Pela dedicação dada por Deus a Martinho Lutero,
voltamos a utilizar Bíblia como infalível Palavra de Deus, inspirada pelo
Espírito Santo. A Palavra de Deus é única e perfeita guia a nossa fé e conduta,
e a Ela nada se pode acrescentar ou d'Ela diminuir. É, também, o poder de Deus
para salvação de todo aquele que crê. (II Pedro, 1:21, II Tim., 3:16,17; Rom.
1:16).
Lutero também foi o responsável pela Pregação da
Palavra na língua local da população, pois anteriormente as missas eram
realizadas em Latim, sendo o povo leigo nesta língua.
Abaixo, um pouco da história de Martinho Lutero.
Martin Luther, conhecido na língua portuguesa como Martinho Lutero nasceu a 10 de
novembro de 1483 no centro da Alemanha, em Eisleben, Turíngia/Alemanha. Seus
pais, João e Margarida, eram pobres - João era mineiro e lenhador - porém não
iletrado, de modo que puderam dar-lhe boa orientação educacional. Visando a
melhorar a vida econômica, fixaram residência, em 1484, em Mansfeld, onde
Martinho iniciou seus estudos. Terminando o curso da escola daquela localidade,
então com 14 anos, deixou a casa paterna e ingressou na escola superior de
Magdeburgo. Depois de um ano ali, teve que retornar à casa paterna acometido de
grave enfermidade, indo por esta razão, no ano seguinte, estudar em Eisenach.
Três anos cursou o colégio de Eisenach. Em 1501 ingressava na Universidade de
Erfurt, cidade conhecida como "Roma Alemã" pelo número de suas
igrejas e mosteiros. Obteve ali os graus de Bacharel (1502) e Mestre em Arte
(1505). No mesmo ano ingressou no curso de Direito.
Este, porém, foi interrompido visto que, a 02 de julho de 1505,
regressando da casa paterna, teve sua vida seriamente ameaçada por uma
tempestade que, por pouco, lhe tirara a vida. Fez, nesta oportunidade, um voto
a Sant’ana que, se lhe fosse dado viver, ingressaria no mosteiro para tornar-se
monge. No dia 17 de julho de 1505 as portas do convento da Ordem dos Agostinhos
fechavam-se atrás dele.
Sacerdote
Em fevereiro de 1507 foi ordenado sacerdote. Vivia, no entanto, em completo desespero, buscando, dias e noites a fio, em tremendos tormentos espirituais, resposta à pergunta: "De que maneira conseguirei um Deus misericordioso?" Reconheceu muito logo que jamais seria possível obter certeza de sua salvação mediante boas obras, pela impossibilidade de saber se são suficientes, mormente em se tratando de uma alma de consciência extremamente sensível.
Professor
Por indicação do vigário da ordem, João de Staupitz, que reconhecia em Lutero urna erudição e inteligência incomuns, Lutero foi designado professor na Universidade de Wittenberg, fundada em 1502 por Frederico, o Sábio, duque da Saxônia e presidente dos sete eleitores civis que, juntamente com sete autoridades religiosas, elegiam o imperador do Sacro Império-Romano da Nação Alemã. Ocupou ali a cadeira de Teologia. Continuou também seus estudos, instruindo-se principalmente nas línguas gregas e hebraica. A 09 de março de 1509 obteve o grau de Baccalaureus Biblicus.
Viagem a Roma
Em 1511, então com 28 anos, foi enviado em missão diplomática a Roma,
para solucionar uma divergência entre sete conventos de sua Ordem e o vigário
geral da mesma. A corrupção, imoralidade, as zombarias, o desrespeito do clero
e da cúpula da igreja para com as coisas sagradas marcaram nele uma profunda
decepção. Embora profundamente entristecido, as esmagadoras desilusões sofridas
não o levaram a descrer de sua igreja.
Doutor em Teologia
Em outubro de 1512, recebia das mãos do decano da faculdade de Teologia,
o grau de Doutor em Teologia. Assumiu, a seguir, a cadeira de Lectura in Bíblia
lecionando, à base das línguas originais, o hebraico do Antigo Testamento e o
grego do Novo Testamento, incorporando conquistas do humanismo na ciência da interpretação
de textos. Ainda em 1512, foi eleito superior do convento de Wittenberg. Em
maio de 1515, o cabido geral reunido em Gotha o designava vigário do distrito,
que compreendia onze conventos sob sua orientação e autoridade.
