Na igreja que
freqüento, sempre fomos ensinados que devemos nos abster do pecado. Até aí tudo
certo, de acordo com a Bíblia essa afirmação é correta. O problema surgia no “o
que é pecado” e “se eu pecar, como fica?”
Segundo os
ensinamentos passados oralmente dentro da comunidade que freqüento, “pecado” é
resumido a pecados de cunho sexual: “adultério e fornicação”. E para aquele que
comete esses pecados, “morreram diante de Deus e não tem mais direito a vida
eterna”.
Por tempos esta foi a
minha guia. Se pecado é adultério e fornicação, eu sou um homem que não peca.
Por isso ia à igreja com intuito de receber bênçãos de Deus e forças para
caminhar. De vez em quando mentia, de vez em quando tinha inveja, de vez em quando
maldizia alguém, e tudo isso não me afetava, pois não tinha pecado. Talvez Deus
não gostasse por isso eu pedia “perdão por meus erros”, mas pedia apenas por
pedir, pois eu não necessitava de um perdão grande de Deus, pois eram erros e
não pecados.
Vivi assim por anos a
fio dentro da denominação que até hoje sou membro. Tudo estava bem até que um
dia convidei um amigo meu para vir comigo na minha igreja. Ele era membro de
uma igreja evangélica em Caxias do Sul e quando ouviu nos testemunhos uma frase
manjada: “Dou graças a Deus pela vida eterna que concederá a
minha alma se eu for firme e fiel até ao fim”. Ele se coçou
inteiro.
Voltamos para casa, eu
esperava que ele estivesse feliz por ver a ordem interna da minha igreja, pela
Palavra (mensagem) ser revelada e já pensava nele se convertendo e batizando,
afinal eu até aceitava que pessoas de outras denominações fossem salvas, mas
cria que na minha igreja tinha a verdade, portanto seria bom para a alma dele
fazer parte da minha igreja. Entretanto, levei um balde de água fria com a
resposta dele: “Gostei da tua igreja, por vocês terem uma antena virada para o
Espírito Santo na revelação da mensagem, mas na doutrina vocês vi muitos
erros.” Na doutrina? Mas a doutrina nossa sempre foi rígida: Homem não pode
andar de bermuda, mulher não pode cortar o cabelo, etc. pensei. Dai ele me
expôs a respeito da salvação pela fé unicamente e o simples adicionar de algo a
mais é diabólico. Nada que possamos fazer nos levará a justificação. Nenhuma
obra humana nos salvará. Receber a salvação porque "foi firme e fiel até o fim" está dando um mérito a salvação: Só recebo a salvação se eu for firme e fiel até o fim. Isso é diabólico. A salvação é imerecida e não se pode conquistar. A salvação é um ato de fé, aonde mesmo que viermos a pecar diante de Deus, essa fé nos justificará diante de Deus.
Tivemos esta conversa
no final de 2008. Preciso confessar que a discussão foi longa. A principio eu
me enervei, “então posso pecar, adulterar que Deus me perdoará?”. Esse meu
amigo disse que sim. Daí eu reputei ele como louco e disse que não conversaria
mais com ele a este respeito.
De fato fiquei um tempo sem conversarmos a respeito, mas tenho que confessar: aquela conversa deixou dentro de mim uma semente. Volta-e-meia me via com
pensamentos voltados para aquela conversa. Comecei a ler mais a Bíblia e também
pesquisar coisas que não entendia na internet.
Uma das primeiras
coisas que me fez procurar na internet foi sobre o dom de línguas, tão
difundido na igreja que freqüento. Não entendia porque para ter alguns cargos
dentro da igreja era fundamental “ser selado com a promessa do Espírito Santo
com evidência de novas línguas”. Paulo mesmo disse na igreja dos Coríntios que
a Profecia era maior que o dom de línguas e que o dom de língua sem intérprete
para nada vale, apenas consola aquele que manifesta. Um site que me ajudou
muito foi o Estudos da Bíblia. Nele Deus foi me fazendo entender que o
homem é mau por natureza desde o pecado de Adão, mas Deus por infinita bondade
quis trazer o homem para perto de si, justificando-o. Primeiramente, Deus
instituiu a Lei, através de Moisés. Aquele que cumprisse os mandamentos de Deus
pela Lei, seria justificado, mas homem nenhum conseguiu alcançar a justificação
pelas obras, e o Verbo que estava com Deus desde o início se tornar carne em
Jesus Cristo, e morrer por nós na cruz num sacrifício vicário, tomando sobre si
a ira de Deus por causa dos nossos pecados.
