Neste
final de semana, ao acessar o Facebook, encontrei no mural de um irmão a
afirmação abaixo:
“Posso testemunhar de Cristo
na ilegalidade?
Você perguntou se estar
ilegal em outro país, entendendo que Deus o enviou para residir e dar
testemunho ali, teria algum respaldo da Palavra de Deus. Vou perguntar algo
parecido: Assaltar um banco, entendendo que Deus o mandou assaltar para
contribuir para a obra do evangelho, teria algum respaldo na Palavra de Deus?
Viu o absurdo que é tentar santificar o ilícito e justificar o erro? Quem está
ilegal em outro país pode dizer o que quiser, mas não pode querer se justificar
com tal argumento. Ao dizer "estou ilegal" ele já diz tudo.”
Ele
escreveu este epílogo em relação ao texto que você encontra aqui.
Nunca
escrevi sobre Imigração Ilegal
antes, mesmo vivendo em um país aonde vi de perto esta situação. Acho o assunto
extremamente cheio de nuances, profundo e marcado por muitas tristezas e sonhos
frustrados.
Quem
imigra o faz porque não encontrou condições
favoráveis para continuar vivendo em seu país de origem.
No
novo lugar, geralmente sempre existe preconceito contra estrangeiros e não nativos
do lugar.
Além
disto, se ocorre uma imigração, portanto mudança de país, há também mudança de língua,
cultura, valores, enfim o impacto é enorme.
Na
Bíblia encontramos diversas “Imigrações”, na sua maioria ocasionada por motivos
de Sobrevivência:
- Abraão
saiu da sua parentela em Ur dos Caldeus em busca de uma terra que Deus o havia
prometido. Porém ao chegar em Canaã, precisou imigrar para o Egito.
- Seu
neto Jacó, viveu como peregrino, primeiro na terra de seu tio Labão, depois andante na própria Canaã e por fim teve que ir para o Egito
para fugir da fome que assolava Canaã.
-
Moisés quando fugiu do Egito, viveu como estrangeiro nas terras de Jetro, que
viria a ser seu sogro. E depois como andante pelo deserto por 40 anos.
- Noemi
imigrou para Moabe nos tempos de fome em Israel. Após perder os filhos e o
marido voltou com a nora Rute, que era moabita, para Israel. Rute foi
estrangeira em Israel.
Portanto
os fenômenos imigratórios são normais. Claro
que sempre acompanhado pelo preconceito da sociedade que os recebe.
Na
própria Lei de Moisés, Deus ordenou
cuidado ao estrangeiro na lei do Dízimo e na lei dos Respigos. É clara a
mensagem de Deus para que Israel tratasse de modo humano os Estrangeiros que
ali fossem viver.
Nos
últimos séculos, países inteiros foram formados de imigrantes, como os Estados
Unidos e o Brasil. Outros países foram fornecedores de imigrantes, como os
países do Mediterrâneo e também o Extremo Oriente.
Infelizmente
vemos que a xenofobia tem aumentado. Na Itália há grande sentimento
nacionalista contra os imigrantes africanos que se espremem em barcaças cruzando
o Mediterrâneo para chegar ao sul do país. Mesmo sentimento ocorre com os
Norte-Americanos em relação aos vizinhos latinos na fronteira com o México e também
em várias partes da Europa desenvolvida com pessoas de países pobres, inclusive
com conterrâneos do nosso Brasil.
Já
presenciei até mesmo no Brasil, imigrantes bolivianos serem maltratados por
brasileiros. Hoje ainda li a respeito dos imigrantes vindos do Haiti e o
sofrimento que estão enfrentando no Brasil.
Portanto
o mesmo movimento que caracterizou as andanças de Abraão, Jacó e Noemi,
continua acontecendo hoje em dia. A maioria destes imigrantes continuam se
mudando com a razão da Sobrevivência.