Preleções
As suas preleções eram tão concorridas que a elas acorriam estudantes de
todas as partes e países vizinhos. Os professores assistentes também
aumentavam. O reitor da Universidade chegou a declarar, como que em antevisão:
"Este frade derrotará todos os doutores; introduzirá uma nova doutrina e
reformará toda a igreja; pois ele se funda sobre a palavra de Cristo, e ninguém
no mundo pode combater nem destruir esta Palavra..." (Melchior, Adam. Vita
Lutheri, p. 104). Ocupando o púlpito, a capela logo não mais podia comportar os
assistentes. O senado o convidou então a ocupar a igreja paroquial da cidade.
Justificação pela fé
Nos seus conflitos espirituais, o texto bíblico que lhe trouxe a luz da
verdade e a paz de consciência veio a ser a célebre passagem da Epístola aos Romanos
(1.17), em que o apóstolo cita o profeta Habacuque: "O justo viverá por
fé" Viu que São Paulo fazia do sacrifício de Cristo o centro da verdade em
religião. Seus pecados, angústias, sofrimentos haviam caído sobre os ombros de
Cristo na cruz; Cristo fizera o que ao pecador teria sido impossível fazer com
suas penitências e méritos pessoais.
As Teses
Em 1517, Lutero quis provocar um debate público sobre a venda de
indulgências promovidas pelo Papa Leão X e o arcebispo Alberto de Mogúncia
através da Ordem dos Dominicanos. Quando pregou à porta da Igreja do Castelo de
Wittenberg, em 31 de outubro de 1517, o pergaminho com as 95 teses em latim
para serem debatidas entre os acadêmicos, conforme o costume da época, não
desejava desencadear um movimento na história da igreja. Era o pároco que, com
preocupado, via como as almas dos fiéis eram desnorteadas por um grande
escândalo, descaradamente apregoado em nome da santa Igreja: a venda do perdão
de Deus, como se fosse mercadoria, por meio de cartas de indulgência, cujo
lucro se destinava ao término da basílica de São Pedro e à cruzada contra os
turcos. Seu principal proclamador era o dominicano Tetzel. Eis algumas das
teses apresentadas por Lutero:
- Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... Etc.
pretendia falar da vida interior do cristão que deveria ser um contínuo e
ininterrupto arrependimento (Tese I)
- Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a
moeda soa ao cair na caixa à alma se vai do purgatório (Tese 27)
- Todo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e
sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse
que lhe pertence mesmo sem breve de indigência (Tese 36)
- Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira,
mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma
como garantia (Tese 52) As proposições sobre as indulgências eram completadas
por algumas outras, que continham o que viria a ser fundamental na doutrina
luterana:
- Aos olhos de Deus, não há na criatura senão concupiscências;
- Ninguém se salva senão pela graça de Deus através da fé.
O efeito dessas teses foi tão inesperado, que elas não ficaram entre os
letrados; traduzidas ao alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a
Alemanha e outras partes da Europa, chegando ao conhecimento do povo em geral.
Reação de Roma
Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittenberg. Lutero
foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas, por
interferência de Frederico, o Sábio, Príncipe da Saxônia, o Papa consentiu que
a questão fosse tratada em Augsburgo, pelo Cardeal Cajetano. Este exigia
simplesmente que Lutero se retratasse, o que este, naturalmente, não fez. Tinha
Lutero nessa época o apoio do capítulo da Ordem dos Agostinhos e do corpo
docente da Universidade de Wittenberg. Cajetano declararia depois dos três
encontros com Lutero: "Ele tem olhos que brilham, e raciocínio que desconcertam".
O Papa temia suscitar oposição cerrada entre os príncipes alemães.
Valeu-se, para que isso não acontecesse, da diplomacia. Condecorou o protetor
de Lutero, Frederico, o Sábio, com a "Ordem da Rosa Áurea da Virtude"
para afastá-lo de Lutero, e enviou o conselheiro Karl von Miltitz. Este conseguiu,
com brandura, que Lutero escrevesse uma carta ao papa, declarando sua fiel
submissão; mas reafirmou, também, sua doutrina da justificação pela fé somente,
sem os méritos de obras. Expôs e defendeu sua posição num debate com o Dr. João
Eck em Leipzig. O que precipitou o rumo das coisas foi sua declaração de que
nem todas as doutrinas de Jan Hus (queimado como herege em Constança, em 1415)
eram falsas, e que os concílios são passíveis de erros em suas decisões. Isto o
colocou à margem da igreja papal, que se fundamentava sobre a infalibilidade do
papa e dos concílios.