Meu amigo mudou-se
para a Bolívia. Já perto de completar 50 anos de idade, conseguiu juntar as
condições financeiras para realizar seu sonho: Ser médico para tratar dos mais
necessitados. E eu continuei a pesquisar sobre as coisas de Deus. Começamos então a conversar a respeito da salvação novamente. A semente dentro de mim tinha germinado. Era frágil, mas já tinha nascido uma verdadeira conversão dentro de mim.
Uma noite, logo após o
culto na minha igreja, aonde a Palavra veio novamente prometendo bênçãos aos
ouvintes, estava angustiado em casa, pois queria muito ouvir uma pregação a
respeito da alma, da salvação, sobre servir a Deus. Estava querendo saber se tudo
aquilo que via na internet era verdadeiro sobre a Palavra de Deus, assim acabei
topando com um vídeo no Youtube intitulado Pregação Chocante de um pastor chamado Paul Washer. Disse
para mim mesmo: “vamos ver o que é isso, deve ser mais um fanfarrão prometendo
um monte de bênçãos materiais”. Comecei a assistir ao vídeo e rapidamente me
identifiquei como um daqueles que “pensam estar servindo a Deus, se acham
cheios de Deus quando na verdade estão cheios de pecados e imundícias”.
Quando o vídeo
terminou, meu coração estava quebrantado. Eu me achava muito crente, quando na
verdade era um grande pecador, longe de Deus. Do que adiantava não adulterar,
quando na verdade eu era um mentiroso que nunca se arrependia? Do que adiantava
eu ir a igreja, mas continuar sendo um egoísta, maldizente? Eu não
cometia erros. Eu pecava diante de Deus! (I João 1:8-10,
Apocalipse 22:15, 21:8, Gálatas 5:19-21). A plantinha dentro do meu coração começava a dar o primeiro fruto: Arrependimento.
Neste ínterim, comecei a
procurar por blogs na Internet sobre a Palavra de Deus e sobre a doutrina na
minha igreja. Foi daí que encontrei vários blogs que estão na seção ao lado “Eu
Indico”, como Blog do Mário, Bora Ler, Púlpito Cristão, Desiring God, Voltemos ao
Evangelho, Ministério Beréia, Alan Capriles, entre outros.
Dou graças a Deus por
esta grande chance que Ele me deu, me mostrando a verdade. Quão bom é
colocar o pecado no lugar do pecado e não o manipular, chamando de erro. Erro
não conduz a arrependimento, apenas a um pedido de desculpas. Pecado leva a
pessoa a meditar e se arrepender. Deus ama aquele que se
arrepende! (I João 2:1-2, II Pedro 3:9, Lucas 15:7)
Hoje tenho consciência
que não consigo me salvar. Quando me lembro do que era, do que pensava, eu
sinto nojo. Quão prepotente eu era!!! Sou extremamente
necessitado da Graça de Cristo. Sou um homem pecador, mas pecador mesmo, um
lixo se não fosse a misericórdia de Deus em me restaurar por Cristo. Tratava a
Graça de Deus pelo nome da minha igreja. Repudiava aqueles que tinham cometido
adultério e fornicação. Hoje vejo que não sou diferente deles.
A Graça de Cristo me
nivelou como humano a todos os pecadores. Antes eu me achava melhor do que os
outros, porque pensava que “era filho de Deus”. Hoje eu vejo que Deus quer
estender sua Graça a todos aqueles que se arrependerem de seus pecados e crerem
em Cristo. Hoje meus irmãos em Cristo não são aqueles que fazem parte da minha
denominação, mas todos aqueles que fazem a vontade de Deus, independentemente de igreja ou denominação. Deus me ensinou a
orar por todos e pedir misericórdia por todos. Hoje eu luto contra meus
pecados e quão difícil é lutar contra eles, mas aprendi que se não
for Cristo me libertar deles, em vão eu luto contra eles. “SE o Senhor
não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o Senhor não guardar
a cidade, em vão vigia a sentinela". (Salmos 127:1)
Hoje eu mais agradeço
a Deus do que peço algo a Ele. Hoje eu só sei me arrepender dos meus pecados e
rogar misericórdia de Deus para comigo. Hoje eu verdadeiramente entendo que
Cristo é tudo na minha vida. Pouco a pouco estou entendendo que o “Viver é com
Cristo e o Morrer vou para Cristo”. Hoje me sinto parte da Igreja de Cristo, da Esposa de Cristo. Uma igreja que não tem paredes e não tem tabuletas com nome e estatutos materiais.
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem
sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.
Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora
vem, Senhor Jesus.
