Por Maurício Zágari
Tenho
lido e ouvido muitas coisas sobre o amor cristão. Vozes de todos os lados
levantam as mais variadas teorias sobre como deve ser o amor entre nós, que
pertencemos à família de Cristo. Já ouvi de tudo. E já vi de tudo. Adeptos de
diferentes linhas são bem-sucedidos e malsucedidos em suas vidas amorosas ou
afetuosas. Parece não haver a fórmula infalível da felicidade afetiva, que
comprove na prática o que muitos defendem na teoria. Por isso fui às Escrituras
tentar encontrar uma resposta. Não tenho a petulância de dizer “é assim” ou “é
assado”, mas podemos seguir pistas bíblicas que dão uma boa base para
responder: afinal, como nós, cristãos, devemos amar?
O amor
é algo divino. Quando João diz em sua primeira epístola que “Deus é amor, e
aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele”, vemos
que amor não é invenção de filmes de Hollywood ou de livros água com açúcar
para adolescentes, é uma verdade bíblica e celestial absoluta. O amor existe. E
é algo que identifica-se diretamente com a essência do Criador. Tanto é assim
que 1 Coríntios 13 nos dá o retrato falado do amor ágape, o amor
celestial. Não, não podemos usar esse texto para escrever cartas apaixonadas
para nosso namorado ou nossa esposa, o amor a que Paulo se refere aqui é o de
Deus e não o dos homens: jamais a humanidade pecadora e imperfeita conseguirá
amar desse modo. Na prática é simplesmente um ideal inatingível.
Apesar
disso, podemos e devemos ver no amor de Deus um exemplo a ser seguido no amor
entre os homens. Quando Jesus diz na famosa passagem de João 3.16, “Porque Deus
amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, uma coisa fica
clara: o amor que agrada Deus é aquele em que quem ama abre mão de si pelo
outro. É o famoso “amor sacrificial”. É o mesmo princípio proposto por Paulo em
Efésios 5, onde lemos “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e
andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós”.
Logo em seguida, nesse mesmo capítulo, vemos a mulher sendo conclamada a
submeter-se ao marido e o marido a amar a esposa como Cristo amou a Igreja. Em
tudo aqui o que fica claro é o interesse da pessoa amada sendo posto acima do
próprio interesse.
Isso
traz implicações de proporções inimagináveis. Se você ama alguém vai fazer o
que for preciso para que o outro seja feliz. Vai abrir mão do próprio bem-estar
pelo do outro. Nem que para isso tenha de destruir sua própria imagem e abrir
mão, literalmente, do amor-próprio para que quem se ama trilhe um caminho que
será melhor para ele. Se o melhor para quem você ama exige que desconstrua o
que ele/ela admira em você, meu irmão, minha irmã, faça. Desglorifique aos
olhos do outro o que ele mais admira na sua pessoa. É preciso que quem você ama
esteja por cima e você, por baixo, se preciso for. Não foi o que João Batista
fez por amor ao seu primo – que ele sabia que era o Verbo? “Convém que ele
cresça e que eu diminua” é uma regra sólida do amor bíblico.
Por amor à humanidade Filipenses 2.7 mostra que Jesus esvaziou-se de sua
glória. Dispa-se da sua também, se é necessário para que quem você ama fique
bem.
O amor
verdadeiro exigirá grande sacrifício e abnegação. Deus manda Abraão sacrificar
o próprio filho, “a quem ama” (Gn 22.2), para provar seu amor ainda
maior pelo Senhor. Se Pedro ama Cristo precisa deixar tudo de si para cuidar
das ovelhas do Mestre. Enquanto todos fugiram para cuidar da própria segurança,
João, o discípulo amado, correu o risco de ser morto mas não abriu mão de ficar
junto ao seu amigo durante toda a crucificação. Abrir mão de si pelo outro.
Sacrificar-se. Desglorificar-se. Humilhar-se. Perdoar. Diminuir-se, se preciso
for. Caso contrário não é amor bíblico.
O amor
cristão necessariamente existe para a glória de Deus. Amar a Deus sobre todas
as coisas e ao próximo como a si mesmo é uma regra elementar dentro dessa
visão. Dizer que se ama Deus é fácil, difícil é fazer com que o amor ao próximo
como a si mesmo seja fato perceptível. É impossível glorificar o Senhor se você
não exerce o amor pelo próximo em atitudes práticas. Aquele que diz que
glorifica Deus e ama o próximo, mas põe os próprios interesses acima dos das
outras pessoas, não glorifica Deus nem ama o próximo. Quem desampara o próximo
não glorifica Deus nem ama o próximo. É por isso que o egocêntrico não
glorifica Deus nem ama o próximo: ama o próprio ventre. Crê que o outro existe
em função de si. Esquece que Romanos 12.10 afirma: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com
amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros”. E é muito
fácil identificar quem não põe o outro acima de si e, portanto, não ama o
próximo nem a Deus – e assim não o glorifica: o tal agirá sempre em seu próprio
favor.
