Poucas emoções no mundo se
comparam a um salto de paraquedas. Essa experiência, aliás, não é apenas
emocionante: é absolutamente transformadora. Se você nunca saltou antes, fica a
recomendação: não perca tempo, salte! Por 350 reais você pode viver um dos mais
revolucionários eventos que um ser humano tem a possibilidade de
experimentar. E, por uma série de razões, o salto é capaz de lhe dar insights muito
profundos sobre a sua vida de fé. Hoje, por mais estranho que isso talvez soe,
acredito até que o salto de paraquedas pode se tornar uma disciplina espiritual
que vai te conduzir a reflexões extremamente válidas para sua caminhada com
Cristo. Permita-me contextualizar o cenário, para você entender onde seu
coração e sua razão estarão durante um salto do gênero. No Rio de Janeiro, o
salto duplo é feito de uma altura de dez mil pés, cerca de 3,5 quilômetros
acima do solo. Você despenca no vazio e, por 12 segundos, seu corpo acelera,
até se estabilizar a uma velocidade de 200 quilômetros por hora. Depois
seguem-se 45 segundos de queda livre. E que 45 segundos! Duram uma eternidade.
Finalmente, a cerca de 1,5 quilômetro do chão, o paraquedas se abre. Desse momento
em diante, você plana a 30 quilômetros por hora. Ao todo, do instante em que
sai do avião até tocar o solo, o salto dura de 5 a 7 minutos. Se você não acha
muito, experimente e verá o quanto sua mente funcionará nesse curto espaço de
tempo. E por muito tempo depois.
A primeira coisa que você
exercita ao saltar de paraquedas é a sua fé. Sua vida está toda depositada em
um pedaço de lona conectada a alguns cabos. Um gancho mal posto pode resultar
em morte. Se você conseguir elaborar uma reflexão aprofundada o suficiente a
partir dessa experiência, verá a loucura que é o fato de entregar sua vida em
confiança àqueles pedaços de tecido e, ao mesmo tempo, não depositar toda a sua
fé no Deus criador do universo. Alguém poderia dizer que pelo menos o paraquedas
é algo visível, palpável. Acredite: quando ele está dentro da mochila não há
nada de visível. Te dizem que ele está ali é que tudo está certo, mas… quem
sabe? Quem garante? Logo, ter fé para saltar de paraquedas mas demonstrar falta
de fé em Deus é uma incongruência. Se sua fé é pouca, aceite a sugestão: faça
no meio de um salto a sua oração a Deus pedindo que lhe acrescente fé. Depois
me conta o que aconteceu.
Outro aspecto é o da comunhão. Se
você não está fazendo um curso de paraquedismo, mas apenas um salto duplo, verá
a importância do instrutor. Sem aquele cara a quem ficará enganchado durante
toda a experiência, você percebe que as coisas seriam muito mais difíceis e
problemáticas. A sensação de segurança que aquela pessoa vai te passar é
indispensável para você ter coragem de dar o passo no vazio. Na última hora,
você quer desistir e, adivinha quem te dá a força, a coragem e a confiança
suficientes para se lançar do avião? O instrutor. O seu próximo. Saltar de
paraquedas ensina muito sobre a importância de viver a fé em comunhão e em
comunidade. Ali você vê nitidamente como a coletividade é essencial para o
fortalecimento, o encorajamento mútuo, a edificação. Para seguir em frente.
Saltar de paraquedas também é um
exercício magnífico para a renovação da mente. Não consigo pensar em nenhuma
outra experiência humana que faça você ver as coisas de uma perspectiva
totalmente diferente daquela a que sempre esteve acostumado como essa. O ser
humano não foi feito para voar. Tampouco para se jogar no vazio a mais de três
quilômetros de altura, contrariando tudo o que seu instinto de sobrevivência
determina. É um tipo de suicídio, se parar para pensar. E, para conseguir se
atirar, você terá de se dispor a ir contra tudo o que é óbvio e intrínseco a
sua natureza e ao instinto de autopreservação.
