Eu tinha meus nove
anos, e lembro-me perfeitamente da sensação de pavor que sentia cada vez que
caminhava de minha casa em Quintino para o curso de datilografia em Cascadura,
subúrbio carioca, e me deparava com as manchetes dos jornais com reportagens sobre
o Mão Branca. Era raro um dia em que não houvesse notícia de execuções de
bandidos amarrados em postes e com um bilhete deixado por alguém que se fazia
chamar de Mão Branca. Para uns, herói justiceiro. Para outros, bandido cruel.
Tempos depois, descobriu-se que aquele personagem jamais existiu. Membros da
própria polícia eram os responsáveis pelos assassinatos fartamente noticiados e
que visavam aterrorizar e coibir o avanço da criminalidade durante o tempo da
ditadura. Sem que os meliantes tivessem a chance de serem julgados e de
apresentarem ampla defesa, eram sumariamente executados. Quantos inocentes não
foram vítimas desses justiceiros?
Décadas depois, a
cidade do Rio de Janeiro é cenário de mais um ato bárbaro capaz de nos remeter
a um tempo do qual preferiríamos nos esquecer. Um adolescente de dezesseis
anos, negro e pobre, é amarrado nu a um poste e linchado por um grupo de
rapazes. Parte de uma de suas orelhas é decepada. Apesar de ter passagem pela
polícia por roubo e violência, aquele jovem merecia ser conduzido às
autoridades, julgado e punido com o rigor da lei.
Tão logo se
noticiou o fato, as redes sociais ficaram entupidas de comentários, alguns a
favor, outros contra. Antes que a poeira se assentasse, a jornalista Rachel
Sheherazade, âncora do SBT, resolve fazer um comentário, no mínimo, infeliz
sobre o episódio. Suas críticas ao Estado omisso, à polícia desmoralizada e à
Justiça falha são justas. Mas chamar aquele linchamento de "legítima
defesa coletiva" é um insulto ao bom senso. Ao término de seu comentário,
Sheherazade deixa um recado irônico aos defensores dos Direitos Humanos
"que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste": "faça um
favor ao Brasil, adote um bandido".
A mesma jornalista
que recentemente saiu em defesa das estripulias de Justin Bieber, alegando que
não passariam de "coisa de adolescente", descarrega sobre um menino
brasileiro preto e pobre todo o seu preconceito. O astro canadense, branco e
adolescente, pode fazer o que quiser, inclusive depredar patrimônio público ou
privado do país alheio, mas anônimo brasileiro, preto e pobre, que tinha a
ficha "mais suja do que pau de galinheiro", tem que ser linchado pra
deixar de ser mané.
Muitos cristãos se
posicionaram favoráveis aos comentários da jornalista pelo simples fato de ela
se professar evangélica. Foram poucas as manifestações contrárias vindas
daqueles que deveriam ser os primeiros a defender os direitos humanos. Em
contrapartida, deparei-me com muitos ateus e pessoas ligadas a outros credos,
posicionando-se inegociavelmente em defesa da dignidade humana. Alguém ainda
duvida que alguma coisa está errada?
Causou-me
estranheza perceber que os mesmos que defendem a preservação da propriedade,
não saiam igualmente em defesa dos direitos humanos. Se depredam edifícios
públicos ou privados, são vândalos inconsequentes. Mas, se amarram um
adolescente e o espancam, são justiceiros. Será que propriedades valem mais que
a vida?
Será que nosso
ardor ideológico nos cegou quanto aos valores do evangelho?
Há quem busque
amparo bíblico para tal posicionamento. Afinal, foi Jesus quem disse que "bem-aventurados
são os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos"(Mt.5:6).
Por favor, não confunda fome e sede de justiça com fome de vingança e sede de
sangue. Repare que logo em seguida, Jesus também diz que "bem-aventurados
são os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (v.7). Se
subtrairmos a misericórdia, a justiça se transformará em vingança. Os que têm
fome e sede justiça são os mesmos que agem com misericórdia, demonstrando
assim, serem pacificadores, com mãos limpas e coração puro.
