Por: HP
Preciso confessar. Não tem sido fácil abrir minha boca sobre a Palavra
de Deus ultimamente. Desde que realmente Cristo me converteu, tenho entendido que, parafraseando o Maurício Zágari do Blog Apenas, “Cristãos autênticos não são perfeitos, são pecadores que se esforçam
para se aproximar o máximo possível da perfeição.”
O problema talvez seja que minha dialética deve ser pobre demais. Talvez eu não consiga explicar isso claramente para a igreja que freqüento. Eu estou procurando
amá-los como a mim mesmo, quero muito o bem da igreja, meu desejo é ver um povo
cheio de alegria em Cristo, piedoso, amoroso, luz neste mundo de trevas,
lutando contra seus pecados pessoais, ajudando aos pecadores, mas sinto cada vez
mais que estou sendo utópico. Parece que esta igreja existe apenas nos meus
pensamentos (e nos ensinos bíblicos) e a igreja real nunca será assim.
Não tomo isso pelo lado pessoal. Claro que tento ser gentil, mas entre agradar a todos e desagradando a Deus, não. Nunca. Eu prefiro agradar a Deus, pouco me importando com a minha reputação
pessoal. Mas se estou pedindo a Deus para que as pregações
feitas por mim sejam sempre dentro do ensinado nas Escrituras (e devo confessar
que estou prestando muita atenção para não falar besteira, ensinando o povo
erradamente), porque muitas vezes parece que o que falo “entra por um ouvido e sai
pelo outro” numa igreja que deveria ser madura espiritualmente?
De vez em quando fico sabendo de coisas que me entristecem no meio do povo, e como tenho
uma veia forte para a autocrítica, logo me martirizo, pois como já disse, talvez minha
dialética deve ser pobre demais ou talvez me falte mais leitura, mais consagração,
não sei. A única coisa que sei que parece que "a ficha não cai" para alguns ou em termos bíblicos "a semente não cai em boa terra". Talvez? Não sei.
Tenho estado constantemente em oração e em comunhão, meditando nas
coisas de Deus. Eu sei que sou um pecador dos ruins mesmo. É um mistério o porquê
de Cristo ter me escolhido para revelar o Pai para mim. Pior é quando eu vejo a
ousadia que tenho em falar de Cristo a uma igreja! Mas tenho que ser sincero, o
tesouro que achei em Cristo me impele a falar Dele! Seria um tremendo egoísmo
de minha parte não falar de Cristo ao meu próximo, mas sinto que não são todos
que aceitam de bom grado. E muitos deles fazem parte da igreja que freqüento!
Falar de Cristo para quem está atolado no pecado e o tal não aceitar é
até compreensível, mas falar de Cristo para quem alegadamente é batizado há 5,
10, 20, 30 anos e o tal não aceitá-lo é muito, muito estranho. “Irônico” não
é, porque a graça de Cristo não é brincadeira, e a existência do inferno e da
ira de Deus é real, extremamente real, portanto a palavra que acho para isso é “Triste”.
É extremamente triste uma pessoa viver anos a fio dentro de uma denominação sem
conhecer Cristo! E o pior, viver anos achando que servem a Deus, ou tendo a denominação que frequentam como uma espécie de "amuleto" que assegurará a salvação no final, quando na verdade estão tendo todas as qualificações necessárias para serem jogadas no inferno!
Isso é terrível! Denominação nenhuma salva! O único que nos salva da ira de Deus é
Cristo, mediante o sacrifício que Ele consumou na cruz. Enquanto não termos realmente o Pai, o Filho e o Espírito Santo morando
dentro dos nossos corações, estaremos tendo apenas religiosidade, regras vazias
que nos levam apenas a morte da alma!
Ah, e se você tem uma casa, você cuida dela, a deixa agradável, coloca
do bom e do melhor dentro dela. Você a protege, pois é o teu lar. Se o Pai, o
Filho e o Espírito Santo morar mesmo dentro dos nossos corações, será que Deus não
cuidará de nós, nos enchendo de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade,
bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio? Seremos Lar de Deus!
O problema é que muitos de nós não queremos que Deus habite dentro de
nós. Até falamos de boca pra fora, mas na realidade queremos ser donos de nós mesmos. Não queremos ser conduzidos por Deus. Não
aceitamos os exemplos de Cristo. Tomar a nossa cruz e segui-lo? Não obrigado, não sou besta em querer sofrer.
