Por: Maurício Zágari
Há
pessoas que simbolizam valores importantes em nossa vida. Quando falamos de
Jesus logo pensamos em perdão, graça e amor. Ao mencionarmos Salomão,
automaticamente o associamos à sabedoria. Quando lembramos de Sansão vem à
nossa mente força bruta. Jó nos remete à paciência. E por aí vai. Três pessoas
são marcos em minha caminhada, pois simbolizam aspectos fundamentais da minha
vida e da minha jornada como cristão. Mesmo que você não os conheça, permita-me
por favor falar um pouco sobre esses três marcos.
O
primeiro chama-se Marcos José. Para mim ele é o símbolo da amizade. O conheci
quando eu era novo convertido. Ele era pastor, líder de mocidade, e fui sua
ovelha, seu aluno e discípulo. Aprendi muito com ele em longos papos sobre as
coisas de Deus e a Igreja. Ele celebrou meu casamento e fui padrinho de
casamento dele. Viramos amigos. Devido a discordâncias teológicas e outras
bobagens da vida ficamos meses sem um contato mais íntimo. Mas, na minha mais recente
crise pessoal, seu comportamento – junto com o de sua esposa e minha maninha
Marta – foi o de um verdadeiro amigo. Sem pensar em si, aturou com paciência
meus momentos de baixo astral (e só Deus sabe como fico chato quando estou para
baixo), me aguentou até 5h da madrugada em uma longa conversa, me buscou em
casa e me trouxe de volta mais de uma vez (e moramos longe um do outro) e se
fez presente em telefonemas, encontros e almoços que se estenderam por mais de
seis horas. Relevou todas as diferenças, discordâncias e quaisquer outros
poréns para abraçar o amigo, acima de qualquer outra preocupação. Sua forma de
agir numa hora como essa solidificou essa amizade em meu coração num nível até
então inédito. Se ele me pedir um dedo eu dou o braço, feliz.
O segundo
chama-se Marco Antônio. É meu pastor. Para mim ele simboliza a espiritualidade.
Seu cuidado com as ovelhas, sua compreensão e aplicação do Evangelho e sua
forma de tratar as situações mais cabeludas sob seu pastoreio me ensinaram
muito mais sobre vida cristã do que os dois seminários teológicos que cursei
juntos. Se hoje há um pinguinho de graça e misericórdia em meu coração devo ao
que aprendi com ele em palavra e atitude. Sei que ele não é perfeito, que é
apenas um homem, mas um dia quero ser um homem como ele é: um homem… de Deus. E
que age como tal acima de qualquer coisa.
O
terceiro é um irmão de minha igreja, Marcos Sá, o “Marquinhos”. Ele, para mim,
simboliza a santidade e o amor pelo próximo. Conviver com ele é deliciar-me com
seu coração pastoral, transbordante de preocupação genuína pelas pessoas, com
afeto desinteressado, abnegação, alma pura e dedicação incansável. Recentemente
oramos juntos após um culto e pude sentir suas lágrimas sinceras pingarem em
minha mão – o que para mim não foi um incômodo: foi uma honra. Quando penso em
Marquinhos sinto vergonha de mim mesmo, tão distante estou de ter um coração
bondoso e temente como o dele. Já ouvi pessoas o criticarem por seu excesso de
zelo com as coisas de Deus e seu jeito metódico de cuidar da obra do Senhor,
mas queria eu conhecer alguém que tivesse dez por cento de sua intimidade com
Jesus e amor pelo próximo. E, sinceramente, não conheço quem chegue nem perto.
Três
marcos, três símbolos de virtudes essenciais à vida cristã: amizade, espiritualidade,
santidade e amor ao próximo. Claro que esses três “Marcos” compartilham das
demais virtudes: Marcos Filho tem espiritualidade, Marco Antônio tem santidade
e Marquinhos tem amizade, por exemplo, mas destaquei o que pula de imediato em
minha mente quando penso em cada um. Assim como esse trio, há outras pessoas em
minha história que me servem de inspiração, em aspectos os mais variados.
Poderia gastar páginas falando sobre Evandro, Alexandre, Alessandra, Cláudio,
Irene, Wilson, Marcelo, Jovana e tantos outros. Mas se fosse discorrer sobre
cada um seria um livro enorme e não um post.
A essa
altura, você deve estar se perguntando o que afinal de contas lhe interessa
saber sobre essas pessoas que nem ao menos conhece. Bem, do mesmo modo que
tenho em minha história esses três Marcos que me remetem a aspectos
fundamentais da vida, penso que cada um de nós deve se cercar de pessoas que
nos ensinem a ser cristãos melhores, com suas qualidades, virtudes, atitudes e
até defeitos. Como somos extremamente falhos e inconstantes, é fundamental ter
quem nos faça recordar daquilo de que não podemos nos esquecer se quisermos ter
uma vida com Deus. Muitas vezes, sem que precisem dizer uma só palavra para
isso.
Sem a
comunhão da amizade não há Igreja. Sem a espiritualidade não há relacionamento
com Jesus. Sem santidade ninguém verá a Deus. Sem amor ao próximo nossa fé é
inútil. E louvado seja o Senhor por me lembrar sempre de buscar e exercer essas
virtudes ao tomar irmãos como modelos e parâmetros que me lembrem de que tenho
de ser a cada dia uma pessoa melhor.
De quem
você se cerca? Quais são as virtudes que aqueles que convivem com você te levam
a almejar? Será que você tem modelos de vida que te façam querer subir de nível
como pessoa e como cristão? Se não tem, sugiro que busque ter. Alguém para quem
possa olhar e dizer “quero ser como ele quando crescer”. Isso não é idolatria,
não é bajulação: é reconhecimento. E que seja dada honra a quem tem honra.
“Eu vos
dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15).
Temos em Jesus o modelo pleno e perfeito de quem devemos ser. É nosso melhor
amigo, totalmente espiritual, santo dos santos, padrão de entrega pelo próximo.
Mas Eliseu olhou para Elias como um referencial de alguém tão digno que ter
“porção dobrada” do que ele tinha seria o dom mais desejado. Timóteo viu em
Paulo alguém que merecia sua intensa atenção. Davi viu em Jônatas a expressão
daquilo que lhe acrescentava como ser humano. E você? Em quem você se espelha?
Quem são seus referenciais? São homens e mulheres amorosos, alegres, pacíficos,
pacientes, amáveis, bondosos, mansos e temperantes? Ou são iracundos, carnais,
agressivos, arrogantes, vaidosos, egocêntricos, pueris, bobos, inexperientes,
vulgares, boquirrotos ou mais amigos de si do que amigos de Deus?
Oro ao
Senhor que você encontre pessoas que o inspirem. Que o motivem. Que o
impulsionem. E ouso ainda mais nessa oração: peço a Deus que você chegue ao
ponto em que as pessoas apontem para você e digam:”Quando eu crescer, quero ser
igual a ele”.
Paz a
todos vocês que estão em Cristo,
Maurício
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