Davi já havia
recebido do Senhor o projeto da construção do templo. O recurso já havia sido
levantado. Trabalhadores tinham sido contratados para a obra. Quando estava
prestes a dar o pontapé inicial, o Senhor lhe disse: "Tu
derramaste sangue em abundância, e fizeste grandes guerras; não edificarás casa
ao meu nome” (1 Cr.22:7-8). Coube a seu filho Salomão edificar o
templo. Mesmo reprovado para aquela obra por haver sangue em suas mãos, Davi se
preocupou com os requisitos necessários para que alguém pudesse entrar naquele
santuário para adorar ao seu Deus. Ele indaga: “Quem subirá ao monte do
Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? O que tem mãos limpas e coração
puro” (Sl.24:3-4). Mãos limpas são as que não derramaram sangue.
Coração puro é o que não abriga ódio, nem desejo de vingança. No Salmo 15:1-3,
ele vai ainda mais longe, e indaga: “Quem, Senhor, habitará na tua
tenda? quem morará no teu santo monte? Aquele que anda irrepreensivelmente e
pratica a justiça, e do coração fala a verdade; que não difama com a
sua língua, nem faz o mal ao seu próximo, nem contra ele aceita nenhuma afronta.” Repare
no detalhe: para construir o templo, tinha que ter mãos
limpas. Para entrar no santuário, tinha que ter, além de mãos
limpas, coração puro. Mas, para morar no santuário, tinha que,
entre outras coisas, praticar a justiça e, além de não
fazer mal ao próximo, não aceitar contra ele nenhuma afronta.
Portanto, não basta ter mãos limpas no sentido de jamais tê-las usado para
fazer o mal, também não se pode ser cúmplice, apoiando o mal que se faz.
Aceitar uma afronta a qualquer ser humano, por pior que seja, é ser cúmplice da
injustiça praticada. Quando assim agimos, aos olhos de Deus há sangue em nossas
mãos. Por isso, Paulo foi tão enfático: "Não sejais cúmplices das
obras infrutuosas das trevas, antes, condenai-as" (Ef.5:11). Ou
alguém acha que vingança é obra da luz? Parafraseando Martin Luther King, Jr.,
"a injustiça cometida contra qualquer ser humano é uma ameaça à justiça a
toda humanidade."
O que esperar de
uma geração de cristãos cujas mãos estão cheias de sangue e o coração tomado de
ódio? Se Davi não pôde construir o templo, talvez isso nos impeça de edificar o
reino de Deus entre os homens.
Foi no pátio
daquele mesmo templo que poderia ter sido construído por Davi, que Jesus se viu
numa sinuca de bico provocada pelos religiosos de sua época. Trouxeram-lhe uma
mulher flagrada em adultério (Jo.8:2-7). De acordo com a lei de Moisés, ela
deveria ser sumariamente executada, sem dó nem piedade. "E aí, Jesus, como
devemos proceder?" O objetivo deles era pegar Jesus numa contradição
qualquer. Se abonasse a sentença que eles já haviam prescrito, Jesus seria
acusado de insurgir-se contra o direito romano que exigia que ela fosse julgada
por autoridades credenciadas para tal. Se fosse contrário à execução, eles o
acusariam de insurgir-se contra a lei de Moisés. Aparentemente encurralado,
Jesus pronuncia a célebre sentença:"Quem não tiver pecado, atire a
primeira pedra". Um por um foi saindo à francesa, evidenciando
assim que todos tinham igualmente culpa no cartório celestial. Não fosse a
intervenção de Jesus, naquele dia o assoalho do pátio do templo seria manchado
de sangue.
Para tentar
conciliar a posição subversiva de Jesus com a exigência da lei de Moisés,
alguns alegam que Jesus só não apoiou a execução daquela mulher pelo fato de
seu amante também não ter sido conduzido para ser executado. Não seria de bom
tom permitir que somente ela pagasse pelo pecado. Imagine, então, Jesus dizendo
para os detratores daquela mulher: - Ok. Vocês estão cobertos
de razão. Se a lei ordena, então, mãos à obra. Executem-na. Porém, antes,
tratem de trazer o sujeito que foi pego em flagrante com ela. E mais: levem-nos
às autoridades romanas. Somente elas estão autorizadas por Deus ao uso da força
para coibir o mal. Se o objetivo de Jesus era apenas sair daquela saia justa,
penso que tais argumentos seriam suficientes. Ele ficaria bem os judeus e com
os romanos.
