18/05/2013

Sobre a resolução do CNJ obrigando os cartórios a celebrarem casamento entre pessoas do mesmo sexo.


Por HP.

Vi alguns debates na internet sobre a resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre a obrigação dos cartórios em celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entre os cristãos há o medo da perseguição que a Igreja pode vir a sofrer por pregar contra o pecado da relação homossexual. Os cristãos contrários ao relacionamento homossexual e o casamento de pessoas do mesmo sexo já sofrem alguma perseguição por parte da mídia e de setores na sociedade, que aceitam e defendem essas ideias.


Sobre uma eventual perseguição, afirmo sem medo que dos cristãos que andaram neste mundo, a geração passada e atual (de 1940 até hoje) foi as de longe que mais “sossego” tiveram para servir a Deus. O ato de louvar a Deus, expressar as opiniões religiosas, etc. são protegidos pela constituição, e até na Carta dos direitos humanos da ONU há menção sobre a liberdade religiosa.

É claro que não é assim em todos os países, mas naqueles ditos “democráticos”, somos os cristãos mais “em paz” e protegidos que já passaram por essa terra.

Mesmo assim sabemos que muitos criaram terrores, embutindo na cabeça de alguns que há uma guerra entre Deus e o diabo, como se os dois fossem titãs, que duelam com forças parecidas, e o homem fica no meio da briga entre os dois… daí dá-lhe “revelamentos”, exorcismos, rituais, ratatás de um lado e do outro…

Mas é sentido que esta liberdade e proteção religiosa parece estar perdendo forças, e que em breve as coisas podem mudar. Ser “cristão” em alguns países democráticos (como aqui na Europa principalmente) é visto como ser “atrasado, alienado, burro, ignorante, retrógrado, quadrado, moralista” por muitos. A maioria das populações nos países europeus vivem um processo de “pós-cristianismo”, simplesmente rejeitando qualquer manifestação religiosa, caminhando para o ateísmo.

Ao mesmo tempo que as questões e valores religiosos são esquecidas e relevados em vários países democráticos, a questão do casamento gay tem ganhado força e é o assunto que de longe mais bate de frente com os ensinamentos cristãos. Como boa parte da mídia tem aceitado o casamento gay como saudável e normal, a maioria da população tem aceitado os valores propagados pela mídia e taxado os que se colocam contra com os adjetivos já descritos acima.

O problema não para só nisso. Se a massa cristã fosse unida, ainda daria para segurar algo, mas como os “cristãos” são um retalho de pensamentos, interpretações e opiniões, que não entram em comum acordo nem em questões básicas de fé (como a respeito de salvação, por exemplo), é fácil encontrar cristãos que começarão a aceitar o casamento gay como normal e saudável, levantando as bandeiras angariadas pela sociedade secular, ao invés de rechaçar o pecado e abraçar o pecador arrependido.

Para quem já aceitou rosa ungida, salvação por obras (anulando o sacrifício de Cristo), copo de água em cima da TV, adultério como pecado de morte, Bíblia como contendo a Palavra de Deus, dom de línguas acima de todos os outros dons, etc. não me surpreenderá se um dia aceitar também casamento gay. Afinal o que mais se vê são pecados de todos os tipos sendo aceitos e muitas vezes exaltados dentro da igreja, enquanto os pecadores arrependidos sendo jogados para fora…

Ou somos de Cristo, ou não somos de Cristo.

Ou um “cristão” aceitar salvação por obras é menos cruel do que aceitar um casamento gay?

Se for para haver perseguições por causa de se pregar contra o pecado, teremos que sofrer perseguições e aflições. Mas que não seja apenas por pregar contra o casamento gay, mas contra todo o pecado que aflige o homem, mostrando quão necessitados todos somos de Cristo.

Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. 
2 Timóteo 2:3

9 comentários:

  1. HP

    Sinceramente, eu não me assusto nem vejo certas alterações legais acontecendo como ameaça ao curso natural das coisas. Começando que a homoafetividade é tão antiga quanto o homem e que, por mais legalizada que seja, por mais que a mídia influencie as mentes, ela jamais irá se equiparar ao casamento entre o homem e a mulher na sua plenitude de significações, não tendo como substituir a importância do homem e da mulher diante de seu papel e sua importância como família.

    Vejo essa união legalizada apenas como um direito de cidadãos que resolvem compartilhar suas vidas conforme suas escolhas e considerando que união civil é um contrato que deve ser respaldado pela lei.

    Não pretendo fazer nenhum juízo, primeiro porque não me cabe nem tenho essa pretensão. Conheço gays assumidos que são pessoas éticas e respeitadas e cada um é que sabe de seus anseios, suas aflições, seus conflitos e suas escolhas. Jamais me afastarei deles. E até me afastaria, mas dependendo unicamente do caráter. Sim, porque ser gay não significa ser, necessariamente, um pervertido. Da mesma forma que há milhares de heteros pervertidos até mesmo dentro das próprias igrejas, em cima de seus púlpitos; pessoas que se consideram 'normais', saudáveis e certinhas só porque usam seu côncavo e seu convexo no encaixe perfeito.