O salto de paraquedas também
instiga uma profunda reflexão sobre a resistência ao pecado. E, pode parecer
estranho, mas saltar te fortalece contra ele. Se você está vivendo uma fase de
sua vida em que enfrenta uma tentação fortíssima, à qual acha que vai sucumbir,
pegue o primeiro avião que passar pela frente. Entenda: a vontade de ceder à
tentação é uma força descomunal da natureza, um impulso aparentemente
incontrolável, algo que vem conosco de fábrica e que move todas as fibras de
nosso ser em direção ao pecado. Do mesmo modo, a vontade de não arriscar sua
vida jogando-se de uma aeronave rumo ao nada domina todo o ser de quem está
naquele aviãozinho, prestes a se lançar porta afora. Se você consegue exercer
domínio próprio suficiente a ponto de contrariar tudo o que seu ser te diz para
fazer… você é capaz de dominar a tentação. Seu eu diz “fica,
não salta”, mas você se domina e vai em frente. Seu eu diz
“vai, peca”, mas você se domina e não vai em frente. Se alguém me diz que teve
forças para saltar de 3,5 quilômetros de altura a 200 quilômetros por hora mas
não teve forças para resistir ao impulso de ver pornografia na internet, por
exemplo, eu não acreditaria. Se você saltou de paraquedas, eu garanto: tem
domínio próprio suficiente para se controlar ante as tentações. E, claro, há o
fator presença de Deus. Pois, se você tem todo esse domínio próprio
e o Espírito Santo habita em ti, as forças para resistir estão todas aí dentro,
basta trazê-las à tona.
A humildade é outra virtude que o
salto de paraquedas traz ao coração. Quando você vê aquela cidade enorme em que
vive lá embaixo, pequenininha, uma mancha espalhada entre o mar e a montanha,
percebe o quanto não somos nada. Frágeis. Pó. Mais ainda: quando você se põe em
perspectiva diante do gigantismo deste mundo em que vivemos, passa a ter a rara
e nítida percepção de quão insignificante é o ser humano. Acredite: saltos de
paraquedas humilham qualquer soberbo. Se você conhece um homem arrogante, peça
a Deus que ele decida dar um salto – e ore para que ele seja alcançado por essa
percepção.
O salto de paraquedas também é
uma ocasião de louvor e adoração. Quando você está em um avião e olha para toda
a grandeza da criação, o coração dispara em reconhecimento à grandiosidade do
Criador. Estar junto às nuvens, ver o mar lá do alto, vislumbrar as montanhas
ao longe… que espetacular oportunidade de apreciar, de um ponto de vista único,
a beleza da obra de arte do grande Artesão. Já perdi a conta de quantas vezes
voei de avião, mas até hoje me deslumbro com a vista lá de cima, não sou nada blasé quando
voo. Não foram poucas as vezes em que tive de esconder olhos molhados de emoção
dos outros passageiros ao fazer um simples voo Rio-São Paulo, por exemplo.
Simplesmente porque a obra das mãos do Senhor é linda de morrer.
Não há duvidas de que saltar de
paraquedas é uma experiência capaz de nos levar à transcendência e a um religare com
Deus como poucas outras. Se você puder, salte – eu recomendo. Mas sabe… fiquei
pensando em algo. Bem-aventurado é o homem que consegue viver o fortalecimento
da fé, a valorização da comunhão, a renovação da mente, o fortalecimento contra
o pecado, o senso de humildade e o louvor e a adoração do Senhor sem precisar
subir a quilômetros de altura. Minha oração hoje é que todos nós consigamos dar
esse salto, todos os dias, entre as quatro paredes de nosso quarto. Pois nem
todos podem saltar de paraquedas, mas qualquer um pode ter uma Bíblia. Nem
todos têm como entrar em um avião, mas todos temos a possibilidade de dobrar os
joelhos em oração. E, na intimidade desenvolvida pelo estudo das Escrituras e o
hábito de falar com Deus, está toda a emoção, a razão e a ação de que você
precisa para viver a sua fé em plenitude.
Busque ao Senhor no silêncio do
seu quarto. É o mais empolgante, transformador e radical salto que você pode
dar em toda a sua vida de fé.
Paz a todos vocês que estão em
Cristo,
Maurício
Taí, gostei da analogia do rapaz rss
ResponderExcluirNão há nada mais decisivo em seu espírito do que vc não sentir o chão - literalmente - e ter a certeza de onde está sua segurança.