Em vez disso, ele
apenas disse: Quem não tem pecados, fique à vontade... Tão
simples, não? Por que complicar para justificar uma ideologia? Prefiro crer que
Jesus quis dizer exatamente o que disse, e não que tenha lançado mão de um
recurso retórico para sair pela tangente. Por favor, não roubem a poesia desta
passagem.
Apesar de tudo o
que disse até agora, sou a favor de se fazer justiça com as próprias mãos!
Todavia, entendo que, de acordo com o espírito do evangelho, fazer justiça com
as próprias mãos é repartir o pão com o necessitado.
Precisamos
transformar pedras em pães! Pedras se atiram. Pães se repartem. O mesmo Jesus
que se recusou a transformar pedras em pães conforme sugerido pelo diabo,
multiplicou os pães e os peixes para alimentar uma multidão de famintos. Não
haveria nada de errado em transformar pedras em pães, exceto pelo fato de ser
em benefício próprio. Mas quando se trata de agir em favor do bem comum, todo
esforço é bem-vindo. Foi o próprio Jesus quem disse: "Qual dentre
vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? (...) Se
vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o
vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" (Mt.7:9-11).
Os famintos deste
mundo clamam por pão e o que é que lhes damos? Pedras! Clamam por escolas, e
lhes damos cadeias. Clamam por oportunidade, e lhes damos esmolas.
Em vez de defender
à vida, preferimos sair em defesa do status quo. O que interessa é
garantir a manutenção do nosso patrimônio. Eles, se quiserem, que trabalhem
para conquistar o seu. Estão na pobreza porque querem. São vagabundos! Párias
da sociedade! Aos que pensam assim, recomendo a advertência de um Deus
extremamente frustrado com o Seu povo, que "esperou que exercessem
juízo, mas eis aqui derramamento de sangue; justiça, e eis aqui clamor. Ai dos
que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja
mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra! (...) Ai dos que ao mal
chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o
amargo por doce, e o doce por amargo!" (Is.5:7-8,20).
A justiça pela qual
devemos ter fome e sede não é a retributiva, a que pune o criminoso, mas a
distributiva, a que espalha recursos de maneira que não falte a uns o que
sobeja a outros. Como disse Paulo, "para que não haja alívio para
outros e aperto para vós, mas para que haja igualdade, suprindo, neste tempo
presente, na vossa abundância a falta dos outros, para que também a abundância
deles venha a suprir a vossa falta, e assim haja igualdade; como está escrito:
Ao que muito colheu, não sobrou; e ao que pouco colheu, não faltou (...) E Deus
é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre,
em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra; conforme está escrito:
Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre" (2
Co.8:13-15; 9:8-9).
Esta é a justiça do
reino de Deus, que, se diligentemente buscarmos, além de saciados, todas
as demais coisas ser-nos-ão acrescentadas. Não há como buscar o reino de
Deus, sem levar a sério a sua justiça (Mt.6:33). Foi esta justiça que saciou os
cristãos primitivos. De sorte que "era um o coração e alma da
multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua
própria, mas todas as coisas lhes eram comuns (...) Pois não havia entre eles necessitado
algum"(At.4:32,34).
Alguns setores da
igreja moderna dariam tudo para que passagens como esta fossem removidas do
cânon sagrado. Elas cheiram a comunismo! Depõem contra o tipo de
cristianismo furreca que temos vivido em nossos dias.
O culto
espalhafatoso que costumeiramente oferecemos a Deus será desprezado. Nossos
cânticos e orações se tornarão abomináveis. Ele não será cúmplice de nossas
maldades. Se as mesmas mãos que se estendem a Ele em louvor não forem as mesmas
que estendem ao próximo em amor, nosso cristianismo não passará de balela.
“Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os
meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque
as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de
diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal;
aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça
ao órfão, defendei a causa da viúva.” Isaías 1:15-17
A propósito,
adivinha quem resolveu levar a sério a sugestão de Rachel Sheherazade? Ninguém
menos que Jesus, a quem ela afirma convictamente servir. Dois mil anos antes de
sua sarcástica sugestão para que levássemos um bandido para casa, Jesus
resolveu adotar o meliante que morria ao seu lado na cruz, garantindo que ainda
naquele dia estaria com Ele no paraíso.
Apesar de não se
preocupar com o destino que os soldados romanos davam ao Seu único bem, Sua
túnica sem costura, Jesus demonstrou preocupar-se com o destino eterno daquela
vida preciosa. Não o acusou. Não disse algo do tipo "bem feito! Vocês por
merecer!". Não lhe pregou um sermão evangelístico. Mas demonstrou-lhe um
amor que ele jamais conhecera durante seus dias de criminalidade.
O amor é o canal
através do qual jorra a verdadeira justiça. Então... vamos fazer justiça com as
próprias mãos?
Texto excelente!
ResponderExcluirFoi o que eu falei no 'feici' no sábado retrucando o pensamento de um amigo (de face) que quase me bate por muito menos do que disse aí o Hermes.
(Vou ver se encontro o belo diálogo do 'cristão' e 'colo' aqui)
Ele alegou que era discurso falso piedoso o que alertou minha amiga sobre estar num poste parecido um marginal que Jesus levou junto ao paraíso.
Temos esse terrível vício de nos acharmos o arauto do evangelho só por sermos porta-voz de movimentos 'do Caminho' (em vez de ser DO CAMINHO) e ter participado de meia dúzia de viagenzinhas 'missionárias'. Denunciando o ego edemaciado (doendo de prazer rss) por meio das inúmeras fotos postadas no FB, enviando a seguinte msg subliminar: vejam como eu sou o cara rss
As redes sociais estão cheias do tipo...
Enfim, já dei a minha alfinetada do dia ;)
O que ocorre é que há um absurdo de troca de valores disseminado pelos meios de comunicação e cada um quer dar seu pitaco com base no 'Evangelho' e fica aquela torre de babel. Porque para muitos que se dizem discípulos de Cristo, a base para seus pitacos é o evangelho da justiça dos homens. Estes, não percebem que nós, pobres mortais, não alcançamos o olhar de Jesus nem de longe. Jesus não vê como nós vemos. Só quem, verdadeiramente, conhece a Jesus (e não a cartilha religiosa), sabe disso.
Nesse caso, como diz o texto, tem os que demonizam e os que entronizam a moça. Pra que esse extremismo? Tão simples reconhecer que a moça é chegada num tremendo vacilo vez em quando. Primeiro diz que o cantorzinho caprichozinho só está crescendo e passa a mão na cabecinha do menino 'inocente'. Depois, em tom depreciativo, sugere que o pessoal dos direitos humanos leve o outro marginal pra casa.
Aplaudindo sua forma irreverente de fugir dos padrões nessa função, seus fãs incontestes alegam que 'O FOCO' era a crítica ao governo, e quem leva pra o lado da piedade está coando mosquitos e engolindo camelo. Hã?! Não entendi. Aliás, não coube. Pra completar, o sujeito me sai com 'Jesus disse:dai a César o que é de César'. Hã?! parte dois, piorou. Onde a relevância?! O povo faz uma senhora salada usando termos bíblicos que sai de baixo... E segue apedrejando quem sua justiça própria decide apedrejar.
Karina Rocha
ResponderExcluir7 de fevereiro
Quem se diz cristão e usa "tá com dó de bandido, leva pra casa" esquece que, na hora da morte, Jesus "levou pra casa" o ladrão da cruz.
Fernando Lima
Hum...Marromeno...Rsrs. Jesus sempre leva pra casa, na mesma medida que dá a Cesar o que é de Cesar. Então, a Raquel só exagerou na coisa, mas disse coisa por coisa. Mas o senso comum é rápido em coar mosquito e engolir camelos.
7 de fevereiro às 20:48
Clóvis Eduardo De Moura Costa
É difícil para nós pobres mortais, identificar o verdadeiro arrependimento como Jesus o fez na hora de sua morte. Infelizmente nosso amor pelo próximo ainda está muito longe de entender que tudo que acontece nos serve de aprendizado e que devemos tirar o que tem de bom e abster o ódio que teima em nos rodear e nos colocar em tentação. Devemos ter muito cuidado com o Julgar. Até em um simples comentário no Face.