Cem anos antes da ordenação de Lutero, Jan Hus havia sido condenado à
fogueira pelo famigerado Concílio de Constança (1415), sob a sentença de
“pecado de heresia”. Hus teria dito ao bispo que ordenou a sua execução: “Você
pode cozinhar este ganso, mas há de vir um cisne que não será silenciado”. Não
era apenas um vaticínio, era um jogo de palavras. Seu nome, Hus, significa
ganso na língua Tcheca.
Ao ser ordenado na capela agostiniana em Erfurt, Lutero foi deitado com
seus braços esticados na forma de cruz na base do altar da capela.
Curiosamente, o lugar exato onde Lutero estava deitado, havia uma inscrição no
piso de pedra que indica que abaixo do lugar estava sepultado o bispo que
ordenara a execução de Jan Hus. O teólogo britânico, R. C. Sproul confessa: “É
uma grande tentação revisar a História e atribuir ao bispo uma resposta
apropriada às palavras de Hus que um cisne surgiria. Gosto de pensar que o
bispo respondeu: “Sobre meu cadáver!” De fato, foi sobre seu cadáver que o cisne
foi ordenado”.
Primeiros Escritos
Em 1520 escreveu três livros fundamentais mostrando o antagonismo do
sistema de salvação papal e o ensino bíblico: "À Sua Majestade Imperial e
à Nobreza Cristã sobre a Renovação da Vida Cristã",- "Sobre a
Escravidão Babilônica da Igreja" e "Da Liberdade Cristã" '
Alguns de seus pensamentos-chave aí registrados são estes: - "O cristão é
um livre senhor sobre todas as coisas e não submisso a ninguém - pela fé";
"o cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo
amor". "Não fazem as boas obras um bom cristão, mas um bom cristão
faz boas obras".
Excomunhão
A resposta do Papa foi a bula de excomunhão Exsurge Domine. Tinha ainda
60 dias para retratar-se do que havia escrito e ensinado. Em 03 de janeiro de
1521 esgotou-se o prazo dado na bula, sendo então proferido o anátema
definitivo, pela bula Decet Romanum Pontificem.
Dieta de Worms
Em 1521 reunia-se a primeira Dieta ou Assembléia do império, presidida
pelo jovem imperador Carlos V, eleito em 1520, em sucessão a Maximiliano, para
dirigir o reino "em que o sol não se punha". Lutero, intimado,
compareceu diante da assembléia em 17 e 18 de abril de 1521. Perguntado se
renunciava ao que tinha escrito, respondeu: "Não posso, nem quero retratar-me, a menos que seja convencido do
erro por meio da palavra bíblica ou por outros argumentos claros. Aqui estou;
não posso de outra maneira! Que Deus me ajude. Amém".
Tradução do Novo Testamento
Proscrito pelo imperador, foi posto em segurança pelo duque Frederico,
através de um seqüestro simulado de cavaleiros embuçados, durante sua viagem de
retomo, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua
principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para
um alemão fluente de grande aceitação popular. Os primeiros 5 mil exemplares
esgotaram-se em 3 meses. Em cerca de dez anos houve 58 edições. Em 1522, com
risco de vida, reassumiu as funções de professor em Wittenberg. Juntamente com
Felipe Melanchthon (cognominado Praeceptor Germaniae - educador da Alemanha),
seu grande amigo e colaborador, instruiu centenas de estudantes alemães,
boêmios, poloneses, finlandeses, escandinavos.
Guerra dos Camponeses
Marcou o ano de 1525 a Guerra dos Camponeses - uma revolução armada em
que os camponeses, sob federação, reivindicaram mais liberdade aos
latifundiários. Em seus objetivos políticos sociais idealizaram Martinho Lutero
como chefe. Confundiram reivindicações políticas com aspirações religiosas.
Lutero, embora compreendendo suas necessidades, viu-se forçado a distanciar-se
do movimento porque não era política a missão dele. A carnificina, com batalha
final em Frankenhausen, trouxe prejuízos ao movimento da Reforma. Mas esta, a
despeito de todos os abusos praticados em seu nome, se expandia. Lutero
procurava consolidar as igrejas e escolas que haviam aderido à Reforma em
território alemão e países vizinhos. Neste mesmo ano (1525) casou-se com uma
ex-freira, Catarina de Bora, de cujo casamento lhes nasceram 6 filhos.
Culto e Liturgia
De 1527 a 1529 esteve empenhado na organização da Igreja Evangélica.
Compositor e poeta, compôs trinta e sete hinos. Cabe-lhe a celebridade de
popularizar o Lied eclesiástico. Era também conhecido como o "Rouxinol de Wittenberg".
