Por: Ricardo Gondim
Há alguns
anos, Lance Morrow escreveu na revista “Time” que “ser famoso é, entre as
ambições humanas, a mais universal. Quem, a não ser monges e freiras, se
contenta com a simples atenção de Deus? Quem busca ser obscuro na vida? Em
nossa sociedade, ser obscuro é ser fracassado”.
Realmente,
o mundo está lotado de gente correndo pelos primeiros lugares. Já se disse que
quem chega em segundo não é vice, apenas o primeiro entre os perdedores. Somos
seduzidos pelas luzes e holofotes feito mariposas. O Ocidente alimenta o sonho
do heroísmo; a modernidade, calcada na ideia do progresso, acena que a
felicidade depende de conquista; e a espiritualidade, que se difundiu no
hemisfério europeizado, sacraliza o ufanismo.
Especialistas
em planejamento estratégico, gurus em autoajuda e neurolinguistas repetem a
fórmula da eficiência, competência, excelência, como estradas para o sucesso. A
vida se transforma em uma guerra na qual só os mais fortes sobrevivem. O
esforço de ser campeão cria a necessidade de suplantar os outros. Importa
conquistar o pódio dos grandes ídolos. Os menos hábeis que pelejem para não
serem extintos.
Será
que anônimos, gente simples, que jamais ganharão um Prêmio Nobel, merecem o
desprezo que sofrem? Devem ser tratados como fracassados aqueles que nunca
serão manchete de jornal? A indústria do espetáculo torna difícil acreditar que
muita gente leve uma vida bonita sem as luzes da ribalta.
A
cosmovisão moderna foi criticada em “Crime e Castigo”, de Dostoievsk
Raskólnikov, personagem principal, classifica a humanidade em seres
“ordinários” e “extraordinários”. Para justificar um assassinato, ele afirma
que os “ordinários” são as pessoas que vivem uma vida despretensiosa, sem
grandes desdobramentos para a macro-história. Esses podem ser sacrificados pelos
“extraordinários”, que são os responsáveis pela condução da história.
Impressionado por Napoleão ter derramado tanto sangue e mesmo assim ter sido
perdoado pela história, Raskólnikov se comporta como uma pessoa
“extraordinária” e assassina duas vidas.
O
mundo, entretanto, não precisa de heróis, mas de anti-heróis. Gente que ame a
discrição mais que o espalhafato, que valorize a intimidade relacional mais que
a superficialidade, que veja beleza na candura mais que na sofisticação e que
não fuja de sua fragilidade humana. O desabafo de Fernando Pessoa em “Poema em
Linha Reta” merece ser mencionado: “Quem me dera ouvir de alguém a voz humana/
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;/ Que contasse, não uma
violência, mas uma covardia!/ Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam./
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?/ Ó príncipes,
meus irmãos,/ Arre, estou farto de semideuses!/ Onde é que há gente no mundo?”.
O
evangelho não incentiva a busca do sucesso. Jesus, discretíssimo, jamais
aceitou a lógica do triunfo. Ele exerceu o seu ministério nos confins da
Galileia e não em Jerusalém; escolheu pescadores rudes como discípulos;
priorizou alcançar marginalizados, pobres e esquecidos. Não cedeu ao apelo de
ir para Atenas, mas foi para Jerusalém morrer. A lenta transformação do
cristianismo em um sistema religioso com heróis de renome, ícones aplaudidos e
mitos idealizados não tem nada a ver com o projeto inicial do carpinteiro de
Nazaré.
Cristianismo
não é espetáculo. Nem sequer louvor significa show. Não se pode confundir
profeta com animador de auditório nem evangelista com mascate. Púlpito não pode
virar palco; nem sacristia, camarim. Esperança não se vende, nem milagre deve
ser trampolim para a glória.
Paulo
afirma em 1 Coríntios 4 que os líderes se consideram como despenseiros dos
mistérios de Deus, e dos despenseiros requer-se tão-somente que sejam fiéis.
Deus não premia sucesso, e sim integridade. Mulheres e homens anônimos, que
trabalharam a vida inteira em asilos, comunidades indígenas, orfanatos,
favelas, centros de reabilitação de alcoólicos, não malograram; pelo contrário,
estes são os que a epístola aos Hebreus descreve como aqueles dos quais “o
mundo não é digno”. Eles são sal da terra e luz do mundo. Nunca a fé cristã dependeu
tanto desses anônimos que seguem os passos de Jesus.
Soli Deo Gloria
HP,
ResponderExcluirAcho estranho (e patético) esse lance de 'show da fé'. Ora, como assim, se show é algo que se expõe e fé é algo que se espera sem vê? rsss
Ah esses religiosos...
Ooopsssssssssssssssssssss correção: *sem verrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
ResponderExcluirSister,
ResponderExcluirPorque não glorificamos a Deus nos nossos insucessos também?
Porque "vendemos" uma ideia que somente quando temos uma família-comercial-de-margarina é que somos abençoados por Deus?
Poxa! Deixa a gente ser o real que somos!
Deus faz o sol brilhar para os justos e injustos. Dizia o Mestre.
E isso é Graça que a cuca dura não entende.
Daí quando é confrontado, se irrita.
E vc sabe de quem estou falando. Do Elê e da torcida do Flamengo junto. Rsrsrs
Porque só quem compreende Jesus cai fora dessa paranóia!
Abs sister!
HP,
ResponderExcluirEsse cara só perde pra o tal arc afff
He he quando eu leio as maluquices dele me vem logo a expressão arghhhhhh
Apesar de nauseada com seus escritos, ontem à noite eu me diverti lendo as sandices dele lá no blog do Helio. Dessa vez ele se deu ao trabalho de dedicar uma longa escrita a cada um dos hereges. Tem até um conselho luxuoso pra Sônia rss A mim, ele se referiu, mas indiretamente. Pois, como ele diz, nem sabe se eu cri um dia. Ué, e quem foi que disse que ele precisa saber? É muito pretensioso, o moço. (Nem sei se é moço nem quero saber).
Tem gente que se acha o intermediário de Deus aqui na terra e eu to achando que ele disputa essa patente com o Elê. Bom, se o critério for a estupidez versus o hilário, o Elê ganha. Mas se o requisito for um português bem colocado e uma gramática rebuscada mais os dois itens anteriores o arghhhhhh ganha disparadoooo.
Kkkkkkkkkk vc leu que ele falou do meu vocabulário chulo (?) e da minha DICÇÃO?! Onde ele ouviu a minha voz?! Vou te contar, viu? So rindo.
Abs.