19/03/2013

Efeitos nocivos da ausência


Por Matt Schmucker
Traduzido por: Josaías Jr
Via: iPródigo


Cresci ouvindo sempre que era melhor ser acusado de cometer um pecado de omissão que um pecado de comissão. Desta forma, você poderia sempre riscar seu pecado usando o esquecimento, a ignorância ou falta de cuidado. Já o pecado de comissão era o grande “não-faça”, uma vez que parecia deliberado e calculado.


AUSÊNCIA: APENAS UM PECADO DE OMISSÃO?

Temo que muitos cristãos pensem que não freqüentar a igreja regularmente é um pecado de omissão; se for realmente um pecado, seria um dos pequenos. Não seria grande coisa. “Não traga esse legalismo para cá!”. Aparentemente, isto é o que muitos pastores, presbíteros, diáconos e a inteira congregação pensam, já que fazem pouco para lidar com o assustador número de ausentes.
Por exemplo, em minha própria denominação, a Convenção Batista do Sul, apenas um terço da membresia total de quarenta mil igrejas nos EUA realmente participam dos cultos todo domingo. Isto significa que aproximadamente dez milhões de supostos cristãos na verdade são faltantes.

NEM TODOS OS AUSENTES SÃO IGUAIS

Uma vez que nem todos os ausentes são iguais, as igrejas devem tratar os diferentes tipos de ausentes de maneira diferente. Aqui estão quatro tipos distintos:

1.     Aqueles que vivem nas proximidades, mas são incapazes de freqüentar o culto: a idade ou a saúde os impedem. Membros anciãos ou doentes devem ser tratados com cuidado especial. Este artigo não é sobre eles
2.     Aqueles que vivem (temporariamente) fora das proximidades e são incapazes de participar: militarismo ou compromissos de trabalho os impedem. Estes ausentes (temporários) também devem ser tratados com cuidado especial, uma vez que suas viagens a trabalho colocam um fardo único sobre eles e suas famílias. Este artigo não é sobre eles.
3.     Aqueles que vivem fora das proximidades e escolhem continuar sendo membros de sua igreja local: a distância os impede. Ausentes desse tipo devem ser encorajados a participar de uma igreja que eles podem freqüentar. Este artigo é sobre eles.
4.     Aqueles que vivem nas proximidades, mas esporádica e raramente participam dos cultos: nada realmente os impede além de sua própria vontade. Este artigo é especialmente sobre eles.

PORQUE OS AUSENTES SÃO NOCIVOS

Esses dois últimos tipos de não-frequentadores têm um efeito nocivo na igreja local porque eles afirmam que a membresia no corpo de Cristo é inútil.

Em 1 Coríntios 12, o apóstolo Paulo fala do corpo e suas partes como uma metáfora da igreja:
“Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo.” (1 Co 12.12)
“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” (1 Co 12.27)

Entre esses dois versos, Paulo exorta os membros da igreja em Corinto a enxergarem-se como uma parte do todo, necessitando daquilo que os outros membros contribuem. As partes têm funções diferentes (alguns são apóstolos, alguns são profetas, e por aí vai), mas todos eles se juntam para fortalecer o todo. Este é o propósito de Deus para o corpo de Cristo: quando cada membro contribui com algo único junto ao todo, a glória multiforme de Deus será colocada em evidência. Portanto, quando supostos membros (partes) do corpo de Cristo decidem separar-se do resto do corpo, eles ameaçam sua integridade. Se cristãos se separam do corpo de uma igreja, o que você tem não é mais um corpo, mas órgãos desordenados.

Quando eu retiro o pêndulo do relógio do meu avô, ainda posso fazer certas coisas com ele, como abrir latas de tinta lacradas. Mas este é um mau uso do pêndulo. O pêndulo (uma parte) foi desenhado para encaixar-se dentro do relógio, juntar-se às outras partes e providenciar o peso que coloca em movimento as engrenagens que girarão os ponteiros, o que nos permite ver as horas.  Isto é como os cristãos deveriam funcionar dentro do corpo de Cristo. Um cristão que se arranca de um corpo local de cristãos é como um pêndulo abrindo uma lata de tinta, não um pêndulo que faz um relógio funcionar.

Mas os ausentes não ameaçam apenas a si mesmos; na verdade, eles têm um efeito nocivo na igreja local da qual eles nominalmente fazem parte. Eu diria que os ausentes têm um efeito tóxico de quatro maneiras diferentes.

