Por: Walter
McAllister
Comentário final: HP
Comentário final: HP
A Internet está servindo de palco para o maior vale-tudo de todos os
tempos. Como o mais amplo fórum aberto a discussões da História da humanidade,
a web possibilita como nunca antes que
pessoas de todos credos, raças, gêneros, idades e classes sociais digam o que
pensam sobre tudo. Tribos inteiras se ocupam dos assuntos mais diversos, desde
a vida privada de celebridades até descobertas incríveis nas ciências. E há
grupos que só querem anarquizar.
A Igreja está bem presente na Internet e as discussões voltadas para ela
são como um furacão soprando por ambientes virtuais, como Twitter, Facebook,
blogs e salas de chat. É um furacão
que gira em torno, principalmente, da revolta com o estado em que a Igreja se
encontra em nossos dias. Ela se manifesta em duas facções principais: a revolta
que parte de pessoas que foram machucadas no ambiente eclesiástico e uma
revolta ideológica. Essa – que será o foco deste post – não se fundamenta num
sentimento de dor pessoal, mas num desprezo pelo que se percebe como o
desvirtuamento dos rumos do povo de Deus.
Assim, os adeptos da Missão Integral estão fartos de quem se diz cristão
mas não levanta um dedo para ajudar o próximo – não concordo com todas as suas
conclusões missionais, mas são pessoas de um sentimento cristão real e precisam
ser ouvidas. Já os reformados estão de vento em popa: há um ressurgimento
vigoroso desse campo vital de interpretação bíblica, que vejo com bons olhos.
Os mais jovens, em geral, andam muito bélicos e parecem ter mais interesse em
ter razão do que em realmente promover paixão por Deus. Há muitos outros campos
e, se começar a enumerar a todos, vou deixar de dizer o principal.
Além de sugerir rumos e soluções, muitos tecem comentários sobre outros
campos da Igreja ou levantam críticas contra líderes e contra movimentos. Não
nego que tenho feito exatamente isto. No meu livro O Fim de Uma Era mostro
muito daquilo que está destruindo a Igreja e a levando a uma falência
institucional como existe hoje – muito embora saibamos que a Igreja nunca
acabará. Mas é certo que passará, em breve, por mudanças cataclísmicas e
calamitosas. Haverá um remanescente fiel, como sempre há. Mas a parcela
majoritária da Igreja como a conhecemos não tem como sustentar seu ritmo e sua
metodologia por muito tempo.
Como sou um dos analistas dos tempos e dos movimentos da Igreja e
exponho minha visão neste gigantesco fórum aberto que é a Internet,
naturalmente essa visibilidade me torna passível de receber a minha parcela de
críticas. Isso não me incomoda, em absoluto. Quero que as ideias sejam debatidas.
Como pedras que se afiam, temos de deixar que nossas percepções batam de
frente, desde que a discussão seja franca, bíblica e informada. Claro que –
como há muitos que não sabem argumentar de forma civilizada e, por que não
dizer, cristã – recebo respostas que me atacam pessoalmente. É um golpe baixo,
vindo de quem não tem noção sobre como se conduzir no diálogo.
Fé é inegociável e mexe profundamente conosco. Só que, frequentemente,
confundimos o negociável com o inegociável. E, quando isso acontece, achamos
que, por uma pessoa criticar o que um líder faz, o estamos desmerecendo por
completo. Só que isso nem sempre é verdade. Criticar o que alguém faz não é
desqualificá-lo, é simplesmente apontar o seu erro.
Por que digo isso? Pois uma das respostas mais frequentes de quem não
tem argumentos para refutar uma crítica a algum líder que admira é: “Não
levantareis a mão contra o ungido do Senhor”. Aparentemente, faz sentido
bíblico. Mas na realidade, não faz: é uma má aplicação hermenêutica. E é uma
resposta que desvia o foco completamente do assunto em pauta. Essa é uma
resposta definitiva para quem acredita que esse argumento blinda todo e
qualquer sacerdote de toda e qualquer crítica. Só que seu propósito é
desqualificar o direito de crítica. Ou seja: por essa argumentação, devemos nos
calar perante os “ungidos”, independentemente do que fazem ou dizem. São
intocáveis. Só que a verdade inquestionável é que alguns dos “ungidos” dizem
absurdos e tomam atitudes que os desqualificam como servos de Deus.
