06/03/2013

Situações difíceis para o julgamento humano. Qual é a tua opinião?


Por: HP

Ontem ao ler uma matéria no blog de uma irmã, fui levado a refletir sobre assuntos polêmicos que invariavelmente nos levam a procurar na Bíblia uma resposta, mas no critério do julgamento da causa, muitas vezes a aplicação dos ensinamentos bíblicos sem primeiro ser colocado o amor leva a destruição em vez da edificação.

É fácil julgarmos estando fora de uma situação. Difícil é nos encontrarmos dentro do turbilhão e acharmos a tábua da salvação chamada Cristo.



Lembremos do caso da mulher adúltera, descrito em João 8:1-11. A Bíblia nos relata uma história onde uma mulher pega em adultério foi trazida diante de Cristo por seus acusadores. Seus acusadores queriam aplicar as penas da Lei nela, apedrejando-a, porém quiseram “testar” o mestre para terem no que o acusar. Se Cristo a liberasse, iriam o acusar de conivência com o pecado. Se Cristo a condenasse, iriam acusá-lo de não ter compaixão diante de uma pecadora arrependida.

A situação era o chamado “xeque-mate”. Não tinha para onde sair. No popular seria, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, ou “entre a cruz e a espada”. Mas toda essa ousadia estava sendo feita em cima do Criador! Que ousadia! A criatura tentando “enquadrar” o Criador!

Vemos então a aplicação do Amor de Cristo. “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” Diz as escrituras que por causa “da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio.”

Cristo ao levantar-se viu apenas a mulher perguntou aonde estavam os acusadores e se ninguém a havia condenado. A resposta da mulher foi que ninguém a condenara. Cristo termina então dizendo: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.



Essa história muito me fascina. Vamos aos pontos:
  • Foi trazida apenas a mulher. O que aconteceu com o homem, foi julgado, absolvido, condenado? Parece que se cumpre a velha máxima: A corda estoura do lado mais fraco.
  • A ousadia dos acusadores que tinham ao seu lado a Lei, as instruções de Deus a respeito do que fazer naquele caso, mesmo assim quiseram testar Cristo.
  • A resposta de Cristo aos acusadores.
  • A saída de todos a começar pelos mais velhos.
  • A absolvição de Cristo, mostrando o amor, mas sempre junto com a admoestação: Vai e não peques mais.



Nosso mestre poderia usar a Lei, pois foi Ele mesmo que a deixou, mas teríamos homens pecadores julgando uma mulher pecadora. Que benefício haveria? Seria o pecado tirado? Aqueles homens continuariam a pecar e a mulher estaria morta.

O Senhor quer que todos venham a se arrepender (2 Pedro 3:9). E nós homens e mulheres? Está dentro da nossa índole vermos sangue, fazermos justiça, encarcerarmos, prendermos, julgarmos. Usamos muitas vezes da Bíblia para lastrear nossas decisões, mas esquecemos do AMOR de Deus para com os homens. Amor esse tão grande que enviou o Seu Filho para morrer por nós (1 Joao 3:1). Amor esse tão grande que nos suporta dia após dia. Amor tão grande que nos dá chances de dia após dia, pecado após pecado, nos arrependermos diante de Deus.

Isso posto. Lanço as questões:

  1. Tua filha de 12 anos é estuprada e fica grávida do estuprador. Ela deve abortar ou aceitar ter o filho do estuprador?
  2. Tua irmã de 30 anos tem uma doença psicológica grave de nascença que necessita ser cuidada pela família e não é responsável pelos seus atos. Ela fica grávida e os exames mostram que o feto gerado tem as mesmas características da doença da mãe. Você é o representante legal dela, pois ela é incapaz. Ela deve abortar o feto de 5 semanas ou a gravidez deve continuar?
  3. Você em sua plena consciência sabe que viverá apenas com ajuda de aparelhos médicos, vegetando em cima de uma cama hospitalar e dependendo de ajuda de outros para se alimentar, limpar, fazer necessidades fisiológicas. Você pode praticar a eutanásia e terminar com o seu sofrimento, ou viver assim por anos a fio. Qual é a tua decisão? Informe também se alguma vez na tua vida você já ficou internado e dependeu de alguém para se alimentar e ir ao banheiro por exemplo?
  4. Tua mãe está internada. Ela pode continuar vivendo com ajuda dos aparelhos por 30 anos, mas é sabido que ela foi diagnosticada morte cerebral. Você, como representante legal dela visto que ela é incapaz, autoriza ou não os aparelhos serem desligados?
  5. Tua esposa estuprada na tua frente por um criminoso que depois a assassina. O mesmo criminoso ainda estupra teus filhos e os esquarteja. Porém, este criminoso que assassinou toda tua família, te deixa vivo. A justiça o condena, porém um ótimo advogado consegue amenizar a pena. Em 5 anos este criminoso está nas ruas. Você o perdoa e o ama como você mesmo, pois ele é teu próximo, ou procurará por vingança ou justiça a qualquer custo?