7 de fevereiro às 21:21
Fernando Lima
Jesus leva para casa SEMPRE...esteja pendurado numa cruz ou amarrado num poste. E nós?
Não se põe em duvida o amor acolhedor de Jesus, mas se tratando de uma opinião como foi dada, usar a piedade como argumento e ignorar o cerne da questão que foi clara em criticar a ausência do Estado é sim coar mosquito e engolir camelo.
7 de fevereiro às 21:28
Karina Rocha
Muito pertinente os pensamentos amigos! Thanks!
7 de fevereiro às 23:25
Regina Farias http://www.youtube.com/watch?v=CxZ86Tp03ug
Rachel Sheherazade fala sobre as polêmicas do astro Justin Bieber
8 de fevereiro às 18:09
Regina Farias
Dois pesos e duas medidas rss
8 de fevereiro às 18:16
Regina Farias
Karina, muito pertinente é a sua frase! Valeu! E, olha, não há nada de 'piedoso' nela. Há sim, a chamada para o olhar de Jesus, e que nenhum ser humano é capaz de mensurar. O Fernando Lima que me perdoe a sinceridade, mas somos uns boçais quando usamos frase de efeito bíblico pra justificar o injustificável. O fato de ser o Estado o foco da crítica não cabe a 'dica' pejorativa ao pessoal dos direitos humanos. Ela vacilou (de novo!) nessa onda de querer fugir do padrão. Nada contra. Por mim, ela sendo antes de tudo, profissional no abrir da boca, use o estilo que quiser.
8 de fevereiro às 18:27
Fernando Lima
Regina Farias, você corroborou o que eu disse acima:" Não se põe em duvida o amor acolhedor de Jesus, mas se tratando de uma opinião como foi dada, usar a piedade como argumento e ignorar o cerne da questão que foi clara em criticar a ausência do Estado é sim coar mosquito e engolir camelo". Ignorar isto, também é dois pesos e duas medidas.
8 de fevereiro às 18:53
Regina Farias
Eh... O ser humano e as suas racionalizacoes...
8 de fevereiro às 19:23 · Curtir
Rê,
ExcluirDesculpe, mas o comentário feito deste Clóvis (a quem não conheço) em "É difícil para nós pobres mortais, identificar o verdadeiro arrependimento como Jesus o fez na hora de sua morte." é triste.
Nós não devemos "identificar" nada. Jesus nos disse "Não julgueis" e "Não tente tirar o cisco no olho do outro, mas focalize no tamanho da 'porta' que tá no teu!"
Eu não assisto ao SBT, porque vc sabe que aqui em casa não pega (rsrsrs), mas tenho lido comentários cá e lá sobre esta moça. Que aliás é humana como nós. Seja cristã, crente, religiosa ou o que for, tá na mesma poça de lama da gente. Erramos 20 e acertamos 1 (e ainda 'málemá' rsrs).
Então, em vez dos "Evangélicos" exaltarem e defenderem o que ela diz, deveriam ler um pouco mais e tentar meditar no que Jesus disse.
Mas infelizmente, Evangélicos gostam de "porta-vozes" e elegem a Rachel, como os católicos estão elegendo o bispo de Roma, Bergoglio.
E todos acabam por esquecer Jesus, que ambos dizem confessar...
--
Religião é tudo troca de seis por meia dúzia, né? rsrsrsrs
Abs!
Pessoal,
ResponderExcluirMinha opinião sobre esse caso...
Se vocês digitarem no youtube a expressão "linchamento bandido" verão MUITOS vídeos mostrando criminosos sendo linchados pela população. Essa prática é MUITO comum. Nem aumentou e nem diminuiu. Haverá vídeos de brancos, negros, sulistas, nordestinos e etc. sendo linchados. Nesta pesquisa macabra, verão vídeos com violência MUITO maior que a violência mostrada no caso do Rio de Janeiro.
