Confesso que toda vez que pensamos num
ministro do Evangelho, acabamos por pensar num homem, com uma Bíblia na mão,
pregando sobre sua fé e crença.
Quando nos é retratado Spurgeon, Wesley,
Knox, Francescon, e outros missionários da fé, geralmente é mostrado estes
homens ensinando sobre a Bíblia e outros sentados aprendendo. Este é o modelo
seguido nas mais diversas denominações.
Confesso que, quando criança, almejei esta posição pois achava ‘bonita’. Uma vez que hoje ‘estou’ nela, meu coração me quer ir
além dela, porém sempre pregando o Evangelho.
Explico:
Vemos que as pregações feitas por Jesus
raramente foram como as atuais. Apenas em Lucas 4:17, vemos o Senhor ensinando
na sinagoga com as Escrituras nas mãos,
fato também repetido em Mt 4:23, porém vemos que nos templos foram os lugares que menos Jesus pregou.
Numa rápida passagem no Evangelho de Mateus, vemos que Jesus pregava no monte (Mt 5:1), nas
cidade (Mt 8:5-12, Mt 9:5-6, Mt 11:1), no barco (Mt 8:26), comendo (Mt 9:12-17),
no meio do caminho (Mt 9:28), nas lavouras (Mt 12: 1:8), na praia do mar (Mt
13:1-9), sendo que na maioria das vezes sem ter as Escrituras nas mãos (pois os livros eram confeccionados em rolos manuscritos, de difícil manuseio e transporte). Quando
necessário, ele fazia apenas referencias aos que os profetas ou a que Moisés
havia dito.
Vemos que os Apóstolos repetiram aquilo
que Cristo fizera. A maior parte das pregações eram feitas nos lugares comuns
do dia-a-dia e pela dificuldade de acesso e transporte, na maioria das vezes sem as Escrituras nas mãos.
Irmão HP, então o irmão está dizendo que
devemos pregar sem Bíblia e não mais nos templos?
Não estou dizendo isto de maneira
nenhuma. Apenas estou dizendo que devemos pregar o Evangelho no dia-a-dia, nas
nossas vidas, nas nossas atitudes. Devemos
pregar em todos os lugares e de todas as maneiras. Seja nos templos, nos
trabalhos, nas escolas, na família, nos encontros sociais. Falando, agindo, mostrando,
sendo.
Como diz uma frase de autor
desconhecido:
“Pregue o evangelho, se necessário, use palavras”.[1]
Eu a complementaria:
“Pregue o Evangelho sempre. De todas as maneiras”
Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. (Rm 10:15, Is 52:7)
Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo (...), e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo. (2 Cor 3:3)
Na paz.
---
[1] A frase em questão é atribuída ora à
Tomas de Aquino, ora à Agostinho de Hipona ou ora à Francisco de Assis.
HP,
ResponderExcluirReza a lenda que um sapateiro perguntou a Lutero o que era necessário para ele se tornar um cristão verdadeiro. E Lutero respondeu: faça um bom sapato e venda por um preço justo.
Simples assim.
Mas o homem é pretensioso! Ele quer colocar seus acréscimos! E foi exatamente o que ele fez ao longo dos séculos, desde que Jesus derrubou o Templo onde se adorava a Deus. O homem o foi reconstruindo de diversas formas as mais esdrúxulas! E foi 'adorando' Deus dentro dos santuários que ele (o homem) considerou sagrado. Achou pouco e, lá dentro, impôs uma série de normas pesadas ao seu povo de modo que em vez de levar as cargas uns dos outros para que a vida se tornasse mais leve, o povo passou a ser novamente oprimido como antes, escravizado por um sem-número de normas que o levariam supostamente à salvação.
É interessante lembrar que Jesus 'pregou' dentro das sinagogas, mas ENSINANDO aos doutores que lá se reuniam. Ao povo, Ele ensinava era, literalmente, no Caminho. Vê-se o quanto Ele era criativo e versátil, sem seguir um molde específico (nem pintar uma casa de determinada cor pra dizer onde estava presente). Ele ensinava as pessoas a se relacionarem de forma correta com o Pai e com os semelhantes tanto à beira do rio (com um barquinho à sua espera, caso o comprimissem), como subia a um monte para melhor avistar a todos e melhor ser visto também. Providenciou a multiplicação dos pães, não para dizer que era 'o cara' e que fazia milagres, mas PARA que o povo não se dispersasse e continuasse a receber o pão dos céus 'de barriga cheia'. Jesus era prático e pregava vida prática.
O mais interessante é que seu 'discurso' não contem normas de como ser um cristão correto e 'obediente' no sentido de seguir uma cartilha denominacional. Ao contrário, Ele foi rigoroso ao condenar os tais que faziam essa exigência. Jesus confrontou os líderes religiosos com veemência. Aliás, ele nem criticou o ensino na sinagoga, criticou mesmo foi os seus mestres, que mandavam seguir regrinhas que nem mesmo eles eram capazes de realizar.(Que coisa atual rss).
A obediência a que JESUS se refere é sempre relacionada à ânsia do coração, preparando aquelas pessoas que forma ACOSTUMADAS a LUGARES SANTOS, a aprenderem a viver com Deus no coração todos os instantes de sua vida, como no respirar. Sua missão incluía principalmente anular o tabernáculo sagrado que se tornou idolatria aos 'homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos', como já dizia o profeta que preparava os caminhos ao Deus vivo que habitaria apenas nos corações sinceros.
