Onde
está o problema com o conselho de Gamaliel?
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que
na Bíblia há registros inspirados e mandamentos inspirados. Ela é descritiva e
prescritiva. Por exemplo: A Bíblia descreve algumas das mentiras de Satanás,
mas ela não ensina a mentira. As mentiras do diabo, portanto, são descrições e
não prescrições. Ela também descreve o adultério de Davi, mas não prescreve o
adúltério. Ela descreve a traição de Judas, mas isso não quer dizer que o
cristão deve trair a confiança dos seus amigos. A boa heremenêutica nos exorta
a reconhecer que nem tudo o que está na Bíblia é um mandamento para o cristão.
O mesmo acontece com o conselho de
Gamaliel. A Bíblia o descreve, mas não prescreve sua atitude como correta. Ora,
Gamaliel sequer era cristão; muito pelo contrário: Ele era membro da seita que
mais se opôs ao cristianismo durante os primeiros anos da sua existência. Além
disso, a premissa de Gamaliel não resiste à prova da história: A experiência
humana tem se encarregado de provar que o argumento deste rabino judeu não
passa de uma grande falácia. Quantas seitas que surgiram desde antes do advento
do cristianismo, e que perduram até hoje?
Tomemos como exemplo o budismo. A seita
fundada por Sidharta Gautama mais de 500 anos antes do nacimento de Cristo
perdura até hoje, tendo milhares de adeptos ao redor do mundo. Ora, se o
argumento de Gamaliel estiver correto, então serei forçado a crer que o
budismo, religião que ensina a reencarnação, animismo e tantas outras
abstrações, também é de Deus! Lembre-se que passaram mais de dois milênios e a
religião contina crescendo em número de adeptos, inclusive no Brasil. O mesmo
pode ser dito do Confucionismo, Jainísmo e Taoísmo, todas com mais de quatro
séculos antes do cristianismo! Numa tradição mais recente está o maometismo
(islamismo), com cerca de quinze séculos de história, o que segundo o conselho
de Gamaliel, é mais do que suficiente para justificar a fé terrorista que se
impõe por meio da espada.
Gamaliel versus Paulo de
Tarso
Apesar de ter sido instruído aos pés de
Gamaliel, o ex-fariseu Paulo de Tarso não se deixava enganar pelo seu estranho
pressuposto do antigo mestre. O apelo à “tolerância” de Gamaliel fora
abandonado tão logo o cristianismo começou a ser bombardeado pelas doutrinas
dos falsos mestres. Diferente de Gamaliel e seu apelo à conivência, o apóstolo
dos gentios se opôs a tudo aquilo que pusesse tropeço a obra de Deus:
* Repreendeu a Pedro na cara, por sua
dissimulação – Gl 2.11-14
* Mandou Tito “tapar a boca” dos falsos
mestres – Tt 1.10-11
* Chamou os falsos obreiros de cães – Fp 3.2
* Citava nomes, quando julgava preciso – 2
Tm 2.17; 2Tm 4.10
Paulo não estava disposto a seguir o
conselho de Gamaliel. Ele já não estava submisso ao antigo rabi. Seu mestre
agora era outro, o Cristo.
Gamaliel
versus Jesus Cristo
Penso sinceramente que estes que se
respaldam em Gamaliel estão em franca oposição ao evangelho. Ora, diferente do
rabino fariseu, que em sua “extrema prudência” nos conclama a abrir mão do
sublime dom de discernir, crendo que Deus dará aos falsos mestres o mesmo destino
de Teudas e Judas Galileu (At 5.36-37), ordenando sobre eles perseguição e
matando-os à espada (bem ao estilo dos fariseus!), Cristo nos ensina a
discernir a conduta dos falsos mestres, julgando-os à luz dos seus frutos:
“Acautelai-vos,
porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas
interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis.
Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? [...] Toda
árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus
frutos os conhecereis” – Mt 7.15-19
Jesus ensinou que não devemos nos deixar
seduzir por milagres, pois os milagres não autenticam o ministério de ninguém:
“Nem todo
o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a
vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor,
Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos
demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi
abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a
iniqüidade” – Mt 7.21-23
Ora, ainda sobre milagres, cabe dizer que
João Batista não realizou nenhum milagre (Jo 10.41), mas Jesus testificou dele
dizendo que ele foi o maior entre os homens (Mt 11.11). Por outro lado, o
ministério de Judas foi seguido por sinais (Mt 10.1), mas Jesus testificou
contra ele chamando-o de diabo! (Jo 6.70)
Registros inspirados e mandamentos inspirados/Registros descritiva e registros prescritivos.
ResponderExcluirQue síntese!
Quando os religiosos aprenderem algo tão elementar, a ficha vai cair e ele irão se envergonhar, por entender o quanto foram rígidos, inflexíveis, fundamentalistas e, consequentemente, cruéis e desumanos com as pessoas por coisas que não dizem respeito a Deus...
*Registros descritivos ;)
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