Antes que alguém queira julgar a minha opinião sem conhecê-la, eu já deixo claro: Em cada situação descrita acima, eu não dou a minha opinião e também não julgo a reação para cada ato. Apenas aceito cada decisão tomada sem ao menos argumentar. Não me sinto em condições nenhuma de opinar ou julgar. Apenas aceito.

Todavia, por favor, deixe tua opinião nos comentários. Ela é bem vinda. 

Na paz de Deus, que excede todo o entendimento.





11 comentários:

  1. Só esclarecendo um ponto para o raciocínio não parecer contraditório quando falo que as pessoas não reagem ao que lhes foi imposto como norma. Ficam passivas e robotizadas QUANTO A ISSO. Por outro lado, E PARADOXALMENTE, partem para uma guerra insana defendendo a denominação com unhas e dentes. (diga-se de passagem: atitude bem típica do fanático religioso).

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    1. Regina,

      Estava lendo teu comentário anterior, quando fiz o refresh da página vi que ele sumiu.

      Tem como você postá-lo de novo? Estava tão enriquecedor!

      Abs!

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  2. Já que você já sabe meu posicionamento em relação aos quatro primeiros casos colocados, meu comentário vai para o quinto caso hipotético:

    Esse assassino não é 'meu próximo'. Precisamos ter essa clareza e separar as coisas. Ele é um psicopata de alta periculosidade que deve ser colocado fora do convívio da sociedade. Sendo assim, eu moveria céus e terra, faria TUDO que me fosse possível para tê-lo de volta atrás das grades até mofar. Ora, se ele é capaz de cometer tamanha atrocidade, certamente que ele se constitui um iminente perigo para uma outra família.


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    1. Regina,

      Você lembra do assassinato de crianças numa escola Amish nos EUA?
      Veja os links:
      http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u100594.shtml

      Em outubro de 2006, uma chacina dentro de uma escola Amish resultou na morte de cinco crianças entre 6 e 13 anos, além do atirador de 32 anos, que se suicidou.
      O atirador era um motorista de caminhão de leite que atendia a comunidade. Fez reféns 10 meninas. No mesmo dia, membros da comunidade visitaram a família de Roberts (o motorista) para dizer que o perdoavam. No enterro das meninas, o avô de uma das vítimas disse às outras crianças: "não devemos odiar aquele homem" O fato inspirou o filme Amish Grace: http://en.wikipedia.org/wiki/Amish_Grace

      --

      Eles perdoaram. Eu não conseguiria perdoar.

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    2. Eu também não sei se conseguiria perdoar, embora meu filho mais velho, quando tinha 20 anos de idade, tenha levado três tiros de um marginal.Foi terrível! Ele sofreu (nós todos sofremos juntos!)durante seis meses com dois braços atingidos, num deles perdeu 20% de massa óssea, se encheu de placas, quase perde o outro braço! E, em relação ao marginal, meu coração não esboçou qualquer tipo de sentimento, só pedia a Deus que fizesse justiça, que livrasse outros jovens daquilo.

      Assim, não posso julgar e analisar esse 'perdão' dos Amish.

      Inclusive incorreria no mesmo erro de julgar um fato isolado 'estando eu de fora'. Portanto, tenho total consciência de que seria leviano da minha parte analisar tamanha dor.

      Porém... Considerando que se trata de uma grupo religioso extremamente fundamentalista e que 'o ópio da religião' tende a deixar a pessoa duplamente anestesiada, de repente foi onde encontraram forças. Não significando que Deus não estivesse presente.

      Pois é, meu irmão...

      Deus age de formas misteriosas.

      Ele nos conforta na dor do jeito que lhe apraz. Pois só Ele conhece os corações.

      Você viu Ilha do Medo( Shutter Island, 2010) ?
      Com a maestria que lhe é peculiar, Scorcese desconstrói uma história dramática onde o protagonista (no início aparentemente são) cria uma realidade paralela para se furtar à terrível dor da perda trágica da família.

      Em tempo: não tenho nenhum receio de expor minhas ideias aqui porque sei que você entende minha linguagem. Não significa que não temos divergências. Vc sabe do que falo...

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    3. Regina,

      Nao vi o filme. Vou procurar.

      Quanto a expor as idéias, voce já sabe que é mais do que bem-vinda! Estamos aqui para debater idéias e crescermos juntos.

      Abs!