O que eu acho curioso é que muitos dirigentes e seus súditos seguem (seguem mesmo?) algumas normas disciplinares (estabelecidas por Paulo a localidades específicas), equivocadamente como sendo mandamentos de Deus, mas fazem vista grossa a outras tantas normas escritas nas mesmíssimas cartas, como por exemplo, quando Pedro diz que TODOS os crentes exercem o sacerdócio real. Ou ainda, como diria Lucas claramente ao relatar os atos dos apóstolos, 'NÃO HABITA O ALTÍSSIMO EM CASAS FEITAS POR MÃOS HUMANAS.
Enfim, não há nenhum mal em ajuntamento sincero para se fortalecer na Palavra e procurar ajudar uns aos outros por meio dessa proximidade onde todos estão em comum união. Na minha opinião, O MAL SE INSTALA quando se quer transformar o lugar de ajuntamento em lugar santo.
Meu complemento a tua frase final seguida da de Agostinho de Hipona seria: preguemos o Evangelho com vida prática sincera e despidos de crendices religiosas.
Abs,
RF
Verdade Regina. Cristo além de ter pregado poucas vezes nas sinagogas, pregava (principalmente) para os doutores lá dentro.
ExcluirE quanto ao formalismo humano, confesso que tenho convicção que só atrapalha.
Me dá calafrios ver que pra ser "Sacerdote" em algumas denominações, é necessário anos de seminário, aprovações em tantos níveis para então poder ensinar a Palavra de Deus.
Até entendo os possíveis benefícios que isto traz, porém Cristo já nos fez "Reis e Sacerdotes"...
Enquanto há denominações que pecam pelo descaso, ordenando líderes por aparência e eloquência, outras pecam pelo excesso de zelo ao criarem tantos obstáculos para que a Palavra seja pregada.
Consequência é vista no povo. Uns tem um povo ignorante biblicamente, sendo guiados por "experiências místicas" e outros tem um povo beirando a arrogância no conhecimento bíblico, gelados no amor ou incapazes de serem livres de pensar, analisar, seguindo cegamente o que falam os líderes...
abs.
Correção:
ResponderExcluir...preparando aquelas pessoas que FORAM ACOSTUMADAS a LUGARES SANTOS, a aprenderem a viver com Deus no coração todos os instantes de sua vida, como no respirar.
Olá irmãos, vemos no VT que o lugar de adoração era o TEMPLO (dízimos, ofertas,etc), mas a IGREJA tem uma nova ordem de adoradores, pois o Pai procura quem o adorem em Espírito e em Verdade. Nesta nova ordem o que menos importa é o lugar físico.
ResponderExcluirVemos figuras do VT para o dia de hoje, pois o tabernáculo do cristão hoje é no céu e o lugar que o crente deve entrar é na própria presença de Deus através do nosso Sumo Sacerdote Jesus Cristo. Se o nosso Sumo Sacerdote é o Senhor Jesus, quem será os sacerdotes de Deus? Todos os crentes genuínos, é a resposta, como bem disse a irmã Regina, pois não há uma classe especial de homens como sendo mais representativa do que outro, mas no sistema religioso, infelizmente existe e persistirá até a volta do Senhor Jesus.
Abraços a todos.
Irmão Antônio,
ExcluirEu já perdi a esperança nas instituições, mas na igreja não.
Eu creio que há muitos sacerdotes e sacerdotisas servindo a Deus neste mundo a fora. Homens e mulheres que carregam marcas de Cristo em si e exalam o perfume do Salvador.
Infelizmente são poucos. Há deles dentro das denominações sim, porém são "gotas no meio do oceano"... Infelizmente.
Abraços querido!
Irmão HP,
ExcluirA igreja é de Deus, comprada pelo sangue de Jesus, a qual os crentes verdadeiros fazem parte dela, independentemente da parede que os separem. Na verdade o testemunho cristão deveria ser em UNIDADE, todavia conhecemos o desfecho da UNIDADE. Os VERDADEIROS CRISTÃOS são todos sacerdotes (abrange tanto a mulheres quanto a homens) e independentemente onde estejam congregados tem acesso a presença do Senhor.
Quando você diz que infelizmente são poucos (são gotas no meio do oceano), acho que você quis dizer (volto a frisar, ACHO) do clericalismo, e que estes tem alguns que realmente servem a Deus. Se for isto, a questão não é ou não estar carregando o perfume de Cristo, a questão é se colocar como superiores aos demais. Infelizmente o clericalismo nas entrelinhas ou até mesmo na cara dura, passa esta impressão. Agora o simples dom recebido do Senhor, já é garantia para usá-lo, não precisa de uma junta de homens superiores para poderem ordenar e assim poder usá-lo. O simples fato da pessoa possuir o dom, já é garantia para exercê-lo.
Tem muitos pastores evangélicos que não tem o dom de pastorear, mas sendo ordenado "está pronto" para poder exercer tal função (o pastoreio) e tem muitos que não é ordenado, mas tem o dom de pastorear e por isso não exerce tal função e usa da desculpa de não passar por cima do ministério para não usar o seu "talento" (sendo assim enterra).
Agora se eu interpretei errado me perdoa pelas delongas.
Abraços a todos