmicas do astro Justin Bieber
    8 de fevereiro às 18:09

    Regina Farias
    Dois pesos e duas medidas rss
    8 de fevereiro às 18:16

    Regina Farias
    Karina, muito pertinente é a sua frase! Valeu! E, olha, não há nada de 'piedoso' nela. Há sim, a chamada para o olhar de Jesus, e que nenhum ser humano é capaz de mensurar. O Fernando Lima que me perdoe a sinceridade, mas somos uns boçais quando usamos frase de efeito bíblico pra justificar o injustificável. O fato de ser o Estado o foco da crítica não cabe a 'dica' pejorativa ao pessoal dos direitos humanos. Ela vacilou (de novo!) nessa onda de querer fugir do padrão. Nada contra. Por mim, ela sendo antes de tudo, profissional no abrir da boca, use o estilo que quiser.
    8 de fevereiro às 18:27

    Fernando Lima
    Regina Farias, você corroborou o que eu disse acima:" Não se põe em duvida o amor acolhedor de Jesus, mas se tratando de uma opinião como foi dada, usar a piedade como argumento e ignorar o cerne da questão que foi clara em criticar a ausência do Estado é sim coar mosquito e engolir camelo". Ignorar isto, também é dois pesos e duas medidas.
    8 de fevereiro às 18:53

    Regina Farias
    Eh... O ser humano e as suas racionalizacoes...
    8 de fevereiro às 19:23 · Curtir

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    1. Rê,

      Desculpe, mas o comentário feito deste Clóvis (a quem não conheço) em "É difícil para nós pobres mortais, identificar o verdadeiro arrependimento como Jesus o fez na hora de sua morte." é triste.

      Nós não devemos "identificar" nada. Jesus nos disse "Não julgueis" e "Não tente tirar o cisco no olho do outro, mas focalize no tamanho da 'porta' que tá no teu!"

      Eu não assisto ao SBT, porque vc sabe que aqui em casa não pega (rsrsrs), mas tenho lido comentários cá e lá sobre esta moça. Que aliás é humana como nós. Seja cristã, crente, religiosa ou o que for, tá na mesma poça de lama da gente. Erramos 20 e acertamos 1 (e ainda 'málemá' rsrs).

      Então, em vez dos "Evangélicos" exaltarem e defenderem o que ela diz, deveriam ler um pouco mais e tentar meditar no que Jesus disse.

      Mas infelizmente, Evangélicos gostam de "porta-vozes" e elegem a Rachel, como os católicos estão elegendo o bispo de Roma, Bergoglio.

      E todos acabam por esquecer Jesus, que ambos dizem confessar...

      --
      Religião é tudo troca de seis por meia dúzia, né? rsrsrsrs

      Abs!

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  3. Pessoal,

    Minha opinião sobre esse caso...

    Se vocês digitarem no youtube a expressão "linchamento bandido" verão MUITOS vídeos mostrando criminosos sendo linchados pela população. Essa prática é MUITO comum. Nem aumentou e nem diminuiu. Haverá vídeos de brancos, negros, sulistas, nordestinos e etc. sendo linchados. Nesta pesquisa macabra, verão vídeos com violência MUITO maior que a violência mostrada no caso do Rio de Janeiro.

    Porque digo isso? Porque devido à esse caso do Rio, criou-se a impressão de que esses atos de violência estão começando agora, fazendo um alarde como o mostrado nesse texto. O autor passou a impressão de que estamos "voltando" aos tempos dos justiceiros. Esses casos de "justiçamento" nunca deixaram de ocorrer.

    O problema, é que na maioria esmagadora das vezes, o linchamento é feito por pobres. Neste caso do Rio de Janeiro, o linchamento aparentemente (digo isto porque não foi completamente esclarecido) foi feito por pessoas da classe média. Assim, o pessoal dos "Direitos Humanos", utilizaram o caso do garoto para criticar a tal "elite fascista" formada pela classe média e consequentemente pregar o discurso o esquerdista, tentando transformar o bandido em vítima da elite. Veja bem, ele foi vítima sim do linchamento que sofreu, sendo que jamais deveremos apoiar tal barbárie (temos leis para punir bandidos, embora com menores ela seja extremamente branda), mas estão utilizando desse crime para transformar bandidos em coitadinhos e vítimas do tal capitalismo. Lembrando que esse rapaz havia alguns dias antes comandado um linchamento contra outro rapaz (mesmo crime que cometeram contra ele) e depois do que sofreu, foi acolhido por uma instituição que ofereceu um programa de recuperação e tratamento individual para ajudá-lo a sair dessa vida. Pouco tempo depois, esse rapaz fugiu e voltou as ruas para roubar, sendo preso novamente por assaltar uma turista canadense. Novamente a população quis linchá-lo, mas dessa vez o rapaz os intimidou dizendo "cuidado, eu sou o menino da tranca", assim o linchamento parou. Na delegacia ele usou o mesmo argumento querendo se beneficiar disto para ganhar algum privilégio.

    Quanto a jornalista Raquel Sheherazade, ela simplesmente disse que ENTENDE a ação dos que fizeram justiça com as próprias mãos, devido à impunidade e problemas de segurança no Brasil (ontem mesmo vi no noticiário de um senhor que foi assaltado 22 vezes). Na falta disso a população acaba cometendo outros crimes. Vi esses dias um delegado reclamando na televisão que prenderam um "dimenor" por homicídio e o mesmo havia sido preso anteriormente por mais três homicídios, sendo solto pela justiça apto a cometer mais um homicídio. Diante dessa impunidade, como não esperar que a população queira fazer justiça? Afinal somos seres humanos. Novamente o caso no Rio. Ofereceram ajuda ao rapaz ao invés de prisão. Foi acolhido. E o que fez então? Resolveu voltar a roubar (que se lasque a turista canadense burguesa). Deveria ser preso e dentro da cadeia ser oferecido programas de ressocialização e também estudo, mas deveria ter sua liberdade privada por um tempo determinado.

    O termo "adote um bandido" acho pertinente, pois utilizaram um crime que ocorre todos os dias para defender a bandidagem e transformá-los em coitadinhos (ué, se são coitadinhos, porque não oferecem abrigo a eles?). Aproveitaram que os agressores eram de classe média para atacar a classe média "fascista" (chamada assim apenas por ser da direita), sendo que na maioria esmagadora das vezes, quem lincha é pobre (o youtube que o diga). Quem teve a casa roubada quatro vezes ano passado e ainda foi ameaçado por bandidos como eu, sabe que eles não são coitadinhos. Cadeia neles.

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  4. Eu não serei hipócrita. Cometo sempre o pecado de não amar os bandidos cruéis que nos aterrorizam. Como cristão devemos querer o arrependimento e salvação deles, mas isso não os livra da punição da terra. No caso do malfeitor crucificado ao lado de Jesus, veja que o Mestre garantiu sua salvação, mas não o livrou da punição (que segundo o próprio malfeitor estava de acordo com sua obras). Jesus tinha todo o poder para operar mais um milagre naquele momento e livrar o malfeitor da punição, mas não o fez.

    Para finalizar, vejam o caso do vídeo abaixo, bem mais violento que o caso do Rio. Sabe porque o mesmo não causou tanta comoção? Tenho certeza porque ele é branco e foi linchado por moto-taxistas pobres. Assim como o autor do texto se aproveitou dessa história para envolver questão racial.

    http://www.youtube.com/watch?v=WxB4CJLs8_Y

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