É, e quando Cristo disse: “E quem
não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.” (Mateus
10:38), ninguém imaginava que Ele tomaria uma cruz um dia e seria martirizado
por nós...
Devemos sim tomar a nossa cruz, como também entendermos e
agradecermos pelo sacrifício que Cristo fez na cruz por nós!
Que Deus tenha misericórdia de nós.
Na paz que Cristo nos deu.
HP:
ResponderExcluirVocê não imagina a tristeza que me vai n’alma sempre que vejo denominacionais despejando versículos de maneira isolada nos comentários.
Tem um anônimo lá no blog do meu amigo Hélio que tem batido recorde nesse sentido. E a cegueira é tanta que ao mesmo tempo em que ele abusa dessa insensatez, ele critica quem fala acerca do Evangelho, rotulando de ‘sofismático’ no sentido mais pejorativo possível.
Não existe coisa mais irresponsável e infantilóide do que descontextualizar frases! Ora, se isso já é um crime em se tratando de qualquer texto o que diremos, então, dos escritos bíblicos? E o mais grave é que a turba engessada aplaude...
É por essas e outras que eu me solidarizo com pessoas como você que rasgam o coração dessa maneira. Porque eu não apenas imagino a angústia em seu peito, como sofro a mesma angústia vendo tantos irmãos de uma denominação afirmando coisas terríveis a respeito de Deus porque foi assim que eles aprenderam; e eles, teimosos e resistentes, não querem sair das tradições que afirmam que somente os que rezam sua cartilha são os que ganham o prêmio celestial.
Sofro particularmente por 'determinada' denominação, porque nela estão pessoas muito próximas e muito queridas. Pessoas que usam como premissa para suas vidas ditames que absorveram a vida inteirinha. E que só servem para que elas acreditem que são melhores que os outros; que estão na frente de todos para ganhar o céu. Porque cem anos atrás um Deus maluco resolveu anular a Nova e Eterna Aliança ‘revelando’ que apenas quem está em determinada igreja subirá aos céus.
Aliás, essa história de ‘escolhidinho’ se repete desde que o mundo é mundo, e só muda o endereço e o nome.
Os judaizantes se arrogavam no direito de se acharem os abençoados, filhos de Deus e herdeiros dos céus. O Verbo se fez carne e habitou entre eles derrubando essa tese. Jesus disse-lhes pessoalmente que havia filhos Dele ‘fora daquele aprisco’. Mesmo assim, esses mesmos não entenderam e o mataram. (Como matam nos dias de hoje). Depois vieram os discípulos de Jesus; que, inevitavelmente, foram rotulados pelos de fora como 'cristãos' por se portarem como Cristo. Até aí tudo bem, pois tal rótulo até que cabia. ‘Cristão’ era um termo que combinava com o discípulo que buscava seguir os passos de Cristo, mesmo com todos os desacertos e a certeza de falhos e dependentes da misericórdia de Deus. Os escritos de Atos e das cartas do NT falam dessas falhas e desacertos dos próprios discípulos e apóstolos.
Aí inventaram o Cristianismo como conveniência política e as pessoas começaram a ser cristãs sem ter nada de Cristo.
Não demorou e o catolicismo tomou pra si a patente de dono do céu, determinando normas para alcançar as bonificações. Uma maioria incauta e inculta seguia cegamente o que lhe era determinado, sendo extorquido de todas as formas.
Um belo dia, na Idade Média, surgiu um católico (Lutero) que não compactuava com aquela falta de compaixão para com a ignorância de um povo que sofria por falta de entendimento (conhecimento, estudo). Alguém que lhes abriu os olhos ao traduzir as escrituras, apontando o Evangelho como libertação e dizendo não à escravidão cultural e religiosa da época. Protestando, dando a cara a tapa, pagando preço altíssimo ao romper com o sistema. Ajudando o povo a enxergar o quanto estava sendo explorado não apenas materialmente, mas, acima de tudo, psicologicamente. Que sua capacidade de pensar por si mesmo estava sendo engessada para ser escravizado.
ResponderExcluirSurgiram novos doutrinadores e (re) inventaram novas doutrinas com os tais acréscimos que Jesus falou em Marcos 7. Antes de Jesus, depois de Jesus e naquela época da Idade Média já acontecia isso que vemos hoje. Lamentavelmente, nunca parou de acontecer, pois afinal trata-se do ‘bicho-homem. Pretensioso e equivocado em suas famigeradas interpretações.
