17/09/2012

Pecado: É difícil pregar a verdade?


Por: HP

Um assunto me perturba grandemente no meio cristão:
 O pecado e o tratamento dado ao pecador.

Sei que as denominações tratam os pecadores de forma diferente. Fiz uma tabelinha abaixo que ilustra bem o tratamento recebido.

Pecador
Consequência
Aceito pelos demais membros e não admoestado
Continua pecando pois para ele “Deus conhece o coração”. Para ele tudo vai bem. Deus é um pai bondoso, que mesmo que pecarmos, nunca vai nos castigar. 
Aceito pelos demais membros e admoestado
Reconhece o pecado, se arrependendo. Procura forças em Deus para lutar contra o pecado
Excluído/Ignorado pelos demais membros e admoestado ou não
O pecador pensa não ter mais acesso a Deus e se entrega de vez ao pecado
Oculto – Ninguém sabe que pecou. Não admoestado
Vive numa constante luta por viver o que não é e por ter um pecado dentro de si, sem saber se pode ter perdão ou não. Não se abre com ninguém por medo de perder a liberdade cristã. Vive numa constante mentira.
Oculto – ninguém sabe que pecou. Conhecedor da verdade de Cristo
Não confessa o pecado a ninguém, somente a Cristo. Procura buscar forças para não pecar mais, mas luta sozinho sem ajuda/apoio de ninguém. Não se abre com ninguém por medo de perder a liberdade cristã. 

Porque escrevi isso? Porque tenho na minha família dois casos desses. Um é minha sogra e outro é minha cunhada. Vou contar abaixo um pouco sobre o que aconteceu com ambas. Ambas, segundo a Congregação "pecaram de morte". 

Minha sogra era casada, tinha 3 filhas e participava dos cultos da minha denominação. Meu sogro trabalhava fora da cidade e duramente para conseguir sustentar a família. Minha sogra ficava sozinha em casa. Mulher sozinha em casa + marido longe = boatos da vizinhança. Minha sogra teve a infelicidade de cair na boca do povo. Diziam que um amigo da família estava tendo um caso com ela. Meu sogro quando soube levou no ministério. Não havia provas, somente boatos da vizinhança. Como os líderes ministeriais na época eram rígidos e ignorantes, tiraram a liberdade da minha sogra e deram carta branca para o meu sogro se separar. Consequência, ela foi taxada de “pecadora”, evitada pelos demais membros da igreja e daí sim pecou e se entregou ao pecado. Hoje, graças a Deus, está mais consciente e pouco-a-pouco tomando forças para servir a Deus novamente. Está na "UTI espiritual" mas com sinais vitais.

Minha cunhada. Jovem, bonita, desde criança membro da mesma igreja. Com a chegada da juventude, conheceu o “BBB” (balada, barzinhos, bebida). Veio para a Irlanda, viveu um tempo com minha esposa (quando ambas eram solteiras), no tempo que elas moraram junto, minha cunhada começou a ir mais a igreja, mas dentro de si tinha saudades da época do “BBB”. Arranjou emprego, foi morar sozinha, não tinha mais tempo para ir na igreja, um cara 15 anos mais velho que ela começou dar em cima, logo veio a notícia, estava grávida. Deixou de ir a igreja, foi morar com o namorado, a criança nasceu, começaram as brigas com o pai da criança, se separou, voltou ao Brasil, nunca mais foi na igreja e voltou para o BBB agora com namorado novo que vivem juntos. Está no "coma-profundo espiritual" com sinais vitais fracos.


Já havia conversado com minha sogra a respeito, mas nessa semana liguei para o Brasil. Minha cunhada atendeu. Conversamos um pouco e logo perguntei: 

- “Tem ido no culto?”
- “Não”.
- “Tem levado teu filho nas Reuniões de Jovens e Menores (cultos para Crianças e Juventude)?”
- “Não”.