Traduziu a ordem da missa para o alemão - Deutsche Messe 1526 - a partir do que
os cultos passaram a ser celebrados na língua do povo, e não no latim que
ninguém entendia.
Os dois Catecismos
Em 1529 redigiu dois manuais de instrução, até hoje em uso nas igrejas
luteranas: "Catecismo Menor" e "Catecismo Maior" Os dois
volumes apresentam, em seis partes, um sumário da doutrina cristã. O primeiro é
escrito, especialmente, para as crianças; o segundo, para os pais. Justificando,
o Reformador afirma: "A lamentável e mísera necessidade experimentada
recentemente, quando também fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a
preparar este Catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e
singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe
nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias". Numa outra
oportunidade afirma: "Eu também sou doutor e pregador, e, na verdade,
tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e ainda assim não me saio como
quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo".
Somente a Escritura
No mesmo ano realizou-se, no mês de outubro, um encontro entre Ulrico
Zwínglio e Lutero para um debate doutrinário, denominado Colóquio de Marburgo,
urna controvérsia eucarística. O pregador Zwínglio, que vivia na Suíça, também
reconhecera a apostasia da igreja romana, pregando a Palavra e testemunhando
contra as indulgências. Diferia, no entanto, da doutrina de Lutero e a
discrepância básica resumia-se na pergunta: Os artigos de fé devem basear-se
exclusivamente na Palavra de Deus ou também na razão humana? Não chegaram a um
acordo, visto que a resposta de Lutero não admitia dúvida: A Escritura, e nada
além dela, é fonte de artigos de fé, como também, mais tarde, a Fórmula de
Concórdia o expressa: "Cremos,
ensinamos e confessamos que somente os escritos proféticos e apostólicos do
Antigo e do Novo Testamento são a única regra e norma segundo a qual devem ser
ajuizadas e julgadas igualmente todas as doutrinas e todos os mestres".
Confissão de Augsburgo
Auxiliou o duque João Frederico a delinear sua estratégia em relação à
Dieta de Augsburgo (1530), convocada pelo imperador para superar o cisma.
Acompanhou a redação, por Felipe Melanchthon, duma defesa oficial, que veio a
chamar-se Confissão de Augsburgo.
O documento - a primeira e mais notável das confissões evangélicas - foi lido em público à assembléia imperial, em nome de príncipes e cidades partidárias da Reforma, a 25 de junho de 1530. Era Composto o documento de duas partes: uma, dogmática; outra, apologética. Argumentavam na Confissão que, quanto à doutrina, continuavam fiéis ao que a igreja vinha ensinando à base das Escrituras Sagradas, conforme os Credos Apostólico e Niceno; com respeito ao culto, mantinham os ritos antigos consentâneos ao evangelho, cancelando apenas aqueles costumes, ritos e cerimônias que obscureciam a glória de Jesus Cristo como o único Mediador entre Deus e Os homens. Reivindicaram, por conseguinte, o direito de conviver em Paz com o papa e os bispos no seio da igreja do império. O imperador, ouvida a Confissão, determinou que os teólogos de Roma elaborassem a Confutação Católica à confissão de Augsburgo. A 03 de agosto fez-se a leitura desta. Não terminava ainda a apresentação de confissões religiosas, e Lutero e Melanchthon responderam à Confutação com a Apologia da Confissão de Augsburgo, de alto valor teológico, mas da qual a Dieta não quis tomar conhecimento. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms. Embora desaconselhados por Lutero, constituiu-se em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada "Lida de Esmalcalde". Porém, em vista do perigo dos turcos às portas do império, em Viena, o imperador dependia do auxilio militar dos príncipes evangélicos; por isso, pela Paz de Nüremberg, para a qual Lutero muito contribuiu, em 1532, permitiu aos adeptos da Confissão de Augsburgo a persistirem nas suas doutrinas e concedia-lhes ainda outros privilégios. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da igreja.
Tradução do Antigo Testamento
Não houve, assim, apesar dos esforços, uma maneira de restabelecer a
unidade na igreja e no império. Em 1534 Lutero terminava uma tarefa em que
havia trabalhado mais de 10 anos: a tradução do Antigo Testamento para o
alemão. No mesmo ano pode-se publicar, então, a Bíblia completa. Em 1536 Lutero
redigiu, por solicitação do duque João da Saxônia, artigos para serem
apresentados num "Concilio geral livre" convocado pelo Papa. Os
Artigos de Esmalcalde, porém, não chegaram a ser apresentados. Os líderes
evangélicos concluíram que o concilio não seria livre e se negaram a participar
do Concílio de Trento (l545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no
pontificado de Paulo III.