OS EFEITOS NOCIVOS DOS AUSENTES

1. Eles fazem o evangelismo mais difícil

Primeiramente, os ausentes fazem o evangelismo mais difícil. Sua igreja é chamada para ser um posto do Reino de Deus em sua comunidade, uma pequena, mas significativa manifestação da glória de Deus, quando vocês amam um ao outro e amadurecem em Cristo. Portanto, todo aquele que carrega o nome de Cristo, como declarado por sua igreja, e que voluntariamente deseja viver sua vida separado da comunidade pactual de crentes está praticando falsidade ideológica. Eles carregam o nome de Cristo, mas eles não se identificam com seu corpo, a igreja local.

Usando a metáfora de Jonathan Leeman, eles vestem o uniforme do time, mas eles não treinam nem competem pelo time. Isto confunde o testemunho para a comunidade incrédula ao redor de vocês. Não-cristãos vêem seu uniforme em um cara que parece jogar para outro time. É como um homem que veste o uniforme dos Redskins, mas só torce pelos Dallas Cowboys, vai para os jogos dos Cowboys, fala sobre as cores dos Cowboys, e sonha algum dia morar em Dallas. É inconsistente, confuso e enganador. Voltando à linguagem bíblica, os cristãos foram adotados no corpo de Cristo. Os ausentes agem como se fossem órfãos. Isto torna tudo mais difícil para que a vida corporativa da igreja carregue o testemunho do Evangelho.

2. Eles confundem os novos crentes

Em segundo lugar, os ausentes confundem os novos crentes. Novos crentes são muitas vezes uma confusão. Tudo o que eles pensavam ser certo está errado, tudo que eles pensavam ser errado está certo. Há uma grande confusão nas primeiras semanas e meses, e até anos de vida do novo crente. Eles precisam ser bem ensinados.

Mas não apenas isso, eles precisam de bons modelos. Quando a doutrina que eles aprendem não bate com os modelos que eles vêem, eles ficam confusos. Os ausentes não são apenas testemunhas reversas, eles são modelos reversos. Eles ignoram e desobedecem a inúmeras passagens da Escritura, e falham em expressar o caráter de Deus mesmo das maneiras mais básicas, mesmo eles clamando serem filhos adotados.

Em sua arrogância, os ausentes estão efetivamente dizendo aos novos crentes: “tudo isso que vocês estão lendo na Bíblia não é realmente necessário. Vocês podem viver sem encorajamento dos outros cristãos. Vocês podem viver sem sacrificar-se ao servir e amar outros cristãos. Vocês podem viver sem ensino e sem pregação. Vocês podem viver sem pastores”.

3. Eles desencorajam freqüentadores regulares

Em terceiro lugar, ausentes desencorajam freqüentadores regulares. Freqüentadores regulares fazem sacrifícios para manter sua aliança com sua igreja local. Eles dão seu dinheiro e seu tempo para satisfazer a necessidade dos outros membros do corpo, o que não é fácil, para dizer o mínimo. Os ausentes não fazem essas coisas, pelo menos não com alguma regularidade. Assim, quando uma igreja permite que ausentes permaneçam membros, elas efetivamente erodem o significado da membresia, o que fere e desencoraja os fiéis.

Além disso, os ausentes negam à igreja seu serviço, o que tende a desencorajar os freqüentadores fiéis. Certamente uma igreja de 100 membros, em que todos estão trabalhando para a glória de Deus com os dons que Deus os deu, é exponencialmente mais forte que uma igreja de 35 freqüentadores e 65 não-frequentadores. Os ausentes inadvertidamente colocam o fardo inteiro sobre alguns poucos, um fardo que esses poucos não deveriam carregar sozinhos.

4. Eles preocupam seus líderes

Em quarto lugar, os ausentes preocupam seus líderes. Hebreus 13.17 diz: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas.”. A luz desse verso, um pastor ou presbítero fiel deve sentir-se responsável pelo estado espiritual de todo membro de seu rebanho. Como um pai preocupado com o filho que ainda não voltou para casa à noite, um bom pastor não descansa até que preste contas de todas as suas ovelhas. Não-frequentadores fazem a tarefa quase impossível.

