08/03/2013

O perigo de Idolatrar a Bíblia.


Via: Bora Ler

Paulo nos diz que a letra mata. Mesmo que seja letra da Escritura. Que o exercício que tenta ver mágica de revelação na exegese, é tolice. Prova disso é o modo como ele usa as Escrituras do Antigo Testamento. Ele diz que qualquer interpretação que não seja via Encarnaçãoou seja: centrada exclusivamente em Jesus — é engano religioso que presume ler tudo o que foi dito como interpretação correta.

Como poucos, Paulo entendeu que o Evangelho era Jesus e que Jesus era o Evangelho; e que tudo o mais que tivesse havido e sido escrito antes, como ‘Escritura’, agora, depois de Jesus, depois da Encarnação, depois de Emanuel, Deus conosco — teria que ser submetido ao espírito de Jesus, ao espírito do Evangelho. Pois, na Velha Aliança se poderia invocar a Deus para que mandasse fogo do céu para consumir os adversários. Mas, em Jesus, a mesma ideia antiga de poder espiritual, fora completamente banida, repreendida e abominada por Ele, que, ante tal proposta de piedade perversa feita por Tiago e João, apenas respondeu com a seguinte afirmação: ‘Vós não sabeis de que espírito sois’.

Toda Escritura é inspirada por Deus e apta para o ensino, a correção e a educação na justiça — dizia Paulo; embora, ao assim dizer, não transferisse para as Escrituras nada além do poder de testemunhar Jesus, no que - e se - ela desse testemunho de Jesus; posto que, para os apóstolos, o testemunho de Jesus era o espírito de toda a profecia; ou seja: a finalidade de toda a Palavra escrita era ser testemunho da verdade dos fatos do encontro entre a humanidade e Deus, e, depois, entre os hebreus e Deus, e, ainda depois, acerca de Israel como nação e Deus como o Senhor das nações. E, em Jesus, o testemunho que não se poderia entender antes de haver Encarnação. Por isto, para Paulo, Jesus era a Chave Hermenêutica para a compreensão das Escrituras.

Assim, em Jesus, se tem a separação nas Escrituras de tudo quanto fosse circunstancial, passageiro, cultural, histórico, necessário ao tempo, de um lado, e, de outro lado, tem-se o que é permanente, o que é definitivo, o que é eterno, o que é Evangelho antes da manifestação histórica do Evangelho.

Depois de Jesus, a Bíblia é a coletânea de livros nos quais se pode encontrar o testemunho histórico/profético acerca de Jesus, mas não se tem nada, além disso.

Por exemplo, depois de Jesus a leitura se inverteu. Já não se lê as Escrituras em busca do Messias, mas, a partir do Messias se lê o todo das Escrituras; visto que, depois de Jesus, tudo quanto não seja Evangelho segundo o espírito de Jesus, ainda que esteja escrito na Bíblia, caiu em estado de obsolescência e caducidade.

Sim, Jesus é tudo; e quem não considere Jesus assim, ainda não entrou no reino do entendimento segundo Deus. Este é um fato ante o qual não há barganhas a propor. Ou é assim ou, então, ter-se-á tudo com a grife Jesus, mas de Jesus mesmo não se terá nada.

Há, todavia, aqueles que se escandalizam quando digo que Jesus é o Único Verbo, a Única Palavra Eterna; e que o mais, é testemunho humano, inspirado; sim, testemunho dessa esperança ou dessa fé, mas não é nada além disso. Visto que em Jesus, e não na Bíblia, é que estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Sem tal visão tudo é idolatriaSim, a Bíblia vira ídoloas Escrituras ficam maiores que Jesus, e as doutrinas da igreja se tornam a etiqueta comportamental de Deus, conforme definida pelos homens.

Ou seja: porque deixou de ser assim é que herdamos a desgraça do Cristianismo de Constantino, que é o que se tem como igreja e crença em Jesus até hoje, mas que nada tem a ver com o Evangelho; posto que tudo tenha sido construído a partir da Bíblia como livro e dos ‘mestres’ como decodificadores da revelação; e, em tal caso, Jesus tinha que se harmonizar com o todo da Escritura, e não a Escritura se harmonizar a Jesus.

Para os apóstolos, no entanto, se requeria a coragem de deixar de fora tudo quanto não coubesse mais, ante o avanço revelado da vontade de Deus encarnada em Jesus. Esta é a coragem de ruptura que também se demanda de quem quer que queira tornar-se discípulo de Jesus, e de Jesus somente. Você tem outra pretensão?

Ora, nossa única pretensão deveria apenas ser o tornarmo-nos cartas vivas, evangelhos de carne e sangue, epístolas de reconciliação, escrituras feitas de inscrição no coração. Sim, pois em Jesus, tanto como promessa feita pelos Profetas, como também mediante o Seu próprio Prometer aos Seus discípulos — está dito que todos os que Nele cressem seriam evangelhos andantes, cartas hebréias em sua mobilidade no caminho. A ponto de Paulo declarar que nosso chamado é para sermos cartas vivas, escritas pelo Espírito do Deus vivente. Cartas essas vistas e lidas por todos os homens, mediante os nossos atos de amor e nossa visão tomada pela mente de Cristo, que é o Evangelho.

Doutrina certa segundo Jesus é vida vivida em amor.
O que passar disso é Cristianismo, não Evangelho!

Pense nisso!


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Meu comentário:

Neste texto, Caio Fábio vai na veia, desmascarando um perigo muito grande: Nos tornarmos Fariseus Cristãos
Cristo combateu veementemente os fariseus do judaísmo que idolatravam a lei e não aplicavam a mesma em suas vidas. Os mesmos eram chamados de "raças de víboras" e "hipócritas" pelo Mestre. 
Temos a Bíblia sim como Palavra de Deus em nossas vidas, mas Cristo deve sempre vir na frente. Ele deve ser a razão de tudo, senão nos tornaremos "Doutores da Graça" mas não teremos a Graça de Cristo dentro de nós. Seremos hipócritas e rejeitados identicamente perante o Mestre.

Que Cristo habite em nossos corações e que sejamos templos do Espírito Santo!


Um comentário:

  1. Novo link original:

    https://caiofabio.net/HERMENC38AUTICA3A-O-QUE-MAIS-FALTA-A-JESUS.../05440

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