25/06/2015

12 anos se passaram...

Texto base:

“Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa;
E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.
E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe.
Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos;
E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.
E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.
E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.
E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?
E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.
E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas.
E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.”


Por nossa herança protestante, muitas vezes pouco valor damos aos exemplos de Maria e José. Como o catolicismo erroneamente os “endeusam”, nós protestantes também erramos ao procurarmos ignorarmos os exemplos de Maria e José.



Maria era jovem, virgem, e estava desposada de José.
“Desposar” é algo que atualmente não existe na nossa sociedade. Ela era prometida como esposa a José, num acordo feito pelos pais de ambos.

Antes de concluirem o matrimônio, Maria recebeu a visita do anjo Gabriel, que a saudou como “Bem aventurada” e expôs à ela o plano do Espírito Santo: Ela conceberia o Filho de Deus.

Maria indagou: “Como? Eu sou virgem!”. O anjo disse que o Espírito Santo a cobriria e ela conceberia. Maria então diz: “Eis aqui a Tua serva. Faça em mim a Tua vontade”.

Essa resposta de Maria era uma resposta de fé. Ela não era desposada, portanto o simples ato de ficar gestante poderia ter implicações enormes. Entre os fariseus havia uma linhagem que apedrejaria a mulher gestante tão logo fosse comprovado que o que ela gerava era fruto de uma relação adulterina. Outra linhagem aguardaria a criança nascer e tão logo isso acontecesse, a mãe seria apedrejada.

Em ambas situações, Maria ao dizer: “Faça em mim a Tua vontade”, correria risco de morte.



Logo que Maria concebe, Mateus não nos conta como que José fica sabendo que a mulher da qual estava prometida estava grávida. Se nas pequenas cidades do interior ainda nos dias atuais, uma mulher solteira grávida é motivo de algum escândalo familiar, quanto mais nos tempos de Maria e José.

Porém José é bondoso. Ele teria o direito de acusá-la levando à um conselho de anciãos. Porém, ele prefere ocultamente a deixar, saindo do vilarejo, como se ele a tivesse engravidado e agora a deixado. José prefere levar a culpa de algo que não tem culpa à matá-la apedrejada.

Mas neste plano, o mesmo anjo Gabriel lhe aparece e diz que o que Maria está gerando “é do Espírito Santo, (…)e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.”

José a recebe como mulher, porém não tem relações com ela até que a criança nasce.



Então vemos vários sinais durante a gestação de Maria. Há ainda a visita que Maria faz à sua prima Isabel, e a virtude que João Batista sente ainda no ventre pela saudação.

No nascimento de Cristo, os sinais continuam. José vai com Maria para Belém para o alistamento, e lá a criança nasce. De repente recebem a visita dos Magos do Oriente, trazendo presentes, como também os pastores no campo veem um coral de anjos louvando a Deus, dizendo “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.”

Logo depois os sinais continuam acompanhando, com a passagem linda de Simeão e Ana, aonde Simeão louva a Deus por ter seus “olhos virem a tua salvação” e Ana dava graças a Deus e falava da redenção que haveria de vir.
Os sinais continuaram, com o anjo aparecendo a José e o dizendo para fugir ao Egito, pois Herodes queria matar o menino.


Porém, na volta para Nazaré, os sinais pararam. Tudo ficou normal. O pequeno Jesus crescia como uma criança normal. Tinha fome e era alimentado, tinha sede e lhe era dado de beber. Precisava do carinho da mãe para o limpar, alimentar, cuidar.

Sendo Deus encarnado, Jesus era uma criança frágil nos braços de uma mulher.

Logo ele aprendeu o ofício do “pai” carpinteiro. E a vida seguia.



Porém aos 12 anos, houve um grande sinal. Conforme faziam todos os anos, Jesus vai para Jerusalém com os pais na festa da Páscoa. Poderia neste momento Maria já ter outros filhos, pois entende-se que os irmãos de Jesus, entre eles Tiago e Judas que escreveram as cartas, não tinham grande diferença de idade.

E na volta de Jerusalém, já após um dia de caminho, quando os pais se encontram, veem que Jesus não estava com eles.
Procuram entre os parentes e amigos e decidem então voltar para Jerusalém. Mais um dia de caminhada e lá chegam.

Jerusalém era uma cidade grande, muitas pessoas haviam passado lá na festa de páscoa. Maria e José procuram o menino por três dias até que o encontram no templo.

Já fazia 5 dias que Jesus estava lá. Falando, inquirindo e respondendo os doutores da Lei.

E aí há um grande sinal. Ele tinha 12 anos.
Na tradição judaica, os meninos só tem o primeiro acesso as Escrituras (Torá) aos 13 anos, na festa do Bar Mitzvah.

Era um assombro um menino de 12 anos ter tanto conhecimento das Escrituras, sem nunca a ter lido!
Tanto conhecimento que inquiria e respondia as perguntas aos próprios Doutores da Lei, no maior centro religioso de Israel: O Templo em Jerusalém!



Depois de 12 anos, um sinal da Promessa que Deus havia feito a Maria.

Em 12 anos, a promessa era distante. Maria tinha até esquecido, pois fala com Jesus dizendo: "Filho, eu e teu pai te procurávamos.."

Ela tinha esquecido que Jesus era Filho de Deus!

Mas depois de 12 anos, veio um sinal: A promessa estava de pé. Aquele menino era o Salvador do Mundo!



Hoje a promessa está de pé em nossas vidas.
Qual promessa?
Duas que o Senhor nos fez:

1- Nada nos separa do amor Dele. Somos Filhos de Deus por Jesus Cristo!
2- Temos cada um, uma cruz para carregarmos. Mas como Ele venceu o mundo, nós venceremos também!

Hoje é dia de relembrarmos da promessa, tal como Maria foi relembrada naquele dia.

Cristo está conosco, mesmo que não percebamos. Ele está conosco quando nos reunimos entre dois ou três no nome Dele. Ele estará presente ali!



Mas o tempo se passou. José logo possivelmente falece, pois as Escrituras não fazem mais referência a José. Cerca de 30 anos depois da promessa, Jesus começa seu ministério. Um dia “Sua mãe e seus irmãos o mandam chamar”.

“Meus irmãos e minha mãe são aqueles que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus”.

Na crucificação Maria se encontra ao pé da cruz, abraçada por João, discípulo do Senhor. Jesus olha à ela e diz: “Mulher, eis aí teu filho” e a João: “Eis aí tua mãe”.

Cristo nasceu de Maria, mas não era mais seu filho. Cristo era Senhor e Salvador de Maria!



Lembremos hoje da promessa que Cristo nos fez. E mesmo que hoje esteja tudo quieto, talvez como com Maria naqueles 12 anos, ainda assim Cristo está conosco. Ele é nosso Salvador!

Foram 12 anos de uma vida normal, de felicidades mas de tristezas, de alegrias e de dores, de conquistas e perdas. Mas lá estava Cristo, a promessa de Deus junto deles.


“Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”
João 1:9-14





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