Embora tempo e coragem sejam necessários para lidar com o problema dos ausentes, todo pastor ou presbítero deve sentir a responsabilidade de remover esses faltantes e curar o efeito nocivo que eles têm sobre o evangelismo, sobre os novos membros, sobre os freqüentadores fiéis e sobre os pastores da igreja. A recompensa? Enquanto a membresia cada vez mais consiste apenas daqueles que fielmente participam e contribuem com a vida do corpo, a igreja começará a parecer-se com o corpo que Deus planejou: uma expressão de sua sabedoria, que traz glória ao Cabeça da Igreja, Jesus Cristo.



9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. HP:

    Gostaria de iniciar enfatizando mais uma vez que não levanto bandeira contra ou a favor de igreja/instituição. Aliás, não levanto bandeira. Questiono algumas bandeiras levantadas. É bem diferente rss

    Primeiro, observe-se claramente a entonação religiosa de quem usa de argumentos para manter a 'igreja'.

    Ou seja: texto tendencioso do início ao fim, usando um versículo (Hebreus 13.17) totalmente fora do contexto atribuindo a um dirigente o 'estado espiritual' de seu rebanho, quando na verdade, há o intuito SUTILMENTE APELATIVO de induzir os fiéis à submissão desses líderes. E dentro dos seus espaços físicos, obviamente!

    Ora, naquela época, os líderes religiosos se confundiam com os líderes políticos. Eles eram A LEI! Eles eram soberanos em relação à vida de um povo ignorante! Um povo sem estudo e dependente em todos os sentidos dessa minoria político/eclesiástica que os conduzia em cabrestos. Essa minoria que decidia TUDO sobre suas vidas e ponto! Quem se rebelasse sofria penas terríveis!!!

    Paulo, sabiamente, não queria colocar o povo contra a lei da época, esse jamais foi seu intento! Ele sempre alertava os novos convertidos a esse respeito. E não havia contradição em sua mensagem do Evangelho, apenas ele exortava o povo a respeitar as normas vigentes da época. E, dentro daquele novo movimento que se formava, não era diferente. O povo continuava ignorante, e, consequentemente, submisso.

    E ele se referia aos que pregavam a Palavra, usando o mesmo princípio de autoridade e respeito. Entretanto, pelo que capto do caráter cristão do apóstolo em suas cartas, ele sempre deixa bem claro o verdadeiro ensino.

    Baseando-se no que acabo de dizer, atente-se para um fato curioso. Pois ANTES deste versículo citado pelo autor acima ele diz com que realmente Deus SE COMPRAZ:

    - POR MEIO DE JESUS, oferecendo SEMPRE (continuadamente) sacrifício de LOUVOR que é o fruto dos lábios que confessam Seu Nome, como também a prática do bem e a MÚTUA cooperação. (Conferir em Hb 13: 15.16)
    Perdoem-me os religiosos de carteirinha, mas o ato de frequentar uma igreja não faz alguém automaticamente parte do 'corpo de Cristo'.

    Precisamos sair desse paganismo religioso e entender que somos TODOS responsáveis uns pelos outros. Somos todos sacerdotes! Não há um guru espiritual. Na vida com Cristo não há 'ausente' ou 'presente' conforme determinado em doutrinas. Mas, sim, co-participação, um compartilhar efetivo no chão da existência. Continuadamente!!!

    E, da mesma forma que não há ninguém 'responsável' pela vida espiritual de outra, precisamos entender que 'O Corpo de Cristo' jamais será algo visível, contável e palpável! Vejo que o equívoco já começa daí...

    Na minha opinião, feliz daquele que é 'frequentador regular' com essa consciência!

    Abs,

    R.

    (Havia removido este mesmo comentário para fazer algumas correções. TKS!)

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    1. Oi Regina,

      Gostei do teu comentário, em especial pela parte do “Somos todos sacerdotes! Não há um guru espiritual!” É verdade, mas você sabe que não são todos os que estão dentro da igreja nessa condição, infelizmente. Deveriam ser, mas ainda não são. Penso que caímos novamente na conversa desses dias atrás sobre quantidade e qualidade. Não adianta ter uma igreja cheia de pessoas que não conhecem Cristo e não tem suas vidas mudadas por Ele, que vão à igreja apenas para serem entretidas e passarem um bom momento.

      Você sabe que eu sou líder de uma igreja pequena. Mas Deus sabe que nunca coloquei amor no título que me foi proposto, pelo simples motivo que entendo que o que eu preciso é ajudar a todos os membros. Na verdade penso que eu deva apenas servir a comunidade da que sou líder, não usando de autoridade para subjugar ninguém. Estamos todos debaixo do jugo de Jesus, todavia me sinto responsável em transmitir a Verdade do Evangelho de Cristo, procurando amar a todos e ajudando, auxiliando na medida do possível. Sei que não consigo desempenhar meu trabalho como desejaria, mas tenho procurado fazer o meu melhor, Deus sabe.