Paz de Augsburgo
A Paz de Augsburgo, em 1555, atendeu de certa forma, aos reclamos dos
evangélicos. Substituiu a tolerância religiosa nestes termos: os príncipes e
cidadãos do império respeitariam a filiação religiosa de cada um, e o povo
teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de
emigrar a território que tivesse a confissão desejada.
Martinho Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de
1546, em sua cidade natal, Eisleben, depois de solucionar um litígio entre os
condes de Mansfeld. Com grande cortejo fúnebre e ao som de todos os sinos, Lutero
foi sepultado sob as lajes da igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre
pregava o evangelho.
Contra-Reforma
A Contra-reforma, liderada pela ordem dos jesuítas, reconquistou vários
territórios que tinham aderido à Reforma. Não obstante, a doutrina, o culto e a
piedade preconizados por Lutero se enraizaram na Alemanha, nos países bálticos,
nos países escandinavos e na Finlândia. Através doutros reformadores, foram acolhidos
na França, Inglaterra, Escócia e Países Baixos. Em todos estes países, a Reforma
ocasionou extraordinário desenvolvimento cultural, notadamente na educação,
ciência, economia e política. Pela emigração, os "Luteranos" se
espalharam por todos os continentes. Contam, hoje, cerca de 70 milhões. Frade,
sacerdote, professor, doutor em Teologia, pregador considerado o primeiro de
seu tempo, escritor vigoroso e de grande riqueza lexicografia, fixador da
língua alemã, poeta e músico, Lutero abalou o mundo de seus dias e sobre ele se
tem pronunciado o juízo dos séculos.
Pronunciamentos sobre Lutero
O historiador Schaff diz que "este foi o maior homem que a Alemanha
produziu e um dos maiores vultos da história". Goethe dá o seu testemunho
nestes termos: 'Dificilmente compreendemos o que devemos a Lutero e à Reforma
em geral. Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (“...)
compreendemos o cristianismo em sua pureza”. Heinrich-Heine, o poeta excelso,
exclama: "Honra a Lutero, a quem devemos a reconquista dos nossos direitos
mais sagrados, e de cujos benefícios vivemos hoje em dia. Através de Lutero
adquirimos a liberdade religiosa. Criou a palavra para o pensamento. Criou a
língua alemã, através da tradução da Bíblia": Dollinger, historiador
católico liberal, diz: "Lutero deu aos alemães o que nenhum outro jamais
dera a seu povo: a língua, a Bíblia, a hinologia..." É reconhecido como
"pai da alfabetização". Dirigiu-se aos pais através de profusas
publicações, encarecendo-lhe a escola e a educação dos filhos como necessidade
inadiável, para a pátria e a igreja verem melhores dias. Um escritor moderno
declarou: "A Lutero deve a Alemanha seu esplendido sistema educacional -
em suas origens e concepções. Porque ele foi o primeiro a reclamar uma educação
universal, uma educação do povo todo, sem consideração de classe". Deixou
à posteridade, em sua fecundidade literária, dezenas de volumes contendo obras
doutrinárias, apologéticas, exegéticas, homiléticas, pastorais e pedagógicas.
Funck-Brentano, célebre historiador contemporâneo assim se expressa:
"Qualquer que seja o julgamento formulado em torno da doutrina religiosa
de Martinho Lutero, é preciso reconhecer nele uma das mais poderosas
personalidades que o mundo conheceu. Sua energia, seu valor, sua poderosa ação
- que decorriam em grande parte da intensidade de suas convicções - estão acima
de todo elogio. Calculou-se que seriam precisos a um homem dez anos de vida
para simples cópia das cartas, orações e inumeráveis escritos do reformador, e
Lutero não só redigiu suas obras, mas pensou-as, deu-lhes estudo e reflexões,
corrigiu-as, e isso entre ocupações múltiplas, quase sempre absorventes e das
mais diversas, suas prédicas, sua atividade social e política, os cuidados e o
tempo que consagrou aos antigos e à família" (Martim Lutero, pág. 22, Ed
Veccki). Dezenas de testemunhos dessa natureza poder-se-ia acrescentar à sua
pessoa. Os exemplos citados, porém, exemplificam o veredito sobre sua pessoa
obra deixada até os nossos dias atesta a sua grandiosidade.
Texto adaptado de: Gênios
Mundiais
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