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  3. Excelente reflexão!
    Texto denso, cheio de nuances e de acordo com o cotidiano das nossas vidas. Gosto de texto assim. Dentro da nossa realidade. Texto que põe abaixo todos os (pré)conceitos formados na religiosidade, posto que trazidos para dentro de uma realidade dramática familiar.
    Ainda ontem conversava em sala de aula sobre o sentido verdadeiro da palavra 'PREconceito'. Um conceito que se tem de algo ANTES (pré) de se vivenciar, se experimentar determinada situação. Ou seja, pra quem está de fora é muito cômodo dar opinião usando largamente de demagogia para posar de bom moço que segue regras à risca.
    (Aliás, estes que dizem seguir as regras à risca já foram desmascarados faz tempo pelo próprio Jesus usando de forma contundente o seu 'ai de vós' ao condenar o falso ensino das escrituras daqueles que espalhavam ideias de purificação que não condiziam com a vida deles. Que coisa mais atual!)
    Há alguns meses, quando postei um texto sobre aborto, ficou uma nuvenzinha escura entre alguns amigos blogueiros que, até então, eram meus amigos de infância rss e com esse texto eles caíram de pau em cima de mim!
    Havia um irmãozinho tão inflexível (esse era meu inimigo de infância rss) que não visitava meu blog, mas que me detonava em outro blog. Aliás, nesse outro blog, todo mundo comentava, mandava ver no verbo, mas ele só criticava minha fala. Certamente porque sabia que eu poderia influenciar as mentes a pensarem.
    As pessoas não percebem, mas elas são tão bitoladas às normas religiosas que fogem do foco e não percebem. Parece que estão (são) eternamente anestesiadas. Não reagem a nada, ficam passivas, robotizadas. Partem para uma guerra insana defendendo a denominação com unhas e dentes e ainda têm o descaramento incoerente de cobrar que se exalte somente ‘O Nome do Senhor Jesus’, como aconteceu ontem no blog do Hélio com uma anônima (tinha que ser anônima!) de cognome Rô. Respondi-lhe porque, enfim, foi a primeira vez que se dirigiu a mim. Deixei-a lá falando sozinha. Não dá pra estabelecer um diálogo decente com gente fanática.
    Mas voltando ao texto...
    O que mais se debate em textos como esse acima, levando o leitor à reflexão, é justamente o julgamento pretensioso do homem com base em seus limitados conceitos religiosos e culturais.
    E eles são tão bitolados que não percebem que Deus está acima disso tudo! Não enxergam! A vista está embaçada pelo pacote doutrinário que lhe foi imposto.
    Enfim, somos uns pretensiosos! Nós nos arvoramos no direito de julgar quem tomou essa ou aquela atitude, mas só Deus conhece as razões, a aflição, a angústia de cada coração. Só Deus é justo juiz. E o meu alívio é que Ele não está preso entre quatro paredes de uma denominação.

    (Ooops, havia retirei para fazer uma correção de erro de digitação. Daí, quando repus não apareceu mais rss)

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  4. Amado HP,

    Aprendi desde de cedo que cada caso é um caso e que tudo depende...
    Estas questões propostas, são muito difíceis...
    Minha opinião é que o abismo da razão humana impede-nos de conseguir perdoar...

    "Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;"

    Contudo creio que Deus conhece, suporta e perdoa-nos em nossas limitações...
    Não devemos buscar justificativas por não perdoar, e sim misericórdia por não cumprir Seus desígnios. Despindo-nos de nossas presunções, crendo que em Deus está a Justiça e o Perdão.

    Abraço,

    Em Cristo,

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    1. Szmyhiel,

      Se me permite, creio que o abismo da razão humana também nos impede a amar ao próximo. Somos em nosso íntimo sedentos por sangue, justiça própria e auto-afirmação.

      Precisamos desesperadamente de Cristo em nós. Somente Ele pode mortificar a nossa carne, fazendo-nos realmente discípulos Dele.

      Fica com Deus amado.

      Deus te abençoe.

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  5. HP,

    '...o abismo da razão humana também nos impede a amar ao próximo. Somos em nosso íntimo sedentos por sangue, justiça própria e auto-afirmação'.

    Valeu pela porrada!

    Preciso dessa porrada todos os dias da minha vida!

    Hoje não, porque a homenagem é para a mulher, especificamente. Mas amanhã, permita-me, recortar essa frase e colar lá no meu FB, tá?

    R.

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    1. Re,

      Sinta-se livre, minha irmã. Louvado seja Deus se Ele usou deste pecador que sou para dar uma "porrada" espiritual.

      Deus te abençoe sempre sister!

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Vamos zelar por um bom ambiente de diálogo. O intuito do blog é compartilhar textos e vídeos que nos leve a reflexão, união e aproximação com Cristo.
Discordou de mim? Tua opinião é bem-vinda, mas seja educado. Somos todos aprendizes nesta vida, e ainda mais aprendizes de Cristo, a Palavra de Deus feito carne, que é fonte inesgotável de Vida e Verdade, o Único Caminho nosso à Deus!

Obrigado.