O amor
bíblico também é belo. Cantares de Salomão nos mostra com clareza que Deus não
nos propõe um amor de casamentos arranjados pelos pais ou desprovidos de um
sentimento de profundo encantamento pela pessoa amada. Salomão era
completamente embevecido pela amada e vice-versa. Amo a Deus não só porque
racionalmente há razões para isso: eu o amo também porque Ele me deslumbra.
Porque não há um dia sequer em que Ele deixe de atravessar meu coração. Nos
períodos de minha vida em que razões variadas me fizeram cego a Cristo em meu
coração e o mantiveram apenas na minha razão foi quando cometi os pecados mais
torpes e vergonhosos de minha existência.
Não é
porque o amor da ficção é romântico que isso desmereça o romantismo do amor
verdadeiro. Amor não é uma decisão. Isso soa bacana e espiritual para os
ouvidos, mas é um descompasso com a vida real e mesmo com o amor bíblico.
Decisão é um dos muitos componentes do amor bíblico. Não fosse assim, como
explicar declarações de amor como “Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o
teu amor do que o vinho” (Ct 1.2); “Eis que és formosa, ó querida minha, eis
que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Como és formoso, amado
meu, como és amável!” (Ct 1.15,16); e “Sustentai-me com passas, confortai-me com
maçãs, pois desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha
cabeça, e a direita me abrace” (Ct 2.5,6)?
Marcos
10.21 nos mostra o encontro de Jesus com o homem que preferiu as riquezas do
que dar seus bens aos pobres e seguir o Mestre. Racionalmente o Senhor tinha
tudo para chamar aquele rapaz de “hipócrita” para baixo. Mas o sentimento de
Cristo por Ele foi empático, compassivo, pulsante. Diz a Palavra: “Jesus,
fitando-o, o amou”. Sim, amor bíblico também é um magnífico
sentimento. No episódio da ressurreição de Lázaro, Jesus chora de compaixão
diante do sofrimento daquelas a quem amava, embora racionalmente Ele soubesse
que iria ressuscitar o amigo e que o sofrimento cessaria. Mas o Cristo que
despiu-se de sua glória não conseguia despir-se do coração derramado pelos seus
irmãos. Deus amou Jacó e aborreceu Esaú (Rm 9.12) – explique-me esse amor pela
razão, sendo que Jacó era um detestável trambiqueiro, mentiroso e enganador.
Você é pai ou mãe? Tente convencer alguém de que seu amor por seu filho é
apenas racional ou “uma decisão”. Boa sorte com isso. Conheço pais de filhos
nada amáveis que fazem tudo por eles – e certamente não o fazem porque é o
certo a ser feito, mas porque são unidos por um sentimento profundo. Por que
entre marido e esposa o sentimento também não deve ser considerado no ponto de
partida? Por que o amor entre homem e mulher seria um mero ato que tem sua
gênese no racional? E por que amar o próximo deveria desconsiderar afetos?
Repare com atenção e perceberá que, em geral, pessoas mais cerebrais fazem
muito menos pelos outros do que pessoas afetuosas. Por tudo isso, não vejo base
bíblica para a teoria de que amor é, primordialmente e originalmente, apenas
uma decisão.
Haveria
muito mais a se dizer sobre o amor bíblico. Mas o resumo é que sou obrigado a
concluir que, para que possamos dizer que alguém ama como Deus deseja, é
preciso que seu amor seja formado pela tríade razão + ação + emoção.
O amor bíblico é razão porque exige critérios no trato com o
ser amado, como a opção racional de pô-lo em primeiro plano. O amor bíblico é ação porque
exige atitudes práticas que demonstrem esse amor, como a negação e a diminuição
de si mesmo em prol do outro. E o amor bíblico é emoção porque
se quisermos amar como Deus precisamos sentir em nós o pulsar do sentimento
magnífico que o Pai demonstrou ter pelas suas criaturas, o Filho por aqueles
por quem morreu e o Espírito Santo por aqueles a quem estende sua maravilhosa
graça.
Ame com
esse amor. Pois embora nenhum homem seja capaz de amar com o amor ideal, buscar
essa meta o aproximará mais daquele que é a fonte, a expressão máxima e a mais
pura essência do perfeito amor.
Paz a
todos vocês que estão em Cristo,
Maurício.
Irmão HP , A paz de Deus
ResponderExcluirFalando em amor , quero deixar aqui algo que aconteceu há algum meses:
Há alguns dias, enquanto executava meus serviços caseiros, vinha meditando, "conversando" com Deus sobre o amor. Pensava: "Creio que o verdadeiro amor cristão, Senhor, não faz acepção de pessoas, ou seja; vou amar mais este ou aquele porque são da minha igreja, ou da minha família ou por que são da mesma comunidade que a minha. O amor tem que se estender para todos, independente de religião, crenças, escolhas, etc... Todos nós somos iguais. Fomos todos criados por Ti. Não devemos julgar e nem condenar ninguém em nossos corações..." E assim vinha nessa linha de pensamentos durante o dia. Não comentei nada com ninguém a respeito disso, e nem com o meu esposo.
Quando foi no dia seguinte na parte da manhã, lá pelas 8:30 hrs, meu esposo levantou-se primeiro, e eu continuei deitada, mas acordada. Nisso, ele voltou para o quarto e um tanto emocionado sussurrou ao meu ouvido, num tom baixo:
- Esta madrugada eu SONHEI com Jesus Cristo!
