12/01/2014

Dando dinheiro para "Igreja"?

Há alguns dias, o Reverendo Augustus Nicodemus, publicou no seu blog um texto (clique aqui) a respeito de como usar o dinheiro para o bem da “obra de Deus”.

Entre vários ótimos conselhos, dois pontos me chamaram a atenção, os quais destaco abaixo:

“(...) devemos usar o dinheiro para sustentar a obra de Deus neste mundo, através das contribuições regulares e proporcionais que fazemos para a Igreja e organizações evangélicas envolvidas com a evangelização do mundo e as obras sociais. Os legítimos obreiros cristãos são dignos de receber seu sustento das igrejas, como Jesus e Paulo ensinaram (Lucas 10:7; 1Coríntios 9:1-12). Para alguns, a contribuição por meio de dízimos é a correta (Malaquias 3:10). Todavia, o que importa é que nossa contribuição seja regular, proporcional ao que recebemos de Deus e dada de coração.”



Preocupa-me o fato de cristãos terem substituído, mesmo de forma involuntária, as boas obras por “colaborações financeiras”.

Cristo nos chamou para sermos Igreja e este fato implica em trabalharmos, arregaçarmos as mangas e fazermos algo. Cristo não nos ensinou a sermos “patrocinadores” de obras assistenciais ou missionárias.

Infelizmente deixamos de ser Igreja para participarmos de “igrejas” que nada mais são do que Instituições.

Com isto nos acomodamos em “patrocinar” financeiramente obras assistenciais (piedade), missionárias (viagens e construções) ao invés de reservamos nosso próprio tempo e dinheiro para irmos pessoalmente trabalhar naquilo que for preciso, sendo Igreja.

E o campo de atuação é enorme. O próprio Senhor nos alertou: “A Seara é grande e os obreiros poucos”!

Ser Igreja é ir conversar com velhinhos em asilos, é levar crianças pobres tomarem um sorvete, é dar alimento e abrigo para pessoas de rua. É anunciar Jesus (usando até mesmo palavras) a todos os “enfermos” na alma que nos rodeiam!



A segunda parte que me preocupa no texto do Reverendo Nicodemus é a parte dos “Obreiros Cristãos”.

No seu texto, o Reverendo defende o custeio aos pastores, assunto que não abordarei nesta postagem, mas o que quero focalizar é a intermediação feita por pastores (anciãos, bispos, cooperadores, etc.) entre Deus e a Igreja.

Em Jesus TODOS nós fomos feitos sacerdotes. Ainda que eu entenda que haja a necessidade de existirem pastores, os mesmos deveriam guiar o povo para terem um relacionamento direto com Cristo.

Infelizmente vemos que isto não ocorre na maior parte das denominações, aonde os pastores (anciãos, bispos, cooperadores, etc.) têm sido constantemente vistos como “Intermediários” entre Deus e os Homens, mesmo de maneira involuntária.



Discordo quanto à Institucionalidade das “Igrejas” (Denominações). Penso que elas deveriam ser o mínimo possível, para que a Igreja cresça.

Igreja esta que seja composta de pessoas, e que estas saibam se relacionar diretamente com Cristo, amando ao próximo como a si próprias, compartilhando o pão com todos que tem fome. Sendo Luz no mundo e Sal na terra.


8 comentários:

  1. O que acho estranho é que esses doutores, estudiosos, professores, acadêmicos, sabem tanto quanto nós, que Jesus não propôs nada disso a ninguém. Ele não estabeleceu absolutamente nada. No caminho as coisas iam se ajeitando. Enquanto ele pregava as coisas iam acontecendo e as provisões surgindo naturalmente. Onde Jesus pregava não tinha que pagar conta de luz, IPTU, água, lanchinhos, tecnologia e serviços afins. As pessoas que tinham melhor condição abriam suas portas e ali se davam os encontros informais, sem liturgias, sem rituais, sem programação. Apenas com a disposição do coração. Algum custo básico era de quem abria as portas, obviamente. E quem abria a porta pra isso já sabia disso e o fazia sem cobranças. Já estava no script.

    O Livro de Atos nos conta como os discípulos de Jesus viviam depois que ele subiu aos céus. O verdadeiro convertido, pela própria consciência, vendia coisas pessoais e repartia conforme a necessidade de cada um. Não havia uma sistematização, uma organização. Partia da conscientização pessoal e do fato de que eles tinham o mesmo pensamento. Havia comunhão nas orações e no GENUÍNO e literal 'partir do pão' (que hoje tem data e hora marcada relacionadas a simbolismos judaicos e que chamam de Santa Ceia com base errônea na 'última ceia').

    Esse lance de arrecadação pra igreja não havia. Jesus não mandou ninguém criar igrejas. Ele mandou seus discípulos anunciarem a Boa Notícia ao mundo.