Daí não aguentei, perguntei:
- “Você é mais nova do que eu. Tem uma vida inteira pela frente. Você vai jogar tua vida no lixo e nunca mais vai servir a Deus?”  
Silêncio do outro lado.
- “Se para você os membros da Congregação não te aceitam mais, vai procurar uma igreja séria, Batista, Presbiteriana, Assembléia de Deus, mas sirva a Deus. Deixe de pecar. Se arrependa. Leve teu menino na igreja. Ensine a ele a verdade e a fé em Deus.”
Silêncio de novo do outro lado da linha, prosseguido por um “É difícil”.

Terminamos a ligação, dizendo que eu iria orar por ela, o que tenho feito, inclusive leitor, ajude-nos em oração também.


Na Bíblia encontramos claramente que todos pecamos. Que por obras não conseguiremos nunca a salvação. Que a salvação vem apenas por fé em Cristo e assim mesmo, a fé não é nossa, vem Dele. Encontramos também que temos que abandonar o pecado (Provérbios 28:13), e desviar-se do caminho mau (II Crônicas 7:14) e confessar o nosso pecado ao Senhor Eterno para obter o perdão (I João 1:9).


Caramba! É difícil pregar a verdade? É difícil explicar isso ao povo? Porque querem colocar sobre nós um peso que Cristo nos tirou?


Se disserem que isso vai abrir portas para o povo pecar conscientemente e depois vir pedir perdão, não entenderam nem o português que está escrito em cima “Temos que nos desviar do caminho mau e abandonar o pecado”. O problema é que parece que os ministros da igreja gostam de fechar a porta do perdão, restando ao pecador o restante de vida num limbo sem Cristo.

O único pecado que verdadeiramente é de morte (pois não há perdão) é a blasfêmia contra o Espírito Santo. O mesmo trata-se de incredulidade, descrença contínua, rejeição à verdade do evangelho, a ponto de levar o individuo dizer que o mau é bem, e o bem é mau, tal como os fariseus fizeram ao declarar que o Senhor expulsava demônios, pelo espírito de belzebu (Mateus 12:22-34).

Esse tratamento a pecadores dentro da igreja me corrói por dentro. É inaceitável que um ministro (que também é pecador) não abra a porta do perdão ao próximo que é pecador tanto quanto ele. Digo mais: Coitado daquele que está na frente do povo e não usa da verdade! No passado muitos eram analfabetos, dava-se para entender que era difícil ter acesso a verdade na Bíblia, mas hoje a maioria dos anciães, cooperadores, diáconos, presbíteros, pastores são alfabetizados. Não lêem a Bíblia porque não querem. O mesmo aplica ao povo que prefere Facebook, Youtube, novelas do que ler a Bíblia.

Receio que para nossa geração (alfabetizados) terá maior juízo do que para os do passado que eram analfabetos. Creio que a nós se aplica o que Cristo disse a Cafarnaum: “E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.” (Mt 11:23)

Não me surpreenderá se Naquele dia, muitos líderes, considerados santos ficarem de fora, enquanto muitos "pecadores de morte" terão a vida eterna! 

Resumindo: A todos nós resta apenas a verdade:

Pecador
Consequência
Deve ser aceito pelos demais membros e admoestado na verdade
Deve reconhecer o pecado, se arrependendo. Procurar forças em Deus para lutar contra o pecado, continuando tendo apoio dos demais irmãos para lutar contra o pecado


Na Paz.


2 comentários:

  1. Pois é, a igreja deveria ser um hospital para pecadores e não uma galeria de santos do pau oco.

    Alguns deixam o pecador se afogar, quando teriam que lançar a bóia... É a história que tá na boca de todo crente, mas poucos praticam: deixar 99 ovelhas pra ir atrás da ovelha perdida.

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  2. Irmão Mário, é bem por aí mesmo. Ir atrás da ovelha perdida requer energia, tempo, disposição, ânimo, além de poder se machucar no meio dos vales e espinhais da vida. Isso não é trabalho para ministros atuais.

    Como disse o John Piper ontem no Twitter: "Nenhum pastor há 250 anos atrás chamaria de 'divertido' o ministério Cristão. O que mudou, o ministério ou a palavra?"

    Na paz.

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