    Não estou relativizando, só entendo que certos questionamentos ( e aqui eu me refiro justamente aos comentários que lemos por aí...) podem chegar a um nível de demagogia e intolerância que exalta conceitos limitados do que seja 'o bem' permeado das vaidades pessoais e do velado preconceito com o velho uso dos dois pesos e duas medidas.

    Ou seja: enquanto passamos um verniz na 'tolerância' com os gays porque a religião diz pra 'amar e respeitar', seguimos com o nosso abominável sentimento faccioso batendo no peito inchado de soberba espiritual dizendo que ‘pelo menos não somos como aqueles que praticam atos sexuais considerados ilícitos’.

    Como você diz... O cara se considera muito justo porque não aceita a união gay, se achando o irrepreensível. Por uma casualidade que pertence a Deus, postei hoje um texto no meu blog justamente sobre essa pretensão de se achar muito justo, muito certinho, e por isso, se achar no direito de sair condenando. Quando o pregador de Eclesiastes dá toques acerca de moderação no capítulo 7, diz para não sermos demasiadamente justos pois 'não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque'.

    Acho que precisamos refletir sobre nossas 'convicções' olhando para nossos próprios rigores que espalham uma fingida 'compaixão' religiosa. Até porque o Espírito do Evangelho da Graça não se submete ao cumprimento de uma agenda eclesiástica de cura. E, simplesmente, por ser soberano e multiforme não estando confinado entre quatro paredes de uma religião. Para mim, o grande equívoco dos 'cristãos' já começa por aí...

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    1. Re,

      Sabemos que a única relacao sexual aceita por Deus é aquela dentro de um casamento entre um homem com uma mulher. Toda outra relacao sexual fora desta é vista como pecado aos olhos de Deus.

      Portanto "ser" homossexual nao é pecado, mas ter relacoes homossexuais sim. Como também é pecado virarmos as costas para uma pessoa (ou irmao em Cristo) apenas pela orientacao sexual que ele(a) possua. Cristo nos chamou para "amarmos ao próximo como a nós próprios".

      Agora o problema, ao meu ver, é que toda e qualquer opiniao contrária aos homossexuais é vista como intolerancia. O texto foi escrito nesta visao. A mídia e setores da sociedade tem condicionado uma certa "ditadura" aonde uma opiniao contrária a corrente é vista como "homofóbica".

      Esse é o problema, e se for para sofrermos por causa disso, teremos que sofrer, pois o pecado nao pode deixar de ser pregado ao mundo, da mesma forma que a Graca de Cristo da mesma maneira e intensidade também nao.

      Tem um blog na internet que chama www.homoccb.blogspot.com é de um ex-membro da CCB chamado Brandon. Eu me condoo das experiencias expostas lá por ele apenas pela orientacao sexual dele. As denominacoes em geral nao estao prontas para abracar os homossexuais como irmaos em Cristo. E as poucas que os aceitam de bracos abertos, nao pregam sobre o pecado, apenas "confortando-os" mas nao "confrontando-os".

      E é esse o problema para nós cristaos. Como confrontar os pecados daqueles que já estao machucados e criaram verdadeiros "escudos" para se defenderem de tantas pancadas que levam da sociedade, família, amigos e igrejas?

      Só pela misericórdia de Cristo mesmo...

      Abs!!

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    2. Na minha conversão, aprendi que a maior lucidez que temos no nosso ser é que toda nossa ação está sujeita à nossa vontade. E, quando sujeitamos essa vontade ao plano que Deus tem para nossa vida, qualquer tipo de comportamento pode ser modificado. O que significa que o perdão, a graça e a misericórdia de Deus estão sempre disponíveis. Mas também sei que isso é vivido de forma pessoal e jamais algo que deve ser imposto pela religiosidade com agenda marcada por pretensiosos chefes de ministérios que ditam regras e sentenças.

      O autor de Eclesiastes diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem. Vejo esses encontros (no link) como algo natural e necessário nessa ânsia da alma humana em se reunir para louvar a esse Deus nessa busca muitas vezes até inconsciente. Principalmente quando alguém se sente discriminado, maior ainda será essa procura. Acho até devido à carga de culpa colocada nos ombros pelos seus antigos juízes religiosos.

      Minha questão pessoal com os homossexuais - e isso eu já disse em comentários por aí - não é em relação à sua condição de homossexual pois discutir sobre isso não me cabe, não tenho essa pretensão. O que discuto é esse lance da bandeira do homossexualismo, esse papo de mudança de lei, essa coisa de parada gay, essa apelação visual antiética e antiestética. Pra que isso? Antes de sua condição (ou como se queira dizer) ele é um ser humano, um cidadão, e seus direitos constam na Constituição do país. Se ele foi ofendido, massacrado, constrangido, busque respaldo na Lei. Eu tenho vários amigos gays que não concordam com essa balela de parada nem desse chilique na mídia.

