Desde a
Assembléia Geral de 1936, a Congregação Cristã no Brasil menciona nos seus
estatutos os 12 pontos de Doutrina e Fé estabelecidos pela Convenção de 1927 de
Niagara Falls nos Estados Unidos. Dentre destes pontos em 10/04/2004, foi alterado o 1º
Ponto de Doutrina, conforme se vê abaixo:
Como era:
1º Nós
cremos na inteira Bíblia e aceitamo-la como infalível Palavra de Deus,
inspirada pelo Espírito Santo. A Palavra de Deus é a única e perfeita guia da
nossa fé e conduta, e a ela nada se pode acrescentar ou d’Ela diminuir. É,
também o poder de Deus para todo aquele que nele crê. (2º Pedro 1:21; 2º
Timóteo 3;16-17, Romanos 1:16)
Como ficou a partir de 2004:
1° Nós
cremos na inteira Bíblia Sagrada e aceitamo-la como contendo a infalível Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito
Santo. A Palavra de Deus é a única e perfeita guia da nossa fé e conduta, e a
Ela nada se pode acrescentar ou d’Ela diminuir. É, também, o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê. (II Pedro, 1:21; II Tim. 3:16-17; Rom. 1:16).
Não foi
divulgado o porquê desta modificação, visto que todos os outros 11 pontos
continuam intactos. Apesar de parecer uma modificação cosmética, esta pequena modificação
traz impactos e perigos enormes na fé professada pela igreja.
Numa
análise rápida da língua portuguesa, o texto original afirma que a Bíblia é a Palavra de Deus, e a Palavra
de Deus é a Bíblia.
No
texto modificado em 2004, é afirmado que a
Bíblia contém a Palavra de Deus, podendo:
a) A Bíblia também conter capítulos e livros que não são a
Palavra de Deus ou
b) A Bíblia não ser completa, podendo outras pregações ou revelações
serem reconhecidas como a Palavra de Deus também.
Estas
duas interpretações dadas à Bíblia como “contendo a Palavra de Deus”, levam a insuficiência
da Bíblia, aonde muitos livros ou capítulos contendo ensinamentos valiosos
podem ser ignorados como “não inspirados por Deus” como também a aceitação de
qualquer manifestação nova, por mais estranha que possa ser como “Revelação de
Deus”.
Muitas
igrejas têm enveredado seus caminhos por revelações contrárias as encontradas
na Bíblia. Estas igrejas em geral tem tomado uma postura liberal quanto a casamento,
divórcio, aborto, eutanásia, sexo antes do casamento, homossexualismo, pastoreio feminino etc.
Outras igrejas trazem para dentro de suas comunidades “talismãs” da fé, tais
como “rosas ungidas”, “camisas com nó na manga”, “copo de água em cima do
televisor ou rádio”, bem como danças, “cai-cai”, e tantas outras invencionices
baratas que transgridem totalmente com os ensinos das Escrituras. Uma vez que a
Bíblia não é mais o parâmetro da fé, qualquer invencionice criada por mentes
humanas poderá ser elevada a categoria de “Palavra de Deus”. Com esta modificação, a Congregação Cristã abre portas para esses malefícios entrem dentro da igreja. A Bíblia já não é única guia de fé e doutrina.
Paulo
em sua carta aos Gálatas, no capítulo 1, verso 8, deixa claro que “ainda que
nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos
tenho anunciado, seja anátema.” Nessa passagem, vemos que o Evangelho de Cristo
não pode ser alterado, sob pena daquele que assim o fizer ser excomungado da
fé.
Não sei
de quem partiu esta alteração feita neste ponto vital da estrutura da fé da Congregação
Cristã no Brasil, mas digo, tendo em luz a Palavra de Deus que tal pessoa
errou. Foram “condutores cegos: ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na
cova.” (Mateus 15:14).
Que
Deus tenha misericórdia dos membros e do ministério da Congregação Cristã no
Brasil.
Fico pensando quem maquinou esta mudança, com que argumentos, visto que não temos correntes teológicas que brigam entre si.
ResponderExcluirNão temos uma tradição em questões doutrinárias. Aliás nem damos tanto ênfase assim aos pontos de doutrina.
Qual teria sido o motivo pra tal alteração. Aliás os pontos de doutrina deveriam ser cláusulas pétreas, ou ensinamentos mudam, a doutrina nunca! já prevejo que o próximo tópico a ser alterado será o sétimo, dado o desprezo que temos tido pelo dom de línguas e pela virtude na igreja.
Então Daniel, não sabemos quem propôs esta mudança, com qual intuito e quem aprovou para então ser apresentado a toda irmandade no culto em 10/04/2004.
ExcluirLembro que em 2004 foi pedido à irmandade para comparecerem à igreja do Brás para que assim fosse apresentado (lido) o novo Estatuto e assim caso aprovado (pelo Amém uníssono). Lembro que estive presente neste culto, tivemos que assinar o livro de presença aonde após massantes 20 a 30 minutos de leitura, o ancião que presidia instruiu a igreja a responder com o Amém. Porém não foi dada cópia física do Estatuto a nenhum membro presente, bem como a alteração realizada é difícil (para não dizer impossível) de ser notada no meio de 30 minutos de leitura.
Hoje me sinto culpado por ter respondido o amém. Entendo que deveria haver uma cópia física, distribuída a todos os membros para que assim fosse analisada com calma e após uma ou duas semanas então um culto seria marcado com a finalidade de apresentar possíveis resoluções e aprovação. Seria o correto a ser feito.
Gostaria apenas de salientar que não estou defendendo os pontos de doutrina de Niagara Falls, mas por tirar da Bíblia o caráter de infalível Palavra de Deus. Quanto aos demais pontos de doutrina de Niagara Falls, foram interpretações tiradas da Palavra de Deus aonde em breve espero poder escrever a respeito. É uma questão que abrange análise teológica e deve ser minuciosamente trabalhada para que haja a correta interpretação dos textos bíblicos, a fim de não corrermos em erros.
Deus te abençoe!
Acabei de comentar no Blog do Mario, uma alteração estatutária corriqueira, como a adequação com o Código Civel ou medidas administrativas são tomada nas reformas. Agora, uma mudança doutrinária exige a convocação de uma Convenção Geral, tal como ocorreu em 1936 onde se definiu os tópicos como válidos para o Brasil - nota à margem: chegamos a ter 14 pontos, que depois foram suprimidos, não continham nada de especial, apenas cria mais no sobrenatural -.
ResponderExcluirDevemos pensar qual terá sido a reação dos marrentos anciães chilenos e argentinos?
É o que me pego a pensar, quem, porque e com que argumentos se propôs a alteração.
ResponderExcluirUm irmão me questionou sobre o assunto, sinceramente, acho que tem que explicar é quem alterou.
Em se tratando de pontos de doutrina, por mais simples que seja a alteração, os membros devem ser consultados, não apenas para dizer "Amém" ou assinar uma ata, mas deve ser exposto claramente as mudança e os motivos de tais mudanças e então o povo dizer se concorda ou não.
Estranho isso, abrir a boca para falar de uma pregação não fundamentada, para muitos, é blasfemar contra o Espirito Santo... Já reduzir a importância da Bíblia parece não significar nada.
Sabe o que fica martelando na minha cabeça? ... As ladainhas do Jahyr, nunca fui simpático a elas, mas dado os fatos... =/
Mário,
ExcluirPodemos dizer que essas atitudes tomadas pela liderança dá margem à muita insatisfação.
É simples mandar uma circular sobre "não discutir doutrina na internet", mas qual é o canal existente para discutirmos a doutrina? Não há!
Abs.