O argumento “não levantareis a mão contra o ungido do Senhor” acha sua
origem no primeiro livro de Samuel. Davi estava jurado de morte por Saul. Mesmo
assim, ele se recusou a levantar a mão contra o seu rei, que tinha sido ungido
pelo profeta Samuel. Por isso, limitou-se a fugir. Mesmo quando teve a
oportunidade de matar seu opressor ele não o fez, por respeito à unção de Deus
sobre a vida dele. A grande questão é que essa passagem não pode ser usada como
desculpa para deixar qualquer “servo” fazer e dizer o que bem entende sem que
isso seja criticado. E provo na Bíblia.
Paulo deixa claro que há líderes que nem crentes são (Fp 3.2). São o que
ele chama de “cães”. João se referiu a eles como “anticristos” – líderes que
fazem mal à própria Igreja, levantando-se como inimigos da fé verdadeira (1 Jo
2.18). O apóstolo Paulo diz em Gálatas 2.11 que enfrentou Pedro, porque sua
atitude era condenável. Atos 15.39 mostra que Paulo e Barnabé tiveram um
desentendimento “tão sério” que se separaram. Esses são precedentes bíblicos
para a crítica clara e objetiva a atos e palavras dos que lideram na Igreja.
Portanto, não há como desqualificar quem quer que seja só porque levanta
observações legítimas sobre aspectos condenáveis ligados a líderes
eclesiásticos. Não se trata de “levantar a mão contra o ungido do Senhor”. Isso
se refere a Davi e a sua atitude de não se defender pessoalmente por meio de um
assassinato. Fazer uma aplicação no Novo Testamento dessa atitude Davídica é um
erro teológico elementar.
Conseqüentemente, o argumento não procede.
Líderes não são intocáveis. São merecedores de respeito, naturalmente,
mas não estão acima de críticas. O apóstolo Paulo diz que merecem honra dobrada
e até salário dobrado. Mas jamais, no Novo Testamento, são apresentados como
intocáveis, muito menos inquestionáveis. Por isso, continuemos, sem nenhum
receio, a debater, analisar e até mesmo denunciar quando um líder abusa de seu
chamado em Cristo.
Na paz,
+W
-----
Meu
comentário pessoal:
Enganado
está quem pensa que este movimento do “não toque no ungido do Senhor” ocorre
apenas em igrejas neo-pentecostais, aonde líderes se tornam “intocáveis” pelos
seus seguidores, por mais hereges que sejam.
Este movimento também ocorre, infelizmente, dentro de igrejas pentecostais tradicionais, aonde o simples questionar
é visto com maus olhos. Aonde líderes que podem não receber salários tornam-se erroneamente isentos de erros ou deturpações doutrinárias.
Como
o Bispo McAllister citou acima, a Bíblia deixa claro que há líderes que
deturpam os ensinamentos de Cristo para os tais, a própria Bíblia ordena que
devemos enfrentá-los e nos afastarmos dos mesmos.
É viva
e real a existência de Anticristos dentro da igreja. Muitos imaginam o
Anticristo como um monstro chifrudo, com olhos vermelhos, pele enrugada, unhas
compridas e careta assustadora, mas a real aparência do Anticristo não é a
exterior. Ele pode usar ternos finos, sapatos brilhantes e perfumes suaves, mas
internamente o tal tem uma grande capacidade diabólica de deturpar os Ensinamentos de
Cristo.
SABE,
porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque
haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos,
blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem
afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor
para com os bons,
Traidores,
obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas
negando a eficácia dela. Destes
afasta-te.
2
Timóteo 3:1-5
Que
Deus abençoe a todos que estão em Cristo.
PS: Significado de piedade:sf (lat pietate): Amor e respeito às coisas religiosas; devoção, religiosidade.
PS: Significado de piedade:sf (lat pietate): Amor e respeito às coisas religiosas; devoção, religiosidade.
Não existe um cara especial 'ungido do Senhor'.