    Nos tempos de Paulo, ele tanto fazia tendas pra vender como também era grato com as contribuições que recebia em suas passagens pelas localidades. Ele diz isso na carta ao povo de Filipos (mais precisamente no cap 4) agradecendo pelas provisões enviadas quando esteve na Macedônia e na Tessalônica quando lá ninguém se associou com ele no sentido de dar e receber. Inclusive aproveitando e ensinando aos filipenses que ele estava feliz de qualquer forma, honrado ou humilhado ele tinha experiência de tudo. O que importava pra ele era estar contente, não importavam as circunstâncias. Inclusive nessa oportunidade ele diz a emblemática frase 'tudo posso naquele que me fortalece' e que, de acordo com o seu contexto, está subentendida a palavra SUPORTAR, no sentido de aguentar. E que o crente usa como sendo poderoso e que pode conseguir tudo o que quer por ser o filhinho do papai. No entanto Paulo falava de cortesia, de delicadeza, de tato, de gratidão. Ele fala de não viver em ansiedade com coisas, de paz que excede todo o entendimento. JAMAIS de arrecadação pra igreja.

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  2. Diga-se de passagem que Filipos já era um lugar bem moderno, progressista, onde as mulheres tinham grande independência e podiam se reunir, como por exemplo Lídia mulher rica de posição social elevada, respeitada por todos. Como não havia sinagoga em Filipos ela se reunia com outras mulheres às margens do rio, fora das portas da cidades. (mas isso é história pra outro texto).

    O certo é que onde Jesus e seus discípulos pregavam não havia contas a pagar. Havia o que repartir. (como hoje! Só que não! rsss) Hoje os chefes das instituições religiosas constroem seus espaços e mandam a conta para os 'fiéis' que já vivem eternamente apertados em suas contas pessoais. E apelam pra versículos bíblicos isolados. Isso é uma maldade. Primeiro que é uma barganha IMORAL, do tipo, nós te damos refrigério espiritual (ESPIRITUAL, SEI :p) e vc contribui COM A SUA PARTE FINANCEIRA. Um toma lá dá cá em nome do Senhor. E depois, coitado do 'fiel', fica com a consciência pesada porque está usufruindo daquilo tudo e não tem de onde tirar pra colaborar. Uma vez eu ouvi minha mãe dizendo que tinha que ir ao culto porque precisava ofertar, que era 'uma questão espiritual'. Nunca entendi a ligação de uma coisa com outra! Muitos anos depois eu fui entender que fazem uma lavagem cerebral na pessoa que finda por associar o lance de 'ofertar' com agradecer e ser abençoado. E se não faz isso numa determinada frequência fica numa extrema aflição, angustiada com uma desgraça iminente, como eu mesma pude constatar no semblante da minha própria mãe, inclusive mulher muito esclarecida, formada, etc. etc. Tudo imposição velada da religiosidade com seus truquezinhos infames e suas imposições pelo terror, pelo castigo, pelo medo do fogo do inferno.

    Veja o inferno pessoal e coletivo que a INSTITUCIONALIZAÇÃO fez e faz nas mentes do cativo (aprisionado) que se converteu à senhora/mãe/igreja/denominação.

    Triste e patético. Só me lembra aqueles filmes de zumbis 'walking dead' Affff

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    1. Comentário perfeito Rê!

      Infelizmente é o que vemos para todos os lados.

      Jesus é Aquele que todas estas amarras.

      Ah, e sei o que é "walking dead" mas nunca assisti, porque não gosto da idéia de Zumbis. hehehe. Mas sei perfeitamente o que você diz nesta terrível, porem verdadeira comparação.

      Deus te abençoe

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  3. Eita galera que manja de escrever e tem uma visão do Evangelho tão bonita e esclarecedora . Dá gosto visitar esse outros blogs . Que Deus abençoe vocês .

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    1. amém meu querido!

      Confesso que ri do teu comentário. hahah.

      Deus te abençoe!

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    2. É que vcs são ótimos mesmo haha
      Teu Blog tá me edificando meu querido .

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  4. Lendo esse texto HP e Regina, me peguei imaginando como seriam os cristãos
    deste século, sem CNPJ, sem intermediação feita por pastores
    (anciãos, bispos, cooperadores, etc.).Tudo entre Deus e nós (Igreja).
    Seríamos como os antigos hippies talvez, no sentido de que seríamos livres e independentes,
    onde poderíamos nos reunir e fazer o culto a Deus, sem a preocupação de pertencermos
    ou não a uma denominação, sem seus dogmas, seus terrorismos, seus castigos...sem
    seus cargos que as vezes ficam tão pesados de carregar...Como seria ...
    HAHAHAHA liga não, as vezes eu viajo na maionese.
    Meus queridos, ótima semana pra vcs!
    Fiquem com DEus!

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    1. Likka,

      Eu não sou contra denominações, mas o problema é que invariavelmente elas engessam o servir a Deus.

      Ainda hoje conversava com um irmão sobre isto e ele confessou que dá coletas regularmente, mas nunca foi fazer algo com as próprias mãos.

      Podemos sim ter um lugar pra reunir, mas quando começarmos a discutir se o altar aonde fica o pulpito deve ser revestido de granito ou mármore, a coisa começou a desandar...

      Quanto menos atenção dermos à instituição, mais tempo teremos pra aplicarmos o bem para a sociedade em geral, sendo verdadeiramente servos de Cristo.

      Afinal era o que Cristo fazia.

      Foi fora do templo que Cristo curou cegos, paralíticos, mudos, endemoninhados. Foi fora do templo que Ele mais pregou. Foi fora do templo que Cristo exerceu seu ministério.

      Deveríamos seguir este exemplo...

      Abs!

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