      Por outro lado, se alguns religiosos se incomodam com as colocações tendenciosas de alguns deles nas interpretações bíblicas, o que dizer de suas grotescas interpretações fundamentalistas que, dizendo-se escolhidos, vivem a coagir, oprimir, acusar e sentenciar?!

      Ora, não somos todos cristãos?! Não somos todos filhos de Deus?! Então?! Conviver como cristãos requer de nós uma tolerância uns com os outros,; uma tolerância não ensaiada e fingida, mas genuína e espontânea, e que requer que nos desfaçamos de 'convicções' que nos colocam acima de outras pessoas.

      Mas, infelizmente, o que vemos é o que só serve para produzir mais hipocrisia do que já existe nos átrios religiosos. É mais fácil fazer vista grossa, fazendo-se de desentendido ou sentir peninha ou ainda no uso da inflexibilidade religiosa, vir a distanciar-se, do que conviver com naturalidade, em amor e sem demagogia.

      Acho que já falei que não me escandalizo com nada, a não ser com o desamor e a pretensão religiosa...

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    3. Oi Re,

      Como sempre aprendo com você. Conversão verdadeiramente não é um manual ou agenda a ser cumprida, mas um processo contínuo, proporcionado por Cristo viver em nós.

      Processo esse que muitos exigem logo no primeiro momento, quando na verdade dura a vida toda.

      Deus te abençoe sister. E que seus comentários sempre sejam assim, colocando luz e trazendo ao foco.

      Abs!

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  2. Caro Irmão Henrique,

    Gostei muito do seu texto, em especial o 4º paragrafo.
    Os "representantes" do "evangélicos" são solicitos em tentar manter "puro" seu rebanho, lutando contra a carne, contra o sangue, contra as Leis. Esquecendo da unipotência e uniciência Divina, fazendo pequena a obra de Salvação consumada na cruz. Instituido-se a si mesmos como juizes da Palavra, amaldiçoando pecadores e pecando contra o próximo.
    "Não há um justo, nem um sequer". E se a misericórdia de Deus nos justificou, há limite ou condições na Sua misericória? e se há? está em nós determina-las?
    Corrigiremos a Cristo? que salvou o ladrão da cruz? ou que absolveu a adúltera? Adoramos o Jesus que ressulcitou a Lázaro? e esquecemos do Cristo que converteu Saulo em Paulo (perseguidor em perseguido)?


    Abraços!

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  3. Aos que se consideram eleitos por conhecerem o Credo, Simone Weil insistiu numa verdade desconfortável: a incredulidade de alguns ateus está mais próxima do amor de Deus do que a fé fácil daqueles que, sem nunca tê-lo experimentado, penduram uma placa com o seu nome como se fosse uma fantasia infantil ou uma projeção do eu.

    Simone Weil, assim como Kierkegaard, pregou o paradoxo de que é mais fácil um não cristão se tornar cristão, do que um cristão se converter. Denunciou que o cristianismo havia se tornado uma religião exclusivista. Insistiu que os cristãos precisam repensar a sua catolicidade.

    Para ela, até os liberais pós-iluministas contribuem com a verdade; e não hesitou afirmar que eles precisam ser ouvidos. Justificou o ateísmo de outros filósofos, como mera reação à religião organizada, responsável por opressão, orgulho e exploração. O novo santo necessita de uma santidade nova, fora dos paradigmas. Ele precisa de uma capacidade única: combinar cristianismo e estoicismo, o amor de Deus e o amor filial à cidade do mundo.

    Extraído daqui:

    http://www.ricardogondim.com.br/estudos/simone-weil-uma-vida/

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    1. Regina,

      Concordo com o texto que voce colocou acima. Compartilho da mesma idéia que muitas vezes as denominações mais afastam do que trazem o homem para perto de Deus através de Cristo.

      Penso que isso se dá pela falta de fundamentar todas as obras em amor. O amor também corrige, mas antes de corrigir ama.

      Talvez esse seria o "approach" a ser utilizado sempre por todos os cristãos: Amor. Como Cristo disse: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." João 6:37 e "Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido." João 6:65 e por último "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." Mateus 11:28

      Há correção? Sem dúvidas, mas há primeiro o amor.

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  4. Foi repercutido nos telejornais que a Comissão em Defesa dos Direitos Humanos e Minoria entrou com recurso contra a decisão do Conselho Nacional de Justica - CNJ.

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  5. Foi repercutido nos telejornais que a Comissão em Defesa dos Direitos Humanos e Minoria entrou com recurso contra a decisão do Conselho Nacional de Justica - CNJ.

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