(Apocalipse 22:17 e 20)
na verdade tenho acompanhdo seu blog e me identifico muito com seus textos inclusive aprendi muito com Paul Washer vivemos situações e questionamentos bem parecidos, gostaria de poder convesar mais com vc não precisar postar este comentario se tiver interesse em dividir experiencias em Cristo e na sua obra entra em contato meu email e rapesane@yahoo.com.br seu irmão em Crito Raimundo Penaforte
ResponderExcluirAmém amado irmão Raimundo.
ResponderExcluirTe enviei email. Sempre que quiser contactar, pode fazê-lo por email ou pelo blog. Não uso messenger e raramente uso facebook, portanto os melhores meios de comunicação para mim é email ou pelo blog.
Deus te abençoe.
HP
Então, Henrique...
ResponderExcluirSei bem do que você fala, pois quando saímos do igrejismo imposto encontramos irmãos em outros arraiais. Esbarramos, no mundo lá fora, com semelhantes iguaizinhos a nós mesmos. Enxergamos A Verdade que nada tem a ver com exclusivismos (supostamente) espirituais.
É tão simples.
Mas, como não é fácil (porque implica em sair do si-mesmo e render-se), o homem prefere ser religioso inventando e reinventando doutrinas, acrescentando o que Deus não disse.
Não existe pecadinho e pecadão e nós somos justificados unicamente pela fé.
Arrependimento é algo EXCLUSIVAMENTE PESSOAL e não coletivo ou denominacional. Arrependimento vem de uma contundente mudança de conceitos 'divisora de águas' mas também é mudança constante pelo resto da vida pois nós NOS SABEMOS falhos e sabemos ainda que em nós jamais haverá perfeição. Mas que já nos entregamos a um Jesus que nos 'zerou' TODOS os nossos pecados antes mesmo de cometê-los, veja que 'loucura'!!!
Como disse, certa vez, um pregador: quando essa revelação se instala EM VOCÊ, não há garantias de perfeição, MAS há garantia de que VOCÊ SABE que nunca mais terá alternativa FORA DA GRAÇA.
Graça esta, que não está vinculada a nenhuma instituição/doutrina religiosa.
Abs.
É mesmo Regina. Concordo plenamente com você.
ExcluirVocê sabe que muitas igrejas fundadas a partir do séc. XX, incluindo entre elas a CCB, deram muita ênfase apenas ao “Manifestar do Espírito Santo”. Muitos, talvez pela simplicidade e até por não saberem ler, deixaram os estudos das escrituras de lado. E aí mora o perigo.
Há tempos ouvi uma pregação de Apocalipse, feita pelo Rev Hernandes Dias Lopes, que explicava a respeito de Éfeso. Esta igreja era conhecida pela ortodoxia e seguimento à risca da doutrina, mas pecava pelo amor. Nesta pregacao, o reverendo dizia que não adianta apenas termos teologia, se não tivermos o Espírito Santo nos guiando em amor, mas da mesma forma não adianta termos o amor e não termos o Espírito Santo nos guiando na teologia.
Uma igreja saudável é guiada em tudo pelo Espírito Santo, aonde tem profecia, tem cura, tem amor, tem doutrina, tem misericórdia, tem paciência e tantos outros atributos lindos vindos de Deus.
Só que esse entendimento só vem através da leitura e do entendimento das escrituras. Isso não é fácil, mas em dias que temos versões atualizadas da Bíblia, sites e blogs sérios a respeito da Palavra de Deus, acesso a teólogos e pregadores que não buscam a autopromoção, mas a promoção do Evangelho de Cristo, penso que não temos mais desculpas diante de Deus. Só não se aproxima de Cristo aquele que não quer. Mas infelizmente dentro das igrejas hoje em dia há muitos “movidos pela inércia” que preferem que os líderes, pastores, anciães coloquem nas suas bocas a Palavra mastigada do que ir atrás do alimento sólido.
Infelizmente hoje em dia, muita “comida mastigada” tem vindo estragada ou com o sabor alterado.
Na paz.
H.
ResponderExcluirAdmiro muito seu estilo e da forma serena como você aborda os vícios dentro da denominação escolhida. O nome disso é maturidade. Deus te abençoe.
R.
Regina,
ExcluirEspero que Deus me conserve a serenidade. Tem vezes que dá vontade de chutar o balde, mas quando isto acontece, lembro que há muitas pessoas boas que se eu "chutar o balde", elas podem vir a se escandalizarem.
Como o Mestre nos disse que é melhor nos suicidarmos (atarmos uma mó de atafona no pescoço e lançarmo-nos no mar) em lugar de escandalizar um pequenino, continuo rogando a Ele forças para pouco-a-pouco levar a verdade aos corações, de maneira que, Deus querendo, Sua obra seja completa nos corações.
Abraço,
Henrique