Claro
que há imigrações com caráter de prostituição, tráfico de drogas ou
contrabando, que são crimes, mas estes são exceções diante do maior sentimento
daqueles que imigram: Uma vida mais
justa, que não conseguiram ter em seus países de origem.
Porém
hoje em dia há necessidade de VISTOS para poder legalizar a situação imigratória
daquele que migra.
Conseguir
documentação para regulamentar a situação no novo país nem sempre é simples. As
regras nos países são rígidas e geralmente buscam por mão de obra qualificada e
necessária ao país que acolhe, além de selecionar por idade, tamanho da
família, etc.
Portanto
a grande parte daqueles que imigram atualmente é composta de pessoas que vivem
em caráter ilegal, portanto sem documentos que permitam a estadia no país, mas também querem uma vida mais justa,
daquela que tiveram em seus países de origem.
Roubo não é caminho de Sobrevivência.
Portanto NÃO ACEITO comparação entre viver de maneira
irregular (sem visto) com crimes como roubo a banco.
No
tempo que moro aqui, já presenciei imigrantes ilegais íntegros, sinceros,
trabalhadores, pagadores de taxas ao governo, que deram verdadeiro testemunho cristão
entre nós. O que os desabonava era a situação imigratória apenas.
Como
também presenciei imigrantes legalizados e nacionais que eram verdadeiros
pilantras e ainda assim se intitulavam “cristãos”. Compravam e não pagavam,
prometiam e não cumpriam, deviam para várias pessoas, enganavam, roubavam.
Porém a situação imigratória estava legal.
Alguém
pode pensar que por este texto eu estou defendendo a imigração ilegal. Eu
respondo que DE MANEIRA ALGUMA, mas não
preciso de versos bíblicos para aconselhar alguém que não imigre de forma ilegal.
Vi com meus olhos a humilhação que muitos ilegais passaram aqui.
Muitos
foram roubados, humilhados nos trabalhos, maltratados, ignorados, xingados e
suportaram tudo porque precisavam ganhar algo para sobreviver. Muitos tinham filhos pequenos no Brasil e dívidas para
saldar.
Uma
coisa é praticarmos um crime aonde fraudamos outra pessoa. Outra coisa é
sobrevivermos em um lugar, trabalhando de maneira justa, porém não termos
documentos para vivermos no país.
Aliás,
houve casos de países como Portugal e Inglaterra que anistiaram os imigrantes
ilegais, dando a eles direito de se regulamentarem. Nunca vi países
democráticos concederem anistia para crimes para roubos de banco...
Uma pessoa que sempre teve a sorte de conseguir tudo o
que precisou na terra aonde nasceu e nunca passou necessidades, dificilmente
entenderá o que faz uma pessoa imigrar de forma ilegal para sobreviver.
Porém
acredito que não devemos julgar quem imigra, pois o Senhor Jesus mesmo tratou
com dignidade os estrangeiros, como os samaritanos, romanos e aquela mulher
siro-fenícia.
Achar
que um imigrante ilegal não pode dar testemunho de Cristo porque vive de
maneira imigratória irregular é ser hipócrita.
Podemos
dar testemunho de Cristo com nossos inúmeros pecados, que carregamos
publicamente ou no oculto dos nossos corações?
Olhemos
cada um para nossos pecados e se pudermos ajudar nossos irmãos a se livrarem
dos pecados que lhes atormentam, façamos.
Eu
digo de coração, que viver ilegal, por motivo de sobrevivência (o que é a
maioria que conheço) não consigo nem mesmo compreender isto como “pecado”, pois vejo a lei humana (imigração) acima da
Lei de Deus que nos manda repartir o pão com o pobre, com a viúva e com o
Estrangeiro.
Teu texto está irretocável pois tanto esclarece quanto à condição do cidadão como à existência deste cidadão de forma ampla e abrangente, tendo Jesus como centro, não fugindo, entretanto, a alguns percalços na vida.