Então - devido à natureza humana - inevitavelmente surgiram novas doutrinas que continuavam a dar ênfase a velhos e mofados maus hábitos; doutrinas que não apenas falavam sobre escolhidos, servos, abençoados, mas que determinavam quem são estes com base em limitados parâmetros do homem.
‘E fazem muitas outras coisas semelhantes’ - diria o próprio Jesus na passagem citada acima.
E o homem segue nessa presunção anulando o Sacrifício realizado na Cruz e que determinada a Nova e Eterna Aliança.
Enfim:
Crer na ‘expiação apenas pelos eleitos’ não nos dá o direito de acreditar que os escolhidos são somente os que estão na linha de frente de uma determinada linha doutrinária. Inclusive se pode crer nessa limitação baseado nas inúmeras passagens que estão nas escrituras, tudo bem, beleza! Afinal, essa é a ideia! Mas, convenhamos, não se pode jamais determinar quem são os tais. Essa presunção de apontar quem é e quem não é eleito com base em doutrinas de homens gera arrogância, afastamento, frieza, indiferença, desamor, boçalidade, falta de humildade, e principalmente a tal da pseudopiedade. Isso Jesus repudiou com todas as Suas forças! Os que têm a mente de Cristo também repudiam.
Eu repudio!
Os que se dizem ‘cristãos’, os seguidores de Cristo(servos, discípulos, etc) deviam fazer o mesmo. Não importando a reputação pessoal, como diz você.
'Naquele dia haverá muitas surpresas'.
Deus te abençoe!
R.
Ah Regina...
ResponderExcluirEu tava sintindo falta dos teus comentários.
Como é bom ter paciência e esperar né? Um comentário de lavar a alma. Toda a glória a Deus!
Não tenho nada a acrescentar, talvez somente a pedir que Deus nos livre das "presunções carnais" de tentar anular o Sacrifício realizado na Cruz com filosofias humanas (que aliás, são terrenas, animais e diabólicas). É só isso que peço.
Deus te abençoe sister!
HP,
ResponderExcluirEntão...
Por isso não é bom demorar rss
Quando decido vir, venho pra valer.;)
Mas me perdoe pela invasão de excesso de palavras em seu blog.
Isso não é um comentário affff rsss
Sei que abuso confiante na sua compreensão. Mas é que esse tema mexe comigo 'dicunforça'.
É tanto que o transformei em texto no meu blog, com referência não só para o teu como para o do Hélio. Porque uma coisa chama outra. É inevitável. Está tudo interligado e minha postura é uma só. Graças a Deus.
Que Ele continue nos dando força e coragem para falar do Seu Amor além dos muros denominacionais livrando-nos das presunções (como vc coloca tão bem)
Falou, 'brow' ;)
R.
Rê!
ExcluirExcesso de Palavras? Hahaha. "Qué isso cumpanheira?"
Seja sempre bem-vinda!
Abraços!
Amado Irmão,
ResponderExcluirObservo traços deste teu sentimento em alguns do ministério aqui da minha região, principamente os coperadores. A angustia de ver o "santos" clamando por "benças", e Deus falando palavra de vida eterna. Admiro-os muito!
Que Deus continue te abençoando, iluminando e conceda o desejo do seu coração,
E se um dia for possível nos visite!
Jardim Telles de Menezes - Santo André - SP
Szmyhiel,
ExcluirConfesso que tem vezes que dá vontade de desistir tamanha é a angústia em sentir o povo que estão dentro da igreja, pensando que assim estão ganhando crédito com Deus para numa eventual necessidade poder exigir de Deus um favor.
Me machuca muito ver um povo que não quer saber de vida eterna, de andar nos passos de Cristo, de servir a Deus como uma nova pessoa. São "Zumbis-Espirituais".
Me sinto por vezes o único que prega isso no meio do ministério da minha localidade. Por isso talvez esse desabafo que fiz. Um desabafo de solidão. De voz sozinha no deserto...
Indo ao Brasil te visitarei sim. Tenho conhecidos em Santo André. O problema é apenas chegar lá, porque a Avenida dos Estados vive sempre entupida. hahah
Abraço querido. Deus te abençoe!
Amém Amado,
ResponderExcluirQue mundo pequeno, né...
Realmente a Av. dos Estados é um caos rsrsrs,
Em quanto isso passarei sempre por aqui!
Mas são poucos mesmo os que não forçam discursos eloquentes e "emocionantes", a franqueza e serenidade na palavra é dom de poucos!(Jóia Rara!)
A paz de Deus,
Grande abraço!