Porque digo isso? Porque devido à esse caso do Rio, criou-se a impressão de que esses atos de violência estão começando agora, fazendo um alarde como o mostrado nesse texto. O autor passou a impressão de que estamos "voltando" aos tempos dos justiceiros. Esses casos de "justiçamento" nunca deixaram de ocorrer.
O problema, é que na maioria esmagadora das vezes, o linchamento é feito por pobres. Neste caso do Rio de Janeiro, o linchamento aparentemente (digo isto porque não foi completamente esclarecido) foi feito por pessoas da classe média. Assim, o pessoal dos "Direitos Humanos", utilizaram o caso do garoto para criticar a tal "elite fascista" formada pela classe média e consequentemente pregar o discurso o esquerdista, tentando transformar o bandido em vítima da elite. Veja bem, ele foi vítima sim do linchamento que sofreu, sendo que jamais deveremos apoiar tal barbárie (temos leis para punir bandidos, embora com menores ela seja extremamente branda), mas estão utilizando desse crime para transformar bandidos em coitadinhos e vítimas do tal capitalismo. Lembrando que esse rapaz havia alguns dias antes comandado um linchamento contra outro rapaz (mesmo crime que cometeram contra ele) e depois do que sofreu, foi acolhido por uma instituição que ofereceu um programa de recuperação e tratamento individual para ajudá-lo a sair dessa vida. Pouco tempo depois, esse rapaz fugiu e voltou as ruas para roubar, sendo preso novamente por assaltar uma turista canadense. Novamente a população quis linchá-lo, mas dessa vez o rapaz os intimidou dizendo "cuidado, eu sou o menino da tranca", assim o linchamento parou. Na delegacia ele usou o mesmo argumento querendo se beneficiar disto para ganhar algum privilégio.
Quanto a jornalista Raquel Sheherazade, ela simplesmente disse que ENTENDE a ação dos que fizeram justiça com as próprias mãos, devido à impunidade e problemas de segurança no Brasil (ontem mesmo vi no noticiário de um senhor que foi assaltado 22 vezes). Na falta disso a população acaba cometendo outros crimes. Vi esses dias um delegado reclamando na televisão que prenderam um "dimenor" por homicídio e o mesmo havia sido preso anteriormente por mais três homicídios, sendo solto pela justiça apto a cometer mais um homicídio. Diante dessa impunidade, como não esperar que a população queira fazer justiça? Afinal somos seres humanos. Novamente o caso no Rio. Ofereceram ajuda ao rapaz ao invés de prisão. Foi acolhido. E o que fez então? Resolveu voltar a roubar (que se lasque a turista canadense burguesa). Deveria ser preso e dentro da cadeia ser oferecido programas de ressocialização e também estudo, mas deveria ter sua liberdade privada por um tempo determinado.
O termo "adote um bandido" acho pertinente, pois utilizaram um crime que ocorre todos os dias para defender a bandidagem e transformá-los em coitadinhos (ué, se são coitadinhos, porque não oferecem abrigo a eles?). Aproveitaram que os agressores eram de classe média para atacar a classe média "fascista" (chamada assim apenas por ser da direita), sendo que na maioria esmagadora das vezes, quem lincha é pobre (o youtube que o diga). Quem teve a casa roubada quatro vezes ano passado e ainda foi ameaçado por bandidos como eu, sabe que eles não são coitadinhos. Cadeia neles.
Eu não serei hipócrita. Cometo sempre o pecado de não amar os bandidos cruéis que nos aterrorizam. Como cristão devemos querer o arrependimento e salvação deles, mas isso não os livra da punição da terra. No caso do malfeitor crucificado ao lado de Jesus, veja que o Mestre garantiu sua salvação, mas não o livrou da punição (que segundo o próprio malfeitor estava de acordo com sua obras). Jesus tinha todo o poder para operar mais um milagre naquele momento e livrar o malfeitor da punição, mas não o fez.
ResponderExcluirPara finalizar, vejam o caso do vídeo abaixo, bem mais violento que o caso do Rio. Sabe porque o mesmo não causou tanta comoção? Tenho certeza porque ele é branco e foi linchado por moto-taxistas pobres. Assim como o autor do texto se aproveitou dessa história para envolver questão racial.
http://www.youtube.com/watch?v=WxB4CJLs8_Y