Por Caio Fábio
Via: Bora Ler
Paulo nos diz que a
letra mata. Mesmo que seja letra da Escritura. Que o exercício que
tenta ver mágica de revelação na exegese, é tolice. Prova disso é o
modo como ele usa as Escrituras do Antigo Testamento. Ele diz que qualquer
interpretação que não seja via Encarnação, ou seja:
centrada exclusivamente em Jesus — é engano religioso que
presume ler tudo o que foi dito como interpretação correta.
Como poucos, Paulo entendeu
que o Evangelho era Jesus e que Jesus era o Evangelho; e que tudo o mais
que tivesse havido e sido escrito antes, como ‘Escritura’, agora, depois de
Jesus, depois da Encarnação, depois de Emanuel, Deus conosco — teria
que ser submetido ao espírito de Jesus, ao espírito do Evangelho. Pois,
na Velha Aliança se poderia invocar a Deus para que mandasse fogo do céu para
consumir os adversários. Mas, em Jesus, a mesma ideia antiga de
poder espiritual, fora completamente banida, repreendida e abominada por Ele,
que, ante tal proposta de piedade perversa feita por Tiago e João, apenas
respondeu com a seguinte afirmação: ‘Vós não sabeis de que espírito
sois’.
Toda Escritura é
inspirada por Deus e apta para o ensino, a correção e a educação na justiça —
dizia Paulo; embora, ao assim dizer, não transferisse para as Escrituras nada
além do poder de testemunhar Jesus, no que - e se - ela desse testemunho de
Jesus; posto que, para os apóstolos, o testemunho de Jesus era o
espírito de toda a profecia; ou seja: a finalidade de toda a Palavra
escrita era ser testemunho da verdade dos fatos do encontro
entre a humanidade e Deus, e, depois, entre os hebreus e Deus, e, ainda depois,
acerca de Israel como nação e Deus como o Senhor das nações. E, em
Jesus, o testemunho que não se poderia entender antes de haver Encarnação.
Por isto, para Paulo, Jesus era a Chave Hermenêutica para a compreensão das
Escrituras.
Assim, em Jesus, se tem
a separação nas Escrituras de tudo quanto fosse circunstancial, passageiro,
cultural, histórico, necessário ao tempo, de um lado, e, de outro lado, tem-se
o que é permanente, o que é definitivo, o que é eterno, o que é Evangelho antes
da manifestação histórica do Evangelho.
Depois de Jesus, a
Bíblia é a coletânea de livros nos quais se pode encontrar o testemunho
histórico/profético acerca de Jesus, mas não se tem nada, além disso.
Por exemplo, depois de
Jesus a leitura se inverteu. Já não se lê as Escrituras em busca do Messias,
mas, a partir do Messias se lê o todo das Escrituras; visto
que, depois de Jesus, tudo quanto não seja Evangelho segundo o espírito de
Jesus, ainda que esteja escrito na Bíblia, caiu em estado de
obsolescência e caducidade.
Sim, Jesus é tudo; e
quem não considere Jesus assim, ainda não entrou no reino do entendimento
segundo Deus. Este é um fato ante o qual não há barganhas a propor. Ou é assim
ou, então, ter-se-á tudo com a grife Jesus, mas de Jesus mesmo não se
terá nada.
Há, todavia, aqueles que
se escandalizam quando digo que Jesus é o Único Verbo, a Única Palavra Eterna;
e que o mais, é testemunho humano, inspirado; sim,
testemunho dessa esperança ou dessa fé, mas não é nada além disso. Visto
que em Jesus, e não na Bíblia, é que estão ocultos todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento. Sem tal visão tudo é idolatria. Sim, a Bíblia vira ídolo, as Escrituras
ficam maiores que Jesus, e as doutrinas da igreja se tornam a etiqueta
comportamental de Deus, conforme definida pelos homens.
Ou seja: porque deixou
de ser assim é que herdamos a desgraça do Cristianismo de Constantino, que é o
que se tem como igreja e crença em Jesus até hoje, mas que nada tem a
ver com o Evangelho; posto que tudo tenha sido construído a partir da
Bíblia como livro e dos ‘mestres’ como decodificadores da revelação; e, em tal
caso, Jesus tinha que se harmonizar com o todo da Escritura, e não a Escritura
se harmonizar a Jesus.
Para os apóstolos, no
entanto, se requeria a coragem de deixar de fora tudo quanto não coubesse
mais, ante o avanço revelado da vontade de Deus encarnada em Jesus.
Esta é a coragem de ruptura que também se demanda de quem quer
que queira tornar-se discípulo de Jesus, e de Jesus somente. Você tem outra
pretensão?
Ora, nossa única
pretensão deveria apenas ser o tornarmo-nos cartas vivas, evangelhos de carne e
sangue, epístolas de reconciliação, escrituras feitas de inscrição no coração. Sim, pois em
Jesus, tanto como promessa feita pelos Profetas, como também mediante o Seu
próprio Prometer aos Seus discípulos — está dito que todos os que Nele cressem
seriam evangelhos andantes, cartas hebréias em sua mobilidade no caminho. A
ponto de Paulo declarar que nosso chamado é para sermos cartas vivas,
escritas pelo Espírito do Deus vivente. Cartas essas vistas e lidas
por todos os homens, mediante os nossos atos de amor e nossa
visão tomada pela mente de Cristo, que é o Evangelho.
Doutrina certa segundo Jesus é vida vivida
em amor.
O que passar disso é
Cristianismo, não Evangelho!
Pense nisso!
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Meu comentário:
Neste texto, Caio Fábio vai
na veia, desmascarando um perigo muito grande: Nos tornarmos Fariseus
Cristãos.
Cristo combateu
veementemente os fariseus do judaísmo que idolatravam a lei e não aplicavam a
mesma em suas vidas. Os mesmos eram chamados de "raças de víboras" e
"hipócritas" pelo Mestre.
Temos a Bíblia sim como
Palavra de Deus em nossas vidas, mas Cristo deve sempre vir na frente. Ele deve
ser a razão de tudo, senão nos tornaremos "Doutores da Graça" mas não
teremos a Graça de Cristo dentro de nós. Seremos hipócritas e rejeitados
identicamente perante o Mestre.
Que Cristo habite em nossos
corações e que sejamos templos do Espírito Santo!
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