10/01/2013

Os Marcos da caminhada



Há pessoas que simbolizam valores importantes em nossa vida. Quando falamos de Jesus logo pensamos em perdão, graça e amor. Ao mencionarmos Salomão, automaticamente o associamos à sabedoria. Quando lembramos de Sansão vem à nossa mente força bruta. Jó nos remete à paciência. E por aí vai. Três pessoas são marcos em minha caminhada, pois simbolizam aspectos fundamentais da minha vida e da minha jornada como cristão. Mesmo que você não os conheça, permita-me por favor falar um pouco sobre esses três marcos.

O primeiro chama-se Marcos José. Para mim ele é o símbolo da amizade. O conheci quando eu era novo convertido. Ele era pastor, líder de mocidade, e fui sua ovelha, seu aluno e discípulo. Aprendi muito com ele em longos papos sobre as coisas de Deus e a Igreja. Ele celebrou meu casamento e fui padrinho de casamento dele. Viramos amigos. Devido a discordâncias teológicas e outras bobagens da vida ficamos meses sem um contato mais íntimo. Mas, na minha mais recente crise pessoal, seu comportamento – junto com o de sua esposa e minha maninha Marta – foi o de um verdadeiro amigo. Sem pensar em si, aturou com paciência meus momentos de baixo astral (e só Deus sabe como fico chato quando estou para baixo), me aguentou até 5h da madrugada em uma longa conversa, me buscou em casa e me trouxe de volta mais de uma vez (e moramos longe um do outro) e se fez presente em telefonemas, encontros e almoços que se estenderam por mais de seis horas. Relevou todas as diferenças, discordâncias e quaisquer outros poréns para abraçar o amigo, acima de qualquer outra preocupação. Sua forma de agir numa hora como essa solidificou essa amizade em meu coração num nível até então inédito. Se ele me pedir um dedo eu dou o braço, feliz.

O segundo chama-se Marco Antônio. É meu pastor. Para mim ele simboliza a espiritualidade. Seu cuidado com as ovelhas, sua compreensão e aplicação do Evangelho e sua forma de tratar as situações mais cabeludas sob seu pastoreio me ensinaram muito mais sobre vida cristã do que os dois seminários teológicos que cursei juntos. Se hoje há um pinguinho de graça e misericórdia em meu coração devo ao que aprendi com ele em palavra e atitude. Sei que ele não é perfeito, que é apenas um homem, mas um dia quero ser um homem como ele é: um homem… de Deus. E que age como tal acima de qualquer coisa.

O terceiro é um irmão de minha igreja, Marcos Sá, o “Marquinhos”. Ele, para mim, simboliza a santidade e o amor pelo próximo. Conviver com ele é deliciar-me com seu coração pastoral, transbordante de preocupação genuína pelas pessoas, com afeto desinteressado, abnegação, alma pura e dedicação incansável. Recentemente oramos juntos após um culto e pude sentir suas lágrimas sinceras pingarem em minha mão – o que para mim não foi um incômodo: foi uma honra. Quando penso em Marquinhos sinto vergonha de mim mesmo, tão distante estou de ter um coração bondoso e temente como o dele. Já ouvi pessoas o criticarem por seu excesso de zelo com as coisas de Deus e seu jeito metódico de cuidar da obra do Senhor, mas queria eu conhecer alguém que tivesse dez por cento de sua intimidade com Jesus e amor pelo próximo. E, sinceramente, não conheço quem chegue nem perto.

Três marcos, três símbolos de virtudes essenciais à vida cristã: amizade, espiritualidade, santidade e amor ao próximo. Claro que esses três “Marcos” compartilham das demais virtudes: Marcos Filho tem espiritualidade, Marco Antônio tem santidade e Marquinhos tem amizade, por exemplo, mas destaquei o que pula de imediato em minha mente quando penso em cada um. Assim como esse trio, há outras pessoas em minha história que me servem de inspiração, em aspectos os mais variados. Poderia gastar páginas falando sobre Evandro, Alexandre, Alessandra, Cláudio, Irene, Wilson, Marcelo, Jovana e tantos outros. Mas se fosse discorrer sobre cada um seria um livro enorme e não um post.

A essa altura, você deve estar se perguntando o que afinal de contas lhe interessa saber sobre essas pessoas que nem ao menos conhece. Bem, do mesmo modo que tenho em minha história esses três Marcos que me remetem a aspectos fundamentais da vida, penso que cada um de nós deve se cercar de pessoas que nos ensinem a ser cristãos melhores, com suas qualidades, virtudes, atitudes e até defeitos. Como somos extremamente falhos e inconstantes, é fundamental ter quem nos faça recordar daquilo de que não podemos nos esquecer se quisermos ter uma vida com Deus. Muitas vezes, sem que precisem dizer uma só palavra para isso.

Sem a comunhão da amizade não há Igreja. Sem a espiritualidade não há relacionamento com Jesus. Sem santidade ninguém verá a Deus. Sem amor ao próximo nossa fé é inútil. E louvado seja o Senhor por me lembrar sempre de buscar e exercer essas virtudes ao tomar irmãos como modelos e parâmetros que me lembrem de que tenho de ser a cada dia uma pessoa melhor.

De quem você se cerca? Quais são as virtudes que aqueles que convivem com você te levam a almejar? Será que você tem modelos de vida que te façam querer subir de nível como pessoa e como cristão? Se não tem, sugiro que busque ter. Alguém para quem possa olhar e dizer “quero ser como ele quando crescer”. Isso não é idolatria, não é bajulação: é reconhecimento. E que seja dada honra a quem tem honra.

“Eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). Temos em Jesus o modelo pleno e perfeito de quem devemos ser. É nosso melhor amigo, totalmente espiritual, santo dos santos, padrão de entrega pelo próximo. Mas Eliseu olhou para Elias como um referencial de alguém tão digno que ter “porção dobrada” do que ele tinha seria o dom mais desejado. Timóteo viu em Paulo alguém que merecia sua intensa atenção. Davi viu em Jônatas a expressão daquilo que lhe acrescentava como ser humano. E você? Em quem você se espelha? Quem são seus referenciais? São homens e mulheres amorosos, alegres, pacíficos, pacientes, amáveis, bondosos, mansos e temperantes? Ou são iracundos, carnais, agressivos, arrogantes, vaidosos, egocêntricos, pueris, bobos, inexperientes, vulgares, boquirrotos ou mais amigos de si do que amigos de Deus?

Oro ao Senhor que você encontre pessoas que o inspirem. Que o motivem. Que o impulsionem. E ouso ainda mais nessa oração: peço a Deus que você chegue ao ponto em que as pessoas apontem para você e digam:”Quando eu crescer, quero ser igual a ele”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,
Maurício

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