ResponderExcluirLíderes religiosos têm a péssima mania de se colocarem acima dos fiéis, e estes, por sua vez (os ingênuos fiéis) acreditam que Deus só se manifesta em suas vidas por meio desses líderes. Como se Deus estivesse restrito e dependesse de homens 'especiais' para abençoar as pessoas. Ora, convenhamos! Isso anula totalmente a Nova Aliança, o Evangelho da Graça, o Sacrifício da Cruz!!!
É certo que Deus usa as pessoas do jeito que Lhe apraz, porém, de acordo com o Novo Testamento TODOS os que creem são 'sacerdotes', indicando não somente um privilégio especial de acesso ilimitado a Deus, como a oportunidade de servir em Seu Nome, anunciando Suas maravilhas. Isso não deve ser confundido jamais com as funções eclesiásticas de servir dentro da igreja enquanto instituição religiosa. TODOS os crentes são chamados a atender as necessidades dos que sofrem, dos que estão doentes, dos que estão passando por algum tipo de problema, edificando e exortando uns aos outros no 'Corpo de Cristo. E, assim, intercedendo e apresentando Cristo ao mundo por meio desse testemunho pessoal.
Tem muita gente bem intencionada que acredita piamente que Deus só fala dentro de sua igreja, dentro de seu culto, conforme os moldes de sua doutrina porque assim lhe foi ensinado e isso é heresia pura! Ainda há pouco lia um comentário num blog ali onde uma moça diz que 'sentiu' Deus falando com ela várias vezes porque foi 'por meio' de irmão tal, chefe da comunidade dela, em momento de culto. Ora, Deus não quer 'sentimentos', ele não espera que a gente 'sinta'. Ele espera que a gente 'seja'. Não é 'sentir', é 'ser'!!! Ele ministra nossos corações independente de emoção, de sentimento, de oração, de choro, de comoção coletiva, de hinos belíssimos entoados, de lugar, de pessoa. O Espírito Santo de Deus é multiforme e age com liberdade e soberania. Precisamos deixar dessa mania pagã de achar que encontramos Deus em determinado lugar e que, por isso, estamos voltando pra casa 'cheia do Espírito de Deus'. Não podemos confundir emoção e sentimento pelo lugar, com a prática consciente de quem se é!!! Seja em casa, no trabalho, seja qual for a posição que exerça, a situação em que vive, é no chão da existência que se é. E não o que se 'sente' em determinados momentos.
O líder que induzem o ingênuo a pensar que ele é porta-voz de Deus, manipulando-o com suas doutrinas convenientes, está cometendo erro tão grave quanto aquele que manipula com outras 'unções' igualmente condenáveis. Não há diferença.
HP, meu irmão,
Perdão se divaguei um pouco...
Em Cristo, que nos chama a ser, e não, a sentir.
R.
Uau!!!
ExcluirDemais teu comentário! É um verdadeiro post!
Gostei muito da última frase: "Em Cristo, que nos chama a ser, e não, a sentir."
Deus te abençoe!
Oops! Correção: *o líder que induz ;)
ResponderExcluirE se é um verdadeiro post... Então vou postar rss
Valeu pela força.
Embora saibamos que não é nenhum mérito meu...
Tudo é por Cristo... Sem Ele nada podemos né?
ExcluirFica com Deus!
Pronto, devidamente postado rsss
ResponderExcluirHP
ResponderExcluirAo ler o artigo, lembrei-me de uma pregação que ouvi em minha comum congregação! Em uma determinado momento, o irmão que presidia a palavra – sob a inspiração do “ispirinto” de “Gizuize” - exclamava com os seguintes dizeres:
“Você esta aí falando mal do servo de Deus que está aqui pregando né? saiba você que se não se arrependeres, eu o “senhor” (só pode ser o sinhô “Gizuize” né [risos]), vou varrer você para fora de minha casa e vou abrir a cova pra você”.
Nesse dia deu pra “sentir” [Rsrsrsr], os irmãos morrerem de medo!
Realmente tenho que concordar com você, tal disparate – infelizmente – não é só mérito do movimento neopentecostal!
O Rev. Augustus Nicodemus Lopes também escreveu sobre o assunto: http://www.genizahvirtual.com/2013/04/nao-toque-no-ungido-do-senhor-debate.html
Um grande abraço,
No amor de Deus,
Douglas