      O grande problema que vejo no meio dos membros da minha comunidade é que são poucos os que entendem o Evangelho de Cristo e que de fato foram transformados por Ele. Já cansei de ver que para muitos “ir a igreja” é igual a “ir ao restaurante ou à um shopping”, quando ir à igreja deveria ser um momento para estarmos juntos, unidos, para louvarmos a Deus com alegria, sermos edificados através da leitura da Palavra de Deus, trocarmos experiências, enfim crescermos espiritualmente. Sei que muitos tem todas as condições materiais para ir ao culto (carro, saúde, tempo, etc.), mas mesmo assim preferem muitas vezes ficarem em casa assistindo à um filme, navegando na internet etc.

      Estes que vão a igreja como vão a um restaurante, apenas para passar tempo ou entreter, geralmente são os mais inconstantes, os que mais faltam. Eles me preocupam, não porque eu queira fazer valer o título que me deram me sobrepondo a eles, mas sim, eu gostaria de ajudá-los, auxiliá-los. Infelizmente vejo que estes na sua maioria são “ariscos”, talvez sabendo que se derem corda para mim, eu vou tocar no assunto da presença deles nos cultos, exortando-os a serem mais constantes, a colocarem as coisas de Deus em primeiro lugar em suas vidas. “Ah, mas eles podem colocar as coisas de Deus em primeiro lugar e mesmo assim não irem na igreja, quem garante?”. Não sei. Se falarmos que na igreja vamos louvar a Deus juntos, nos reunirmos para lermos a Bíblia e sermos edificados pela Palavra de Deus, não vejo como isso não seria um convite irresistível para qualquer um que queira Deus acima de todas as coisas.

      O texto que postei não me satisfaz inteiramente, por exemplo, o ponto 3 é algo que não concordo que ocorra em sua integridade, mas penso que possa servir de motivo para o desanimo de outros. Entretanto vejo no geral que, sendo aplicado de maneira sincera e se o culto de louvor a Deus for sincero, a ausência nos faz perder muito e crescermos espiritualmente. Penso que o convívio nos faria aprender a suportarmos um aos outros, nos amando em Cristo, perdoando, ajudando, etc.

      Sei que apenas o frequentar da igreja não nos faz parte do corpo de Cristo. Também sei que vários em vez de agregarem, desagregam, semeando fofocas, intrigas entre outras coisas carnais. Mesmo assim penso que o convívio possa agregar algo, ajudando aqueles que frequentam a entender a respeito da graça de Jesus, se assim Cristo quiser. Pode haver muitas coisas positivas em um convívio sadio entre membros dentro da igreja.

      Tem muita mais coisa que eu queria analisar, mas me falta um pouco de meditação a respeito. É sobre a parte da parábola do Joio e do Trigo que Cristo propôs. Não sei, mas ao que me parece, a quantidade de joio tem sido maior do que a de trigo. Hehehe

      Abraço sister!

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    2. Ah, e sem dúvidas, "feliz daquele que é 'frequentador regular' com essa consciência".

      Abraço!

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  3. HP

    '... penso que o convívio possa agregar algo, ajudando aqueles que frequentam a entender a respeito da graça de Jesus, se assim Cristo quiser. Pode haver muitas coisas positivas em um convívio sadio entre membros dentro da igreja'.

    Tb penso assim...

    Daí a frase: "feliz daquele que é 'frequentador regular' com essa consciência".

    Pena que não há essa consciência. Os religiosos de plantão a suplanta!

    Imagino sua reflexão a esse respeito. Sei da sua função e da sua consciência. Rogo a Deus que o faça usar sempre o bom senso e nunca se permita engessar.

    Abs,

    R.





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    1. Oops! Correção: *os religiosos de plantão a suplantam!

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    2. Obrigado Rê.

      É o que peço muito a Deus, que não me engesse, porque senão viro um fanático que só sabe berrar no púlpito e colocar medo nos outros.

      Que Deus me livre disso!!!

      Abraços!

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  4. Então, Henrique...

    Deus te ouça, Deus te ouça!!!

    E é justamente desse fanático que corro quilômetros!

    Seja em que denominação ele estiver!

    Mas corro quilômetros dizendo o porquê rss

    Abs!!!

    Rê.

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