Respondi-lhe:
- Sonhou com Jesus Cristo?
Ele respondeu-me:
- Sim, com Ele mesmo!
Então ele me contou o SONHO que tocou profundamente no meu intimo e me fez calar por alguns instantes:
- Sonhei que estava orando à Deus, Lhe expondo as minhas dificuldades e suplicando a Sua ajuda. No final da oração, fiz um convite ao Senhor Jesus se Ele podia fazer morada aqui em casa conosco. Terminei a minha oração, e poucos minutos depois o telefone tocou. Fui atender. Do outro lado, uma voz mansa, serena, cheia de amor, respondeu: "Paulo (fictício), é Jesus Cristo" Eu quase sem palavras, disse: "Jesus Cristo? És Tu mesmo?" Ele respondeu: "Sim, sou Eu mesmo!" E continuou a conversar: "Estou muito contente com vocês aí na Terra. Você, sua esposa e seus filhos têm procurado amar as pessoas por igual, não fazendo acepção por causa de clero, crenças, cor, raças, defeitos, erros, etc... É com esse tipo de amor que Eu quero que vós ameis uns aos outros." E afirmou: "O amor é tudo! O amor é a cousa mais importante! O amor é a única arma capaz de vencer todo o mal! Continuem assim." Então, encerrou: "Você Me convidou para ir morar com vocês, mas Eu não vou aceitar o convite, porque Eu já estou morando com vocês. Estarei convosco todos os dias da vossa vida. Eu vos amo!"
Meu esposo se despediu Dele com forte emoção em seu coração.
Quando ele encerrou , estava boquiaberta!Não havia comentado nada com o meu esposo sobre a minha meditação com Deus a respeito do amor cristão. Estou tentando colocar em prática o mandamento que Cristo nos deixou :"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!".
Deus te abençoe
Irmão HP , A paz de Deus
ResponderExcluirFalando em amor cristão quero relatar algo que aconteceu há alguns dias:
Há alguns dias, enquanto executava meus serviços caseiros, vinha meditando, "conversando" com Deus sobre o amor cristão.. Pensava: "Creio que o verdadeiro amor cristão, Senhor, não faz acepção de pessoas, ou seja; vou amar mais este ou aquele porque são da minha igreja, ou da minha família ou por que são da mesma comunidade que a minha. O amor tem que se estender para todos, independente de religião, crenças, escolhas, etc... Todos nós somos iguais. Fomos todos criados por Ti. Não devemos julgar e nem condenar ninguém em nossos corações..." E assim vinha nessa linha de pensamentos durante o dia. Não comentei nada com ninguém a respeito disso, e nem com o meu esposo.
Quando no dia seguinte na parte de manhã, lá pelas 8:30 hrs, meu espso levantou-se primeiro, e eu continuei deitada, mas acordada. Nisso, ele voltou para o quarto e um tanto emocionado sussurrou ao meu ouvido, num tom baixo:
- Esta madrugada eu SONHEI com Jesus Cristo!
Respondi-lhe:
- SONHOU com Jesus Cristo?
Ele respondeu-me:
- Sim, com Ele mesmo!
Então ele me contou o SONHO que tocou profundamente no meu intimo e me fez calar por alguns instantes:
- SONHEI que estava orando à Deus, Lhe expondo as minhas dificuldades e suplicando a Sua ajuda. No final da oração, fiz um convite ao Senhor Jesus se Ele podia fazer morada aqui em casa conosco. Terminei a minha oração, e poucos minutos depois o telefone tocou. Fui atender. Do outro lado, uma voz mansa, serena, cheia de amor, respondeu: "Paulo (fictício), é Jesus Cristo" Eu quase sem palavras, disse: "Jesus Cristo? És Tu mesmo?" Ele respondeu: "Sim, sou Eu mesmo!" E continuou a conversar: "Estou muito contente com vocês aí na Terra. Você, sua esposa e seus filhos têm procurado amar as pessoas por igual, não fazendo acepção por causa de clero, crenças, cor, raças, defeitos, erros, etc... É com esse tipo de amor que Eu quero que vós ameis uns aos outros." E afirmou: "O amor é tudo! O amor é a cousa mais importante! O amor é a única arma capaz de vencer todo o mal! Continuem assim." Então, encerrou: "Você Me convidou para ir morar com vocês, mas Eu não vou aceitar o convite, porque Eu já estou morando com vocês. Estarei convosco todos os dias da vossa vida. Eu vos amo!"
Meu esposo se despediu Dele com forte emoção em seu coração. Quando ele encerrou estava boquiaberta! Não havia comentado nada com ele à respeito da conversa que havia tido com o Senhor sobre o amor cristão. Estou tentando colocar em prática o mandamento que o Mestre nos deixou "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
Deus abençoe!
Amém irmã Sônia.
ExcluirQue lindo relato. Sonhos assim são raros, mas fazem muito bem a alma.
E que procuremos amar aos outros como Cristo nos amou!
Deus abençoe a ti e a tua família!