13/02/2014

Igreja X Empresas

Há um comentário jocoso amplamente divulgado: “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios”.

Este comentário foi criado com a proliferação de templos evangélicos nas cidades brasileiras.

Espaços antes ocupados por teatros, cinemas e até pequenas lojas e comércios, têm sido transformados em “Igrejas Evangélicas”.

Nestes “templos”, fiéis são vistos muitas vezes como “clientes”, por oferecerem seus dízimos e assim serem “entretidos” pelos pastores, com mensagens de auto-ajuda ou festivais de promessas. 


Bem, este cenário se aplica principalmente à onda do movimento “Neo-Pentecostal” e sua “Teologia da Prosperidade”.

Fiéis de “Igrejas Tradicionais” repugnam tal “Comércio da Fé”. Não é tão difícil encontrar literaturas, teses, comentários e postagens denunciando as práticas dos adeptos à “Teologia da Prosperidade”.

O problema é que olhando o cisco no olho do outro, os tradicionais não vêem a Trave que têm nos seus olhos.
E eu falo isto, pois frequento uma “Igreja Pentecostal Tradicional”.

Sim. A “Igreja Tradicional” também trata a fé de modo empresarial, sendo que algumas vezes nos parece invisível e sutil.



Tratamos a fé de modo empresarial quando:

- Nos preocupamos mais com o número de fiéis do que com a pregação do Evangelho de Jesus;
- Gastamos mais tempo construindo/reformando templos do que anunciando o Evangelho ao mundo;
- Criamos uma rede de hierarquia e padronização de discursos, liturgia, cor de prédios e até horários de serviços e para manter tal rede. Demanda presença de líderes locais em reuniões aonde são passadas as diretrizes a serem seguidas, ao invés de nos preocuparmos com a vida espiritual da Igreja local.
- Não deixamos uma Igreja ser implantada num local enquanto uma série de pré-requisitos não forem cumpridos para tal.
- Para pregar o Evangelho é necessário diplomas, especializações acadêmicas e títulos honoríficos.

A lista poderia crescer, mas o intuito deste post é refletir que Cristo não quis nada disto para a IGREJA, o verdadeiro Corpo de Cristo.



O servir a Deus deveria ser feito de forma simples. Porém para nós parece que o simples não é agradar a Deus, quando temos a chance de implementarmos o servir.

Então implementamos o reunir, criando templos. Com o tempo, os templos pequenos não refletem o “desejo em servir” então aumentamos os templos e colocamos o de melhor lá dentro. Melhor piso, revestimento, acabamento, equipamento. Ar condicionado e assentos cômodos. Enquanto os relacionamentos vão se tornando frios e inexistentes.

Implementamos o louvor. Canto a lapela já não serve. Trazemos instrumentos musicais. Com o tempo os instrumentos simples são trocados por instrumentos mais caros. O ensino musical simples se torna profissional. Conservatórios, títulos, formações são vistos com “bons olhos”. Enquanto a alma pouco se constrange e se derrama aos pés do Altíssimo.

Implementamos o pregar. Pregar o Evangelho de Jesus já se tornou simples. Precisamos conhecer o grego e o hebraico. Conhecer os pensamentos filosóficos e sociais da época. Aplicarmos-nos em hermenêutica e escatologia. Fazemos então faculdades, nos tornamos Mestres e Doutores em áreas específicas. Dedicamos-nos a pregação e oração e deixamos os pobres e as viúvas para os outros cuidarem.


Sim. Servir a Deus é servir ao próximo. Simples e desconcertante assim. E que cada um tenha salmo, louvor, exortação, língua e interpretação. E que tudo seja para a edificação!

Ler a Bíblia é necessário? Sem dúvidas! 
Estudá-la é necessário? Sem dúvidas!

Porém Jesus Cristo nunca se dedicou ao estudo e deixou os pobres e as viúvas a cargos dos outros. Aliás, os pobres e viúvas sempre tiveram a prioridade do Senhor Jesus.

O resto é adição humana. Que a Bíblia diz ser “terrena, animal e diabólica”, por seguirmos nossas convicções e “achismos” e desconsiderarmos o que Cristo nos ordenou a fazer.


6 comentários:

  1. HP,

    Então... Eu aqui lendo este texto e o mais curioso é que eu tinha acabado de ler o comentário do Vítor lá no blog do Ricardo, onde ele também demonstra indignação, perplexidade e tristeza com a exaltação do Elê, ao tripudiar de forma escancarada e repetidamente, em cima de quem ele acha que não usufrui das bênçãos de Deus como a sua perfeita família de comercial de margarina.

    Daí lembrei também que Jesus veio ao mundo para nos revelar os verdadeiros tesouros e acabar com essa cultura judaico/religiosa da época, de que ter coisas materiais, saúde e posição social era ser abençoadinho e queridinho, enquanto ser leproso e pobre era símbolo de rejeição divina.

    Mas pelo que vejo, ainda hoje muitos crentes que ousam falar em Seu Nome, não entenderam a mensagem, o ensino e o mandamento de Jesus, pois seguem essa mesma linha judaica acerca de 'bênçãos divinas'.

    Lembrei também que Jesus não veio pisar na cana quebrada nem apagar o pavio que fumega, mas levantá-lo, reerguê-lo, dar força, dar esperança.

    Pelo que sei, Jesus jamais se alegraria com esse tipo de gente que se diz dirigente, que prega de púlpito usando Seu Nome, e que vem aqui nos blogs zombar de quem ele acha que não tem uma vida feliz. Quando o próprio Jesus veio justamente para estes que estão na sarjeta.

    Eu só sei de uma coisa: quem assim se comporta se denuncia a si mesmo, como sendo alguém que não entendeu absolutamente NADA acerca de Jesus e que vive justamente um anti-evangelho. Vive um anti-evangelho e repassa isso de púlpito. E isso é muito mais do que triste. Isso é muito sério!

    Que Deus tenha misericórdia.


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    1. Perfeito comentário Regina,

      Triste também são aqueles que não se dão ao trabalho de lerem os Evangelhos, conhecerem ao Jesus que servem e se contentam em "serem apresentados à Jesus" por um ministro evangélico, crendo e servindo assim.

      Enfim.. só posso engrossar o coro: que Deus tenha misericórdia..

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  2. Texto excelente !!! Parabéns ao Autor

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    1. Deus te abençoe, querido.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Amém querido . Queria trocar umas ideias contigo pessoalmente . Abraço forte .

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