Estou ciente de todos os riscos de
se viver a graça até às últimas consequências. Não encontro melhor analogia
disso do que andar na corda bamba. Não se pode fazer estripulias ali. Há que se
tomar os devidos cuidados, vigiando cada passo, sem olhar nem para a direita,
nem para esquerda, muito menos para trás ou para baixo. Nossos olhos devem ser
mantidos na direção do alvo que se deseja alcançar. Olhar para qualquer outra
direção poderá provocar vertigem e, eventualmente, nossa queda.
Se pendermos para a esquerda,
cairemos no fosso do legalismo, onde nossa liberdade é restringida por regras e
tradições humanas. Se pendermos para a direita, cairemos no abismo do pecado,
onde a liberdade é confundida com licenciosidade e libertinagem.
Geralmente, o equilibrista recorre
ao uso de um bastão que o acompanha em sua caminhada sobre a corda bamba. Se
quisermos alcançar o equilíbrio em nossa caminhada sob a graça, teremos que
recorrer constantemente à cruz. Não é à toa que a cruz tem duas hastes, uma
vertical e outra horizontal. Repare que a horizontal, sobre a qual os braços de
Jesus foram estendidos, aparece numa posição reta, sem pender para nenhum dos
lados. Uma graça sem cruz não passa de desgraça em potencial.
A corda da graça é suspensa sobre o
abismo. Qualquer desequilíbrio pode ser fatal e provocar uma queda livre. Dura
coisa é cair da graça! Mas isso só ocorre quando nos separamos de Cristo,
apelando à nossa justiça própria. Todos os que recorrem à prática da Lei para
serem justificados por Deus acabam separando-se de Cristo e caindo da graça.
Veja o que Paulo diz sobre este terrível risco:
“Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais
pela lei; da graça tendes caído.”
Gálatas 5:4
Não é possível caminhar por esta
corda bamba sem depender inteiramente de Cristo. Para tal, nosso ‘eu’ tem que
estar crucificado. Em outras palavras, nosso ‘eu’ é alguém com quem não podemos
mais contar, pois está definitivamente morto. Paulo percebeu isso e, por isso,
já não se atrevia a depender de si mesmo. Ele sabia que se retornasse às obras
da Lei, Cristo de nada o aproveitaria (Gl.5:2). Estar firme na liberdade
conferida pela graça não é algo facultativo (Gl.5:1). Negligenciar isso é o
mesmo que separar-se de Cristo e de Sua cruz, caminhando sobre a corda bamba
sem um bastão para dar equilíbrio.
Lembre-se de que não há rede
protetora lá embaixo. A queda é livre! Por isso, resta-nos fazer coro com o
apóstolo:
“Já estou crucificado
com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora
vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a
si mesmo por mim. Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da
lei, segue-se que Cristo morreu em vão” (Gl. 2:20-21).
Alguém se atreve a dizer que Cristo
morreu em vão? Mas é justamente isso que
dizemos quando teimamos em depender de nossos próprios esforços para nos manter
de pé.
Graça sem cruz é corda bamba sem
bastão para equilibrar-se.
Não arrisque! Fie-se na obra
consumada na cruz e não em sua performance religiosa. Não vá meter-se a fazer
malabarismo, misturando lei e graça num mesmo combo. Ou vivemos toda a
liberdade que a graça dá ou voltamos para debaixo do jugo da Lei e para a
morte!
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