Por: HP
“O ato de confessar
pecado é parte tanto do Velho como do Novo Testamento. Sob a velha aliança, os
sacerdotes e guias confessavam seus próprios pecados e os pecados do povo a
Deus (Levítico 16:21; Esdras 10:1, 11; Neemias 9:2, 3). Freqüentemente, esta
confissão era ligada com os dias santos ou com os sacrifícios individuais pelo
pecado. As pessoas também confessavam seus próprios pecados diretamente a Deus,
em oração, ou os confessavam uns aos outros (Números 5:7; Josué 7:19-21; Daniel
9:4,5,20).
Sob a nova aliança,
pecamos mesmo depois de termos aceitado a Cristo (1 João 1:8 e 10), mas as
pessoas foram mandadas confessar seus pecados umas às outras (Tiago 5:16) e
foram asseguradas de que Deus as perdoaria (1 João 1:9). Sob a nova aliança, o
povo não confessa seus pecados aos sacerdotes, porque não havia nenhuma classe
especial de sacerdotes na igreja no Novo Testamento. Em sua primeira carta,
Pedro, o apóstolo, esclareceu que todos os cristãos são parte do santo
sacerdócio que oferece sacrifícios espirituais aceitáveis por Deus, através de
Cristo Jesus (1 Pedro 2:5).” [1]
Meditando nesta parte de
confissão de pecados, vemos que Tiago nos instruiu a confessarmos nossos
pecados uns aos outros. Sabemos que o pecado gera vergonha. O exemplo mais
clássico de vergonha por haver pecado, encontramos em Adão e Eva (Gênesis
3:10). Há outros exemplos como quando Davi se envergonhou do seu pecado diante de Deus ou Pedro quando se envergonhou
por haver negado o Senhor e já não tinha mais esperanças.
Normalmente o ser humano
não gosta de demonstrar seus pontos fracos, mas sempre procura exaltar seus
pontos fortes. Vemos por exemplo uma entrevista de emprego. O candidato somente
fala de seus pontos fracos se for perguntado pelo entrevistador e, ainda assim,
muitos acabam por “suavizar” os seus pontos fracos ou até mesmo mentir sobre
eles. Ninguém quer falar sobre o que verdadeiramente ele é.
Sabemos que pecados são
coisas íntimas que temos com Deus. São momentos débeis da nossa vida que
sabemos que Deus viu e sabe deles, mas não queremos que mais ninguém saiba. Na
igreja atual, o pecador descoberto é colocado num estandarte (mesmo que seja se
sentar no último banco para o resto da vida), enquanto o arrependimento não é
exaltado e muitos hipócritas (pecadores não descobertos) continuam a sorrir, a participar da vida da igreja e até mesmo a exortar, admoestar e corrigir o pecador descoberto.
Há pecados que colocam a
pessoa numa amargura terrível, fazendo a pessoa se sentir um morto-vivo
espiritual, incapaz de ter novamente o perdão de Deus. A pessoa caminha os seus
dias na terra sem esperanças. Uns são descobertos diante da igreja, mas outros não.
Também há pessoas que tem consciência dos pecados que cometem, mas não tem
arrependimento neles, continuando a pecar sempre. Estes também podem ser ou não
descobertos por toda a igreja.
Talvez seja por isso que
Tiago nos instruiu a confessarmos nossos pecados uns aos outros. Em uma igreja
ideal aonde a mentira, hipocrisia e desnível entre cristãos fossem extirpados
entre nós, todos verdadeiramente seríamos irmãos em Cristo. Confessar os
pecados uns aos outros traria grandes benefícios. Para aquele que pecou e não
tem esperanças, poderia ver “a luz ao final do túnel”, trazendo esperanças de
perdão para com Cristo, e para aqueles que pecam e não é gerado arrependimento,
poderia trazer arrependimento e vergonha em ter que confessar seus pecados para
os próximos.
Sei que este tipo de
atitude se assemelha muito aos Alcoólicos ou Narcóticos Anônimos, mas esta foi
a idéia de Tiago encontrada em Tg 5:16. Precisamos nos ajudar mutualmente.
Haveria verdadeiramente um laço de irmandade entre nós. Lembremos que todos
somos pecadores. Todos pecamos. Muitas máscaras cairiam, muito choro haveria,
quebrantamento de corações surgiria, laços de confiança seriam criados, força para resistir ao pecado apareceria! Com
certeza a igreja seria muito abençoada e mais saudável do que é atualmente,
aonde há muitos pecadores sem esperança de perdão, vivendo como mortos-vivos ou
também muitos hipócritas, que mostram uma face de “crentão” e são verdadeiros "sepulcros caiados" (Mt 23:27) precisando muito de Deus para perdoá-lo de seus pecados.
Oremos ao Senhor para
que com Sua ajuda, pouco a pouco possamos cumprir esse mandamento nos deixado
por Tiago, confessando nossos pecados uns aos outros. Uma igreja mais saudável,
com verdadeiros cristãos surgirá. Com certeza, seremos muito mais resistentes ao pecado e consequentemente, o diabo fugirá de todos nós.
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[1]
adaptado de : http://www.estudosdabiblia.net/a17_2.htm
Henrique,
ResponderExcluirO que eu acho mais incrível é que Jesus queria que entendêssemos que, à medida que fôssemos confessando uns aos outros as nossas falhas, nossas deficiências, nossos vacilos, nossas teimosias, nosso orgulho, nossa pisada de bola, etc, nós íamos sendo curados, sendo perdoados... Creio que é a esse tipo de cura e perdão que Ele se refere. E não a religiosidade punitiva e ameaçadora da igreja instituição que expõe a pessoa; não a 'correção' estabelecida pela igreja punitiva e ameaçadora deixando a pessoa mais aflita e sentindo-se a pior das pecadoras em meio a um grupo de pseudo-piedosos, religiosos hipócritas de telhado igualmente de vidro.
Gostei do blog, vamos trocar ideias rss
Abs!
Regina,
ResponderExcluirSeja mais do que bem vinda!
De vez em quando, Deus me visita com pensamentos na Sua Palavra e rapidamente meus dedos começam a digitar algo. Mandava alguns textos a alguns irmãos por email, mas decidi abrir o blog, pois há textos edificantes de outros autores e vídeos que mexem dentro de mim que decidi catalogar aqui.
Sei que não sei tudo, portanto é importantíssimo o diálogo para aprendermos mais na Graça de Cristo.
Grande abraço.