ResponderExcluirPois é... E mesmo que se tenha ido na ilegalidade, e daí? Cada um que cuide da própria consciência e dos próprios atos, esteja em que parte do planeta for. Quem se sujeita a sair de casa, ainda que aventurando-se, ou fugindo de algo que o aprisione, ou sabe-se lá a causa, não está inocente, sabendo perfeitamente do preço, por mais mal informado que seja, sabendo das regras do país em questão e do seu cumprimento.
Sei de situações de estudantes, por exemplo, que chegaram aos Estados Unidos e tiveram que enfrentar vários imprevistos, mesmo tendo se preparado durante algum tempo, com planejamento, planos, documentação e agendamento, tudo certinho, e lá chegando ainda tiveram que enfrentar alguns ajustes. Ou seja, não foram mal intencionados, mas com tudo conforme 'a lei'. Não tendo, portanto, nada a ver com cinismo ou desvio de caráter. Gente, inclusive, que me impressionou com a fé e a persistência, sempre dizendo: 'vai ser como Deus quiser'. Se não der certo, a gente volta. Mas vamos esperar o tempo que for necessário. Inclusive, me constrange a maturidade espiritual de pessoas assim, determinadas, confiantes em seus projetos, muitas vezes ousados em lugares distantes, totalmente estranhos, mas que buscam a perspectiva de Deus.
Aí vem um Persona da vida (com todo respeito pela pessoa dele) todo cheio de regrinhas religiosas, como se não soubesse o significado da palavra 'imprevisto'. E ele se diz um 'convertido'. Confesso que não consigo entender essa conversão. E é um homem, vivido, viajado, estudado, experiente. Fico a imaginar o discurso dos ‘incautos’ com essa mesma linha de pensamento.
É impressionante o rigor desse povo que se acha certinho. Precisamos estar muito atentos para não cairmos no discurso recheado de demagogia e hipocrisia da velha tendência religiosa que induz a ser muito corretinho. Lembro o autor do Eclesiastes dizendo 'não sejas demasiadamente justo'. Aliás, fico sempre abismada como as pessoas não conseguem enxergar os atos de Jesus diante de inúmeros casos isolados. Quantas vezes ele passou por cima de leis e regrinhas para resolver bronca imediata?!
Mas as pessoas pensam de modo simplista: 'mas ele é Deus, ele pode'. E não são poucos que raciocinam assim. Como se Ele fosse um caprichozinho cheio de vontades e fizesse aquilo tudo porque é todo- poderoso. Esquecem que Jesus nos manda seguir o seu modelo. E aí? Entristece-me cada vez mais constatar o quanto para muitos é mais fácil e cômodo seguir regras denominacionais voltadas para coisas que se veem, do que para as coisas ligadas ao coração, tais como a flexibilidade, a misericórdia, a compaixão...
Mas sabe, eu ainda acho que todo esse discurso insistente, toda essa retórica dele (e de outros, como aquele do grupo, por exemplo), é porque o orgulho e a vaidade estão muito enraizados, se acham irretocáveis por serem mais velhos, entende? Não têm humildade pra voltar atrás, repensar, refletir melhor. Já vêm com a receitinha pronta e ninguém mexe nela. E ainda têm 'respaldo bíblico' aí pronto, ficam na cegueira teimosa e persistente.
Depois, quando CF diz que 'Jesus é a chave hermenêutica' eles ficam pê da vida, porque isso põe abaixo todo o discurso legalista, preconceituoso e cruel deles.
Mas que bom que você falou e disse tudo, exatamente o que tem que falar. Se alguém não entendeu, paciência. Nem adianta desenhar. Acima você já disse tudo e mais alguma coisa. Agora é com cada um.
Valeu pela riqueza de informações em todos os aspectos.
RF.
Este comentário foi removido pelo autor.
ExcluirRemovi o comentário porque só depois vi que fui fazer uma correção do que já estava corrigido he he he :P
ResponderExcluirRegina Farias, você é membro da CCB?
ResponderExcluirRegina Farias, você é membro da CCB?
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