Texto base:
“Ora,
todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa;
E,
tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.
E,
regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e
não o soube José, nem sua mãe.
Pensando,
porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e
procuravam-no entre os parentes e conhecidos;
E, como
o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.
E
aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos
doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.
E todos
os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
E
quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste
assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.
E ele
lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos
negócios de meu Pai?
E eles
não compreenderam as palavras que lhes dizia.
E
desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no
seu coração todas estas coisas.
E
crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os
homens.”
Por nossa herança protestante, muitas vezes pouco valor damos aos
exemplos de Maria e José. Como o catolicismo erroneamente os “endeusam”, nós
protestantes também erramos ao procurarmos ignorarmos os exemplos de Maria e José.
Maria era jovem, virgem, e estava desposada de José.
“Desposar” é algo que atualmente não existe na nossa sociedade. Ela era
prometida como esposa a José, num acordo feito pelos pais de ambos.
Antes de concluirem o matrimônio, Maria recebeu a visita do anjo
Gabriel, que a saudou como “Bem aventurada” e expôs à ela o plano do Espírito
Santo: Ela conceberia o Filho de Deus.
Maria indagou: “Como? Eu sou virgem!”. O anjo disse que o Espírito Santo
a cobriria e ela conceberia. Maria então diz: “Eis aqui a Tua serva. Faça em
mim a Tua vontade”.
Essa resposta de Maria era uma resposta de fé. Ela não era desposada,
portanto o simples ato de ficar gestante poderia ter implicações enormes. Entre
os fariseus havia uma linhagem que apedrejaria a mulher gestante tão logo fosse
comprovado que o que ela gerava era fruto de uma relação adulterina. Outra
linhagem aguardaria a criança nascer e tão logo isso acontecesse, a mãe seria
apedrejada.
Em ambas situações, Maria ao dizer: “Faça em mim a Tua vontade”,
correria risco de morte.
Logo que Maria concebe, Mateus não nos conta como que José fica sabendo
que a mulher da qual estava prometida estava grávida. Se nas pequenas cidades
do interior ainda nos dias atuais, uma mulher solteira grávida é motivo de
algum escândalo familiar, quanto mais nos tempos de Maria e José.
Porém José é bondoso. Ele teria o direito de acusá-la levando à um
conselho de anciãos. Porém, ele prefere ocultamente a deixar, saindo do
vilarejo, como se ele a tivesse engravidado e agora a deixado. José prefere
levar a culpa de algo que não tem culpa à matá-la apedrejada.
Mas neste plano, o mesmo anjo Gabriel lhe aparece e diz que o que Maria
está gerando “é
do Espírito Santo, (…)e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu
povo dos seus pecados.”
José a recebe como mulher, porém não tem relações com ela até que a
criança nasce.
Então vemos vários sinais durante a gestação de Maria. Há ainda a visita
que Maria faz à sua prima Isabel, e a virtude que João Batista sente ainda no
ventre pela saudação.
No nascimento de Cristo, os sinais continuam. José vai com Maria para
Belém para o alistamento, e lá a criança nasce. De repente recebem a visita dos
Magos do Oriente, trazendo presentes, como também os pastores no campo veem um
coral de anjos louvando a Deus, dizendo “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade
para com os homens.”
Logo depois os sinais continuam acompanhando, com a passagem linda de
Simeão e Ana, aonde Simeão louva a Deus por ter seus “olhos virem a tua salvação”
e Ana dava graças a Deus e falava da redenção que haveria de vir.
Os sinais continuaram, com o anjo aparecendo a José e o dizendo para
fugir ao Egito, pois Herodes queria matar o menino.
Porém, na volta para Nazaré, os sinais pararam. Tudo ficou normal. O
pequeno Jesus crescia como uma criança normal. Tinha fome e era alimentado,
tinha sede e lhe era dado de beber. Precisava do carinho da mãe para o limpar,
alimentar, cuidar.
Sendo Deus encarnado, Jesus era uma criança frágil nos braços de uma
mulher.
Logo ele aprendeu o ofício do “pai” carpinteiro. E a vida seguia.
Porém aos 12 anos, houve um grande sinal. Conforme faziam todos os anos,
Jesus vai para Jerusalém com os pais na festa da Páscoa. Poderia neste momento
Maria já ter outros filhos, pois entende-se que os irmãos de Jesus, entre eles
Tiago e Judas que escreveram as cartas, não tinham grande diferença de idade.
E na volta de Jerusalém, já após um dia de caminho, quando os pais se
encontram, veem que Jesus não estava com eles.
Procuram entre os parentes e amigos e decidem então voltar para
Jerusalém. Mais um dia de caminhada e lá chegam.
Jerusalém era uma cidade grande, muitas pessoas haviam passado lá na
festa de páscoa. Maria e José procuram o menino por três dias até que o
encontram no templo.
Já fazia 5 dias que Jesus estava lá. Falando, inquirindo e respondendo
os doutores da Lei.
E aí há um grande sinal. Ele
tinha 12 anos.
Na tradição judaica, os meninos só tem o primeiro acesso as Escrituras
(Torá) aos 13 anos, na festa do Bar
Mitzvah.
Era um assombro um menino de 12 anos ter tanto conhecimento das
Escrituras, sem nunca a ter lido!
Tanto conhecimento que inquiria e respondia as perguntas aos próprios
Doutores da Lei, no maior centro religioso de Israel: O Templo em Jerusalém!
Depois de 12 anos, um sinal da Promessa que Deus havia feito a Maria.
Em 12 anos, a promessa era distante. Maria tinha até esquecido, pois
fala com Jesus dizendo: "Filho, eu e teu pai te procurávamos.."
Ela tinha esquecido que Jesus era Filho de Deus!
Mas depois de 12 anos, veio um sinal: A promessa estava de pé. Aquele
menino era o Salvador do Mundo!
Hoje a promessa está de pé em nossas vidas.
Qual promessa?
Duas que o Senhor nos fez:
1- Nada nos separa do amor Dele. Somos Filhos de Deus por Jesus Cristo!
2- Temos cada um, uma cruz para carregarmos. Mas como Ele venceu o
mundo, nós venceremos também!
Hoje é dia de relembrarmos da promessa, tal como Maria foi relembrada
naquele dia.
Cristo está conosco, mesmo que não percebamos. Ele está conosco quando
nos reunimos entre dois ou três no nome Dele. Ele estará presente ali!
Mas o tempo se passou. José logo possivelmente falece, pois as Escrituras não fazem mais referência a José. Cerca de 30 anos depois da promessa, Jesus
começa seu ministério. Um dia “Sua mãe e seus irmãos o mandam chamar”.
“Meus irmãos e minha mãe são aqueles que fazem a vontade de meu Pai que
está nos céus”.
Na crucificação Maria se encontra ao pé da cruz, abraçada por João,
discípulo do Senhor. Jesus olha à ela e diz: “Mulher, eis aí teu filho” e a
João: “Eis aí tua mãe”.
Cristo nasceu de Maria, mas não era mais seu filho. Cristo era Senhor e
Salvador de Maria!
Lembremos hoje da promessa que Cristo nos fez. E mesmo que hoje esteja
tudo quieto, talvez como com Maria naqueles 12 anos, ainda assim Cristo está
conosco. Ele é nosso Salvador!
Foram 12 anos de uma vida normal, de felicidades mas de tristezas, de
alegrias e de dores, de conquistas e perdas. Mas lá estava Cristo, a promessa
de Deus junto deles.
“Ali
estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Estava
no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio
para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a
todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos
que crêem no seu nome;
Os
quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem,
mas de Deus.
E o
Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do
unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”
João 1:9-14
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