05/06/2015

Cântico de Vitória: Somos Miseráveis!

Texto base: Romanos 8:31-39

“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito:Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia;Somos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.”

A carta aos Romanos foi escrita pelo apóstolo Paulo à Igreja que estava em Roma, capital do Império Romano.
Essa Igreja era composta na sua maioria de judeus convertidos a Cristo. Eles moravam na capital do Império.

Roma, como qualquer metrópole é centro de convergência de pessoas. É dela que saem as inovações e tendências que serão logo implementadas em cidades menores, influenciadas por ela.



Roma era a capital de um império guerreiro. Os ideais de guerra, o espírito belicoso e imperialista possuia os romanos. Havia a escravidão e toda a crueldade era tratada como “normal”.
Em Roma havia uma idolatria pujante. Eram templos dedicados a todos os tipos de deuses. Haviam todos os tipos de sacerdotes e rituais religiosos.
Na mesma Roma havia uma crescente atenção a filosofia e estilo de vida. Era comum entre os romanos as relações homossexuais, pois para os romanos o sexo entre homem e mulher era apenas para reprodução, porém o sexo entre um homem e outro homem era o “ápice do amor”.

Se tem gente que acha que "estamos vivendo o final dos tempos” agora, porque associa a promiscuidade e a depravação atual a “Fim dos tempos”, saiba isso já era comum há 2 mil anos atrás em Roma…

E é tendência do ser humano se separar dos que são “diferentes”. É tendência humana se isolar em situações que pensamentos/comportamentos diferentes são seguidos pela maioria.
E a Igreja de Roma estava fazendo isso.


Nós não podemos ler esse texto em separado da carta total. Quando Paulo escreveu a carta ele não a dividiu por capítulos. Ler esse capítulo e não encaixá-lo no contexto da carta completa nos leva a erros enormes.

É fácil vermos pregadores que quando leem esta passagem, a usa para profetizar vitória para a Igreja. “Se hoje você veio aqui com problemas, é ‘Cântico de Vitória’ na tua vida.” ou “Se Deus é por ti, quem será contra ti?”.
É fácil este capítulo virar uma pregação triunfalista em qualquer problema da vida e fazer a Igreja sair estupefata com promessas e mais promessas.


Porém o que Paulo diz na carta é totalmente diferente.

A pregação de Paulo nesta carta vai de encontro com os ensinamentos de Jesus Cristo a sermos “Sal da Terra e Luz do Mundo”. Cristo não nos ensinou a sermos “Sal de Saleiro” ou “Luz no Candeeiro”. Ele nos ensinou a neste mundo mostrarmos a Luz de Cristo e o Sabor do Evangelho.

Porém diante da promiscuidade, idolatria, beliscismo dos Romanos, a Igreja se isolava. Se achava superior aos pecados dos Romanos.

Paulo prega com veemencia:

“Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só.”
Rm 3:10-12

Judeus e Romanos estão na mesma combuca. São TODOS pecadores. Todos necessitam de Cristo!

Mas é fácil não aceitarmos isso.

“Como? Eu não tenho relações homossexuais!” Sim, mas você cobiça. No teu coração você inveja. Todos nós temos cobiças.

Um cobiça o carro que outro tem. A casa que o outro tem. A família estruturada que o outro tem. O bom emprego; o esposo dedicado da outra; a esposa bem conservada do outro; os filhos bem educados do outro; os pais amorosos, as viagens, o conhecimento, as facilidades, etc.

Cobiça essa que nos faz sermos ingratos diante de Deus com o que temos.

Cobiça essa que faz Paulo confessar nesta mesma carta: “eu sou carnal, vendido sob o pecado”.

Cobiça essa que faz Paulo dizer“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” (Rm 7:19)

Pecado este que faz Paulo confessar: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” Rm 7:24


“Miserável homem que eu sou!”

“Miserável homem que eu sou!”

“Miserável homem que eu sou!”


Enquanto não compreendermos que somos miseráveis não conseguiremos nunca compreender o que é “Cântico de Vitória”.

Enquanto não chegarmos lá embaixo e nos vermos miseráveis sem condições de nada, não sendo melhor do que ninguém, não entenderemos o que é este “Cântico de Vitória”.

Somente quem compreende que estamos juntos, na mesma vala de miséria com prostitutas, homossexuais, travestis, assassinos, etc. compreenderá o que é “Cântico de Vitória”.

“Não há um justo, nem um sequer!”
“Não há quem faça o bem, não há nem um só.”
“Miserável homem que sou!”

Eu sou MISERÁVEL!

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
(…)
Ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.
Isaías 53:5,6 – 12


Glórias a Deus!
Houve Um que nos tirou da miséria!
Houve Um que nos arrancou do fundo do poço!

Glórias a Deus que nos colocou na boca um Cântico de Vitória!

Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Ele nos dará com Ele todas as coisas!

Ninguém poderá nos acusar. Ninguém! Nem mesmo o diabo! Pois é Deus quem nos justifica!

Ninguém nos condenará! Pois Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos, estando à direita de Deus intercedendo por nós!

Nada nos separará do amor de Cristo. Nem mesmo a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, ou a nem mesmo a morte!

Sim. A Morte não tem poder contra nós. Já sabemos que venceremos a morte pois Cristo nos amou!

De uma vez por todas, tenhamos a certeza que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o futuro, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!


Vamos pregar o Evangelho aos “da vala da miséria”! Contemos à eles que Cristo os ama!
Sejamos Sal na Terra e Luz no Mundo. Brilhamos hoje a Luz de Cristo!

Vá ao meio dos belicosos. Vá ao meio dos promíscuos. Vá ao meio dos idólatras e mostremos que "em Cristo, Deus estava reconciliando consigo o mundo!" (2 Co 5:19)


Mas só saberá que Cântico é esse quem tiver consciência que é miserável.
Que Deus nos dê esta bendita consciência.



Estava viajando com minha esposa, filha e meus pais. Fomos visitar a Universidade da cidade. Lá havia um prédio lindo, e em cima dele a bandeira da causa gay tremulando, sim aquela do arco íris.

Ninguém percebeu, somente eu. Meu pai quis ir lá ver por dentro o prédio.

Ao entrar, uma moça sorriu para nós. Lésbica, estava representando o projeto GBLT.

Eu, tal como um cristão judeu romano, fingi que não a vi. Ignorei o sorriso dela e quis sair rápido lá de dentro.

Imediatamente ao sair de lá, empurrando o carrinho da minha filha, senti uma voz dentro do meu coração me dizendo: “Porque você não retribuiu o sorriso dela dizendo que há um Deus que a ama?”

Caminhando pelos jardins, minha esposa e meus pais tirando fotos, minha filha brincando, minha alma chorava por dentro. “Miserável homem que sou!”

Eu poderia ter dado aquela mocinha o melhor presente que ela poderia receber na vida.
Ela me deu um sorriso. Eu retribuí a ela a minha ignorância.

“Miserável homem que sou!”




Não percamos a oportunidade de sermos Luz e Sal na terra e no mundo.

Não percamos a oportunidade de Brilharmos a Luz de Cristo que se sentava a mesa com publicanos e prostitutas. 

Sentemos com Romanos, Judeus, Gays, Travestis, idólatras, belicosos, imorais à mesa. Todos somos Miseráveis. Todos precisamos de Cristo. 

“O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.”
João 6:37


Anunciemos Cristo a todos! 
Amém. 





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